Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela.

Nos meus tempos de missão, passei por determinada ala considerada tradicional (olha a palavrinha aí). Era uma das primeiras do estado onde eu estava. Longe de ser perfeita, eles ainda se reuniam numa casa alugada. Foi uma experiência incrível. No entanto, uma das coisas me chamou muito a atenção. Num convite atípico para abençoar o sacramento, um irmão me ofereceu um pequeno pote com água e uma toalha. “Limpar as mãos”, pensei. “Nada mais higiênico”, se bem que eu pessoalmente prefiro álcool em gel. Entretanto, antes de eu limpar as mãos, o irmão me disse: “Isso serve como um ato simbólico de lavar as mãos, deixando as impurezas para trás”. Um batismo das mãos, em outras palavras. Um tanto curioso, não encontrei nada sobre isso em nenhum livro que tenha lido (se estiver errado, por gentileza, estou aberto a correções), e parece que a coisa toda foi bem disseminada naquela ala, porque muita gente a praticava.

Uma outra tradição – dessa vez de efeito benéfico, mas não mais fraco – eu vi também na missão, em outra ala. Sei que existe a instrução de que deve ser tocado um prelúdio e um poslúdio em reuniões sacramentais, entre outras. Passei por uma ala em que as duas coisas eram feitas, mas com um porém bem peculiar: era pedido que todos os membros, tanto quanto fosse possível, estivessem na capela, sentados em seus lugares durante o prelúdio e o poslúdio. Eles só poderiam sair depois que o poslúdio terminasse. As exceções exisitiam, claro, mas eram raras. O resultado era claramente benéfico: as pessoas tinham uma reverência muito mais produnda nas reuniões. As coisas eram feitas em mais ordem. E, vale lembrar, isso não existe no manual.

Enfim, as tradições estão aí para quem quiser vê-las. Não existe muito problema nelas, a não ser que se ocorra uma coisa muito comum: sua transformação em doutrina. Como o caso do “batismo de mãos” acima, ela havia virado uma doutrina particular. Tudo era feito como se fosse algo realmente pertencente ao rito do sacramento, como se fosse verdadeiramente sagrado. Mas não passava de uma tradição. Foi por isso que a nação nefita sofreu tanto – por causa de tradições erradas. Por causa de uma coisa aparentemente pequena que, uma vez disseminada, se torna uma pseudo-verdade. Ora, todos temos tradições, elas são necessárias para gerar a identidade de nossa cultura. O perigo reside quando essas tradições viram doutrina – apostasia para os íntimos. Seria interessante verificar até onde uma tradição é benéfica ou não; é por isso que líderes de área visitam estacas regularmente. Eles podem identificar uma dessas apostasias porque é de fora, não faz parte dela. Quanto a nós, macacos me mordam, não saiamos por aí dando uma de puritanos e erradicando as tradições. Eu bem que gostava daquele silêncio depois da sacramental.

37 comentários sobre “Tradição ou Doutrina?

  1. Uma bela estreia, Paulo. Parabéns! Penso que não há problemas em estabelecer regras pessoais de conduta ou viver de acordo com suas crenças (por mais estranhas que elas pareçam), o problema é tentar impor essas crenças aos outros como “doutrinas” – como você enfatizou em seu texto. Tenho pensado nisso nesses dias, tanto que postei o seguinte no Facebook:

    “Um fenômeno interessante que caracteriza a religião é como ela se desenvolve na ‘periferia’, ou seja, longe de seu foco de irradiação; Em geral, quanto mais se afasta do seu centro, maior é a tendência de seus praticantes tornarem-se ‘fundamentalistas’ em relação à prática e costumes que caracterizem a comunidade da fé. Por exemplo, pessoas convertidas ao judaísmo são mais ‘judeus’ (ou seja, encaram determinadas práticas com maior severidade) que os próprios judeus. Práticas culturais com forte apelo local acabam adquirindo um caráter distintivo, uma amplitude maior com status de “doutrina”. Vejo isso acontecendo com os mórmons. No Brasil, é difícil fazer essa distinção entre doutrina e cultura – pois, em geral, os membros da Igreja acreditam que TUDO que vem de Salt Lake foi fruto de revelação divina (principalmente normas de vestuário e comportamento).”

