57 comentários sobre “Como Sobreviver Ao Apocalipse Missão?

  1. Concordo com tudo o que disse no texto. Os 10 pontos ditos pelo doutor estão corretos. Tive dois companheiros que tiveram que ter ajuda psicológica. Um por ter dificuldade em aceitar que as pessoas não se filiavam a Igreja e um pouco de etnocentrismo. Mesmo com isso era uma pessoa excelente. Outro por deficit de atenção. Mas era uma pessoa paciente e aceitava a decisão das pessoas. Nunca sequer discutiu com alguém que não nos quisesse ouvir.

    Sobre o regressar é a realidade de muitos. Como mesmo mostrei num texto há uma visão errônea de “super-herói” sendo mais enfática em ramos e distritos do nosso país. Algumas coisas não saem como planejado. Há pessoas que conheci que nem tinham terminado o ensino médio. Se uma coisa que posso aconselhar é que termine pelo menos ele e depois vá para a missão. Ainda que seja criticado pelos que dizem que se deve fazer isso depois. Se fizer depois, vai ter que fazer trabalhando e com a pressão para casar logo.

    A Igreja no geral não creio que possa dizer mas, onde servi sim. Há casos como de uma amiga que caiu da escada com as pernas esticadas batendo o glúteo nos degraus. Isso fez ela se machucar por dentro e o presidente e a esposa pensaram que ia curar rápido mas, a situação piorou. Voltou pra casa com algumas dores e ainda disse que estadunidenses eram melhores tratados.

    No meu caso foi bem diferente. Sempre tivemos auxilio do presidente e da sister. Quando tive quase um esporão, não tinha dinheiro para comprar uma palmilha ortopédica. Ela me deu 50 reais e disse que era somente pra mandar o troco e o cupom fiscal numa carta. Outros também tiveram problemas de saúde e pessoais. Creio que pelo menos onde eu servi fomos bem cuidados.

    • Sim, Júlio, há exceções, e que bom que uma foi a sua e de vários outros. Há vários problemas que poderiam ser evitados desde o recrutamento de jovens missionários, seu período de serviço ou mesmo seu retorno, que podem ser resolvidos em instâncias distintas de responsabilidade.

      Para mim, mesmo, a missão foi muito boa, graças a generosos membros, alguns sábios líderes e alguns colegas de trabalho humanos e verdadeiramente cristãos. Dos meus colegas, poucos são que ainda persistem na Igreja (e Ela não se importa mesmo, afinal, quem ‘não paga’ não deve atrapalhar).

      Mas só cresci mesmo como pessoa, após o retorno, após passar por dificuldades e resolvê-las por conta própria.

      Uma outra boa dica a futuros missionários é prestar muita atenção à sua volta. Muita coisa que me ‘salvou’ no retorno foi ter tomado certas decisões baseado naquilo que vi dar ou não certo na vida de ex-missionários e membros em geral. Relacionamentos familiares, crises de família, crises de fé, despotismo, proatividade, valor dos estudos, bases emocionais, é tanta coisa… ver a possibilidade de granjear sabedoria e manter-se humilde (no falar e no agir), o milagre de aprender a amar.

  2. Excelente post Gerson.

    Como Ex missionária, sei que a igreja não cuida tão bem dos membros servindo missão.
    Antes de ir achei que seria um mar de rosas, que todo missionário era santo e que Deus abençoaria em todas as coisas.
    Ao Chegar na missão me deparei com uma situação diferente da esperada, percebi que nada era o que sonhava, no CTM já aprendi sobre segregação.
    Primeiro regra jamais deveríamos pregar as pessoas que trabalhavam no CTM, (Cozinheiro, faxineira etc) nenhum era membro e a regra era essa não podia membros fazer esse trabalho, achei estranho mas concordei, O “Senhor, O Pai Celestial” deve ter um Propósito para tudo. Ainda no CTM foi nos ensinado a não auxiliar mendigos e não entrar em favelas.
    Saindo do CTM e chegando na missão, percebi que o trabalho é árduo, muitas vezes gratificantes e muitas vezes triste e complicado, mas seguimos em frente pois é a “obra do Senhor”.

    Dificuldades:

    1- Companheiros: Muitos chegam na missão com problemas de saúde, personalidade e caráter você conhece companheiros muito difíceis, e é obrigado a conviver com eles. Tive companheira Bipolar (mais de uma), alguma que tomavam remédio tarja preta, companheira depressiva, companheira sugadora que por muitas vezes tive que manter a casa com mantimentos e necessidades básicas.
    Mas tive companheiras muita boas, e que se tornaram minhas amigas.
    2- Local de trabalho: como todos sabem nenhum missionário escolhe o local par aonde ir, e nem as áreas para pregar, pregamos sempre na periferia, em lugares muito perigosos.
    As áreas que passei algumas eram perigosas, já fui perseguida na missão, é desesperador e mesmo quando gritamos e corremos para algumas casas ninguém nos atendeu, porém nosso escândalo foi suficiente para pessoa se assustar e se esconder e nesse momento tivemos que pegar outro caminho e correr o mais rápido que podíamos nada aconteceu mas poderia ter acontecido.
    3- Falta de dinheiro: Esse é um dos piores, grande parte dos missionários tem diversas necessidades na missão, falta de comida, falta de dinheiro para comprar as coisas básicas, e pagar contas(água, luz, gás, essas são reembolsadas, porém você precisa pagar primeiro e esperar quase 1 mês para receber o reembolso).Comprar remédios(quando receitado pela esposa do presidente reembolsado, se não for receitado o meu sinto muito).
    Temos um valor de mesada(dinheiro muitas vezes pago pelo missionário, familiares ou outros membros administrado pela igreja, na minha época 90 reais a cada 15 dias – R$180 Mês), muito baixo e insuficiente para manter o mês todo, precisamos como mulher comprar Absorvente, sabonete, shampoo, creme, sapatos( nenhum durava mais do que 1 Mês andávamos muitos por dia)produtos de limpeza para casa, produtos para lavar roupa,comida suficiente (comida nunca dava para comprar no final, comprávamos para primeira semana e depois vivíamos do almoço doado pelos membros) e ainda tínhamos que pagar passagem (muitas vezes a reunião de distrito ou demais reuniões eram muito longe).
    Quando pagamos as contas mensais ficamos sem nada (água e Luz), muitas casas que passei tinham contas atrasadas e não tinha gás para cozinhar. O reembolso levava em torno de um mês para cair, novas contas deveriam ser pagas.
    Muitas vezes quando o “almoço caia”(membro esqueceu de fazer, ou não estava em casa) era complicado, não tínhamos o que comer orávamos pedindo milagre. Teve uma vez que liguei para casa devido a necessidade pedi dinheiro a minha mãe, foi desesperador.
    Muitas vezes quando recebíamos dinheiro do almoço fazíamos ele triplicar pagávamos almoço, janta, café da manhã e a passagem para ir as reuniões de distrito.

