Nova Alteração por uma Igreja Mórmon Menos Machista

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, popularmente conhecida como Igreja Mórmon, anunciou nova mudança oficial em sua política de exclusão das mulheres de serviços ministeriais eclesiásticos, possibilitando uma maior inclusão das fiéis em serviços até agora de domínio exclusivo dos fiéis homens.

Templo de Salt Lake, em Salt Lake City, Utah (Foto: Ken Lund)

O profeta mórmon e Presidente da Igreja SUD, Russell Nelson, anunciou a mudança hoje para as Autoridades Gerais da Igreja durante a sessão de liderança da 189ª Conferência Geral Semi-anual. Durante o seu anúncio, Nelson deixou claro que doravante mulheres serão permitidas a: Continuar lendo

Igreja Mórmon Ainda Não Aceita Casais do Mesmo Sexo – mesmo que ainda não barrem suas crianças

Os principais líderes d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reverteram uma política que impedia que filhos menores de idade de casais do mesmo sexo se juntassem à igreja e participassem de seus rituais sagrados desde 2015.

Presidente Russell M. Nelson, meio, durante Conferência Geral em abril de 2019 (FOTO: AP/Rick Bowmer)

Muitas igrejas conservadoras se opõem às relações do mesmo sexo e o fazem com intensidade crescente desde a segunda metade do século 20. No caso dos Santos dos Últimos Dias, as razões para se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo baseiam-se em sua teologia de uma “família real”, como queria Deus.

No entanto, como um estudioso de gênero e sexualidade no mormonismo, eu proponho que a decisão de impedir crianças de pais do mesmo sexo da igreja estava ligada à luta conservadora contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo que estava encontrando uma crescente aceitação na época em tribunais e em outros lugares. Continuar lendo

CNN: Profetas Mórmons Cedem à Pressão Pública

Reportagem da CNN focando nas recentes mudanças anunciadas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias indica que a súbita reversão de uma política declarada como “revelada por Deus” pode não ter sido recebido com a aprovação pública que muitos esperavam.

Presidente Dallin H Oaks, Primeiro Conselheiro da Primeira Presidência e Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos (à esquerda) com o Profeta Presidente Russell M Nelson (à direita), ambos citados como arquitetos da agora rescindida política de discriminação de 2015.

O artigo da CNN discorre sobre como o anúncio desta semana sugere que os profetas mórmons alteram e moldam suas revelações de acordo com pressões de opinião pública, pregaram homofobia que resultou em milhares de membros abandonando a fé, e dezenas de casos de suicídio. Além disso, o artigo argumenta que este anúncio sinaliza que os profetas mórmons, e suas revelações, são suscetíveis a pressão social.

Abaixo seguem alguns pontos principais do artigo da CNN sobre o anúncio da nova política da Igreja SUD sobre famílias LGBT. Continuar lendo

Como o Passado da Igreja Mórmon Molda sua Posição Atual em Imigração

Em 24 de julho de 1847, Brigham Young e outros 146 pioneiros mórmons entraram no Vale do Lago Salgado. Eles haviam deixado os Estados Unidos e se encontravam em território mexicano.

Naquela época, a guerra mexicano-americana estava no seu auge, e dentro de um ano o México cederia o Vale do Lago Salgado aos Estados Unidos. Mas isso não estava nos planos dos mórmons. Eles estavam tentando deixar os Estados Unidos para escapar de violência e perseguição.

Brigham Young e outros homens preparando mulheres para guerra: “Brigham Young organizando suas forças para batalhar as tropas dos Estados Unidos” (Harper’s Weekly, volume v. 1, November 28, 1857, p. 768. Scan from BX8609.A1a#466, L. Tom Perry Special Collections, Harold B. Lee library, Brigham Young University)

Porém, uma vez que eles estavam no novo território, eles se estabeleceram no Vale sem a aprovação do governo mexicano ou dos povos indígenas que já viviam na terra árida perto do Grande Lago Salgado. A história mórmon em Utah os revela tanto como imigrantes perseguidos como colonizadores.

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Ética institucional: Playboy vs Igreja Mórmon

A revista Playboy virou notícia na semana passada ao publicar, pela primeira vez em sua história, um ensaio fotográfico de uma modelo transgênero assumida.

A atenção girou em torno de duas reações polarizadas entre aqueles que elogiaram a publicação pela inclusão aberta e generosa de uma minoria frequentemente marginalizada (i.e., transgêneros), e aqueles cujos preconceitos os motivam a desejar perpetuar tal marginalização e discriminação.

Ines Rau é a “coelhinho do mês” da edição de novembro de 2017 da revista Playboy (Foto: Derek Kettela/Playboy)

 

A Igreja SUD não se pronunciou oficialmente sobre esse evento específico, mas a revista Playboy sim, e sua resposta pública levanta um interessante ponto de contraste com a Igreja Mórmon.

