Quem São os Cristãos Coptas?

Os cristãos coptas no Egito têm sido atacados ao viajar em peregrinações e bombardeados enquanto oravam no Domingo de Ramos, em meio a uma acelerada série de ataques na última década. Os desafios relacionados da violência, da economia e da discriminação levaram à crescente saída de cristãos do Oriente Médio. Durante séculos, eles fizeram parte da rica diversidade religiosa da região.

cristãos coptas egito

Igreja de São Jorge, em Tanta, Egito, após ataque suicida em 09 de abril de 2017. Imagem: Nariman El-Mofty/AP

Então, quem são essas pessoas que a National Geographic chamou de “Os Fiéis Esquecidos“?

História Copta

Entre os cristãos do Oriente Médio, o maior número — cerca de oito milhões ou mais — é composto de coptas do Egito. Desde a primeira vez que visitei o Egito, na década de 1990, fiquei interessado nessa comunidade e na seu contribuição ao pluralismo.

Os coptas são a população cristã nativa do Egito, que remonta às primeiras décadas após a vida de Jesus Cristo. O Livro de Atos bíblico conta como judeus do Egito chegaram a Jerusalém para a festa de Pentecostes, um festival de colheita judaico que marcou o nascimento da igreja cristã, meras semanas após a crucificação de Cristo. Muitos desses egípcios levaram a mensagem do cristianismo de volta a seu próprio país. A tradição cristã sustenta que São Marcos, um dos primeiros discípulos de Jesus, tornou-se o primeiro bispo do Egito.

Até o século IV, a maioria dos egípcios havia abraçado a fé cristã. Mesmo após a conquista muçulmana no século VII, a maioria dos egípcios ainda eram cristãos. Foi somente durante a Idade Média que um número maior abraçou o Islã, e a população cristã diminuiu.

Hoje, os cristãos egípcios representam aproximadamente entre 5 e 10% da população do Egito. A palavra “copta” é usada para todos os cristãos egípcios. É derivada de uma palavra grega antiga que simplesmente significa “egípcio”.

Os coptas são ferozmente orgulhosos de sua herança egípcia, que remonta à era das pirâmides já em 3000 a.C. A grande maioria dos coptas são membros da Igreja Ortodoxa Copta, igreja independente surgida em 451 d.C, muito antes da divisão que criou as igrejas ortodoxa oriental e católica romana em 1054.

O idioma do serviço (ou liturgia) da Igreja Ortodoxa Copta, usado no culto diário, também é conhecido como copta. É a língua egípcia original escrita em caracteres gregos.

Os coptas vivem em todos os cantos do Egito e em todos os níveis socioeconômicos. Um dos homens mais ricos do Egito, Naguib Sawiris, é uma copta, assim como a maioria dos coletores de lixo do Cairo, os zabellin. Embora os coptas sejam em grande parte indistinguíveis da maioria muçulmana, muitos deles recebem a tatuagem de uma cruz em seus pulsos quando crianças, significando seu compromisso permanente com a comunidade. Além disso, é improvável que as mulheres coptas usem véu, fazendo com que se destaquem das mulheres muçulmanas.

O dirigente da Igreja  Ortodoxa Copta, e o líder cristão mais significativo do Egito, é o bispo da Sé de São Marcos, conhecido entre os egípcios como papa ou patriarca copta. Hoje, a Igreja é liderada pelo Papa Tawadros II, que estudou Farmácia antes de decidir por uma carreira religiosa na década de 1980.

Prática Religiosa

Os coptas praticam uma forma de cristianismo que remete às primeiras tradições da igreja.

O Papa Tawadros e todos os bispos da Igreja Ortodoxa Copta  começam sua vocação como monges — homens celibatários que vivem em reclusão em mosteiros. A Igreja Ortodoxa Copta  é única em sua preferência por colocar monges nas mais altas posições de autoridade.

De fato, os primeiros monges cristãos do mundo, São Antônio e São Paulo, estabeleceram seus mosteiros no deserto oriental do Egito no início do século IV. Ambos os mosteiros, e muitos outros, continuam a operar.

Em seu livro “Desert Father“, o autor australiano James Cowan descreve como a tradição monástica tornou-se um importante apoio aos cristãos egípcios sob perseguição e ajudou a preservar a cultura em todo o mundo cristão.

Coptas hoje em dia frequentemente visitam os mosteiros para orientação espiritual, retiros comunitários e para redescobrir sua herança.

Mas enquanto os coptas podem ir aos desertos do Egito para sua prática religiosa, a maioria vive nas cidades entre seus compatriotas muçulmanos. Suas igrejas e organizações de serviços comunitários — e até mesmo sites de notícias e mídia coptas — contribuem para a vitalidade da vida social e intelectual egípcia.

Peter Makari, um líder da igreja com ampla experiência em trabalho com organizações coptas, escreve sobre como os coptas organizam iniciativas comunitárias, projetos de desenvolvimento e movimentos solidários com outros egípcios para promover a unidade e a paz nacionais. Os coptas comemoram regularmente festas com líderes muçulmanos e organizam diálogos públicos com intelectuais e líderes muçulmanos.

Em particular, coptas participaram junto com seus compatriotas muçulmanos nos protestos que derrubaram o governo autoritário do ex-presidente Hosni Mubarak em 2011.

A Condição dos Coptas Hoje

No entanto, os coptas enfrentam discriminação sistêmica no emprego e limitações de sua capacidade de acesso aos serviços públicos e à educação, desde o estabelecimento da moderna república do Egito em 1952.

As autoridades governantes tornaram muito difícil para eles construir ou renovar suas igrejas. Após a revolução de 2011, os coptas desfrutaram inicialmente de novas liberdades para se organizar e expressar suas preocupações acerca dessas práticas.

Porém, suas aspirações foram destruídas quando as Forças Armadas egípcias entraram em confronto com manifestantes coptas em um confronto mortal em outubro de 2011. Quando, posteriormente, a Irmandade Muçulmana chegou ao poder em 2012, houve uma tentativa de impulsionar uma constituição que deu poderes especiais às autoridades islâmicas. Esses desenvolvimentos pareciam prejudicar a capacidade dos coptas de participar como cidadãos iguais.

A maioria dos coptas, portanto, contentaram-se em ver a restauração do regime autoritário sob o presidente egípcio Abdel Fatah al-Sisi, que em 2014 introduziu uma nova constituição limitando o papel do islamismo no governo egípcio.

Infelizmente, a comunidade copta tornou-se agora um alvo fácil na luta entre al-Sisi e seus inimigos islâmicos. Ataques violentos contra coptas levaram-nos a fugir de certas áreas do Egito, como o Sinai, e há um fluxo constante de emigração copta do Egito.

Isso diz respeito a todos os egípcios, uma vez que a presença de coptas é essencial para a saúde da vida intelectual, cultural e política no Oriente Médio.


Paul Rowe é professor e Coordenador de estudos Internacionais e Políticos, na Trinity Western University, Canadá. Artigo original publicado aqui. Reproduzido com permissão.


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