    Aprendi muito na missão, amadureci, amei muito as pessoas chorei e dei muita risada.

    Volta para Casa.
    O Pós Missão foi pior que a ida para missão,você volta perdido, sem auxilio, sem amigos, sem emprego. A adaptação foi dolorosa, você é totalmente abandonado.
    No meu caso voltei sem 1 amigo para compartilhar ou me auxiliar, foi muito difícil, sorte que minha família esteve ao meu lado o tempo todo.

    Pouco tempo depois comecei a namorar e após 1 ano me casei, outra fase muito difícil, fui morar em um lugar simples e muito longe da capela, e vi o que é ser colocado a margem.
    Um ala hostil, onde só os membros antigos eram bons, nepotismo já arraigadona liderança e tradado com normalidade.
    Fiquei doente nunca recebi uma visita, fiquei internada grávida ninguém perguntou se estava viva, a indiferença foi gigante e insuportável.
    Mudamos de ala e fomos para uma ala que já havia frequentado, achei que tudo seria diferente, e momentaneamente foi, pois me dediquei a igreja servi e pagava dizimo. foi ai que meu marido ficou desempregado e voltamos a margem da sociedade Mormom, quando você não paga dizimo(estava mantendo a casa durante o desempego de meu marido e parei de pagar) você é tratado com muita indiferença, meu marido começou a ficar inativo e ai novamente se esqueceram de minha família, (isso ocorre pois mulher sozinha não tem muito valor para igreja, eles precisam de sacerdotes), não recebia mais visitas membros me ignoram mas segui em frente.
    Meu marido se reestruturou, eu ganhei aumentos e promoções no meu trabalho e finalmente compramos nossa casa e mudei de ala.
    Achei que tudo seria diferente, mas não paguei o dizimo e fazia alguns meses que não pagava, fui colocada o lado dos iníquos, você não é tão digna “esse é o pensamento dos lideres” , novamente a margem, e dessa vez totalmente ignorada, comecei a me afastar, já não tinha amigos e sem meu marido a coisa só piora, na igreja você tem que ter marido, você tem que se doar ao máximo e ainda tem que aceitar tudo que te impõem.
    Após ficar doente (tromboflebite) e por algumas semanas não comparecer, recebi uma linda mensagem do Bispo me desobrigado do cargo de professora.
    Claro ninguém perguntou se estava viva, se estava bem ou precisando de algo.
    Depois desse dia deixei de ir na igreja, e ninguém se importou o pós missão é muito difícil, como disse se você não tem um nome, uma historia ou dinheiro você é jogado a margem. Hoje em torno de 40% dos missionários que serviram comigo estão inativos.
    A volta foi dura com todos, muitos precisavam de amigos, tratamento médico, tratamento psicológico. E a igreja não está preparada para te dar esse apoio.
    “A missão não é um favor que você faz a igreja, é uma obrigação e você deve ser grato por isso” . Esse é o pensamento de muitos. E muitos ex missionários se afastam todos os dias.

    Gerson, a igreja se esquece sim daqueles que a ajudam, que mantém a instituição viva, se esquecem daqueles que doam tempo dinheiro a obra, e cuidam muito mal de seus missionários.

    Se puder fazer uma apelo aos membros, sempre que encontrarem os missionários ofereçam a eles alimentos, ajude-os com transporte, ajude-os com suas necessidades. Eles muitas vezes só tem o almoço que muitos membros preparam no almoço para mante-los.

    Em uma instituição multimilionária é uma vergonha missionário passar necessidade, mas é assim que hoje a instituição se mantem, aos que realmente trabalham pouco lhe é oferecido.

    • Fico comovido com sua história pessoal, Priscila.

      Infelizmente ela não é tão incomum.

      Creio que nossa decepção reside justamente em que ‘nos prometem’ (seja por meio de promessas utópicas declaradas, ou declarações fantasiosas ou maquiadas), criando assim um alto potencial de frustração. A Igreja perfeita, a Irmandade perfeita (ainda que saibamos que todos tem problemas), criam um ambiente onde você cria seu faz de conta para não parecer iníquo, concorda que tudo é perfeito mesmo; uma expectativa irreal e abstrata.

      Daí, quando exposto à realidade, e que na irmandade cada um mal consegue dar conta do seu próprio umbigo, quanto mais das necessidades dos outros, muitos de nós não encontram forças (ou sentem que precisam insistir nisso).