    • Obrigado, Leonel! De fato, muita coisa da Igreja hoje (principalmente no Brasil) é cultura. Quero ver mesmo quem é capaz de ser ortodoxo ao extremo… não dá. Nem na época de Cristo foi assim. Nem antes. Nem depois. Vestuário, por exemplo… descobri um discurso, isso com meu presidente de estaca, de uns quatro anos atrás, que falava sobre o uso de camisas brancas. Até então, era pura tradição, um bom costume, ou a “ordem das coisas não escritas”. Eu ainda acho que seria mais fácil colocar tudo no papel, mas vai entender…

  2. Curti d+ esse texto . Todo mormon deveria ler … Parabéns irmão Paulo , um texto muito bem escrito sem difamar os irmãos e/ou a Igreja. Parabéns .. Vou compartilhar com os amigos.

    • Marcus: Difamação é crime no Brasil, previsto pelo Artigo 139 do Código Penal, com pena de 3 a 12 meses de reclusão mais multa. Isso é sério. Você poderia nos apontar casos específicos de difamação no site para que possam ser corrigidos e/ou removidos? Obrigado.

  3. Eu acho que existe lei e normal da lei, depois disso existe revelações e manuais. Por exemplo, eu fiquei chocado recentemente tenho escutado membros ensinarem que manuais da igreja não são para serem seguidos que são apenas conselhos. Bom o nome \”manual\” quer dizer que você deve segui-lo ou não vai chegar o execução da tarefa que ele propõe. O manual geral de igreja e outros são normas para serem seguidas. Pois assim, a igreja será igual em toda parte do mundo! Leis por exemplo o descanso do sábado era no sétimo dia, então por alguma outro motivo (não está em questão) tornou-se o domingo primeiro dia. A lei não mudou , o sabath continua e que mudou foi a norma da lei do 7 para o 1 dia. O mesmo acontece com revelações modernas. O perigo está é quando mudamos a doutrina. Algumas doutrinas podem ser mudadas pelo profeta, mas outras, são de caracter eterno e não deveriam ser mudadas. Por exemplo, de quantas formas podemos batizar…? Se continuarmos assim, eu imagino que em um futuro não muito distante (nesta mesma galáxia) vai existir uma separação de membros do Brasil do resto do mundo. Pois, logo estaremos seguindo outra igreja e não a que Joseph restaurou. Já existe membros e digo a maioria aqui no Brasil que não são convertidos aos verdadeiros princípios da igreja restaurada. (É que fazemos vista grossa a essa questão) Já assií depoimento de lider da igreja (brasileiro) mencionando que a poligamia foi um erro e que a igreja aprendeu com os erros do passado. Se é assim, então onde chegaremos?

    • É uma questão interessante, herbell, e exemplifica bem a ideia do texto. É muito comum o que você mencionou, de ter pessoas que criam para si uma doutrina própria, que serve como um escudo, senão como uma máscara de covardia. Como o caso da poligamia e muitos outros, as pessoas tentam se defender de coisas agressivas a elas; o problema é que elas não pensam que foi o Senhor que quis assim…

    • Tenho minhas dúvidas se esta é, realmente, a igreja que Joseph restaurou. Por exemplo, Joseph ensinou que um dos aspecto distintivos da Igreja de Cristo em relação às demais é que ela não tem nada parecido com um credo fixo. Abandonamos doutrinas como a Ordem Unida (lei da consagração) e a coligação literal de Israel. Relegamos ao esquecimento práticas como o batismo pela cura. O templo não é mais um lugar em torno do qual gira a vida social dos mórmons – um lugar de ensino, aprendizado e comunhão, aberto a todos. Perdeu-se completamente a noção que “[a]quele que se arrepende e vem a mim, esse é a minha igreja” [D&C 10:67]- ou seja, de que a igreja são as pessoas e não uma corporação sem alma baseada numa hierarquia monolítica onde as decisões são tomadas de cima para baixo. Mudamos a ordem estabelecida nas escrituras em que a congregação se põe de joelhos enquanto é recitada a oração sacramental e quando houver um Élder presente um sacerdote não pode abençoar o sacramento [D&C 20:40]. Esquecemo-nos do aviso de Joseph Smith de que alguém só é um profeta quando age como tal. Torcemos o livre-arbítrio e transformamos em “siga o profeta”. Enfim, pouco sobrou da igreja restaurada por Joseph.

