Qual o tamanho da Arca de Noé em Campos de Futebol?

A Bíblia Hebraica reconta a estória da Arca de Noé, na qual um idoso profeta recebe ordens de Deus para construir um barco através do qual ele salvaria casais de todos os animais terrestres e todas as aves da fauna planetária de uma catástrofe global.

Construindo a Arca (Pregação de Noé Desdenhada), por Harry Anderson

Lendo a estória, imediatamente imagina-se que se trataria de um barco de proporções gigantescas, considerando que nele deveriam caber casais de todos os animais terrestres e todas as aves da fauna do planeta Terra.

A título de ilustração, e em homenagem ao festivo período de Copa do Mundo no qual entramos, perguntamos: Quantos campos de futebol caberiam dentro da Arca de Nóe?

O texto, canônico para as fés judaicas, cristãs, e islâmicas, afirma que a Arca de Noé Continuar lendo

Concurso: Profecias

Quando uma profecia é válida? Quando é inspirada? E quando é apenas uma “opinião de um homem”?

Este é uma questão particularmente importante tendo em vista o recente debate sobre a propriedade de se discutir a relevância ou a preeminência de pronunciamentos de profetas. Muitos defendem a posição de que nunca se deve questionar as opiniões de profetas, que devem ser obedecidos cegamente e seguidos em silêncio.

A função de um profeta é justamente profetizar, ou oferecer previsões sobre o futuro. Diferentemente do papel de um vidente (que tem visões sobrenaturais sobre o passado, presente e futuro), de um revelador (que revela tais segredos sobrenaturais não acessíveis aos demais), e de um Apóstolo (que testifica de seu conhecimento sobrenatural de Jesus Cristo), o profeta faz declarações afirmativas que são mensuráveis e checáveis naturalmente. Não se pode checar objetiva ou racionalmente as visões sobrenaturais de um vidente, ou as revelações sobrenaturais de um revelador, ou mesmo o privilégio epistêmico sobre Jesus de um Apóstolo, mas uma profecia pode ser checada e confirmada quanto ao seu cumprimento factual. Pode-se, assim, medir e confirmar o quão relevante e obrigatórios devem ser seus pronunciamentos.

três anos atrás, eu publiquei um curto artigo lançando um desafio para determinar quantas profecias foram realmente cumpridas. O desafio reside em determinar, racional e logicamente, uma (ou mais) profecia(s) que podem ser comprovadas como cumpridas, confirmando assim factualmente o dom profético. Além da satisfação em determinar um exemplo concreto do sobrenatural, eu havia oferecido um prêmio em livro (que até hoje não foi conquistado).

IsaiahComo vimos num artigo mais antigo, há profecias que se esquecem rapidamente, em poucos anos. Geralmente estas são as que não se cumpriram, ou que se provaram equivocadas. Por que não nos lembramos destas?

Existe um traço comportamental humano que cientistas chamam de “viés de confirmação“. Usamos desse viés quando nos lembramos das coisas que confirmam nossas opiniões ou crenças ou ideias, e quando nos esquecemos das coisas que desconfirmam ou contradizem nossas opiniões ou crenças ou ideias. Por exemplo, alguém me convence que toda que vez que eu jogo uma partida de futebol usando um boné, eu faço gols, enquanto que todas as vezes que deixo de usar o boné, eu saio de campo sem fazer gols. Poucas pessoas se deixariam levar por uma superstição tão absurdamente irracional, mas o viés existe, é comum, e ocorre com todos os seres humanos.

Um exemplo mais difícil de reconhecer no dia-a-dia: Petistas ignoram tudo de positivo no governo FHC e lembram-se de todos os erros e problemas, enquanto ignoram todos os problemas e erros do governo Lula, lembrando apenas os acertos e os aspectos positivos. Tucanos fazem o mesmo ao inverso. Converse sobre política com 10 pessoas que tenham opiniões formadas, e verá o fenômeno ocorrer 7, ou 8 ou mesmo 10 vezes.

Ele ocorre muito frequentemente em âmbito religioso também. Profecias, usualmente, funcionam assim. Lembra-se dos acertos, ignoram-se os erros. Da mesma maneira funciona o tarô, leitura de mãos, mapas astrais, astrologia, numerologia, homeopatia, etc.