      Eu não julgo ninguém por ter tentado, nem pelo resultado final. Afinal, mórmons são especialistas em achar desculpas por não terem ajudado, e quero me libertar dessa herança.

      O que desejo, sim, é que como você, outros consigam (ou tenham conseguido) dar a volta por cima. E se liberar desse doloroso estigma.

      Acredito que agora acrescentaria outra linha aos meus conselhos também:
      – Programe um modo de receber dinheiro de teus pais em caso de emergências.

      • Gerson, infelizmente minha história não é incomum tenho muitos anos de membro e é triste saber que outros passaram ou passam pelo mesmo. Me afastei recentemente faz 1 mês, como citei foi dificil tomar essa decisão. Tenho boas lembranças da juventude na igreja e não queria afastar pelo meus filhos, mas não quero que eles sofram o mesmo sofri e também jamais poderei dentro da igreja contar a eles fatos e verdades históricas resolvi sair para dar a eles outras oportunidades. E viver a verdade sem rodeios sem distorções e sem mentiras e meias verdades.
        Mas aqueles que ficam, algumas dicas preciosas:
        Saibam viver com suas escolhas, apredam a lidar com passado ele não vai mudar, as pessoas são o bem mais precioso da religião cuidem bem delas. Ame ao próximo incondicionalmente, aprenda a lidar com opiniões divergentes, respeite se quer ser respeitado, lembre-se que Cristo não foi arrogante então não se ache o dono da verdade.
        E o último e mais importante não existe religião perfeita, pois foram criadas por homens, mas sempre a um lado bom em todas elas. Se é feliz continue siga em frente, se não procure outro caminho sempre existirá algo melhor para seguir.

      • Realmente, uma decisão difícil para quem a vive (só esses o sabem), e parece ser ainda mais difícil conforme o grau de comprometimento (ou tempo) prévios.

        Antes eu dizia para as pessoas que seria melhor não saírem, pois seria um modo de ajudar a manter as coisas que deveriam mudar sem mudanças, mas hoje nem digo mais nada. Afinal, está comprovado que a matriz tem um poder de manter as coisas como estão, não importa o quão ruim esteja, pois nada de efetivo acontece sem iniciativa dos locais (e estes ficam cegados com as superficialidades dos programas e discursos lá de cima, nada efetivos coletivamente).

        Desejo que você consiga se adaptar logo e ‘levar sua vida’ com essas boas experiências que ainda sobraram.

        Esse seu dilema (dos filhos) não é tão incomum em nosso meio. Alguns de nós ficam entre o paradoxo de deixar os filhos sob o guarda-chuva de falácias mescladas com evangelho ou soltos no ‘mundo cruel’ sem bússola moral. Num dos lados podem adquirir bons hábitos e florescer algumas virtudes, mas ainda assim com custo de possivelmente tornarem-se pré-conceituosos e insensíveis aos dramas da família humana, ou do outro lado, que não sabemos sequer o que esperar (dado que hoje em dia é bem mais difícil apenas os pais serem fonte de consulta e aprendizado dos filhos). Não é algo que deva ser desesperador, mas com certeza há de se reaprender novos hábitos familiares para preencher essa lacuna.

      • Gerson, creio que a igreja é um bom lugar para o jovens, porém seus malefícios são maiores que os benefícios, acredito que outras instituições e mesmo o lar podem ensinar crianças, jovens e adolescentes a terem caráter, disciplina, amor ao próximo.
        Vejo isso em minha própria família muitos primos e familiares não pertecem a igreja sud e tem mais caráter e amor do que muito membro nascido na instituição. Tenho primos extremamente focados e amáveis boas pessoas. Sei que a intuição nos ajuda a criar as crianças nos dão a falsa impressão de lugar seguro, mas a que preço?
        E existem vida após a igreja, existem outros caminhos(instituições religiosas) que são tão boas e muito mais cristãs do que a SUD.
        A educação e caráter são dever dos pais e espero cumprir com esse papel.
        Ao perceber que muitos que conheci na igreja são preconceituosos, arrogantes, prepotentes e jamais pensam fora da caixa, me levou a rever meus conceitos e pensar é realmente isso que quero que meus filhos se tornem?
        A falsa moralidade e falsa proteção não poderá torna-los seres humanos que façam a diferença, só estaria me iludindo ao continuar e poderia criar estragos em suas conduta e caráter irreparáveis.

    • Os missionários americanos também passam por esta dificuldade financeira? É possível ao missionário receber uma “mesada” mensal dos pais?

      • Sim, Carla, você pode receber ajuda de seus pais em momentos mais difíceis (caso eles possam ajudar), já conheci norte-americanos que tinha cartão de crédito de uma conta internacional (eles raramente usavam, até porque dificilmente vão dividir alguma coisa com você e não queriam que você visse que eles teriam dinheiro.

        Sim, a cultura deles é bem diferente e preferem esperar você ir embora da casa antes de comer para não convidar você com a janta ou coisa parecida, a não ser que você tenha sido convidado. Eles também ficam bem incomodados quando chega a hora de uma refeição e se retiram por conta própria. Claro, não são todos assim, mas vários de Utah e arredores são. Para eles é normal, tanto que estranham tanta hospitalidade com comida e coisas do tipo no Brasil.

        A coisa de receber dinheiro de casa é que ‘é proibido’ por algumas missões e desencorajado por todas elas. Aquele dinheiro que depositam na conta da Ala, em teu nome, não vai pra ti, pode ter certeza. O fundo mundial, esse pior ainda, pois ninguém sabe como e onde é gasto.

