Qual o Objetivo do Trabalho Missionário na Igreja SUD?

Este texto não é de minha autoria e o publico aqui na íntegra por solicitação.


Pintura de David Lindsley

Pintura de David Lindsley

Olá, caros leitores do site. Estou escrevendo este texto porque acredito que este é um bom lugar para o pensamento livre. Faz anos que eu me questiono sobre algumas práticas missionárias da Igreja e se elas são realmente eficazes ou a quem elas visam atingir realmente. Entretanto, nunca pude comentar nada na Igreja porque seria imediatamente taxado de apóstata por não acreditar em algumas dicas de Pregar Meu Evangelho (PME).

Antes de mais nada, preciso deixar claro que servi como missionário há cinco anos e peguei a fase PME. Já estudava comunicação antes da missão, mas meus estudos mais significativos ocorreram apenas depois que retornei à universidade. Enquanto estudava, percebia que havia falhas na comunicação utilizada pela Igreja em suas abordagens missionárias, fosse pelo trabalho dos élderes e sísteres, fosse em programas como “Mãos que Ajudam”. Hoje não tenho tantos pudores para comentar esse tipo de assunto porque não frequento mais a Igreja. Embora eu duvide de uma série de coisas, eu não tenho ódio pela igreja e, inclusive, me permito indicar alguns amigos aos missionários. Gostaria de contar-lhes algo que aconteceu esta semana para poder ilustrar melhor o ponto em que quero chegar.

Eu levei duas sísteres da nossa área na casa de uma amiga minha de trabalho. Essa amiga não é uma pessoa que se possa chamar de culta. É uma menina simples, com seus problemas familiares, com muitos filhos, pouca instrução, com fé em Deus, mas sem muito estudo de escrituras ou história. Antes de chegarmos à casa dela, eu disse às missionárias que essa amiga provavelmente não era casada e que seria inútil tentar marcar uma data de batismo com ela já na primeira visita. Elas concordaram e disseram que iriam apenas conversar com ela para ver como poderiam trabalhar.

Quando chegamos, essa amiga nos recebeu com um pouco de receio porque já frequenta uma igreja evangélica. As missionárias foram conversando com ela e eu sempre tentando explicar alguma coisa ou outra sobre como funcionava a Igreja (falava sobre a Primária, já que ela tinha filhos, etc). Foi então que eu percebi certo “esforço” das sísteres para usar frases propostas pelo PME. A Sister americana disse: “nossa mensagem é muito grande e não pode ser compreendida de uma única vez”. A outra comentou que a felicidade se concentrava na família, e coisas do tipo.

Para quem não lembra, essas frases são aquelas que o PME sugere para antes de começar cada lição. Na minha época, meu presidente de missão nos mandava que disséssemos essas frases. Aparentemente, alguma “mágica” iria acontecer e as pessoas se sentiriam mais interessadas em nossa mensagem. Tal “mágica” nunca aconteceu e eu penei para encontrar pesquisadores em algumas áreas. Na época eu achava que o meu fracasso era falta de fé no que meu Presidente prometia e achava que eu não tinha fé o suficiente para encontrar aqueles pesquisadores ideais (os eleitos, como chamam). Tinha outros trechos do PME que davam a entender que quando eu tivesse mais fé, então o Senhor confiaria a mim os seus eleitos. Coisa que raramente aconteceu, apesar de eu acreditar indubitavelmente nessas promessas.

Quando retornei à universidade e comecei a estudar comunicação, percebi que a Igreja falha miseravelmente em se comunicar com seu público-alvo. Foi então que eu entendi por que eu batizei pouco na missão. Foi por culpa do meu Presidente de Missão e por sua fé cega em PME.

As sísteres que eu tinha levado na casa dessa amiga estavam totalmente robotizadas. Parecia que elas sentavam na cadeira, apertavam um botão interno na mente e então diziam as mesmas frases de sempre. Eu, quando era missionário, fazia a mesma coisa. Só obtive sucesso quando encontrei pesquisadores que se sentiam interessados em me perguntar sobre o que eu estava falando. Aí então eu me tornava “humano” de novo e, finalmente, conseguia conversar com o pesquisador.

