Igreja Mórmon Desfaz-se de Arte em Templos

As encenações ao vivo da cerimônia da investidura serão descontinuadas nos templos de Salt Lake City e de Manti, conforme anúncio da Primeira Presidência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os dois templos construídos no século 19 contarão com a exibição de filmes, tal como feito nos demais templos da denominação ao redor do mundo.

Mural na Sala do Mundo, pintado por Minerva Teichert no interior do templo de Manti, Utah.

Os projetos de renovação desses dois templos do estado de Utah ainda previam originalmente a destruição de murais artísticos, incluindo as obras de dois dos mais celebrados artistas mórmons, C. C. A. Christensen (1831-1912) e Minerva Teicheirt (1888-1976). O projeto foi classificado por alguns como violência cultural, em óbvia contradição aos diversos projetos de preservação histórica e arquitetônica da Igreja, incluindo sua reconstrução do templo de Nauvoo.

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O Falsificador Mórmon, na Netflix, Destaca Questões de Fé, Ceticismo e Autenticidade

Aviso sobre spoilers: este ensaio cobre as linhas gerais do caso de falsificação e assassinato de Mark Hofmann, que será destacado no novo documentário da Netflix, embora não detalhe nenhuma das novas descobertas do documentário.

Em 15 de outubro de 1985, Salt Lake City, Utah, foi abalada profundamente. Naquela manhã, uma bomba fatal explodiu no escritório do empresário Steven Christensen; à tarde, outra bomba tirou a vida de Kathy Sheets, esposa de um dos colegas de Christensen, em sua casa. Muitos presumiram que as mortes estivessem relacionadas a um acordo de investimento que dera errado.

Porém, havia outra ligação que parecia mais provocativa e que imediatamente chamou a atenção nacional: as vítimas também estavam envolvidas na compra de uma carta histórica controversa, vários anos antes, a qual ameaçava minar as origens históricas d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

As coisas pioraram no dia seguinte, 16 de outubro, quando uma terceira bomba explodiu no carro de Mark Hofmann, o negociante de documentos que havia encontrado e facilitado a venda da carta, confirmando que os assassinatos tinham mais a ver com mormonismo do que com dinheiro. Hofmann sobreviveu a explosão com ferimentos graves, apenas para mais tarde se tornar o principal suspeito por trás de todos os três dispositivos. Continuar lendo

Bastidores dos Ensaios de Tópicos do Evangelho

Raça e sacerdócio, casamento plural, mulheres e as ordenanças do templo – esses são alguns dos temas explorados em ensaios publicados pel’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em seu site oficial, e cujas informações ainda parecem não ter alcançado a imensa maioria de seus membros ao redor do mundo. Mais de sete anos depois do início de sua publicação, os treze ensaios histórico- apologéticos permanecem pouco difundidos. E isso tem sido, em grande parte, intencional.

Ensaios Evangelho Igreja SUD

Assuntos “espinhosos” da história e teologia mórmons à distância de um clique, mas apenas para quem achar. | Imagem: Cortesia de cottonbro via Pexels.

As Autoridade Gerais da Igreja SUD nunca anunciaram ou promoveram nas revistas oficiais da denominação os treze ensaios sobre Tópicos do Evangelho. Seu temor era que isso “poderia causar uma crise de fé para alguns santos dos últimos dias que não estavam familiarizados com o conteúdo dos Ensaios”, afirma o historiador Matthew L. Harris. Continuar lendo

Vacina Contra Covid-19: Membros Seguirão o Profeta?

Oito líderes mundiais dos santos dos últimos dias e algumas de suas esposas receberam a vacina contra o Covid-19, no dia 19 de janeiro, em Salt Lake City, Utah. A Igreja ainda publicou uma mensagem enfatizando a seus membros a importância da vacinação.

Russel Nelson profeta vacina Covid-19

Russel Nelson recebe a primeira dose da vacina contra Covid-19, em Salt Lake City. | Imagem: Cortesia de Intellectual Reserve.

Russel M. Nelson, presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, anunciou em uma postagem no Facebook o recebimento da primeira dose da vacina, juntamente com sua esposa, Wendy:

Receber a vacina hoje foi parte de nossos esforços pessoais para sermos bons cidadãos globais em ajudar a eliminar o  COVID-19 do mundo.