        Recomendo você, dependendo do lugar (e se for servir, claro), ter um cartão de crédito pré-pago, do tipo que podem carregar algum valor nele e você possa sacar em qualquer terminal eletrônico. Ou usar como débito. E, ser muito discreta com relação a ter esse recurso, não comentando com líderes ou colegas de trabalho.

      • Obrigada, Gersonsena, mas não sairei em missão, apenas é curiosidade. Eu me batizei em 2002, fui confirmada na igreja e nunca mais retornei. Eu me batizei, na verdade, por influência de uma amizade virtual e também porque fiquei sem graça de dizer aos missionários que não conseguia acreditar na veracidade dos estudos que eu fiz sobre a igreja, mas de alguns aspectos gostei bastante,principalmente sobre as regras de saúde, retidão de caráter etc.
        De uns tempos para cá voltei a ler sobre a igreja e até senti vontade de retornar, pois, em 2002 estava desempregada e sem perspectiva de melhorar a minha situação a curto prazo, sentia muita vergonha por isso. Hoje estou empregada, mas não ganho bem, felizmente dá para eu viver com um mínimo de conforto e sem grandes luxos. Sou solteira e moro com uma parente idosa (cuido dela), portanto, para mim é difícil receber visitas na minha casa, achei a presença dos élderes um pouco inoportuna da ocasião, meio invasiva, mas eram bons rapazes. No mais, esse negócio de “família eterna” não me convence muito: a minha já dá um desgosto nessa vida, imagina eu ter aturá-los na eternidade!

    • Priscila, sua história é típica de muitos mórmons eu tbm fiz missão e já disse que considero o meu maior arrependimento, tive todo tipo de companheira problemática na missão na verdade, essa missão que fiz era muito famosa pelos péssimos e problemáticos missionários, a igreja manda qualquer um para o campo missionário achando que ao voltar de lá eles chegaram diferentes, quando voltei lembro perfeitamente que meu líder logo no início da entrevista me perguntou de casamento e já tinha planos de me “arranjar para tal pessoa”, nem falam de empregos só querem OBRIGAR gritantemente todos a casarem-se, eles não se preocupam com salvação de ninguém, só querem estabelecer a igreja e só querem o que é bom para eles, hoje sou afastada da igreja e tenho muito orgulho disso, foi a melhor coisa que fiz, mas ainda sei do que acontece lá dentro e nada muda: chegou hoje da missão, se casa 2 meses depois com uma mão na frente e outra atrás, ainda bem que consegui sair em tempo, a igreja não cuida de ninguém tanto na missão quanto em casa, só querem que vc se mata de trabalhar para eles, passei tantas necessidades na missão que seria impossível postar todas elas aqui, me envergonha essa igreja!

      • Fico sentido que não tenha conseguido ao menos extrair algo de bom daquele período, Magnólia. É bem provável, que mesmo hoje afastada, teria ainda boas lembranças e teria aprendido boas coisas se as coisas tivessem sido como ‘são pregadas’.

        Já fizeram coisas bem piores com outros, até mesmo enviando ou permitindo que pessoas com sérios problemas emocionais, psicológicos ou mesmo de caráter servissem como missionários.
        O que era para ser um privilégio e uma escolha de fé acaba se tornando uma fábrica de operários neófitos e despreparados (e não me refiro no contexto estudo, pois nesse ponto até posso perceber que não é a principal qualificação, embora deva ser bem trabalhada).

  3. Sempre tive a meta de servir uma missão de tempo integral. Me preparei toda a adolescência para este momento e se eu pudesse resumir como foi esta experiência em uma frase diria: “Foi extremamente difícil, mas uma bênção em minha vida!”

    Servi na Missão Brasil João Pessoa de 2006-2008 e tive minha fé e paciência testadas desde a última semana antes de entrar no CTM ao ouvir o meu bispo dizer a mim numa entrevista: “Você é muito orgulhoso. Vou orar pra você ser mais humilde”. Tudo isto apenas porque não o convidaram para discursar na minha festa de despedida e sim meu bispo anterior.

    Divido a missão em duas categorias: a Eclesiástica, voltado para o espiritual e a Administrativa, relacionada a metas.

    Pregar o Evangelho e encontrar pessoas com diferentes personalidades e culturas nunca foram desafios. Amava falar do Evangelho Restaurado e ajudar as pessoas com seus desafios em se prepararem para o batismo e a como se adptar a sua vida cristã SUD, e diga se de passagem, é uma missão para a vida inteira.

    Meus maiores desafios, medos, angústias, dores e sofrimentos vieram ao ter que me submeter a área administrativa. Servi numa missão, de onde vinham 1 por cento de todos os batismos do mundo. Então era de se esperar pressão de todas as maneiras para alcançar resultados. Para ilustrar, um mês antes de chegar no campo a meta era 600 batismos e alcançaram 605. Imagine como? A base de muita apostasia. Foram confirmados aproximadamente 300 pessoas.

    Não há amor, respeito, consideração, paciência com o erro alheio, enfim, atributos cristãos, na área administrativa.

    A grosseria, as ofensas, a vaidade, o orgulho, a imposição de poder dos líderes, a guerra entre a missão e a Igreja local, as brigas, a hipocrisia foram momentos que testaram a minha fé, minha força psicológica e mental a cada minuto.

    Desejava todos os dias vir embora e de não ter conhecido os bastidores da missão. Apenas ficar na platéia sonhando em como a missão é celestial. Aliás este era o slogan “A Missão Celestial” e se aquilo era celestial preferiria ir pra outro Reino.