Meu presidente de missão obrigava-nos a fazer práticas das lições. Não sei bem qual era o seu objetivo (queria que aprendêssemos a doutrina, talvez?), mas hoje reconheço o efeito nefasto que isso teve em mim: eu simplesmente me robotizei. Chegava na casa das pessoas e dizia sempre as mesmas frases e esperava que as pessoas reagissem a isso demonstrando interesse. É óbvio que não daria certo, e não deu mesmo. Imagino que as sísteres que estão servindo na minha área também estão sendo obrigadas a praticar lições e assim acabam meio que “decorando um texto”.

Que fique claro que não vejo problema nenhum de dizer algumas das frases introdutórias sugeridas pelo PME, desde que a ocasião justifique. Por exemplo, uma pessoa diz que tem uma doença como um câncer, então o missionário vem falar de profetas e apostasia? E tudo isso acontece porque é forçado a dizer essas coisas. Acredito que o missionário deve se sentir livre para dizer o que achar que deve dizer.

Depois de conversarmos sobre várias coisas do Evangelho, as missionárias deixaram um daqueles livretos das lições com a minha amiga. Era sobre a Restauração. Foi então que me dei conta que aquilo não tem nada a ver com as necessidades da minha amiga. Ela não parecia interessada em saber sobre apostasia e restauração. Ela deveria ouvir sobre outra coisa.

Outro problema desses livretos é a linguagem. O material se preocupa muito mais em ensinar conceitos para as pessoas do que lhes responder perguntas. Olhei para a minha amiga e percebi que ela não teria nenhum interesse em saber a definição do que era uma apostasia ou uma dispensação. Ela não tivera uma educação voltada à curiosidade. Ela era uma pessoa simples, com uma família grande, com problemas de saúde e que se sentia satisfeita na igreja evangélica. Aqueles livretos são apáticos e desinteressantes. Não foram feitos para serem lidos por pessoas comuns. Foram feitos para serem lidos por pessoas inteligentes que já tenham algum conhecimento sobre religiões.

Foi então que eu percebi que o esforço da Igreja quanto à obra missionária está totalmente errado. Os líderes (seja o Profeta ou os Doze) não têm noção de com quem estão falando. Parecem não conhecer as necessidades e limitações das pessoas e sequer se preocupam de escrever um material que envolva mais esse público.

Em Comunicação existe uma regra básica: conheça o seu público-alvo e então converse com ele. Se a Igreja escreve para pessoas inteligentes, e elas são raras no Brasil e no mundo, então é óbvio que teremos pouquíssimos batismos. Mas se fossem escritos para pessoas comuns, talvez estivéssemos nos tornando uma das maiores igrejas do mundo.

Se eu estivesse sendo o missionário ali, e tivesse o conhecimento que tenho hoje sobre comunicação, eu primeiro levaria uma conversa agradável com aquela pessoa. Deixaria ela me contar sobre o seu trabalho, sobre como conheceu seu cônjuge, quando teve os filhos, quais seus principais sonhos e anseios e, de forma geral, deixaria ela falar livremente sobre o que quisesse. Ouviria mais do que falaria. Então, só depois disso eu iria me preocupar em pensar em alguma coisa para falar. Talvez escolhesse apenas um dos princípios das lições e falaria sobre aquilo rapidamente para não tomar muito tempo da pessoa.

O mais engraçado é que isso tudo diz no PME. Lá fala sobre ouvir, sobre ensinar pessoas e não lições, sobre adaptar a mensagem, etc. Mas os presidentes de missão insistem em fazer os missionários praticarem e acabam robotizando seus missionários.

Não sei como está sendo o desempenho de toda a missão em relação a batismos, mas pelo que meus amigos ativos na Igreja comentam, batismo por aqui está mais raro que cometa Halley.

Fico então com as seguintes perguntas:

  1. Não será essa robotização dos missionários que está prejudicando o desempenho das missões?
  2. Será que os Presidentes de Missão recebem instruções específicas para robotizar os missionários?
  3. Se isso acontece, significa que a Igreja se arrependeu de escrever PME e dar certa liberdade aos missionários?
  4. Será que essa robotização dos missionários não é para fazê-los obedecer melhor depois que retornarem para suas casas? Às vezes, o objetivo da missão não é apenas batizar, mas também converter o jovem que se dispôs a servir como Elder ou Sister…
  5. Quando a Igreja se preocupa em ensinar conceitos complicados, será que ela não estará querendo fazer uma “peneira”? Algo como filtrar os mais pobres, mais simples e menos educados, em lugar de pessoas com maior nível intelectual e, consequentemente, mais bem empregadas e bem remuneradas?