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Quem São os Cristãos Coptas?

Os cristãos coptas no Egito têm sido atacados ao viajar em peregrinações e bombardeados enquanto oravam no Domingo de Ramos, em meio a uma acelerada série de ataques na última década. Os desafios relacionados da violência, da economia e da discriminação levaram à crescente saída de cristãos do Oriente Médio. Durante séculos, eles fizeram parte da rica diversidade religiosa da região.

cristãos coptas egito

Igreja de São Jorge, em Tanta, Egito, após ataque suicida em 09 de abril de 2017. Imagem: Nariman El-Mofty/AP

Então, quem são essas pessoas que a National Geographic chamou de “Os Fiéis Esquecidos“?

História Copta

Entre os cristãos do Oriente Médio, o maior número — cerca de oito milhões ou mais — é composto de coptas do Egito. Desde a primeira vez que visitei o Egito, na década de 1990, fiquei interessado nessa comunidade e na seu contribuição ao pluralismo. Continuar lendo

Racismo na BYU é Tema de Exposição de Arte

Doze retratos de alunos da Brigham Young University (BYU) estão em exposição em seu Centro de Belas Artes Franklin S. Harris. As fotos são acompanhadas de breves relatos sobre suas experiências com racismo e discriminação em Utah e dentro da própria Universidade Mórmon.

byu

Exposição na BYU, em Provo, Utah, traz relatos pessoais sobre racismo. Foto: Michael Hicks.

Esses relatos mostram a dificuldade existente na cultura mórmon em lidar com imigrantes e mesmo norte-americanos de diferentes origens étnicas. Leia alguns dos relatos. Continuar lendo

Racismo no Livro de Mórmon

O Livro de Mórmon é uma obra de escrituras sagrada para mórmons.

Infelizmente, é uma obra profundamente racista.

Obra de arte representando as lendárias "placas de ouro" que Joseph Smith teria encontrado e de onde teria traduzido o Livro de Mórmon (Museum of Church History and Art, Salt Lake City)

Obra de arte representando as lendárias “placas de ouro” que Joseph Smith teria encontrado e de onde teria traduzido o Livro de Mórmon (Museum of Church History and Art, Salt Lake City)

Tanto para a narrativa, como para a teologia, do Livro de Mórmon uma cor de pele escura é um claro sinal de maldição e reprovação divina. Além disso, há severas admoestações para a manutenção de pureza racial. Esses ensinamentos racistas do Livro de Mórmon são tão enraizados que levou gerações de profetas mórmons a pregarem tais ensinamentos do púlpito. [Ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui]

Essas são as passagens relevantes que permeiam o texto canônico mórmon (ênfases nossas): Continuar lendo

Spencer Kimball: O Dia dos Lamanitas (Ficarem Brancos)

O Profeta Spencer W. Kimball, então no Quórum dos Doze Apóstolos, elaborou um elogio aos índios nativo-americanos com comentários profundamente racistas  durante a Conferência Geral de abril de 1960.

Spencer Kimball Lamanitas Mórmons

Spencer W. Kimball confraternizando com membros da tribo Navajo Imagem: lds.org

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Mórmons Discriminam Mulheres

Mórmons discriminam contra mulheres no mercado de trabalho.

É o que sugere um estudo realizado pelo site de notícias 24/7 Wall St. sobre equiparação salarial.

mulher mórmons trabalho discriminação

Na região metropolitana com maior concentração SUD, elas recebem em média 64,3% do salário médio de homens.

Equiparação salarial pode ser definida assim:

Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade…

Pagar salários diferentes para mulheres, do que para homens, para exercer as mesmas funções, é uma forma comum de discriminação por gênero, ou simples misoginia e machismo. Embora seja ilegal nos Estados Unidos (assim como no Brasil), essa forma de discriminação é muito, muito comum (assim como no Brasil), prejudicando indíduos e a própria economia do país.

Mesmo controlando por variabilidades de concentração de gêneros em atividades específicas (o que, por si só, comumente reflete posturas misóginas culturais enraizadas), e por níveis educacionais, tais disparidades salariais permanecem prevalentes, e sempre impactando mulheres negativamente.

O estudo do 24/7 Wall St., que avaliou as 100 maiores regiões metropolitanas dos EUA, levantando dados estatísticos de salários médios coletados pelo U.S. Census Bureau (a versão norte-americana do IBGE) para cada uma delas, controlando por gênero, por setores laborais, e por níveis educacionais, comparou as diferenças salariais médias entre homens e mulheres em cada região, e tabulou os dados por regiões metropolitanas expressando um percentual comparativo. Assim, elaborou-se uma lista das regiões metropolitanas com os menores índices de diferenças salariais entre os gêneros, assim com as regiões com os maiores índices.

