Boi, Burro e… Dragão? Desculpe, Não Havia Animais na Cena Bíblica da Natividade

De peças infantis a presépios e cartões de Natal, animais são constantes em nossa visão do nascimento de Cristo. Mas, de acordo com a Bíblia, nenhum animal estava lá. De onde todos esses animais vieram, e por que são tão centrais para a estória?

Natal Novo Testamento

A Estrada para Belém, de Joseph Brickey. | Imagem: Cortesia de lds.org

Apenas duas partes da Bíblia falam sobre o nascimento de Jesus: os Evangelhos de Lucas e de Mateus. Marcos e João ignoram a infância de Jesus e vão diretamente à sua vida adulta. Então, quão semelhantes são as narrativas de Mateus e Lucas para a versão familiar de quem presenciou um serviço religioso de Natal ou a uma peça infantil de natividade? Continuar lendo

A Bíblia e sua restauração de uma pedra de tropeço

Texto de Daymon Smith para a Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, realizada em 2013. Daymon Smith possui doutorado em antropologia pela Universidade da Pensilvânia e é o autor de The Book of Mammon e os três volumes de A Cultural History of the Book of Mormon, entre outros trabalhos. Possui o blog Mormonism Uncorrelated. Comentários e perguntas dos leitores e as respostas do autor serão traduzidas pelo Vozes Mórmons.

book-whirlUma das ironias do Livro de Mórmon é que seu tradutor e seu escriba frequentemente entendiam mal o que diz o texto. O termo “restauração”, por exemplo, é claramente definido por Alma e outros como algo muito maior do que trazer de volta alguma igreja cristã, imaginariamente tirada das páginas do Novo Testamento. A restauração da Casa de Israel é trazê-la de volta a Deus, e isso acontece pela restauração do conhecimento sobre seus convênios e sua misericórdia desde a Criação até esta tarde.

Restauração era um termo do Livro de Mórmon, nele definido claramente, descrevendo geralmente algo como karma: aquilo que sai de você voltará a você, para sua condenação ou salvação, se sua vida tiver sido misericordiosa ou injusta.

Seis meses depois de o livro ser publicado, porém, um grupo amplo de restauracionistas afiliados a Alexander Campbell e seu amigo Sidney Rigdon foram reunidos na fazenda de Isaac Morley, próxima a Kirtland, Ohio. Eles viviam o que consideravam ser um comunismo cristão, uma parte distintiva do seu esforço de restaurar a antiga ordem das coisas. Campbell e Rigdon não praticavam a comunidade de bens, entretanto, e ocasionalmente discutiam sua restauração. Continuar lendo

Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo

A Errônea Associação do Catolicismo à Corrupção das Escrituras

Um dos fundamentos doutrinários dos santos dos últimos dias é a afirmação de que as escrituras bíblicas não permaneceram intactas desde a pena de profetas e apóstolos até nossos dias, mas sofreram adulterações de forma que passagens foram retiradas, editadas ou acrescentadas.

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Estudo do Retrato do Papa Inocêncio X por Velázquez, de Francis Bacon (1953)

Em 1 Néfi 13, lemos sobre a visão recebida por Néfi da instituição responsável pela corrupção do Novo Testamento, chamada de “grande e abominável igreja”. Muitos santos dos últimos dias interpretam essa instituição como sendo a Igreja Católica Apostólica Romana, embora a ação da “grande e abominável igreja” sobre as escrituras, descrita no Livro de Mórmon, não possa ter nenhuma relação histórica com o catolicismo romano. Continuar lendo

Páscoa com Adão e Eva

A libertação do pecado e da morte; a fuga da iniquidade; a busca de uma terra prometida; esta mortalidade como uma passagem; a expiação de Cristo. A celebração da Páscoa nos remete a muitas camadas de significado e reflexão em nossa vida. Mas será que temos tradições mórmons que apontem para o significado da Páscoa?

Querubim e espada flamejante, pintura de J. Kirk Richards

Ao fazer essa pergunta obviamente estou pensando que deveríamos tê-las, uma vez que as tradições sociais herdadas do cristianismo tradicional, há séculos mescladas com tradições pagãs, não parecem suficientes para abarcar significados tão profundos.

Na ausência de tradições que soem mais legítimas ou mais “sud”, vejo que a tendência entre a maioria de nós é ignorar a data no que se refere ao seu significado espiritual e/ou participar das tradições mais populares com o simbolismo de ovos e coelhos. Continuar lendo