19 comentários sobre “Qual o Objetivo do Trabalho Missionário na Igreja SUD?

  1. Concordo com o que foi escrito aqui nessa matéria, faltando 6 meses ora terminar a minha missão eu praticava o PME, mas fiz uma adaptação séria, pois quando eu ia ensinar eu usava linguagem popular, adaptava da maneira, católica, pentecostal, adventista e batista, pois eram os tipos religiosos que eu encontrava pela frente, orava e jejuava muito, de repente lembrei das técnicas aprendidas no teatro como facilitar a oratória para meu público, e isso me ajudou muito. Meus batismos cresceram, mas sabemos que com isso vem as dores de cotovelos e fofocas injustas e mentirosas na missão. Mas todos querem saber “como você está batizando tanto?”

  2. Interessante fazer a crítica ao método de ensino. Concordo em alguns pontos, porém não concordo na parte que você fala de uma ”peneira”. Pelo menos em minha área no RJ isso não é real. E digo mais, as pessoas com um poder aquisitivo melhor por aqui são as mais duras de coração e que não abrem nem a porta para os missionários. Vejo os missionários indo às regiões mais pobres da área e mudando a vida de jovens! Acredito que existem missionários e missionários. Minha crítica vai para aqueles que fazem da missão algo que tem que fazer por fazer( por pressão familiar ou por uma namorada e blá blá, esses para mim são robotizados.)! Sei que os que são sensíveis prestam atenção às necessidades dos que estão ensinando.

  3. Tentando responder de modo simples às perguntas:

    Não será essa robotização dos missionários que está prejudicando o desempenho das missões?
    R.: Sim, o ‘automatismo’ dos missionários prejudica não só a missão como a vidas das pessoas que poderia estar ajudando. Fui da época das seis lições decoradas, poucos anos antes do PME. Minha esposa pegou a implantação do PME. Mas creio que a artificialidade das lições pode ter tanto relação com instruções de algum presidente de missão, e o modo como busca resultados, como quanto da maturidade e instrução social e espiritual do jovem (que diga-se de passagem não anda muito boa em várias partes do mundo).
    Meu trenador de missão já estudava em Harvard, e embora fosse um nerd de difícil convivência, questionava-se tanto com o modo de ensinar que criamos lições tão variadas que poderiam ser dadas tanto em 5min como em 90min. A única falha era a imposição que uma palestra deveria vir antes da outra, e ele era tão nerd ‘fiel’ que quebrar uma regra tola como essa era quase como beijar uma moça ou coisa assim. MAS, algumas vezes, ele sentia na pele a necessidade da pessoa, e várias vezes nos pegamos ensinando partes de lições posteriores só para satisfazer a necessidade do ouvinte.
    Outro detalhe: nosso presidente fazia valer a regra de decorar todas as 6 lições e 6 posteriores, mas proibia veemente que se usasse os livros durante as lições. Ele dizia que decorar saberia como começar, mas se repetisse apenas o que estava ali escrito jamais deixaria o Espírito Santo agir. Ou seja, era preciso saber o conteúdo, mas o que e quando dizer deveria ser por inspiração às necessidades das pessoas.
    Depois, já como sênior de uma dupla, era comum eu ensinar às pessoas alternando princípios e parágrafos conforme o assunto fluía ou situações diferenciadas. Numa dessas vezes, por exemplo, ensinei todo o Plano de Salvação para uma família que acabara de perder o pai sem por um momento tocar no assunto Restauração e Livro de Mórmon, que deveriam vir muito antes (pela sequência). Como percebemos que aquilo lhes deu algum alento, convidamos a irem à igreja. Depois de sua visita é que começaram as perguntas sobre Joseph e ‘nosso livro’. E ainda em outra ocasião, uma pessoa só nos deixou entrar em sua casa depois que mostrei, do nada, uma gravura do templo de SP, e lhe disse que ali se poderia ter um casamento eterno. Embora divorciada, disse depois que teria tido um sonho com aquele lugar, e ao ver soube que deveria nos dar uma chance de falar. O assunto foi templos toda essa visita.

