Dinossauros Extraterrestres

Este é o primeiro post da série A Ciência da Doutrina

Eu sou um amante da ciência e acredito que ela está completamente ligada ao Evangelho, ela nos proporciona a Luz e a Verdade das coisas de Deus quanto à natureza, as “Ciências Naturais”, enquanto o Evangelho nos dá a Luz e a Verdade no campo metafísico, espiritual etc. Vejo a religião e a Ciência como duas faces da mesma  moeda, uma dá a resposta para a pergunta do “Como”: “como foi feito”, “como surgiu”, “como aconteceu”; e a religião nos dá respostas do “Por quê”, do propósito das coisas: “porque existe mortalidade”, “qual o propósito da vida”, etc.

mórmons ciência

Numa edição recente da Liahona, encontramos um excelente artigo sobre Religião e Ciência intitulado “A Ciência e nossa busca pela felicidade”  e uma citação do Élder Russell M. Nelson que gostaria de expôr aqui:

Não existe conflito entre ciência e religião. O conflito decorre de um conhecimento incompleto, quer da ciência, quer da religião, ou de ambos. (…) Quer a verdade provenha de um laboratório científico ou por revelação de Deus, ela é compatível.

Apesar da citação não ser uma doutrina oficial, ela é semelhante a que outros presidentes da Igreja e apóstolos já disseram, como Brigham Young:

Nesses aspectos que nós diferimos do mundo cristão, pois a nossa religião não irá confrontar-se com ou contradizer os fatos da ciência em qualquer instância.

Esta série se dedicará a reunir conhecimento cientifico sobre algumas dessas hipóteses doutrinárias, seja para refutar alguma hipótese, seja para viajar com o conhecimento atual que possuímos e criar nossas próprias visões e imaginações das coisas. Leitor, você pode enviar sua visão (anônimo ou não) sobre qualquer ponto da doutrina SUD e selecionaremos alguns para publicarmos ou discutirmos a viabilidade das hipóteses. Seja nosso parceiro, queremos ouvir as Vozes de todos os Mórmons.

O artigo de hoje é: Dinossauros extraterrestres.

Não, esse não é o nome de um filme de uma estrela do Netflix, nem o nome de um filme de terror dos anos 80 (que eu saiba), mas é uma espécie de hipótese que alguns santos dos últimos dias acreditam sobre a origem dos fósseis de dinossauros e hominídeos, bem como a datação superior a 6 mil anos, que é a idade em que os criacionistas acreditam que a Terra se formou e Adão surgiu como primeiro ser humano. A hipótese consiste na crença a Terra foi formada por “restos de outras Terras” e os fósseis vieram nesses vestígios. O objetivo desse artigo é refutar esclarecer essa doidera hipótese e o por que ela é incorreta. Fico feliz que os que acreditam nela ao menos aceitam o fato de dinossauros e a datação dos fósseis serem muito mais antigos, que não havia dinossauros no dilúvio (será o tema de outro artigo), etc.

Antes de prosseguir, quero esclarecer que não estou refutando uma “doutrina oficial” da Igreja, nem muito menos chamando a Igreja, sua doutrina, seus rituais templários ou qualquer outra coisa que você, leitor, possa imaginar, de mentira ou falsa. O objetivo é única e exclusivamente mostrar os fatos científicos, explicar um pouco sobre ciência e ao fim, deixar algumas hipóteses de como nossas crenças podem se encaixar nos fatos científicos. Esse artigo será longo e nele irei tratar de várias absurdos hipóteses comprovadamente equivocadas que as pessoas possam usar como argumento doutrinário.

Para me ajudar neste artigo, conversei com o Jornalista e escritor, Salvador Nogueira, da Folha de São Paulo.¹

Vamos começar com o processo de formação da Terra. O Big Bang já foi tratado em alguns artigos e irei fazer uma matéria sobre ele em outra oportunidade. Aqui vamos tratar o processo de formação dos planetas (que inclusive conseguimos observar graças a nossa tecnologia telescópica atual).

Aqui vai uma aula um vídeo grande curto e explicativo:

Então, como sei que muita gente não vai ter paciência para assistir o vídeo vou explicar de forma simples e leiga o processo de formação.