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Igreja Mórmon Condena Violência em Washington, Urge Respeito a Resultado das Eleições

Em declaração publicada hoje, a liderança máxima d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias condena a invasão do Congresso norte-americano, perpretada por apoiadores do presidente Donald Trump, no último dia 06 de janeiro, e reafirma a necessidade se honrar o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos.

Policiais tentam impedir manifestantes de adentrar o Congresso, em Washington, D.C., em 06 de janeiro| Imagem: AP Photo/Jose Luis Magana

A nota dos profetas e apóstolos ainda pede aos membros da denominação que coloquem filiações partidárias abaixo de seu status como santos dos últimos dias. Continuar lendo

‘Templo’ Exclusivo a Profetas Estimado em US$2 Milhões

Durante a reforma do Templo de Salt Lake City, um “mini-templo” estará disponível aos três membros da Primeira Presidência e os Doze Apóstolos. Sua localização é o oitavo andar do Memorial Joseph Smith, elegante prédio centenário da Praça do Templo, no centro de Salt Lake City. O custo estimado pela imprensa para a reforma do andar é de US$2 milhões, cerca de R$ 10.400.000 ao câmbio de hoje.

A Praça do Templo em contraste com os arranha-céus, no centro da capital de Utah. Além do icônico templo, atualmente em reforma, a Praça abriga o Tabernáculo, o Prédio Administrativo da Igreja e o Prédio Memorial Joseph Smith, entre outras instalações. | Imagem: Sean Pavone, Shutterstock.

Planos para o “mini-templo” destinado aos quinze líderes máximos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias antecederam o fechamento temporário do templo de Salt Lake City. Continuar lendo

‘Estandarte da Liberdade’ Hasteado em Invasão do Congresso Americano

Em protesto que resultou na invasão do Congresso americano e uma morte, bandeira inspirada no Livro de Mórmon foi vista entre apoiadores do presidente Donald Trump.

Em publicação no Twitter, simpatizante pró-Trump destaca a presença do “Estandarte da Liberdade” em meio ao protesto contra o resultado eleitoral na capital norte-americana em 06/01/2021

Animados pelas afirmações de Trump, os manifestantes creem que a recente eleição presidencial nos EUA, que elegeu o democrata Joe Biden, foi manipulada e deve ser revertida. Os invasores hoje objetivavam impedir os procedimentos do Colégio Eleitoral. Continuar lendo

Entrevista com Maurício Berger e Seguidores

“Não estou afirmando nada”, diz Maurício Berger quando questionado se considera ser a reencarnação de Joseph Smith, doutrina que vinha sendo sendo pregada abertamente por muitos de seus seguidores meses antes da entrevista.

O gaúcho Mauricio Berger diz haver traduzido a parte selada das Placas de Mórmon. Ele lidera hoje um novo movimento religioso restauracionista.

O Livro Selado de Mórmon, os anjos Rafael e Morôni, poligamia, reencarnação e a busca pela unificação de todos os santos dos últimos dias são alguns dos temas tratados nesta entrevista concedida por Maurício Berger e seus associados a Emanuel Santana. Em suas respostas, podemos ver o retrato de um jovem movimento religioso ainda em construção, com todas as suas inseguranças e convicções. Continuar lendo

Falece Armand Mauss, Sociólogo Mórmon

Faleceu hoje, aos 92 anos, Armand Lind Mauss, um dos mais influentes intelectuais mórmons da atualidade. Ele era professor emérito de Sociologia e Estudos da Religião na Universidade Estadual de Washington, onde lecionou entre 1969 e 1999. Armand Mauss foi autor de seis livros, e autor ou co-autor de mais de 100 artigos cientificos.

Armand e Ruth Mauss. | Imagem: cortesia de Miller Eccles Study Group.