    As maiores oposições, desafios e atitudes assustadoras vieram de dentro da Igreja (Missão) e não de fora: “O Mundo”. Eu tinha muito medo de ser mandado embora “sem honra” (como se um certificado fosse determinar sua dignidade) e status é uma preocupação constante que uma hora ou outra aterrorizava a todos. Por medo de não poder questionar os líderes me submeti aos piores momentos da minha vida: ouvir gritos de reprovação e ameaças da liderança e companheiros. E eu de cabeça baixa aceitava tudo, pois eu via como eram tratados aqueles que abriam a boca ou seja eram “rebeldes”. Estes eram humilhados das maneiras mais marcantes possíveis.
    Para finalizar, conclui o meu período de missão. Por sorte não ficaram “sequelas”. Digo a todos os jovens que querem servir uma missão: vá apenas se for o seu desejo, pois será uma experiência extremamente difícil, pois a oposição vem de dentro. Não tenha muitas expectativas com líderes e companheiros. Eles tem metas. São tantas, que raramente sobrará tempo para amar o próximo. Confie em Jesus Cristo e será feliz em sua missão.

    Encerro com uma frase irônica de um ex-presidente de missão que tive e exemplifica muito bem o que é a missão: “Missionário tem que gostar de batizar. Aquele que não gostar, a gente faz gostar”.

    • Infelizmente temos que conviver com tudo isso. E a decisão é mesmo essa: Continuar ou sair? Precisamos ter muita fé pois mesmo crendo ser a igreja verdadeira, ha muitas falhas na administraçao dela. Cristiano. Voce foi Elder o que? Eu sou o Ramires e servimos no mesmo período ate 2007. Me mande um email: thiagospencer@hotmail.com e vamos conversar. Concondo em número genero e grau com voce.

    • Obrigado por compartilhar sua experiencia. Na minha missao eu tambem encontrei muito disso e ironicamente minhas melhores experiencias espirituais aconteceram justamente quando eu nao seguia as regras da missao. Hoje com mais experiencia e conhecimento das escrituras eu vejo que na verdade o Espirito do Senhor nao pode ser limitado a regras, horarios e restricoes, nas escrituras temos muitos exemplos de servico missionario onde os servos do Senhor seguiam o Espirito Santo e nada mais, nao e atoa que a igreja atua incorporada como e nao tem poder de realizar milagres, nao vemos revelacoes, lideres nao recebem visoes ou mesmo profetizam, tudo que fazem nas conferencias e repetir o que os outros falaram, veja o constraste com a epoca da restauracao quando a igreja nao era uma corporacao, Joseph Smith e outros recebiam revelacoes frequentemente, experiencias espirituais eram abundantes, veja no Livro de Mormon os exemplos como no caso de Amon e Alma ou Nefi e Lehi que mesmo numa epoca iniqua com os ladroes de Gadianton recebiam muitas revelacoes diariamente.

      23 E no septuagésimo nono ano começaram a surgir muitas contendas. Aconteceu, porém, que Néfi, Leí e muitos de seus irmãos que conheciam os verdadeiros pontos da doutrina, recebendo diariamente muitas revelações, pregaram ao povo, de modo que puseram fim às suas contendas nesse mesmo ano.(Helama 11:23) Note que nao so Nefi e Lei recebiam revelacoes mas muitos de seus irmaos tambem recebiam e muitas revelacoes diariamente.

    • Isso me soa muito familiar. Nunca me esqueço de como uma vez meu companheiro e eu fomos humilhados pelo assistente do presidente, que jogou na nossas costas a culpa do não crescimento da igreja , uma vez que eramos LZs e não estavamos tendo sucesso naquela area .
      Você falou de metas e em pregar meu evangelho diz que as metas refletem o desejo de nosso coração … acho que esse é o problema , a igreja foca tanto em numeros que esquecem de usar o poder do espírito santo, ou seja não estamos fazendo a vontade de Deus mas sim o que é de nossa própria vontade. Não me surpreende que a maioria das pessoas que se batizam se inativem , no final das contas elas são só mais um numero pra contabilizar nos registros da igreja . Hoje eu me arrependo de ter batizado algumas pessoas só baseado em cumprir as metas , muitos dos quais ja nem tenho mais contato e só se batizaram por causa de nós , pois gostavam da nossa companhia e tal, mas nunca souberam realmente do que se tratava a i greja porque somos proibidos de falar das ordenanças e da doutrina como se fosse um segredo , com a mesma desculpa de que é doutrina profunda (o que eu não comcordo , pra mim doutrina é doutrina e ponto. Toda religião tem sua doutrina e seus membros a vivem sem medo , porque temos que esconder a nossa ? ) .
      Porém fora todos os problemas eu não me arrependo de ter ido a missão e amo essa época da minha vida com todo o meu coração. Sei que o Senhor não tem culpa da igreja “corrompida” que se encontra hoje na terra, ele mesmo ja sabia que isso aconteceria nos ultimos dias ,e a nós só nos resta seguir os seus ensinamentos e tudo ira bem !!!

      • Perdi as contas de quantos desses ‘enjoados’ eu ‘mandei pastar’. Lógico, por conta disso nunca fui cotado para líder, coisa que muito me agradou, pois assim eu era livre para cuidar de minha área de das pessoas que me confiaram a (e confiavam em) mim.

        Como era gratificante ouvir das pessoas um “obrigado, há muito tempo eu orava por alguma visita, mas há meses nenhum membro ou missionário vinha aqui” quando você deixava de lado os números e seguia aquela ‘voz manda e delicada’ que te inspirava a procurar onde você nem tinha pensado em ir.

        Terminei meus últimos 4 meses como LD de um cara muito GH, que gostava de batizar moças com um tal ‘flirt to convert’ (flertar para converter, numa tradução livre).