1.  Supernova

Quando uma estrela morre, pra simplificar, ela tem praticamente poucos destinos. “Se a estrela é pequena, como nosso Sol por exemplo, ela irá inflar se transformando numa gigante vermelha, engolindo os planetas próximos. Após isso ela irá diminuir até se transformar numa anã branca. Se ela é muito grande, isto é, possui uma massa muito elevada, de pelo menos 8 a 10 vezes a massa do Sol, quando ela começa a ficar sem “combustível” ela entre em colapso e  explode no que chamamos de Supernova. Essa supernova é um dos eventos mais terríveis e belos de nosso universo”, abaixo os restos de uma supernova bastante conhecida, apelidada de Olho de Deus:

Nebulosa de Hélix, apelidada de “Olho de Deus”. Imagem: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Ariz.

A supernova destrói todo o sistema solar que a rodeava transformando numa imensa nuvem de gás e poeira estelar. A explosão é tão grande e violenta que por um período de tempo ela pode se tornar mais brilhante que a própria galáxia! Espalhando gás e poeira por centenas de anos-luz (a distância da Terra ao Sol é aproximadamente 8 minutos-luz, isso significa que a luz do Sol chega até a Terra em 8 minutos) ou seja, a Terra estaria bem próxima do centro da explosão (na verdade, todos os planetas do sistema solar).

Nosso sistema solar surgiu após um evento deste tipo, uma supernova de uma estrela ancestral varreu o sistema solar que ela possuía e desintegrou todos os possíveis planetas que existia em sua volta. Os restos dessa supernova, como pode ser verificado na foto acima, criou uma enorme “bolha” de gás e detritos.

PAUSA

Agora o leitor diz: “aháaaa, está vendo! Os fósseis vieram desses detritos!!”.. Er, não irmãozinho. Imagine a maior bomba criada pelo homem, imagine um passarinho amarrado numa bomba nuclear e imagine que depois da explosão você vai encontrar os ossinhos do passarinho ali no chão, tudo montadinho e preservado. Acha que isso vai acontecer? Salvador responde a essa pergunta: “A explosão da supernova é extremamente agressiva, ela literalmente transforma em poeira, em grãos de areia, tudo ao seu redor, nesse cenário é impossível qualquer vestígio de vida oriunda desses planetas destruídos pela supernova, migrarem para os novos planetas que irão se formar futuramente”.

2. Disco Protoplanetário

Com a explosão da estrela e a formação dessa linda nuvem de gás e poeira a “mágica” começa a acontecer. A gravidade começa a agir e a juntar os detritos e os gases. “Estrelas podem nascer basicamente de duas formas” – aponta Salvador – “Dos restos de uma supernova ou de uma nebulosa. Normalmente, estrelas mais densas, maiores, nascem de um nebulosa, que são nuvens de gás que vagam pelo universo, como a Nebulosa de Órion, observável próximo das Três Marias ou Cinturão de Órion. Já as supernovas produzem estrelas menos densas. Estrelas mais densas tendem a ter a vida mais curta, entrando em colapso mais rapidamente do que estrelas menores como o Sol, que queimam seu combustível mais devagar.”

A gravidade ao longo de milhões de anos vai juntando os detritos. Em seu centro, onde a maior parte da massa e gases é “juntado”. é o lugar onde se forma a estrela. Ao seu redor, corpos menores vão se formando o que futuramente serão os planetas. Essa formação não é como montar um quebra cabeças encaixando pedaços, é mais ou menos como tentar montar uma escultura de ferro com tiros de bolas de canhão. Os detritos vão se chocando violentamente e se fundindo, protoplanetas chocam-se uns contra os outros.  É possível que nosso sistema solar nesse período da criação tivesse mais de 100 (cem!) protoplanetas, chocando-se uns contra os outros. Nesse processo turbulento, o sistema solar começa a tomar forma até que a estrela “liga”. Os planetas mais próximos a ela são normalmente rochosos, uma vez que a estrela “sugou” quase todo o gás. Planetas mais longe tendem a ser maiores e gasosos. o planeta Júpiter por “pouco” poderia ter se tornado uma pequena estrela. Há anãs marrom (a cor das estrelas varia conforme o seu “tamanho”, no caso, sua massa) bem próximas ao tamanho de Júpiter. Se isso acontecesse, nós viveríamos num sistema solar binário, isso é, que possui 2 estrelas. Há mais luas em Júpiter do que há planetas no sistema solar.

Como é possível sabermos disso? Bem, há diversos cálculos e evidências que mostram essa origem, porém como o artigo é voltado para o público leigo, vou poupá-los da explicação técnica, porém deixarei um vídeo curto explicando um pouco sobre essas evidências:

Outro ponto interessante, é que conseguimos ver alguns sistemas protoplanetários, ou seja, sistemas solares nascendo.