      • Receio ter de discordar, Leonel. A resposta para seu apontamento está em sua própria declaração: de que “um dos aspectos distintivos da Igreja de Cristo em relação às demais é que ela não tem nada parecido com um credo fixo”. Existem coisas que eram essenciais na época de Joseph, mas que hoje não são mais necessárias. Os Templos realmente não são mais lugares de ensino – foram criados os Institutos de Religião justamente para isso. Esse é só um ponto. O dinamismo da doutrina da Igreja acontece à todo vapor, substituindo ou mesmo retirando coisas que não se fazem necessárias hoje. Exemplo? Se um membro do bispado ou alguém delegado por ele não estiver presente, não se pode abençoar o sacramento. É só trocar o “Élder” por “alguém autorizado pelo bispo”. Coisas assim. E seguir o profeta não significa perder o livre-arbítrio. Qualquer um pode escolher não fazer o que ele diz. Mas não é possível garantir os mesmos resultados.

      • Não tenha receio em discordar de mim, caro Paulo. Não seria a primeira vez! 😛

        Até concordo que uma ou outra adequação se mostraria necessária com o passar do tempo. Mas, duvido que Joseph reconheceria a IJCSUD como a igreja por ele restaurada em 1830.

      • Acho que onde existe revelações, haverá também mudanças. Mas, é preciso diferenciar mudança de administração, normas e procedimentos de mudanças de doutrinas. Muitas doutrinas que foram restauradas por Joseph foram ditas por ele mesmo que eram doutrinas de salvação e que tinham valores eternos por se tratarem de doutrinas necessárias a exaltação. Se não de que adiantaria ter havido restauração? Por exemplo, nos livros de doutrina e convénios na parte onde fala sobre o casamento plural é enfatizado que ele é necessário para a exaltação. Então um líder actual poderia dizer que a igreja não pratica a poligamia porque as leis do país não permitem. Mas jamais poderia dizer, que foi um erro do passado. Por exemplo existem escrituras da restauração que foram mudadas. Como no caso da palavra de sabedoria onde se você ler no original com todas as letras está estrito -“Não é dada como mandamento mas como aconselhamento…” Hoje porém, é dada como mandamento pois é requisito para o templo e é dada como forma de coerção. Pois, uma simples xícara de café o torna indigno! Quando apontamos, salientamos ou seja como for o fato de mudanças na igreja sud moderna em relação a sud antiga, estamos nos referindo extamente a pontos como este, basta pegar sua doutrina e convénios e ler o que está escrito. Ou será que eu li errado? Existem outras mudanças, por exemplo no velho livro de princípios do evangelho as aulas eram bem mais completas nos primeiros capitulos falava-se sobre Pais celestiais , “Pai Celestial e Mãe Celestial” Hoje, me surpreendi com o novo livro, pois além de as aulas serem apenas uma página, foi tirado partes importantes para o entendimento, agora apenas diz, “Pais celestiais”. Estamos passando por uma fase muito semelhante ao que a igreja antiga passou, onde o clero modificou as escrituras da biblia e retirou parte delas importantes para o entendimento. Então, no templo, o que se fazia em anos , é feito em 1 hora. Resumindo, esta igreja não é igual a igreja antiga, talvez seja um resumo do resumo. Uma das coisas que me levam a crer nessas mudanças é o fato de que muitos recebem o evangelho restaurado mas não estão plenamente convertidos e a igreja talvez esteja protegendo estas pessoas de uma condenação maior. Pois ela dá o básico e nem o básico eles praticam, vivem etc… Então talvez tenha haver com merecimento, pois o senhor mesmo disse, – “Só não fiz milgres maiores entre este povo porque sua fé era pequena…” quando estava entre os gentidos e judeus e outros enfim lá no velho mundo. Então pensem sobre isso, será que estamos não merecendo o conhecimento por não praticar? Ou será que o conhecimento esta sendo retido porque não querem que agente saiba como era que deveria ser? Eu não tenho a resposta…

