Como voltar à igreja?

Voltar a frequentar a Igreja, após um período de “férias” pode ser algo bastante difícil para muitos indivíduos, basicamente pelos motivos motivos que levam as pessoas a deixarem o convívio da Igreja. O olhar dos outros, a avalanche de responsabilidades e outras formas de pressão social pouco ajudam nesse processo de reintegração. Mas como superá-las?

Caso o indivíduo sinta vontade de voltar a frequentar a Igreja, como ele pode se prevenir dessas pressões? Ou passar por elas sem se machucar? Como fazer desse retorno uma experiência prazerosa e de fato espiritual?

145 comentários sobre “Como voltar à igreja?

    • Todo e qualquer ser humano é meu irmão ou minha irmã, independente de sua crença religiosa. Até Cristo é meu irmão! Meu uso da palavra “indivíduo” acima não se contrapõe a “irmão” ou “irmã”. Eu gosto dessa palavra porque ela me faz lembrar da importância de cada pessoa, como um ser único. Esse é o significado literal de “indivíduo”: uma unidade única, que não pode ser dividida ou copiada.

      Para dizer a verdade, Wandrey, em muitos contextos eu evito o uso de “irmão” porque essa foi uma palavra usurpada pelos manipuladores da religião cristã e ganhou em muitos casos a conotação de alguém que partilha da mesma crença, ou seja, um correligionário. Então, assim como sempre fiz com minhas irmãs biológicas, quando interajo com as pessoas de quem gosto, uso o nome direto, a não ser que seja melhor usar uma outra convenção social em função da idade, por exemplo.

      Mas não tenho problema em ser chamado por você de “irmão Teixeira”. 🙂

      Forte abraço!

      • Ok, entendido.

        Mas, aprofundando um pouco mais essa questão, não fique zangado, aponte mais claramente quem são os “manipuladores da religião cristã”. Seriam, por acaso, os seus líderes?

        Também, tu dizes não haver problema em eu o tratar como “irmão”, trataria a mim também como um “irmão” seu?

        PS.: Não sou Wandrey. Sou o Apóstolo Testemunha dos Deuses Santos (Apóstolo TDS)

        Obrigado

      • Eu apenas seria capaz de não considerá-lo um irmão caso você não fosse um ser humano.

        A religião cristã tem sido usada há séculos para obter controle, dinheiro e outras coisas nada relacionadas aos ensinamentos de Cristo. Todos os que agem dessa forma são manipuladores da religião cristã.

        Eu não sou “liderado” por nenhum homem.

      • Irmão Antonio, o que você quis dizer com: “Eu não sou “liderado” por nenhum homem.”, fiquei em dúvida principalmente por causa da palavra “liderado” entre aspas.

      • Marcos,

        eu posso estar enganado, mas não tenho visto tanta ênfase nas escrituras com os termos “líderes”, tal como é comumente usado na igreja. “Líder” aparece algumas vezes, por exemplo, no Livro de Mórmon em contextos bélicos (Mórmon 2:1) ou no sentido familiar (3 Néfi 7:3). D&C traz o termo no sentido eclesiástico também (D&C 112:30).

        Há hoje o perigoso cruzamento do evangelho com administração de empresas e auto-ajuda. É nesse sentido que eu não reconheço “líderes” e não me sinto “liderado”. Eu reconheço pessoas que são chamadas a servir a Deus e ao seu semelhante, pessoas que não devem ser idolatradas (como aparentemente o são). Por isso prefiro “servo”, que traz um conceito mais preciso e menos deturpado.

        Abraços!

      • Olá, irmão Bill. Desculpa demora em vir aqui. Vamos lá:

        Também te farei uma pergunta. Se ma responder, responderei a sua, ok?:

        > O batismo de João foi da parte dos Deuses ou dos homens?

      • João possuía o Sacerdócio Aarônico, então possuía poder e autoridade do Alto para ministrar tal ordenança.
        Dito isto, fique à vontade em responder à minha pergunta prezado Wandrey.

      • Prezado irmão Bill, tendo em vista sua excelente respostas que, embora se esquivou da pergunta direta, está de bom tamanho. assim, só me resta cumprir minha parte no acordo.

        “Quem e com quê autoridade te ordenou Apóstolo?”

        Saiba que quem me deram a autoridade e ordenança de um apóstolo foram os Grandiosos Deuses Altíssimos, os santos Deuses que levam o nome ímpar de Jeová. Foram eles que me designaram um de Seus muitos apóstolos e, visto ser assim e dou fé, aproveito para também dizer que eis que algo maior do que Aarão está aqui.