3. A formação do protoplaneta Terra

A Terra durante sua formação possuía aproximadamente 12 mil graus Celsius. Todo o planeta era rocha líquida! Assim, nada “sólido” existia no planeta, era um imenso mar de lava, tal como é o centro da Terra.

Sobre a formação do planeta e sua estrutura, Salvador comenta: “Uma das evidências desse derretimento da rocha é justamente o formato arredondado dos planetas. Eles giram muito rápido em seu estágio de formação, devido os constantes bombardeamentos de meteoros que recebem o que elevam sua temperatura, fazendo com que os planetas tenham o formato arredondado. Asteroides por sua vez são disformes, ou seja, possuem várias formas justamente por não terem sofrido tanto impacto como os protoplanetas, não elevando assim sua temperatura.”.

Se a explosão solar não tivesse desintegrado completamente os “fósseis” que existiam nesses planetas destruídos pela supernova, com a mais absoluta certeza eles teriam sido destruídos pela temperatura do planeta em seu estágio de formação. Seriam completamente derretidos. Para se ter uma ideia, para cremar ossos, nós utilizamos uma fornalha aquecida até 1000 graus Celsius por apenas 5 horas. Imaginem milhares de anos numa temperatura de 12 mil graus!

Durante esse período, – explica Salvador – , o material mais pesada desce para o centro do planeta e os materiais mais leves ficam em sua superfície, criando assim o núcleo de ferro que a Terra possui, com uma superfície de silicatos.

Conforme a fase de impactos de detritos diminuía, algumas reações aconteciam no planeta. Em resumo, o vapor de água preso na atmosfera proveniente do núcleo planetário começava a formar chuvas. Nesse processo houve um arrefecimento do planeta (um esfriamento) que criou a Crosta Terrestre, essa fina camada envolta do planeta que permitiu a permanência da água em estado líquido (não apenas gasosa) e possibilitou o desenvolvimento da vida como conhecemos. Abaixo uma ilustração das camadas da Terra:

Assim, tudo o que você conhece sobre fósseis, dinossauros, homens, animais etc, estão depositados apenas nessa região da crosta terrestre, ou seja, viveram nessa Terra.

Para encerrar, um vídeo curto do Astrônomo e físico Neil Degrasse Tyson

5. Conclusão e doutrina

Como vimos, é impossível os vestígios fósseis terem “sobrevivido” ao processo de extinção do antigo sistema solar e ao processo de formação do novo sistema solar. Seja pela destruição massiva provocada pela supernova, seja pela temperatura do planeta. Neste artigo tratamos as razões do “porque não são” de fora do planeta e no próximo artigo trataremos “porque são deste planeta”.

O modo de encarar isso dentro da doutrina mórmon não é muito difícil. Sabemos que Deus usa me leis e meios naturais para realizar sua obra. O Livro de Abraão nos ensina que os Deuses realizaram a criação mandando e esperando serem obedecidos, demonstrando estágios da Criação. O próprio Joseph Smith ensinou que o mundo não foi criado do nada, mas passou por um processo de organização. Tal pensamento é plenamente compatível com o modelo cientifico.

Sobre os dinossauros e demais fósseis, vamos trata-los especificamente no próximo artigo, porém cabe lembrar que os Deuses prepararam a Terra para uso dos filhos do Pai e que não sabemos, do ponto de vista religioso, como se deu essa preparação, cabendo à ciência responde-la. O processo de criação do Livro de Gênesis é melhor lido de forma não literal. Uma simbologia. No futuro poderemos tratar especificamente sobre o processo criacionista do Livro de Gênesis. Por hora, basta ter em mente que Gênesis pode ser simbólico, tal como Brigham Young e Joseph Smith acreditavam.

“Irmão, e Adão? Existia morte antes de Adão? Não passou a existir a morte apenas depois de Adão? A Terra não pode ter vindo de outro sistema solar e colado no Sol?” Artigos futuros!

O próximo artigo será uma continuação deste e irá abordar também a Morte física antes do personagem bíblico Adão, Dinossauros na Arca de Noé e datação dos fósseis e outros materiais.

Nota

1.  Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de onze livros, dentre os quais “Extraterrestres”, “Rumo ao Infinito”, “Conexão Wright-Santos-Dumont” e dois volumes da Coleção Explorando o Ensino (MEC), sobre astronomia e astronáutica. Ele escreve o blog Blog Mensageiro Sideral .

 

29 comentários sobre “Dinossauros Extraterrestres

  1. Ansioso pelo próximo artigo. Tenho minhas teorias, mas é baseado em meu pouco conhecimento (não tenho formação na área, mas leio muito a respeito). Gostei muito do texto, linguagem simples e esclarecedora.

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