      • Acho que em parte por não podermos receber, e em parte porque simplesmente já não cabe ao nosso caso. Exemplo clássico disso achamos na Lei Mosaica. Eles eram proibidos de comer carne de porco, mas não porque a carne em si é nociva. Eles eram proibidos porque a carne de porco é gordurosa e estraga fácil, dando margem para uma intoxicação alimentar e até morte. Isso, claro, não se cabe hoje. A Palavra de Sabedoria é um mandamento, e seus motivos são claros. Se à época de sua revelação ela era conselho, foi porque na época o Senhor julgou que assim ela seria mais aceita. Se virou mandamento, não foi o Presidente Young que ficou doido. Foi porque a situação já estava virando palhaçada. Aqui neste mesmo blog já vi algumas vezes artigos sobre o dito mandamento, mas coisas como café e vinho acabam por fazer mais mal do que bem. Quem se arrisca a se expor a um vício? Bem pouca gente, acredite, se souber as consequências dele. Agora, que estamos recebendo cada vez menos, isso é verdade. Se quiser saber o motivo, pergunte a alguém da liderança do Centro de Distribuição e pergunte por quê livros como Discursos de Brigham Young e A Igreja Restaurada foram arrancados das prateleiras. Você, acredito, vai se surpreender com a resposta.

      • Leonel, eu não sei exatamente o motivo pelo qual esses livros deixaram de ser distribuídos no Brasil. Mas uma experiência pode esclarecer alguma coisa. Quando fui secretário da minha missão, tive contato com o CDI, o Centro de Distribuição da Igreja. Eu pedia Livros de Mórmon, entre outras coisas. Então, um dia, perguntei para eles por email se eles por acaso teriam algum exemplar de Discursos de Brigham Young sobrando. Recebi resposta de um dos chefes de distribuição. Ele dizia que eles ainda têm os filmes para impressão de alguns livros que outrora estavam disponíveis, mas que para imprimir um só seria caro (DBY sairia por algo em torno de R$ 200), mas que em maior número seria mais viável. Ele disse também que os livros foram tirados porque, à época da retirada, a Presidência de Área recebia muitos pedidos de excomunhão (isso mesmo, pedidos, cartas de pessoas “pedindo pra sair”, com todo o sarcasmo da expressão) por causa de pessoas que não podiam compreender a natureza do texto – não diferenciavam a doutrina do Evangelho da opinião do autor do livro. Ele fez questão de incluir que as pessoas não compreendiam nem ao menos as Obras Padrão, quanto mais esses livros (segundo ele, era esse o comentário da Presidência de Área). Não sei até onde isso é verdade na prática, mas é um argumento, ao meu ver, extremamente válido. E visto até hoje.

      • Paulo,

        em primeiro lugar, muito obrigado pelo ótimo texto acima. A distinção entre doutrina e tradição é ainda mais necessária – como salientou o Leonel – na “periferia” da Igreja, fora de sua sede. (Isso, aliás, responde ao tema da nossa próxima Conferência. Ninguém disposto a desenvolver o tema?)

        A ideia de que livros deixaram de ser publicados pela Igreja por não serem comprados/lidos pelos membros é, para mim, uma forma mais sutil de dizer que os membros brasileiros são membros de segunda classe e que têm à sua disposição aquilo que merecem. Até porque ninguém vai prover números mostrando quantos volumes foram impressos e quantos foram comprados, etc. A ideia se torna ainda mais frágil quando vemos que materiais recentes traduzidos no Brasil deliberadamente mudam trechos do inglês que a hierarquia local não vê com bons olhos, como ocorreu na publicação Ensinamentos dos presidentes da igreja: Joseph Smith.

      • Boa noite, Antônio.
        “A ideia se torna ainda mais frágil quando vemos que materiais recentes traduzidos no Brasil deliberadamente mudam trechos do inglês que a hierarquia local não vê com bons olhos, como ocorreu na publicação Ensinamentos dos presidentes da igreja: Joseph Smith.” Qual página? Ou, qual mudança? Abraço!

