2016: Livro de Mórmon – Dia 11

2016 é o ano curricular do Livro de Mórmon para membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Imagem inspirada na descrição das Placas de Ouro por Joseph Smith

Estamos dedicando uma postagem diária durante o ano cobrindo todo o texto do Livro de Mórmon com comentários adicionais aos que os membros da Igreja SUD teriam em seus manuais curriculares correlacionados. Postagens passadas podem ser encontradas aqui.

O trecho de hoje é: 1 Néfi 9

Primeiro Livro de Néfi

Capítulo 9

E todas estas coisas meu pai viu e ouviu e disse enquanto vivia numa tenda, no vale de Lemuel; e também muitas outras mais que não podem ser escritas nestas placas.

Indubitavelmente parecerá uma repetição tediosa, porém o tema da implausibilidade do contraste entre a prolixidade desnecessária para escritor manualmente entalhando um livro em placas de metal e a verborragia de um autor improvisando uma narração oralmente manifesta-se em inúmeras passagens durante todo o Livro de Mórmon.

Além de haver já mencionado “muitas outras mais que não podem ser escritas nestas placas”, Néfi interrompe o fluxo da narrativa para repetir o mesmo conceito sem qualquer necessidade contextualmente relevante. Qualquer leitor acompanhando a narrativa sabe que Lehi está vivendo “numa tenda” e que está no “vale de Lemuel” e que ele diz coisas que não cabem “nestas placas” pelo simples fato destas informações já se encontram na narrativa que a precede.

Ademais, estas informações não adicionam ao fluxo de narrativa que a segue, sendo inteira e contextualmente desnecessárias para a discussão presente sobre o sonho de Lehi.

E agora, conforme falei sobre estas placas, eis que elas não são as placas nas quais faço um relato completo da história de meu povo; pois dei o nome de Néfi às placas nas quais faço um relato completo de meu povo; elas são, portanto, chamadas de placas de Néfi, segundo meu próprio nome; e estas placas também são chamadas de placas de Néfi.

Esse tipo de interrupção na narrativa faz muito mais sentido com uma pausa no trabalho de narração oral. Smith e Cowdery, retomando o trabalho da sessão anterior e iniciando uma nova sessão de narração e anotação, revisam os acontecimentos e o contexto da sessão, ou do dia, anterior. Uma analogia moderna são os primeiros minutos de seriados de televisão, onde o narrador diz “no episódio anterior” e algumas rápidas cenas do episódio passado atualizam ou relembram a audiência do que estava ocorrendo antes.

Não obstante, recebi um mandamento do Senhor para fazer estas placas, com o fim especial de deixar gravado um relato do ministério de meu povo.

Circulando ainda em torno do mesmo assunto.

Nas outras placas deve ser gravado um relato do governo dos reis e das guerras e contendas de meu povo; estas placas tratam, portanto, na sua maior parte, do ministério, enquanto as outras placas tratam principalmente do governo dos reis e das guerras e contendas de meu povo.

Circulando ainda em torno do mesmo assunto, sem avançar a narrativa, sem introduzir temas relevantes.

Ademais, o resto da narrativa do Livro de Mórmon não corresponde à essa descrição. A saber:

Ordenou-me, portanto, o Senhor que fizesse estas placas para um sábio propósito seu, o qual me é desconhecido.

Entre abril e junho de 1828, Smith ditou para Martin Harris, servindo como seu escrivão pessoal, o equivalente a 116 folhas de papel ofício. Harris, pressionado por sua esposa, que temia que Smith tivesse usando-o por seu dinheiro, instigou Smith a emprestar-lhe as 116 folhas para demonstrar a ela que eles haviam realmente produzido um texto sacro e financeiramente viável em si. Lucy Harris, ao que tudo indica, em julho de 1828 roubou e escondeu o manuscrito, supostamente para poder testar se Smith seria capaz de reproduzir a tradução fielmente ao comparar este texto com a nova produção. Smith, contudo, suspendeu o trabalho até abril de 1829 e reiniciou a narrativa (deste vez com Oliver Cowdery como escrivão) de onde havia suspendido com Harris quase um ano antes (i.e., a partir do Livro de Mosias). Após haverem terminado o Livro de Moroni, Smith e Cowdery recomeçaram do começo com o Livro de Néfi, e aqui a narrativa explica para o leitor o motivo pelo qual esses trechos revisitados não poderiam ser comparados com o texto reproduzido nos manuscritos roubados.