        Apóstolo TDS

      • Tambem não gosto muito de chamar os membros de irmãos, tipo chegar e falar oi irmão tudo bem? ou sempre falar irmão (a) ao invés de usar os nomes das pessoas, isso só deixa claro que vc não sabe de nome de ninguem, e realmente tambem acho que o uso de “irmão” tem sido manipulado de maneira a entender que somos da mesma crença.

        Gostei de seu blog Teixeira, tenho um visita lá: http://www.mulhersud.wordpress.com, quero tambem seus comentários.

  1. Antônio,
    os questionamentos que você levanta em relação a volta de um membro à Igreja são importantes e complexos. Eu acredito, tal como você coloca em uma de suas indagações, que dar muitas responsabilidades ao membro que retorna podem acabar por pressioná-lo e não ajudá-lo em seu retorno. Infelizmente, aqueles que nunca passaram por um período de afastamento das reuniões da Igreja, têm pouca ou quase nenhuma empatia por pessoas que passaram por esta experiência. Assim, estes membros e líderes com esta falta de empatia, acabam prejudicando o retorno dos membros que outrora estiveram afastados. Isto ocorre quando estes membros retornando recebem inúmeras responsabilidades sem os líderes e outros membros oferecerem ajuda e nem ao menos treiná-los em suas responsabilidades, e sem também analisar se tal orportunidade de serviço iria relamente ajudá-lo, e também ocorre em situação inversa, quando o membro que retorna é deixado “para escanteio” e acaba não recebendo nenhuma oportunidade de servir.
    Outro aspecto importante do retorno é sem dúvida o fortalecimento da espiritualidade de tal membro. As vezes, a liderança tende a pensar que um chamado ou uma responsabilidade (ou várias) por si só terão o poder “automático” de fazer com que este membro permaneça e consiga vencer as dificuldades de seu retorno. Acabam por esquecer que este membro tal como todos, necessita fortalecer novamente seu relaciomanento pessoal e direto com Deus, o Pai e Jesus Cristo, através do Espírito Santo. Assim, como nem todos líderes tem esta preocupação ou acabam por esquecê-la, penso que, quando um membro está retornando é primordial ele buscar um fortalecimento de sua espiritualidade através da busca por revelação pessoal. Por meio da prática da oração e do estudo das escrituras na fonte, novamente ele poderá desfrutar de uma comunhão direta e pessoal com a Trindade. Desta maneira esta pessoa terá como trunfo seu relacionamento direto e pessoal com o Pai Celestial e Jesus Cristo por meio do Espírito Santo.
    Acredito também que o membro que retorna poderá passar pelas pressões, através de servir outras pessoas independentemente de ter ou não um chamado ou responsabilidade na Igreja. Por experiência pessoal, sei dos enormes benefícios como sentimentos de realização pessoal, de paz, de felicidade e de contentamento, que recebemos quando ajudamos outras pessoas mesmo nos mais singelos atos. Em outras palavras, o membro que retorna terá muito mais força para superar as pressões se o mesmo se concentrar num efetivo serviço de ajuda ao próximo do que se preocupando em ter ou não um chamado na Igreja. Penso que este foco no que efetivamente fazemos para demonstrar amor ao nosso próximo (começando por nossa família), é algo que também os membros ativos deveriam imitar (também me incluo nisto) e não somente aqueles que retornam. Os chamados e reponsabilidades na Igreja são muito importantes, mas somente quando eles são realmente usados para ajudar as pessoas e famílias através de um serviço abnegado, assim como Cristo realizou.
    Por fim, penso que o retorno à atividade na Igreja somente será uma “experiência prazerosa e de fato espiritual”, através da concentração na busca por uma espiritualidade baseada no relacionamento direto e pessoal com a Deidade, através das práticas da oração, do estudo significativo das escrituras e do serviço abnegado ao próximo.

    • Muito interessante seu comentário, Jorge. Sem querer reduzir o que você disse acima, eu destacaria o seu conselho de focar na espiritualidade. Isso desviaria nosso foco da interação social e das inúmeras tarefas sugeridas/exigidas/cobradas.

      Aparentemente, uma tarefa bastante solitária. Ou pelo menos, independente da Igreja (?).

      Abraços!