      • Os membros pelo que eu vejo na sua maioria,não cumprem nem o básico.Não leêm as escrituras,não visitam os membros para saber se precisam de auxílio.Parece que o Senhor sempre respeitou o livre-arbítrio dos seus filhos,se eles não querem cumprir a parte deles,ele as vezes retira o que foi dado e até retêm o que ele poderia revelar.Recebemos o que merecemos como indíviduos e igreja,se não queremos revelação e mudanças por qual motivo o Senhor nos daria esse presente?Precisamos melhorar como pessoas,para que a igreja seja melhor.

      • Nós acreditamos em uma igreja baseada em revelação,não é?Eu acharia estranho se a igreja tivesse permanecido igual.A igreja com certeza no futuro será muito diferente do que é hoje.E isso não me assusta,nem me intriga.Essa é a graça da revelação.E sabe que eu adoraria me ajoelhar na hora do sacramento?Bem que a igreja podia voltar com essa prática.Uma vez uma amiga da assembléia de Deus,disse que eles se ajoelhavam na hora do culto,tive inveja santa da igreja dela ao ouvir isso,rs.E a igreja ainda continua sendo nós mesmos,se não fosse o testemunho e o esforço individual de cada membro a igreja não poderia continuar.Ela já teria acabado há muito tempo.

      • Isso tudo que vc mencionou e um sinal de que a Igreja caminha a passos largos para uma Apostasia, muitos entendem como Apostasia sendo algo como preto e branco e que nao mais poderia acontecer sendo que A Igreja foi novamente restaurada na terra mas se observarmos bem nas escrituras vemos quantas vezes a verdadeira Igreja caiu em apostasia mesmo tendo Profetas guiando a Igreja(vemos isso no Livro de Mormon) tambem podemos concluir que isso nao somente pode acontecer mas que ira certamente acontecer, muitas profecias no LM indica que a Igreja nos Ultimos dias se desviara do verdadeiro caminho necessitando uma nova reestruturacao. Essas mundacas que vc citou sao sinais desse eventual desvio do caminho. Moroni, Alma, Mormon, BY, Joseph Smith entre outros avisaram sobre esse perigo da Igreja nos ultimos dias devido ao orgulho, desejo de popularidade e riqueza.

    • Essa é clássica, Marcello! Sem falar na mão esquerda pra trás… são símbolos que o pessoal tira não-sei-de-onde para não-sei-o-quê.

      • Isso é vicio de uma cultura baseada em seculos de catolicismo, isso é o Brasil, os brasileiros querem se tornar mormons-catolicos, eles trazem um vicio do tipo que o Marcello citou : mão esquerda não vale, braço esquerdo na hora do apoio/desobrigação não vale e por aí vai….
        Uma vez eu disse que é dificil ser mormon no Brasil e continuo achando que é !
        Sabe por que ?
        Agora vou pegar um gancho nas palavras do Antonio, somos mormons de segunda classe, apegados a ritos e manias e desprovidos de ensinamentos que poderiam nos trazer mais luz e conhecimento.
        Eu cheguei a receber olhares repreensivos (e broncas) de lideres enquanto dava aulas para os membros novos apenas por discutir pontos mais profundos que FAZIAM PARTE DA AULA E ESTAVAM DESCRITOS NO MANUAL, isso me deixava muito nervoso, certa vez tive que repreender o lider e dizer : Tá aqui no manual !
        Eu considero isso a pior mania que estamos desenvolvendo aqui no Brasil, a mania de empurrar a parte mais forte da doutrina (profunda ou como queiram) pra debaixo do tapete e discutindo sobre vestimenta,padroes e etc, ou seja:
        Coando mosquitos e engolindo camelos !