    Será que os Presidentes de Missão recebem instruções específicas para robotizar os missionários?
    Se isso acontece, significa que a Igreja se arrependeu de escrever PME e dar certa liberdade aos missionários?
    R.: Desconheço essa instrução, embora não seja ingênuo em não perceber o foco excessivo em número de batismos e esforços administrativos referentes a isso. Creio que o PME era justamente para ajudar a acabar com isso, mas infiro que dada a experiência antiga dos atuais presidentes, estes tem problemas de aceitar essa mudança e tentam fazer do modo como faziam ou viram fazer em seu tempo.

    Será que essa robotização dos missionários não é para fazê-los obedecer melhor depois que retornarem para suas casas? Às vezes, o objetivo da missão não é apenas batizar, mas também converter o jovem que se dispôs a servir como Elder ou Sister.
    R.: Pode, com certeza, mas mais uma vez creio que isso tem mais haver com o tipo de experiência missionária que teve ou seu grau de maturidade. Talvez isso faça parte de uma metodologia percebida e aprovada por líderes gerais ou locais, mas não temos como ter certeza disso já que não é explícito e nem registrado.

    Quando a Igreja se preocupa em ensinar conceitos complicados, será que ela não estará querendo fazer uma “peneira”? Algo como filtrar os mais pobres, mais simples e menos educados, em lugar de pessoas com maior nível intelectual e, consequentemente, mais bem empregadas e bem remuneradas?
    R.: Se por intelectualmente mais refinados considerarmos pessoas inclusive de baixa renda, mas de grande potencial (afinal, pobreza não é sinônimo de falta de instrução ou burrice, embora flertem entre si), talvez faça sentido. Mas é uma aposta equivocada se buscam pessoas de ‘melhor qualidade de vida’, pois quando os números falam mais alto e o desespero bate, os missionários correm rapidinho para os primeiros que lhes abrem as portas.
    De qualquer forma, concordo em gênero e grau de que o sistema de ensino e instrução missionário, especialmente no Brasil, não atende às necessidades das pessoas visitadas. Melhorou um pouco, mas não é tão visível como o próprio PME alegava ser (a mudança). Ainda vejo muitos ex-missionários que não conseguem interpretar, resumir ou explicar algo sem ler o que outro escreveu, o que, pela prática do PME, deveria ser totalmente o oposto. E se dão aulas péssimas ou ruins agora, imagina durante o tempo de serviço? Sendo que a tese de analfabetos funcionais aqui já não convêm mais, dado aos 24 meses de intenso treinamento em leitura e ensino que poderiam facilmente ter amenizado alguma carência de aprendizado formal.

    • Creio que uma das coisas mais difíceis que existe é treinar uma pessoa para ser um bom professor, em qualquer área de conhecimento. Leva-se anos para fazer isso.
      O PME veio para combater a robotização do ensino, mas vemos que o problema da robotização não estava nas antigas palestras que eram decoradas e que enquanto em certas missões eram utilizadas como referência outras a robotização era a norma. E naquela época tinha muito mais conteúdo para “robotizar” um missionário.
      Mas os presidentes de missão não recebem treinamento adequado (apenas alguns seminários), são leigos, fazem como acham que devem fazer e recebem muita liberdade para presidirem suas missões, e se eles vieram de missões robotizadas décadas antes, o provável é tendem a repetir “o que deu certo” no tempo deles.
      Mas agora vejamos um exemplo:, eu pego um rapaz brasileiro (não conheço outras realidades), com pouca instrução, formado num ensino médio, mas sem saber fazer uma multiplicar ou escrever uma redação ou ser capaz de ler funcionalmente. Aquele rapaz que nunca apresentava trabalho mas dava para os colegas…
      Coloca esse rapaz na missão, como eu faria para ensinar ele a ensinar? Vou mandar ele decorar o que tem que falar e robotizá-lo, em 1 ano ou muito menos, ele vai saber repetir tudinho “certinho”, vai se achar o máximo e estar motivado para trabalhar, vai ser Sênior e como ele vai ensinar o companheiro dele a ensinar?
      Claro que com o tempo, a maioria acabam aprendendo a ensinar e deixam as bengalas (decoreba) de lado, alguns na missão, outros depois.
      De fato, como educador, acredito que a decoreba, seja da tabuada, seja daquelas frases de efeito antes da palestra do PME, fazem parte do processo de aprendizagem mais eficaz. Nesse processo, depois que não está mais preocupado em cada sílaba que tem que repetir e o faz de forma robotizada, começa a refletir e entender por que é assim, e quando entende porque alguém pensou que deveria ser assim, começa, linha sobre linha, e então chega um momento que pode esquecer tudo e ensinar com as escrituras.

