Missionários e o Dom de Línguas

“E também a alguns é dado falar em línguas; E a outros é dada a interpretação de línguas.” Assim diz a revelação dada a Joseph Smith Jr. Porém, para mim foi dado uma única vez.

Jovens missionários d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. | Foto: Acessórios Sud

Enquanto servia como missionário, sempre tive muita dificuldade com os estudos para aprender a falar e com a gramática do inglês. Poucas vezes estudei com companheiros, ainda que fosse uma regra importante na missão em que servi. O dom de línguas conforme ensinado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é usado para a pregação do evangelho e seus missionários o teriam pela facilidade com que aprendem outro idioma.

Conforme aprendi em 1 Coríntios capítulo 14, quando alguém fala em uma língua “estranha” (estrangeira) deveria haver um intérprete para os que não entendessem. Com isso sempre acreditei que em um caso específico um milagre poderia ocorrer.

Nós tínhamos o costume de ir em escolas de inglês em busca de novos pesquisadores. Numa delas, em que já nos conheciam, tinha uma regra bem severa: dentro dela só se comunicava em inglês. As aulas eram de conversação, comentários de vídeos que viam e até brincadeiras. Por conta disso na maioria das vezes “entrava mudo e saía calado”. Somente numa sala à parte com portas fechadas, havia as secretárias que falavam em português livremente.

Um dia, uma professora novata foi dar aula e nos viu sentados na recepção e disse o seguinte para a recepcionista em inglês, o que entendi perfeitamente em português:

“Ei, é para deixar aqueles caras daquela religião estranha ficarem na aula?” A resposta: “Claro, o qual o problema nisso?”

Fomos à aula, e ela não ficou confortável, não quiseram ouvir sobre a Igreja, etc. A professora comentou que fez intercâmbio em Washington, D.C. e trabalhou como babá. Sobre falarmos da Igreja ela com tom de brava replicou: “Não importa a religião. A pessoa deve ler a Bíblia, rezar, buscar a Deus do seu jeito”. Meu companheiro apenas disse que podíamos falar de outra coisa se quisessem.

Naquele dia, além do óbvio preconceito religioso, não esqueci de ter entendido o que ela disse por duas vezes. Meu companheiro comentou em nossa casa que ela tinha perguntado se podíamos entrar e que durante a aula foi ignorante ao não aceitar ouvir sobre a nossa fé. Não contei a ele que havia entendido e guardei comigo isso. Depois desse dia, nunca mais tive qualquer experiência assim seja na Igreja ou em lugar diferente. Me pergunto o porquê de ter entendido algo que nem era espiritual. Enfim, sempre penso nisso quando me vem o tema dos dons do Espírito.

Possivelmente pode existir uma explicação científica, ao invés de uma experiência espiritual. Apesar de desconhecer e até aceitar ela, não tiraria isso da minha vivência missionária. Como até hoje não havia comentado isso com outras pessoas, pergunto:

Você já teve uma experiência assim? Acredita ser comum entre os missionários?

10 comentários sobre “Missionários e o Dom de Línguas

  1. Bom eu fui chamado para servir uma missão nos EUA e nunca fiz nenhum curso de inglês! Quase fui deportado na Alfândega de Atlanta. Meu grau de inglês era ZERO!

    Porém no CTM de Provo no terceiro dia, eu entendia tudo perfeitamente do que era falado, até podia falar mas tinha medo de errar, no final da transferência eu já estava falando e os gringos que vinham para o Brasil queriam saber como foi tão rápido!

    Para mim eu sei que o dons de línguas funciona.

    Porém eu sei que é diferente para cada pessoa, já vi gente no fim da missão que tinha o mesmo grau quando começou a missão, e também vi americanos se tornarem fluentes (as sisteres claro) porque elas se empenhavam em aprender mais.

  2. Complementando o tópico, eu lembro também de duas situações bemmmmmmm específicas.

    Eu fui chamado para servir nos EUA em português.

    Em uma divisão com um Élder do programa em inglês com uma família de brasileiros, dado ponto da conversa ele respondia as coisas em inglês exatamente como estávamos falando. Foi bem espiritual.

    E outra foi quando eu tive que fazer uma divisão na área dos Élderes do programa de haitiano crioulo, que era uma mistura de idiomas com francês.

    Como não era minha área, só interagia quando falava em inglês. Mas em dado ponto da lição, o Élder e o investigador começaram a conversar só em haitiano crioulo, e eu entendi sobre o que era. Palavra por palavra. Sei disso porque eles estavam falando sobre uma situação de abuso sexual que um deles sofreu na infância.

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