Mas o Senhor conhece todas as coisas, desde o começo; portanto, ele prepara um caminho para realizar todas as suas obras entre os filhos dos homens; pois eis que ele tem todo o poder para fazer cumprir todas as suas palavras. E assim é. Amém.

Lucy e Martin Harris divorciaram-se logo após haverem perdido sua fazenda e seu lar por causa da hipóteca que financiou a publicação do Livro de Mórmon, a despeito das objeções de Lucy. De acordo com Lucy Mack Smith, Harris também batia em Lucy (Early Mormon Documents 1:3672:34) e a traía durante esse tempo, o que pode ter contribuído com o divórcio.

Logica e racionalmente falando, não haveria nenhum motivo para Smith e Harris repetirem a tradução das 116 folhas. Se eles conseguirem reproduzir uma tradução similar ou idêntica, ficaria claro para Lucy e demais céticos que eles trabalhavam numa tradução de um texto ao qual tinham acesso, e não uma improvisação fictícia. Se eles reproduzissem o texto e alguém publicasse as 116 folhas adulteradas, as mudanças realizadas em folhas de ofício com manuscrito em tinta escritos à mão seriam óbvias e facilmente detectadas por inspeção simples.

A primeira edição do Livro de Mórmon (1830) trazia uma explicação, além deste trecho por Néfi, explicando que as páginas roubadas não foram retraduzidas para evitar comparações com textos adulterados. Não obstante, tais “homens do mal” sequer tentaram adulterar e publicar as 116 folhas, o que sugere a idoniedade do furto como fonte de teste racional e objetivo.


Leia o texto do Livro de Mórmon aqui em sua última versão em português publicada pela Igreja SUD.

Leia os nossos comentários adicionais do Livro de Mórmon aqui.

2 comentários sobre “2016: Livro de Mórmon – Dia 11

  1. É incrível observar o quanto a fé das pessoas podem afetar uma mente centrada em ceticismo e profunda falta de despeito moral. Se você acha o livro de mórmon confuso é porque o lê pensando unicamente em desmenti-lo. O fruto de um pensamento como este é a completa falta de respeito mostrada através de uma ironia estapafúrdia e um texto jornalístico pobre e vergonhoso. Lembrando-o que Jesus Cristo foi o único ser perfeito que passou por esta Terra logo todas outras pessoas que por aqui passaram e passam foram e são imperfeitas, você não pode julgar uma crença pelos erros dos homens. Até porque para alguém tão letrado como você seria até vergonhoso julgar sem provas contundentes.
    Sei que o livro de mórmon é verdadeiro independente do que qualquer pessoa diga. Sei que Deus o Pai e Jesus o Filho me amam e apareceram a Joseph Smith, sei que as doutrinas que acredito são verdadeiras, sei que a igreja é perfeita, sei que o mundo é repleto de vangloriações e desrespeito e que nesta última dispensação surgirão uma legião de pessoas como você cujo ponto de vista sobre as doutrinas é maligno e indigno. Espero que você perceba que seu “estudo” traz apenas coisas ruins tanto para você quanto para os que lêem seu post. Espero também que as pessoas que leiam sua “matéria” não sejam alienadas por sua concepção limitada sobre o evangelho e a história da Igreja. Ainda há tempo para se arrepender ainda há tempo para conhecer a verdade basta apenas procurar com sabedoria, fé e diligencia.

    • É mister notar que, para um artigo dedicado a análise textual racional, lógica, e factual, sua contra-posição é recheada de xingamentos vazios e esperneios chorosos, mas ausente de lógica, fato, ou argumento racional.

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