  4. Eu sei que a igreja muda baseada em revelações modernas. Porém, até o momento eu não vi nenhuma revelação moderna. Após Joseph, somente mudaram doutrinas, mas param as revelações que trazem a luz um conhecimento novo sobre o evangelho. Tudo que vejo é baseado na doutrina que Joseph restaurou. Não tenho dúvidas de que a missão dele era esta restaurar trazer a luz. Acho que tem certas doutrinas que não muda. Pois afinal, na época de Joseph, existia um convénio que era feito no templo onde a pessoa se comprometia em cumprir toda doutrina tal como se acha nas sagradas escrituras. Então, deveríamos de aceitar muitas escrituras e viver de acordo com elas.

    • Até concordo com você, herbell, no sentido de que não existem muitas novas revelações sobre o evangelho. Acredito, no entanto, que a tendência é essa mesma. Muitos membros da Igreja não estão prontos para receber algo maior, e o Senhor trabalha com maiorias, em grande parte das vezes. Acho que, se começássemos, todos nós, a fazer um pouco mais do que os profetas estão pedindo e voltássemos mais nossa atenção para o que já temos, então talvez o Senhor se levante de seu trono e nos dê alguma coisa mais… ou mesmo esclareça algo que se debate na nossa cabeça como um peixe fora d’água.

  5. Penso eu, que a cultura no Brasil está mundando em escalas exponenciais no que tange a leitura se avaliarmos e ponderarmos sobre os últimos anos… Se eu estiver certo nesta singela e pessoal opinião, é possível que porporcionalmente estamos progredindo na intelectualidade e adotando passo-a-passo uma postaura de mente aberta e mais informada da crença que abraçamos também… É possível, então, que muitas das tradições locais seja estinguidas e a universalidade da cultura mórmon no meio SUD em parâmetros mundiais sejam mais visíveis…

    É meu sonho que isso também desencandeie uma série de iniciativas com a distribuição cada vez mais ampliada e intensa de literaturas no Brasil, o que, no meu humilde entender, continuará impactando na cultura e fé mórmom no país.

  6. Esta abordagem de que a Brasil não está pronto pra “carne” e só precisa dde “leite” por enquanto é bem complexa… Pois existem brasileiros em muitos aspectos bem melhores que muitos Americanos, Europeus ou Orientais… No entanto, temos que admitir que muitos de nós deixam a desejar e ficam acomodados com o quadro que se encontram, dando margem pra realmente deduzir que não sejam dignos de receber mais… Daí, a classe que merece, os que se importam mais, os mais interessados e os intelectuais do evangelho sejam igualmente punidos que estas limitações…. A popularização da internet tem dado consolo a estes e a possibilidade de conseguir literatura no exterior tem trago alento… Mas todos sabemos que é insuficiente e spnhamos juntos que esta quadro mude e se iguale ao direitos de acesso como os do Americanos….

  7. Eu acho que a doutrina do pão, leite e carne, não é exatamente o que estão aplicando. Pois, quem dá o conhecimento na verdade é o Espirito Santo, este ninguém pode barrar… Acho que toda escritura e conhecimento foi dado no entendimento do mais simples dos homens como cristo falou. O que falta é aprenderem a confiar na revelação do Espirito e serem dignos de receber diretamente dele…. pois através dele podemos saber a verdade de todas as coisas e todos mistériois de Deus são revelados.

  8. Acho que você está certíssimo em sua abordagem caro “heberll”, todos tem direito a experiências místicas desde que paguem o preço, o que no mormonismo se traduz em dignidade moral, aguçada sensibilidade e cautelosa atenção…

    Mas o que procurei argumentar em meu post refere-se aos dados históricos e ensinamentos doutrinários ou mesmo opiniões significativas de autores que já serviram ou servem como líderes, que podem contribuir para uma melhor ponderação e amadurecimento do leitor No nosso caso, citei o desconforto por esta limitação em publicações no Brasil totalmente discrepante com o que há nos E.U.A., a despeito de sermos a algum tempo a segunda nação SUD. Minha singela opinião visa que o acesso a estas ricas literaturas seria a resposta para em médio e longo prazo erradicar o cancer de tradições desvirtuadas com a essência do evangelho criadas por indivíduos ignorantes (i.e. limitados em conhecimento). Esta foi uma réplica ao excelente artigo que estamos saudávelmente discutindo de autoria de nosso amigo Paulo Ariente.

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