      • Olá, Antônio.
        Refletindo sobre seu comentário acima, cheguei a conclusão de que o foco na espiritualidade, no caso de um membro que está retornando à Igreja pode realmente parecer uma tarefa muito solitária. Porém, talvez me faltou completar esta sugestão com o que eu disse a respeito do serviço ao próximo. Falo sobre servir ao próximo, pois foi algo que me ajudou muito num período em que eu estava retornando à Igreja. Um pouco depois de meu retorno, meu bispo na época me deu a oportunidade de servir através de um chamado na ala. Aquele chamado em questão me ajudou a relembrar a doutrina e os princípios que eu passei realmente a conhecer enquanto servi como missionário de tempo integral. Porém, mais do que isso, aquele chamado me propocionou a oportunidade de ajudar outras adultos solteiros da ala no seu processo de retorno à Igreja e também serviu como um apoio a todos os adultos solteiros que participavam daquela classe da escola dominical. Mas pouco tempo depois recebi outros chamados, e cheguei a acumular três chamados de uma só vez. Como sou humano e imperfeito, tentei levar os “três”, mas é claro, não conseguia dar conta dos três. Isto me deixava frustrado, pois sempre somos convidados e motivados a magnificar nossos chamados. Por isto eu disse em meu primeiro comentário neste post, que os chamados podem ajudar um membro que retorna, ao mesmo tempo em que se não forem bem “calculdados” podem acabar dificultando a volta à Igreja. Em meu caso, não foi tão prejuducial a ponto de dificultar a minha volta e permanência, até porque tempos depois eu acabei ficando com apenas um chamado.
        Mas uma das coisas que mais me ajudaram, e que também eu citei anteriormente, em meu primeiro comentário é com relação a ajudar as pessoas independente de ter ou não um chamado. Nesta mesma época em que eu estava retornando, havia uma família inativa da ala, que estava se mudando. O filho mais novo da família, era meu amigo e eu também conhecia eles há bastante tempo. Me ofereci para ajudá-los na mudança. No dia marcado, saí de meu emprego e fui direto para casa deles. Ajudei-os a levar a mudança para a nova casa e também a descarregar esta mudança. Foi algo muito simples, mas me senti muito contente por tê-los ajudado. Quando eu estava chegando para ajudá-los ouviu o pai comentar que eu não viria, que tinha prometido ajuda só da boca pra fora. Nem ele e nem ninguém da família haviam percebido que eu estava chegando (eu estava no portão quando ouvi isto). Sinceramente não me preocupei e nem fiquei ofendido (surpreso sim), porque eu estava com muita vontade de ajudar. E foi o que eu fiz naquele fim de tarde e começo de noite. Contei esta experiência porque naquela época eu estava (e ainda estou) realmente convicto de que eu precisava servir as pessoas ao meu redor, com as quais eu convivia, para que eu pudesse me aproximar mais de Cristo. E aquilo me ajudou, com certeza, no meu retorno à Igreja.
        Com isto, não quero dizer que o convívio com os outros membros da Igreja e as oportunidades de serviço formal não sejam importantes. Como foi citado pelo Leonel em seu comentário: “parte do processo de individuação e amadurecimento espiritual se dá pelo encontro com o outro – e, pelas oportunidades de serviço que isso ocasiona. Portanto, nossa experiência espiritual acaba sendo mediada por nossa experiência comunitária. Não há como dissociar uma coisa da outra!” Assim sendo, apesar do processo de amadurecimento de nossa espiritualidade ser em parte desenvolvido individualmente, por outro lado, parte deste desenvolvimento só ocorrerá em nossa interação com os demais membros nas diversas reuniões e oportunidades de serviço.
        Por fim, acredito também que em todos os relacionamentos que desenvolvemos nos mais diversos lugares, acabamos por ter nossas preferências, ou em outras palavras, com alguns desenvolvemos uma proximidade maior, nos tornamos amigos destes. Então acredito que no retorno, o desenvolvimento de uma boa e sincera amizade ou reatar antigos laços de amizade, podem ajudar a tornar o retorno à Igreja uma experiência menos traumática. Aliás, este era um dos conselhos dados pelo saudoso presidente Hinckley não aos inativos, mas aos líderes e membros no processo de receber bem os membros novos e os que retornavam. Uma boa amizade é sem dúvida algo de um valor imensurável.

      • Pois é, Jamil, essa oportunidade de servir é do que eu mais sinto falta e a maior motivação para frequentar a Igreja. Meu servir ao próximo não pode/deve se limitar à oportunidades criadas e oferecidas pela Igreja, obviamente, uma vez que a maioria dos meus “próximos” não têm nenhum vínculo com a Igreja. Muito interessante sua reflexão.

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