Mauss foi editor do Journal for the Scientific Study of Religion (Revista para o Estudo Cientifico da Religião) entre 1989 e 1992, e editor associado de diversos outros periódicos acadêmicos. Foi um dos fundadores da  Mormon Social Science Association (Associação de Ciências Sociais Mórmon) em 1976, e presidiu a Mormon History Association (Associação de História Mórmon) entre 1997 e 1998. Mauss foi uma forte influência na revista mórmon Dialogue, servindo durante 20 anos em seu comitê editorial. Continuar lendo

Leonard Arrington: Política e Raça Entre Mórmons Latino-Americanos

Escrevendo acerca da Conferência Geral SUD de outubro de 1979, Leonard J. Arrington fez algumas observações sobre os santos dos últimos dias na América Latina, baseado em suas conversas com os representantes regionais da Igreja na região. Percepções sobre raça e inclinações políticas, segundo o historiador, marcavam diferenças entre mórmons nos Estados Unidos e seus pares nas Américas Central e do Sul, e mereciam a atenção da hierarquia em Salt Lake City.

Retrato de Leonard Arrignton | Imagem: Acervo da Utah State University, cortesia do Herald Journal

Arrignton fala em tons elogiosos dos Representantes Regionais que conheceu na Conferência, dentre eles o brasileiro Osiris Grobel Cabral. Para o Historiador da Igreja, tratavam-se de “pessoas jovens, enérgicas”, expressando um contraste sutil com as Autoridades Gerais. Um dos Representantes, Jeff[rey] Allred, é lembrado como alguém que “gosta de ler a história ‘verdadeira'”, uma constante preocupação que Arrington expressa em seus diários. Continuar lendo

Joseph Smith: O Sermão de King Follet

Discursos de Conferências Gerais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acontecem semestralmente. Um dia muito importante que membros de vários países se juntam em capelas, casas ou em frente ao computador para assistirem e ouvirem o presidente da Igreja, o qual o chamam de profeta.

Em 07 de abril de 1844 o presidente e fundador do mormonismo, Joseph Smith Jr. (1805-1844) deu um discurso que se tornaria um dos mais importantes para os estudiosos da religião mórmon. Esse discurso antecede seus três últimos e conturbados meses de vida até seu assassinato em Carthage, Illinois. Continuar lendo

W. Paul Reeve: Redescobrindo os Primeiros Conversos Negros do Mormonismo

“É impossível policiar as fronteiras raciais”, afirma o historiador W. Paul Reeve. Professor da Universidade de Utah, Reeve coordena desde 2018 o projeto Century of Black Mormons (Século dos Mórmons Negros), uma base de dados digital que busca documentar a história de mórmons negros durante o primeiro século de existência do movimento religioso fundado por Joseph Smith.

W. Paul Reeve, professor da Universidade de Utah | Imagem: Cortesia de Daily Utah Chronicle.

Nesta entrevista exclusiva ao Vozes Mórmons, Reeve fala sobre sua jornada acadêmica para entender o passado racial dos santos dos últimos dias e os principais desenvolvimentos da historiografia sobre o passado racial mórmon nas últimas quatro décadas. Segundo ele, houve “três fases” de politicas raciais na Igreja SUD, fato que, observa, muitos de seus membros infelizmente desconhecem.

Reeve também pondera sobre a influência dos ensinamentos raciais passados sobre o mormonismo atual: “a Igreja”, ele afirma, “passou mais de 130 anos ensinando doutrinas e políticas raciais, mas não investiu a mesma energia para corrigir esses ensinamentos”. O historiador ainda lista as seis justificativas mais comuns entre membros SUD que reforçam a ideia de “inocência branca” durante o período da segregação racial mórmon, entre 1852 e 1978. Continuar lendo

A “Revolta Racial” em Salt Lake City Que Nunca Aconteceu

Na esteira dos protestos em Salt Lake City, boatos circularam sobre a iminente invasão de casas na região norte de Utah. Manifestantes supostamente planejavam bater em portas e “se as pessoas atenderem quando baterem, eles [iriam atirar] para provar que vidas negras importam”. Departamentos de polícia de toda a região emitiram declarações através de mídia social de que parecia não haver uma ameaça credível. De fato, os boatos podem ter sido desencadeados por postagens de mídias sociais, como uma postada por “Blacklivess Matter”, que prometia “estaremos assassinando famílias brancas até que a justiça seja feita!!!” ou outra da “ANTIFA America”, que declarava “Hoje à noite dizemos ‘F…. A Cidade’ e entraremos nas áreas residenciais. . . nos bairros brancos. . . para tomar o que é nosso”. Isso era assustador. Mas, como os rumores em Utah,  faziam parte de uma mentira. A rede NBC News descobriu, por exemplo, que a conta da “ANTIFA America” estava vinculada a um grupo neonazista conhecido como Identity Evropa. O objetivo de tais boatos era semear discórdia, medo e, assim como a violência entre manifestantes, servia para deslegitimar um movimento e desviar a atenção de sua mensagem.