  4. Acho que sim, a igreja robotizando os missionários tem sua parcela de culpa mas, acredito que as pessoas hoje em dia estão mais espertas quanto a religião, acredito que isso é por causa da informação, da internet presente na casa de quase todos, hoje as pessoas pesquisam muito sobre a igreja e o passado dela nunca será escondido….

  5. Gostei do comentario.

    Com certeza é assim mesmo.

    Servi como missionário no Amazonas,sou membro a 20 anos.

    Amo a Igreja e sei que os trabalhos e os planos de ensino na Igreja são perfeitos.

    Só não existe a preparação necessaria para se fazer o Trabalho Missionário.

    Tem inumeros missionários da Igreja leigos em assuntos doutrinários.

    A Igreja aconselha muito a confiar no sussurro do Espírito.

    Com certeza a confiança aos sussurros do Espírito nos ajuda a dizer as coisas necessárias que os filhos do Pai Celestial anseiam em ouvir.

    Devemos aprender mais a saber ouvir.

  6. Eu sou da geração, Pregar Meu Evangelho,considero um guia fantástico para o trabalho missionário e para qualquer aspecto de nossas vidas, estou convencido que o estudo sincero e a aplicação correta dos princípios ali contidos irá nos ajudar a “desrobotizar” a maneira como nos comunicamos de modo geral.

    Infelizmente se agem como robôs é porque não foram ensinados adequadamente e na minha opinião fazem o que aprenderam lá trás no ensino fundamental,decorar,decorar,decorar e depois reproduzir, não é um problema apenas do Líder Missionário, é um problema educacional que em dois anos pode ou não ser melhor orientado.

    Ainda bem que podemos contar com a influência do Espírito Santo para nos orientar nas lições,outra que precisa ser bastante exercitada para que seja ouvida, se não fosse, estaríamos literalmente perdidos.

  7. Gostaria de falar sobre minha opinião e exemplificar com minha experiência pessoal.
    Creio que a igreja tem uma mania de padronizar tudo. Começa pelas lições missionárias onde somos obrigados a ensinar 5 temas para que a pessoa possa se batizar.
    Na minha missão eramos obrigados a sempre ensinar a primeira lição logo que íamos visitar um novo pesquisador, tínhamos que enviar números diários de quantas primeiras lições havíamos ensinado.
    Para se ter uma ideia dessa padronização até a mensagem do almoço na casa dos membros era padronizado o presidente escolhia mensamente a mensagem a ser ensinada.
    Sou do tempo também do pregar meu evangelho que para mim também é uma padronização do modo de ensino.
    Não temos liberdade de estudar qualquer coisa na missão, de ler livros diferentes do selecionados para missionários( livros que podemos ler se não me engano são 4 ).
    Não podemos nem pesquisar assuntos novos.
    Isso gera uma robotização do ensino dos missionários e membro em geral da igreja que sempre tem resposta padrão para tudo.

  8. Não será essa robotização dos missionários que está prejudicando o desempenho das missões?
    R: Creio que sim, por esse motivo hoje os missionários não precisam ficar presos a tais manuais. Eles, agora, possuem maior liberdade em adaptar as mensagens e a ordem delas.

    Será que os Presidentes de Missão recebem instruções específicas para robotizar os missionários?
    R: Como a Igreja tem costume de padronizar suas atividades acho que recebiam essas instruções, no qual acho interessante até certo ponto, pois se deixar certas coisas para decisão de líderes locais iria virar uma bagunça, sou converso SUD e vim de uma religião que não tinha um padrão e era uma desordem total. Porém hoje os presidentes de missão tem mais autonomia e podem (devem ou deveriam) modificar os treinamentos de acordo com a necessidade. Isso ao mesmo tempo que está sendo bom, me preocupa muito, já que o pensamento de algo ser mais eficiente que outro é bem relativo.

    Se isso acontece, significa que a Igreja se arrependeu de escrever PME e dar certa liberdade aos missionários?
    R: Não acredito que se arrependeu, mas que está tentando melhorar para tornar a obra missionária mais eficiente.