      • Hoje eu me arrependo de não ter dado um murro na cara dele ou pelo menos ter falado algumas verdades haha

      • Eu era considerado rebelde:

        *por achar que pessoas não são números.

        *por discordar que as metas dos lzs “eram quase mandamentos” (sério ouvi isso)

        *por ensinar pelo espírito e não paletras decoradas. (Nossa! E hoje isso é regra)

        *por achar que beber coca-cola não é pecado!

        Falando a verdade, minha missão teve mais coisa ruim que boa! Batizei pouco de propósito, pq tinha gente que não queria ser batizada de verdade, e eram pressionadas, um companheiro quis me bater pq eu dizia pros pesquisadores que a decisão de se batizar era deles!

        Passei fome, frio, andei com o mesmo sapato por meses, nao podia lavar pq nao dava tempo de secar, e a missão nao ajudava nem quando pedia por ajuda, liguei pra minha mãe e pedi dinheiro pra comprar sapatos.(grande coisa, eu era considerado rebelde porque ligava pra meus pais)

  4. O que deixa chateado, mesmo, é a Igreja (administradora da, como passarei a chamar de agora em diante por muito tempo), é essa sovinice com relação à integridade física e mental de seus jovens soldados, como se fosse a igreja mais paupérrima da terra.

    • Gerson, me identifiquei com várias situações e relatos de ex-missionários. Com relação a “sovinice” da igreja, sou obrigado a fazer uma ressalva. Fui secretario financeiro da missão que servi (Fortaleza) e a igreja tem recursos disponibilizados em um fundo para ajudar os missionários com problemas financeiros (roupas, óculos, sapatos, etc), e normalmente usávamos esse recurso “sem dó”.
      Alem disso havia um plano médico para qualquer missionário com cobertura nacional para consultas e exames de imagem em hospitais particulares e de referencia. As vezes que precisei de cuidado médico sempre fui prontamente atendido (2 vezes) inclusive com reembolso de todos os medicamentos e deslocamento que fiz de táxi.
      Com relação a mesadas, os LZ e LD sempre tinham um adicional para cobrir os deslocamentos para reuniões e entrevistas e as sisteres tinham um adicional para os cuidados pessoais. Quando abriam áreas novas, também tinham adicional para almoço, pela ausência de membros.
      A igreja não é sovina e nunca será, pois são atitudes pontuais dos presidentes de missão que não sabem utilizar esses recursos ou querem ensinar os missionários através do sofrimento…

    • Gerson, concordo se são soldados deveriam ser mais bem cuidados, missionário come mal, dorme mal, se veste mal e na minha missão, muitos não tinha os cuidados necessários, e vários quase voltaram pra casa sem dedo pois o presidente não autorizava eles irem em um podólogo, as casas eram imundas, sem cuidado algum e a sister nunca visitava as casas, e até ela comentava que achava muitos vermes nas casas, missionários não tem dinheiro pra quase nada, a igreja não se preocupa com nenhum deles, deixa eles viverem como bichos na selva e a mesada nunca dá pra algo a mais.

  5. Eu sempre fui proativo e apos 3 anos de igreja fui servir em Porto Alegre Sul, os membros me trataram muito bem, as pessoas tb la foram maravilhosas, lembro me q so fui mal tratada uma vez pq um membro disse q esqueci de marcar batismo do filho dele, porem não tinhamos nada agendado pq nem tinha sido planejado isso corretamente com os pais…Enfim, a missão foi dura? FOI! Tb foi muito boa e aprendi muito. Não posso falar mal pq nao foi. Meus pais me ajudavam no que podiam e nunca passei necessidades, sempre tinha almoço dos membros. FOI PERFEITO. Mas meu retorno foi dificil, pior q a ida, pois querem q vc se case a força..akakakakakakakakakka Mas não é bem assim, sinceramente, quando eu me afastei, eu so recebi visita uma vez e depois me esqueceram. O Evangelho está em mim, mas estou fora dele ao mesmo tempo. Tudo o que consegui hoje foi com benção de DEUS, não foi a liderança q me indiciou pra qlq emprego ( o q é muito prometido ) rssss Concordo q a igreja não tem estrutura pra cuidar dos seus missionarios retornados. Se não fossem ppor estes jovens a igreja ja era.

    • Fico feliz por você também, que como eu foi abençoado com um belo ‘campo branco’. Pode ter certeza que parte de tua felicidade reside justamente no tipo de missionário que você já era e não que parecia ser.

      Quando fui batizado, essa missão cobria toda metade sul do RS, em 1998 ela foi dividida, junto com a norte, para formar a atual Missão Santa Maria.

  6. Muito bom o artigo! Gostaria de te-lo lido antes da missao hehe. Minha volta tambem foi bem dificil, tive mais apoio dos amigos nao-membros que das pessoas da minha ala. Acredito que a parte mais dificil foi lidar com os lideres das alas (raramente me faltava dinheiro, so me lembro de ter passado por dificuldade duas vezes), eh cada loucura que voce escuta mas deve ficar de cabeca baixa porque eh “apenas um missionario”. Hoje compreendo mais as pessoas afastadas por problemas com a lideranca.

    • A igreja não parece ter uma política eficaz que não seja ‘mágica’, ou mescla de técnicas empresariais, no quesito serviço aos membros. Afinal, a igreja é uma coisa, a empresa que administra ela é outra, e deveria cuidar melhor dos seus ‘clientes’.

      Se bem que penso que mesmo que todos os mórmons do mundo se afastassem ainda assim as famílias dos apóstolos, parentes e alguns ‘escolhidos’ estariam com seu futuro garantido. E ainda ficariam para a história, nos livros, como os últimos ‘apóstolos vivos’.
      Venderiam muitos livros e quiçá outra igreja surgisse em seus nomes.