‘Líderes SUD: usem sua influência em prol da justiça moral”, dizia a faixa carregada por estudantes e professores da Universidade de Utah, em 1965. Marchando ao lado de membros da NAACP, em Salt Lake City, eles pediam que a Igreja Mórmon usasse sua influência em favor do movimento de direitos civis. | Imagem: The Daily Utah Chronicle/KUED

Essa tática de desinformação e propaganda política tem uma longa história entre governos e tem sido empregada nos Estados Unidos em inúmeras ocasiões. Infelizmente, os rumores sobre violência inspirada pelo Black Lives Matter (Vida Negras Importam) no norte de Utah fazem lembrar uma campanha de desinformação semelhante, lançada contra a população de Utah em setembro de 1965. Continuar lendo

Revelação a Newel K. Whitney Através de Joseph, o Vidente (1842)

Um ano antes de ditar a revelação sobre “pluralidade de esposas”, a qual viria a ser canonizada décadas após sua morte como a seção 132 de Doutrina & Convênios, Joseph Smith recebeu uma revelação em que o Senhor instruia seu futuro sogro sobre como realizar o casamento de sua filha ao Profeta.

Sarah Ann Whitney, em Utah. Em 1842, Sarah Ann Whitney foi selada a Joseph Smith em cerimônia oficiada por seu pai, e tendo sua mãe como testemunha. O ritual foi prescrito em uma revelação recebida por Joseph Smith | Imagem: Cortesia de Batsheba W. Bigler Smith Photograph Collection, circa 1865-1900, Biblioteca de Historia da Igreja, Salt Lake City.

Em 25 de julho de 1842, Joseph Smith Jr. ditou a Newel K. Whitney uma revelação sobre a cerimônia na qual Whitney lhe daria sua filha, Sarah Ann Whitney, em casamento.

A revelação foi publicada pela primeira vez este ano pelo Projeto Joseph Smith Papers, reconhecido projeto documental do Departamento Histórico d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e faz parte do seu mais recente volume de documentos, cobrindo o tumultuado período entre maio e agosto de 1842.

De acordo com os editores, a revelação, antes inacessível ao público, traz “as únicas instruções existentes do período de vida de [Joseph Smith] para a realização de uma cerimônia de casamento plural”. Continuar lendo

Estátua de Brigham Young Pichada na BYU

Na manhã de segunda-feira (15/06), seguranças da Universidade Brigham Young (BYU) encontraram pichada a estátua do profeta e colonizador mórmon que dá nome à universidade.

Estátua de Brigham Young, no campus que leva seu nome, em Provo, Utah (15/06/2020). | Imagem: cortesia da Polícia da BYU.

Duas pessoas vistas pelas câmeras de seguranca da instituição haviam jogado tinta látex vermelha sobre a estátua e escrito a palavra “Racista” no seu pedestal. Um spray e uma lata de tinta foram deixados no local pelos pichadores.

A placa do prédio administrativo da universidade foi pichada com um X. O prédio leva o nome de Abraham O. Smoot, líder político e eclesiástico mórmon no território de Utah. Smoot era proprietário de pelo menos proprietário de pelo menos um escravo em Utah.

A estátua de bronze e a placa foram limpas no mesmo dia. Em declaração ao jornal The Salt Lake Tribune, um funcionário da universidade estimou os gastos da restauração em torno de mil dólares.

A depredação ocorreu em meio aos protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos, desencadeados pela morte de George Floyd em 25 de maio, na cidade de Minneapolis, e outras mortes de pessoas negras resultantes da brutalidade policial no país.