    Será que essa robotização dos missionários não é para fazê-los obedecer melhor depois que retornarem para suas casas? Às vezes, o objetivo da missão não é apenas batizar, mas também converter o jovem que se dispôs a servir como Elder ou Sister…
    R: Não acredito que essa “robotização” serve para isso, pois em cada um deles a mudança é diferente, tanto negativa quanto positiva. Mas creio que a missão pode sim converter o jovem, desde que ele permita isso. É uma coisa muito particular, pois cada um de nós temos criação, gênio e comportamentos diferentes.

    Quando a Igreja se preocupa em ensinar conceitos complicados, será que ela não estará querendo fazer uma “peneira”? Algo como filtrar os mais pobres, mais simples e menos educados, em lugar de pessoas com maior nível intelectual e, consequentemente, mais bem empregadas e bem remuneradas?
    R: Acho que depende muito do presidente da missão e da área geográfica em que estão atuando. Nunca fiz uma pesquisa a nível mundial, mas pelos lugares que passei e pude conversar com missionários pude ver que há muitas regras, conselhos, métodos de trabalho, etc, diferentes. Depende muito de como eles precisam/querem trabalhar.

    Mas o que eu espero mesmo é que eles continuem sempre se empenhando em melhorar o trabalho missionário. Na minha região está sendo eficaz o trabalho dos novos presidentes de missão e dos recém-chegados missionários. Espero que tenha um progresso contínuo.

  9. BRILHANTE ! REFLEXÃO!Eu também sou formado em Comunicação Social e realmente precisamos conhecer nosso público , mas infelizmente os missionários não tem formação de comunicólogos e nem estudam sobre comunicação e como dizia o Pres.Hinckley “é com isso que o Senhor pode contar!” Alguns missionários são sensíveis ao Espírito e conseguem fazer “milagres” para passar uma mensagem para tocar a mente e o coração. Eu na missão era um robô muitas vezes , a maioria se robotiza…Mas se houver um treinamento especifico para evitar esse costume, podemos com o tempo preparar melhor os missionários.No ponto de vista biológico o corpo humano quer poupar energia , o fato do missionário robotizar a mensagem é algo natural, pois se houver muito esforço mental seu cerébro vai gastar mais energia.Treinar a mente a refletir, meditar e ponderar é algo a ser feito com anos de aprimoramento! Se deixarmos por conta do homem natural assim vai ser, “puro automatismo”…Para um salto de eficiencia: o missionário deve aprender a agir como os grandes missionários da humanidade e aprender com eles : Apóstolo Paulo, Alma,Amon,Wilford Woodruff entre outros que conseguiram fazer um grande trabalho sem precisarem recorrer á frases prontas ,eles tinham inteligência mental e espiritual.Creio que um missionário diferenciado ele faz a “DIFERENÇA” e não age como um ser “PROGRAMADO” “SAINDO DE UMA FÁBRICA”.Ele se comunica com Deus e sabe sua vontade.Tem dicernimento e familiaridade com as revelações do Senhor.Se um Elder vai para missão para conseguir um status de ex-missionário ou não tem uma convicção espiritual , vai para agradar a liderança,familia, amigos ou namorada; existe alta probabilidade de se fazer uma missão no modo “automático”.D&C Seção 4 Estabelece algumas condições de preparação.Resumindo… um MISSIONÁRIO EFICIENTE NÃO É UM PREGUIÇOSO MENTAL NEM ESPIRITUAL.

  10. Todos os comentários acima foram feitos por quem fez missão de tempo integral , eu não fiz . Acompanhei as sísteres nas casas de pesquisadores, algumas vezes. Foram experiências bem legais e fortalecedoras para mim. Creio que o evangelho de Jesus Cristo é para todas as pessoas, sem exclusão de etnia, gênero, sexualidade, classe social, escolaridade, etc. Embora constata-se que as pessoas mais abastadas apresentam mais dificuldade em aceitar o batismo, não sei dizer quais seriam os motivos pelos quais, os missionários não conseguem batizá-las e se tal fato está relacionado com a robotização ou não. O fato é que os missionários vivem uma experiência única na missão, tenho certeza de que o tempo dedicado à orações, jejuns, estudo das escrituras, leitura das palavras dos profetas não será mais o mesmo, após a missão. Isso dá a eles uma aproximação ímpar com o Espírito Santo e sob esta influência, os milagres acontecem.

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