    • Entendo, Mateus.

      Fiz o texto as pressas devido ao ungir dos meus compromissos, e faltou uma revisão mais caprichada da minha parte (os editores do site deram uma melhorada numas coisas, mas não interferem nas palavras ou texto). Alguns erros foram notados apenas após publicação, e para corrigir apenas um dos proprietários do site, senão terei que submeter novamente e perderei os comentários já feitos.

      Ainda assim, espero que o texto tenha cumprido seu papel para perceber algo que pode ser feito ou ajude a quem poderia precisar.

  7. O foco da SUD há muito tempo tem sido “batizar”. Por outro lado, a preparação para estes batismos é muito pobre, básica, pois oculta dos prosélitos fatos importantes relativos a história da igreja, que pesariam na balança na tomada de uma decisão em ser batizado. Até bem pouco tempo as palestras tinham que ser decoradas pelos missionários e eram a principal maneira de ensinar. É verdade que na história do cristianismo algumas pessoas se converteram “de forma inesperada”, porém estas conversões se davam de forma milagrosa através do Espírito Santo e não eram conversões a uma igreja, empresa ou seita, e sim a um modo de vida “cristão”. Neste processo que tem como foco o proselitismo a igreja acaba esquecendo de trabalhar com reativação de inativos e cuidar dos seus membros ativos. O resultado é um percentual baixíssimo de retenção. Enquanto a igreja estiver mais preocupada em batizar do que em cuidar de seus membros (ativos e inativos), ela terá esta visão de empresa, pois cuidar dos membros ativos e inativos demanda muitos esforços, recursos financeiros e humanos e tempo. Afinal, o inativo não tem o direito de passar por tribulações, desemprego, doenças e outros problemas que o mantenham nesta situação? De fato, o irmão “desconhecido”, acaba sendo o foco de atenção da igreja e o “conhecido” acaba sendo “esquecido”. Mas quem deseja ter um fardo a carregar? Melhor que venha sangue novo e disposto a doar de seu tempo, dons e talentos em prol da igreja, não é mesmo? Este é o pensamento de muitos líderes, da maioria provavelmente. Talvez esteja na hora de mudar o foco, cuidar dos membros com amor real e deixar que este sentimento irradie e contagie outros, para que tenham o desejo de conhecer o real motivo de sua fé e tenham assim um solo fértil onde possam nutrir sua alma.

    • Bem percebido, Davi.

      Parece que o negócio é comer e colher até que algum fruto vingue por si mesmo. Aqueles que começarem a brotar com pensamentos mais questionadores são vistos como problema e devem ser descartados ou abandonados em dó. Um amor fingido, mas aos quatro cantos proclamado, fácil de ser contestado.

      Sim, o carisma faz com que as pessoas frequentem um culto, tomem curiosidade por ele, estudem seus ensinamentos e, após serem tomados de algum princípio de conversão, desejem o sacramento de uma ordenança (como o batismo).

      Todo missionário já percebeu que ninguém aceita uma resposta sem estar fazendo uma pergunta, ou uma religião pela qual não estava buscando ou mudar uma vida pela qual sente-se feliz.

      No final, parece que a igreja tenta investir mesmo numa conversão de jovens líderes através de uma missão, mas o estranho é que dá pouco cuidado para estes e acaba mais perdendo ex-missionários do que retendo novos líderes.

      Abençoados os que foram servir no exterior, ou mesmo gringos que, bem de vida, vem servir por aqui. Meu amigo brasileiro, servindo na Inglaterra, é muito bem tratado por mórmons e líderes lá, mesmo não conseguindo batizar ninguém.

    • Sim Davi, isso é verdade, eu mesma tinha 1 ano quando fui obrigada a ir para a missão e não sabia de absolutamente nada, mas desde que entrei na igreja começaram a falar em missão para mim e enchendo meu peito com isso, quando fui perceber já estava lá sem saber nem explicar da introdução do LDM, a igreja é uma empresa,uma corporação e logo só importa os lucros, a colheita, não há tempo para se preocupar com o sofrimento humano, alma humana ou coisas do tipo, na verdade nunca teve essa preocupação, o negócio é que a gente demora para aceitar e ver isso.

  8. Aproveitando um comentário da Magnólia em outro post, vou repetir meu comentário aqui, por ser pertinente ao assunto e por um pouco mais de luz ao assunto:

    Sobre apaixonar-se ou “abir o coração” durante uma missão SUD.

    Errado, lógico que não é. Facilmente controlável, tão pouco. Sem propósito (e perigoso), isso sim.

    Primeiro, que todos nós sabemos das nossas paixonites de adolescência, contos de fadas, essas coisas (que inclusive em nosso meio mórmon são bem comuns). Logo, como em meio a um turbilhão de hormônios e pouca experiência de vida, é fácil enganar-se sobre o que é amor, carência ou simples atração física.

    Segundo, que (mesmo que nada mais sério aconteça), dada a sociedade mórmon em que convivemos, nunca ‘vão perdoar’ essa casal, sendo assunto recorrente em rodas de conversa das alas onde residiram, podendo ser o caso de obrigar o casal a mudar-se (ou afastar-se, o que dará mais lenha ainda à fogueira) para ter um pouco de paz).

    Logo, se não consegue controlar suas emoções, fique em casa (ou aprenda a controlar). Não é coisa fácil, eu sei disso.

    Durante a missão tive três declarações claras e inequívocas (fora as aparentes, que nunca vou saber), de moças interessada em mim. A última, na última área, tinha até apoio irrestrito da família caso eu voltasse. Quase voltei (mas iletrado, sem profissão e paupérrimo, eu já sabia o destino desse amor; lógico ela não esperaria por muito tempo e acabou casando-se com alguém que parece cuidar bem dela).