E o resultado não poderia ser mais ilustrativo da postura social machista em comunidades mórmons. Dentre as 5 regiões metropolitanas com as maiores diferenças salariais médias, um total surpreendente de 3 delas são enclaves mórmons, além de uma quarta com alta concentração de mórmons.

As 5 piores cidades para mulheres trabalhadoras, de acordo com o estudo do 24/7 Wall St. (incluindo a proporção demográfica de Santos dos Últimos Dias auto-declarados para o censo federal de 2010) são, em ordem decrescente até a pior: Continuar lendo

Spencer Kimball: Índios Preguiçosos e Supersticiosos

O Profeta Spencer W. Kimball, então no Quórum dos Doze Apóstolos, repudiou comentários racistas de membros da Igreja SUD contra índios nativo-americanos, durante a Conferência Geral de abril de 1954.

Spencer Kimball Lamanitas Mórmons

Spencer W. Kimball confraternizando com membros da tribo Navajo Imagem: lds.org

Ironicamente, ao defender os ameríndios do racismo e intolerância de alguns membros SUD (que ele chama de “Srs. Anônimos” em seu discurso), Kimball refere-se a eles de maneira similarmente preconceituosa e pejorativa, em perfeita ilustração de imperialismo cultural e a filosofia do “fardo do homem branco“. Incorporando essa filosofia particularmente popular no final do século 19 e início do século 20, Kimball descreve os povos ameríndios como atrasados, preguiçosos, incompetentes, e culpados pelas conquistas, genocídios, e opressões infligidas neles pelos invasores europeus (ênfases nossas):

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Dez Mil Brasileiros Vivem o ‘Sonho Americano Mórmon’

Com o sugestivo e descritivo título Dez mil brasileiros vivem o ‘sonho americano mórmon’, a jornalista Cláudia Trevisan publicou uma excelente matéria no jornal O Estado de São Paulo, explorando as ambições de muitos dos membros brasileiros da Igreja SUD de emigrar para Utah, nos Estados Unidos.

Salt Lake City Utah mórmons brasileiros

Centro de Salt Lake, capital de Utah e sede mundial da Igreja SUD.

Apesar de muito interessante, informativo, e bem pesquisado, o artigo de Trevisan não inclui o que talvez devesse ser o ângulo mais importante para esse tema. Esses mórmons que emigraram para os EUA por causa de sua fé e religião, o fizeram em direta contravenção aos mandamentos de seus profetas modernos, e portanto, de sua religião. Continuar lendo

Mórmons Seguem As Escrituras?

Reagindo às notícias do vazamento, da reação oficial da Igreja SUD, e das reações de outros Mórmons, sobre a nova política da Igreja discriminar contra crianças em famílias LGBT, muitos membros da Igreja abriram as escrituras para defender a posição oficial da Igreja.

Citando passagens de escrituras, esses membros SUD se propõe a demonstrar que a discriminação institucionalizada com essa nova medida está em linha com o comportamento esperado de um discípulo de Cristo.

Nem todos os Mórmons creem que Jesus chama para si as criancinhas

Nem todos os Mórmons creem que Jesus chama para Si as criancinhas

Afinal, condenar homossexualidade não é um princípio ensinado na Bíblia?

Vejamos.

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Estudos Demonstram Sexualidade em Fluxo

O Instituto Nacional de Estatística divulgou os dados mais recentes sobre identidades sexuais no Reino Unido, e alguns padrões marcantes saltam aos olhos  especialmente quando se trata de bissexualidade.

Bandeira do Orgulho Bissexual (Foto: Peter Salanki via Wikimedia Commons)

Bandeira do Orgulho Bissexual (Foto: Peter Salanki via Wikimedia Commons)

O número de jovens que se identificam como bissexuais aparentemente aumentou 45% nos últimos três anos. As mulheres são mais propensas a se identificar como bissexuais (0,8%) do que lésbicas (0,7%), enquanto os homens são mais propensos a se relatar como gays (1,6%) do que bissexuais (0,5%). Essa última constatação se correlaciona bem com outros estudos no Reino Unido e nos EUA – mas por que isso deveria ser assim? Continuar lendo

Liberdade Religiosa e a Constituição

A Igreja SUD adotou há alguns anos uma bandeira ativista defendendo “liberdade religiosa”.

Bruce “o chefe” Springsteen (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)

O que isso tem a ver com Bruce Springsteen, violação da Constituição Norte-americana, campanhas políticas por parte da Igreja, e a defesa de práticas discriminatórias é o que a Professora Assistente de Direito Constitucional e Pena Capital na Universidade Estadual da Geórgia, Lauren Sudeall Lucas, explica em excelente, porém sucinto, artigo:

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