Gostaria, então, de propor novamente o mesmo exercício intelectual. Continuar lendo

A autoridade nunca falha

Porque sim’ não é resposta. Quem assistia ao programa infantil Castelo Rá-Tim-Bum deve lembrar dessa frase, tão divertida quanto verdadeira. No cotidiano da Igreja sud muitas vezes nos deparamos com a resposta “porque sim.” Geralmente é traduzida como

– “está no manual”;

– “é o que a igreja ensina”;

– “os líderes decidiram”.

telekid

Para silenciar perguntas, apela-se à autoridade, seja de uma publicação (que ninguém sabe qual é), seja de uma entidade (da qual o indivíduo que questiona também é parte), seja de um grupo de homens (que podem ou não ser apoiados pelo indivíduo). Esse é um vício danoso, que tem causado estragos enormes na cultura mórmon.

Antes do início da Copa do Mundo, eu havia escrito sobre o aparente descontentamento entre membros sud brasileiros sobre o envolvimento do Mãos Que Ajudam no evento da Fifa. Em uma pesquisa informal, mais de 70% dos nosso leitores disseram que tal envolvimento não eram condizente com os propósitos do projeto humanitário e que não seria positivo para a imagem da Igreja no Brasil.

Não deixei de ficar um pouco surpreso, porém, ao ver na página da Sala de Imprensa da Igreja comentários críticos à atuação do Mãos que Ajudam na Copa da Fifa. Vejamos um exemplo: Continuar lendo

Mãos que Ajudam a Copa

Cartaz CopaL3Durante a Copa do Mundo da Fifa, voluntários do programa Mãos que Ajudam estarão auxiliando visitantes nas cidades-sede do evento esportivo. Como anunciado pelo site oficial da Igreja sud,

Motivados pelos desafios de receber um evento tão grandioso no país, o programa Mãos Que Ajudam será oficialmente um apoio para o Brasil Voluntário, programa do Ministério dos Esportes, durante a Copa do Mundo. [1]

Através de conversas informais, notei haver entre mórmons brasileiros certo constrangimento quanto a essa ação do Mãos que Ajudam. Afinal, a insatisfação com os gastos públicos na Copa, aliada ao descontentamento geral com a economia e a política nacionais atinge a maioria dos brasileiros.

O trabalho voluntário sud para o evento da Fifa, julgam alguns, estaria em desacordo com seus objetivos humanitários e de ajuda a comunidades locais. No site oficial do programa, o Mãos que Ajudam é definido da seguinte forma: Continuar lendo

Profecias

Quando uma profecia é válida? Quando é inspirada? E quando é apenas uma “opinião de um homem”?

Como vimos num outro post, há profecias que se esquecem rapidamente, em poucos anos. Via de regra estas são as que não se cumprem, ou que se provam equivocadas. Por que não lembramos destas?

Existe um traço comportamental humano que cientistas chamam de “viés de confirmação”. Usamos desse viés quando nos lembramos das coisas que confirmam nossas opiniões ou crenças ou ideias, e quando nos esquecemos das coisas que desconfirmam ou contradizem nossas opiniões ou crenças ou ideias.

Uma ilustração: alguém me convence que toda que vez que eu jogo uma partida de futebol usando um boné, eu faço gols, enquanto que todas as vezes que deixo de usar o boné, eu saio de campo sem fazer gols!

Quem ainda não ouviu falar das profecias do calendário Maia para o fim-do-mundo em 2012? Quem realisticamente teme que não chegaremos em 2013?

Poucas pessoas se deixariam levar por uma superstição tão absurdamente irracional, mas o viés existe, é comum, e ocorre com todos os seres humanos.

Um exemplo mais difícil de reconhecer no dia-a-dia: Petistas ignoram tudo de positivo no governo FHC e lembram-se de todos os erros e problemas, enquanto ignoram todos os problemas e erros do governo Lula, lembrando apenas os acertos e os aspectos positivos. Tucanos fazem o mesmo ao inverso. Converse sobre política com 10 pessoas que tenham opiniões formadas, e verá o fenômeno ocorrer 7, ou 8 ou mesmo 10 vezes.

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