Senador Mórmon Defende Estuprador, Critica Vítima

O Senador Federal dos Estados Unidos da América Orrin Hatch, membro d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, eleito ao Senado Federal pelo estado de Utah, saiu publicamente em defesa do então Juiz Federal Brett Kavanaugh, indicado pelo Presidente Donald Trump à Suprema Corte, da acusação de tentativa de estupro, chegando a abertamente criticar sua acusadora.

Senador Orrin Hatch, à esquerda, em viagem com o Apóstolo SUD Dieter Uchtdorf (Fonte: Facebook)

Kavanaugh foi acusado pela professora de psicologia da universidade de Palo Alto e pesquisadora da faculdade de medicina da universidade de Stanford, Christine Blasey Ford, de tentar estuprá-la quando ambos estavam no colegial, ela com 15 anos de idade e ele 17.  Assim que o nome de Kavanaugh foi anunciado como potencial candidato à vaga na Suprema Corte, Blasey Ford entrou em contato com o jornal The Washington Post e com a sua Deputada Federal Anna Eshoo sob condição de anonimidade. Ambas entraram em contato com a Senadora Dianne Feinstein, do comitê judiciário responsável pela nomeações de juizes federais, e após muita pressão da mídia nacional, veio pessoalmente a público com sua denúncia, incluindo anotações de sua terapeuta de casal de anos antes, testemunho de seu marido, e até o resultado de um teste de polígrafo.

Preocupada de ser vilificada e humilhada em público, Blasey Ford tentou evitar ter que testemunhar ao Senado Federal citando o caso de Anita Hill. Hill, professora de direito da universidade de Brandeis, acusara o então candidato à Suprema Corte Clarence Thomas em 1991 de assédio sexual e sofreu enormes indignidades e humilhação por parte dos senadores durante seu testemunho, além de passar anos recebendo ameaças de morte e estupro. Tentando evitar o mesmo opróbio, Blasey Ford primeiro evitou denúncia pública, e depois que anonimato tornou-se impossível, tentou assegurar um tratamento digno no Senado.

Durante toda essa controvérsia, o senador mórmon Orrin Hatch optou por criticar a vítima e defender o suposto estuprador. Hatch afirmou que a vítima estaria “enganada”, e que estaria destruindo a reputação de “um homem forte e decente”, que “ele não fez nada disso e nem estava na festa” onde ela afirmava ter sofrido a violência sexual, que “claramente alguém está enganada” e que ele acreditava no estuprador, mas não na vítima.

Além disso, Hatch acusou a oposição (i.e., o Partido Democrata) de “má-fé” e guardar essa acusação até “a hora final para atrasar a confirmação e permitir uma investigação pelo FBI”. Hatch votou contra permitir que o FBI investigasse as acusações, apesar das insistências de Blasey Ford por tal investigação, votou contra ouvir o testemunho de Blasey Ford, votou contra ouvir o testemunho de um segundo rapaz que teria ajudado na tentativa de estupro, votou contra ouvir o testemunho de outras pessoas que participaram dessa e similares festas, e votou a favor de confirmar a nomeação o mais rápido possível sem quaisquer investigações sobre as acusações.

Não satisfeito em levantar dúvidas sobre as acusações da vítima, Hatch ainda afirmou que mesmo que Kavanaugh tivesse realmente estuprado Blasey Ford, isso não o desqualificaria para nomeação à Suprema Corte porque “seria difícil para senadores não levarem em consideração o homem que ele é hoje”, e que “estupro não é motivo desqualificante” para a nomeação vitalícia de um juiz da Suprema Corte.

Consistentemente, Hatch agiu da mesma maneira misógina e vil contra Anita Hill 27 anos antes.

Outro senador mórmon, Jeff Flake do Arizona, também defendeu Kavanaugh durante todo o processo até ser encurralado por vítimas de estupro e violência sexual no elevador do Senado.

Envergonhado de sua postura, Flake ajudou os Democratas a adiar a votação por alguns dias para que houvesse uma investigação preliminar pelo FBI, porém voltou atrás após menos de uma semana e Kavanaugh foi confirmado no Senado Federal pela maioria Republicana.

Um comentário sobre “Senador Mórmon Defende Estuprador, Critica Vítima

  1. Não deve ter filhas ou netas para dizer tal coisa. Politicos sendo Mormons ou não sendo dá no mesmo. Tenho pena das mulheres mormons que passam por isso. Simplesmente o respeito a mulheres é zero.

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