    Uma casou-se esse ano, ainda está firme na igreja, e parece feliz.

    Outra, acabou engravidando (ou já estava) algumas semanas depois que tirei suas esperanças após ela quase ‘me agarrar’ numa capela.

    Ah, e eu tive um LZ, cara bem legal, que namorava a filha de 16 anos do Presidente de um Distrito, onde servi, a família morava na minha área e era estranho quando algumas vezes chegávamos de surpresa e encontrávamos as duas irmãs e os dois missionários sentados e descontraídos na sala enquanto o pai ou a mãe faziam agrados e lhes davam alguma privacidade. Hoje estão bem casados, uma família bem bonita (ela muito mais que ele, claro), e ambos moram bem longe de onde frequentavam a igreja antes disso. O curioso desse caso, é que descobri por outros missionários, que o Presidente da Missão sabia e havia ‘autorizado’ o caso.

    Nunca me importei com isso, e sequer fui atrás do Presidente da Missão (não estava nem aí pros acordos deles), mas após “bater de frente” com o tal líder do distrito, por humilhar e afastar um homem que admirávamos muito (e era um verdadeiro discípulo de Cristo, enquanto estávamos ausentes da cidade), misteriosamente fui transferido de emergência poucas horas depois.

    • Poderia nos contar um pouco mais a respeito dela, Silva?

      Não tenho dúvidas de que há muitas missões que foram ‘celestiais’ (para alguns, claro, na a missão em si). E seria bom você nos contar o que contribuiu para que ela assim o fosse.

      • Vou relatar somente as experiencias dos temas que parecem serem os mais recorrentes nos outros comentários:

        Mesada – sendo a mesada muitíssima pequena, e nunca recebendo dinheiro extra da minha família, economizava ao máximo que podia só comprando as coisas básicas e essenciais para passar cada dia. Produtos sem marca, e que fazem o mesmo dos de marca, eram os mais utilizados. Demonstrava para meus companheiros que era mais sábio, e assim tínhamos um poder de compra maior, se juntássemos nosso dinheiro para comprar, como por exemplo, papel higiênico, sabonete, arroz e demais itens em atacado ao invés de varejo. Mas, sem dúvida, o que fez eu nunca reclamar ou ficar triste com o pouco de dinheiro recebido, era porque minha mesada, utilizada somente para mim, era maior do que muitos salários de pais de famílias, e de outras pessoas, que conheci em minhas áreas de missão. Não era incomum estas famílias serem numerosas.

        Companheiros – tive vários companheiros, assim como os demais que relataram por aqui. Todos, sem exceção, tinham pensamentos, desejos e vontades diferentes dos meus. Aprendi a respeitar e fazer com que isto se torna-se algo prazeroso, agradável e apreciado nestes relacionamentos, e exigia o mesmo comportamento dos meus companheiros diante das minhas posições divergentes.

        Lideres – fui para o campo missionário sabendo que iria servir as pessoas e a Deus. Nas reuniões de acompanhamento de metas, não ficava nem um pouco preocupado se os números dados pelos os lideres haviam sido atingidos ou não. Minha missão era medida por mim a cada final de dia com o seguinte questionamento: hoje eu fiz o máximo que eu podia fazer para ajudar as pessoas? Se sim, não me preocupava o que os lideres de distrito, zona, assistentes ou o próprio presidente falariam sobre os meus números, sendo ou não alcançados. Quando virei líder na missão, tratava os missionários que estavam sob minha responsabilidade da mesma forma. Nas entrevistas de acompanhamento a pergunta sempre se repetia: você veio para a missão por qual motivo? Sempre era servir a Cristo e as pessoas, dai emendava: esta fazendo isto a cada dia? Se sim, muito bem, caso não, quer que eu te ajude?

        Quando disse que a missão foi a coisa mais fácil que fiz na vida, estava comparando com as tarefas realizadas antes dela em minha vida – servir o exercito, trabalhar até de madrugada e depois em seguida ir para a escola – e das tarefas após a missão – cursar uma faculdade já casado, trabalhar e ter um salário adequado para pagar todas as contas, filhos, e assim vai. Estas responsabilidades, antes e depois da missão, para mim, não se comparam em dificuldade com uma missão pois são muito mais dificeis e complicadas de serem executadas.

      • Obrigado, Silva,

        Sua experiência colabora e é pertinente ao propósito global do texto, indicando que uma atitude correta pode ajudar um(a) missionário(a) a não sucumbir ‘fatalmente’ durante ou após uma missão SUD.

        Dependendo de sua atitude, uma missão desse tipo pode preparar você para muitos desafios na vida. E é notório que uma preparação antes e pós (sem maquiagem) é importante (nem que seja por conta própria).

        Digo isso porque antes de partir convivi muitos meses com missionários em minha cidade (eu quase não fui por vários problemas familiares graves), mas conheci o lado bom e ruim da obra, andando com eles dias e dias, sob chuva e sol, vendo suas brigas (inclusive de saírem no soco) e ‘festas’, e tendo contato com líderes nada cristãos. Ou seja, quando eu fui, eu sabia que iria enfrentar tudo isso e talvez até mais, que a vontade de voltar (mesmo que eu já não tivesse casa ou família para voltar) seria enorme, mas que eu sabia “o porquê eu estava indo e por Quem”.

        Mesmo que algum dia eu ‘enjoe definitivamente’ de participar das comunidades mórmons, nunca me envergonharia ou me arrependeria do trabalho que sinto que Deus fez através de mim.

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