Protestos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) também ocorreram na capital de Utah, Salt Lake City. Alguns dos protestos nos EUA e em outros países têm denunciado ou buscado destruir monumentos públicos em homenagem a personagens históricos associados ao comércio de escravos e à supremacia branca.

Segundo presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Brigham Young (1801-1877) introduziu publicamente no mormonismo a ideia de segregação racial. Em 1852, Young discursou sobre a escravidão diante da Assembleia Legislativa do Território de Utah, afirmando que “um homem que tem o sangue africano nele não pode portar nem um jota nem um til do sacerdócio“, ainda que pudesse ser admitido como membro através do batismo. Por serem descendentes do personagem bíblico Caim, pregava Young, negros eram amaldiçoados, e poderiam ser protegidos pelo restante da posteridade de Adão ao ser tomados como escravos.

Um artigo de opinião publicado pelo The Salt Lake Tribune em 12/06 pedia que a universidade mórmon mudasse seu nome, afirmando que Brigham Young havia sido um dos supremacistas brancos mais bem-sucedidos, dada a prolongada vida do banimento de negros do sacerdócio SUD.

Em ensaio publicado em inglês no seu site oficial em 2013 (e traduzido para o português em 2014), a Igreja SUD reconhece que as ideias raciais de Young foram ao longo do tempo sendo expandidas e acrescidas de outras justificações doutrinárias para o racismo na igreja, dentre elas a ideia de os negros serem espiritos que permaneceram neutros na chamada “Guerra nos Céus”:

A maldição de Caim, frequentemente, era apresentada como justificativa para as restrições do sacerdócio e do templo. Na virada do século [20], outra explicação tomou forma: foi dito que os membros [negros] foram menos valorosos na batalha pré-mortal contra Lúcifer e, como consequência, foram impedidos de bênçãos do sacerdócio e do templo.

Durante a vida do profeta mórmon fundador, Joseph Smith Jr. (1805-1844), homens negros como Walker Lewis e Elijah Able foram ordenados a ofícios do sacerdocio mórmon. Segundo o relato da conversa negra Jane Manning James, em Nauvoo, Joseph Smith ainda teria proposto, através de sua esposa Emma, que Jane fosse a eles adotada como filha. Na década de 1830, Smith chegou a defender a escravidão negra em bases bíblicas. Porém, passou a defender o fim da escravidão nos últimos anos da sua vida.

A segregação racial iniciada no mormonismo em 1852 apenas veio a ser revogada em 1978, sob a direção do então presidente da denominação, Spencer W. Kimball (1895–1985). À época, a Igreja Mórmon via suas políticas raciais engenhadas na América do Norte impedindo seu crescimento em países como Brasil, onde predominava uma população grandemente miscigenada. O próprio Kimball aconselhava seus seguidores a casar com pessoas “da mesma raça”, tema ensinado mesmo após 1978.

Apesar de a Igreja implicitamente refutar hoje tais explicações doutrinárias para seu passado de segregação racial, durante o qual baniu homens negros do sacerdócio e impediu o pleno acesso de homens e mulheres negras aos rituais dos seus templos, a discriminação contra mórmons negros persiste no cotidiano.

Na própria BYU, alguns professores ainda buscam justificar o segregação no passado mórmon evocando paralelos bíblicos, como neste relato de uma estudante:

Meu professor de “Fundações da Restauração” justificou a proibição do sacerdócio aos negros, dizendo: “Não vamos fingir que Deus não havia feito restrições raciais para o sacerdócio e o evangelho antes. Ele não queria que o evangelho fosse ensinado aos gentios em um ponto. Não sei por que Deus faz essas restrições, mas Ele deixou as duas continuarem por um longo tempo.”

Em 2012, outro professor da mesma universidade causou desconforto ao declarar ao jornal The Washington Post que a segregacão racial não se havia iniciado com Brigham Young, mas sim com Caim.

No início de junho, o atual profeta e presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Russel M. Nelson, condenou o racismo  e a violência em nota nas mídias sociais. Nelson não abordou as questões raciais no mormonismo.

A BYU anunciou na semana passada a formação de um comitê para examinar as questões relacionadas a raça e desigualdade na universidade da Igreja.