Mulheres: Não Falem Demais

cartazOntem aconteceu a “Reunião de Irmãs da Área da Europa”,  realizada na Alemanha e transmitida ao vivo pela internet, destinado às mulheres sud europeias. Entre os oradores estavam M. Russell Ballard e David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, e Donald L. Hallstrom, da Presidência dos Setenta. O cartaz do evento já havia suscitado a observação de que trazia a foto de três oradores homens numa reunião voltada exclusivamente para mulheres, o que seria revelador da posição da mulher na Igreja. Mas o discurso dado pelo Élder Ballard superou as expectativas do que poderia ser inadequado no trato com as mulheres.

Este é um trecho do seu discurso em que é afirmada a importância da participação feminina na Igreja:

Não podemos, não podemos cumprir nosso destino como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em preparar este mundo para a segunda vinda do Salvador do mundo sem o apoio e a fé das mulheres desta igreja. Precisamos de vocês. Precisamos de suas vozes. Elas precisam ser escutadas. Precisam ser ouvidas em sua comunidade, em seus bairros, precisam ser ouvidas dentro do conselho da ala ou conselho do ramo. Mas não falem demais nessas reuniões de conselho, apenas corrijam os irmãos rapidamente e sigam adiante. Estamos construindo o reino de Deus.¹

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Permanecer em lugares santos: reflexões sobre a questão antropológica do “nós” e dos “outros” no contexto SUD.

Neste ano, o tema da mutual dos jovens para 2013 é “Permanecer em lugares santos”. De acordo com Monica Lunardelli (2012), “as presidências gerais dos rapazes e das moças esperam que o tema e os recursos a ele relacionados ajudem os jovens a focar no trabalho do templo, viver os padrões e seguir o exemplo de Cristo”.

Este tema faz referência à escritura Doutrinas & Convênios 87: 8. Esta passagem está no contexto de uma revelação dada a Joseph Smith no natal de 1832. Haveria um período de guerra e, desta forma, muitas calamidades surgiriam na Terra. Para que os santos[1] não sejam desvirtuados do caminho do Senhor, eles devem permanecer em lugares santos.

O atual presidente da Igreja, Thomas S. Monson, busca explicar esta questão em um discurso da Conferência Geral de outubro de 2011. De acordo com Monson, haveria uma analogia entre a diversificação da moral (e dos “bons costumes”) e a guerra citada na escritura acima. Diante de um discurso onde afirma que “sabemos que a moralidade não é coisa ultrapassada” porque “as leis de Deus permanecem constantes” (Monson: 2011), um discurso moralizante, nos é posto a ideia de que devemos “estar no mundo, mas não ser do mundo”, ou seja, que como santos dos últimos dias, nós devemos nos distinguir das demais pessoas por termos uma “moral mais elevada”. Continuar lendo

Como voltar à igreja?

Voltar a frequentar a Igreja, após um período de “férias” pode ser algo bastante difícil para muitos indivíduos, basicamente pelos motivos motivos que levam as pessoas a deixarem o convívio da Igreja. O olhar dos outros, a avalanche de responsabilidades e outras formas de pressão social pouco ajudam nesse processo de reintegração. Mas como superá-las?

Caso o indivíduo sinta vontade de voltar a frequentar a Igreja, como ele pode se prevenir dessas pressões? Ou passar por elas sem se machucar? Como fazer desse retorno uma experiência prazerosa e de fato espiritual?

Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo

O que faz as pessoas se afastarem da Igreja?

Discutindo o assunto da baixa taxa de retenção de membro na Igreja SUD no Brasil, recebi os seguintes comentários de um amigo.

Comentários, não. Desabafo!

Eu gostaria de compartilhar publicamente essa carta que, ao meu ver, expressa bem algumas frustrações comuns entre SUDs no Brasil. Além disso, é honesta, bem humorada, positiva, e excelente início para uma discussão franca. Continuar lendo