Dez Mil Brasileiros Vivem o ‘Sonho Americano Mórmon’

Com o sugestivo e descritivo título Dez mil brasileiros vivem o ‘sonho americano mórmon’, a jornalista Cláudia Trevisan publicou uma excelente matéria no jornal O Estado de São Paulo, explorando as ambições de muitos dos membros brasileiros da Igreja SUD de emigrar para os Estados Unidos.

Membros da Igreja SUD pedem resignação em protesto a política homofóbica da Igreja de discriminar contra crianças em famílias LGBT, em frente ao histórico templo de Salt Lake City, 14 Nov 2015. (Jim Urquhart/Reuters)

Membros da Igreja SUD pedem resignação em protesto a política homofóbica da Igreja de discriminar contra crianças em famílias LGBT, em frente ao histórico templo de Salt Lake City, 14 Nov 2015. (Jim Urquhart/Reuters)

Apesar de muito interessante, informativo, e bem pesquisado, o artigo de Trevisan não inclui o que talvez devesse ser o ângulo mais importante para esse tema. Esses mórmons que emigraram para os EUA por causa de sua fé e religião, o fizeram em direta contravenção aos mandamentos de seus profetas modernos, e portanto, de sua religião.

Trevisan reconta as histórias pessoais de alguns mórmons que emigraram para Utah em nome da fé e do “sonho americano”. Por exemplo, Cláudio dos Santos e família:

Ser mórmon no Brasil de 1955 era integrar uma minoria de 500 pessoas, entre as quais estava Cláudio dos Santos. Naquele ano, ele decidiu se mudar com a família para Salt Lake City, o centro mundial da religião fundada nos Estados Unidos na década de 1820. Aos 101 anos, Santos é o veterano dos cerca de 10 mil brasileiros que vivem na cidade, a maioria dos quais integrantes da igreja.

(…)

A religião foi o que levou o engenheiro aposentado a trocar São Paulo por Salt Lake City. “Naquele tempo, não existiam templos nem capelas no Brasil e muitos serviços da igreja não estavam disponíveis”, disse ao Estado.

(…)

Com a expansão da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil, cresceu o número de pessoas que seguiram os passos de Santos, grande parte deles movida por um misto de fé e busca do sonho americano.

[Leia o artigo de Cláudia Trevisan em sua íntegra no Estadão aqui]

Nos relatos dos imigrantes mais recentes, no entanto, destacam-se muito mais os aspectos profissionais, educacionais e financeiros para sua escolha por Utah. Por exemplo, Alan Silva e família:

Alan Silva e sua mulher, Fátima, se mudaram com as duas filhas para Salt Lake City há 14 anos. Na época, ele trabalhava na Nextel e viu que teria dificuldades para pagar uma escola particular para a filha mais velha, que havia acabado de sair do jardim da infância. “Eu queria dar para elas uma vida melhor e a chance de aprender outra língua. Aqui elas teriam mais oportunidades”, disse Silva, em uma das seis capelas mórmons de Utah que têm serviços religiosos em português.

Valdir Antunes:

O bispo Valdir Antunes, que também está há 14 anos em Salt Lake City, estima que a cada semana uma nova família brasileira chega à cidade, que tem um dos mais elevados ritmos de crescimento econômico e uma das mais baixas taxas de desemprego dos EUA.

Solange Cruz e família:

Donos de uma empresa que agencia jogadores de futebol no Brasil, Solange Cruz e o marido, Silvio, chegaram à capital de Utah em julho do ano passado, juntamente com o filho mais novo, Vitor. O mais velho, Edson, era missionário mórmon em Utah e havia sofrido um acidente jogando bola. A família já discutia a possibilidade de imigrar para os EUA e tomou a decisão para estar perto do filho na segunda cirurgia a que ele se submeteu. “Agora nós estamos planejando vender a casa que temos em Itu e abrir um negócio aqui”, afirmou Solange.

Ivan Utrera:

Rodízio é sinônimo de Brasil nos Estados Unidos e, em Salt Lake City, a concorrência de espetos é acirrada. Na capital do Estado de Utah também há lugares de prato feito, feijoada, pudim e brigadeiro, regados a guaraná. Com o nome gringo de Rodizio Grill, o restaurante da família Utrera abriu as portas na cidade em 1998, quando a rede que já tem 19 endereços no país ainda engatinhava.

Dos 70 funcionários da empresa em Salt Lake City, 70% são brasileiros, na maioria integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, segundo Nicolas Utrera, filho do fundador do negócio, Ivan Utrera.

Diego Souza:

… Diego Souza … se batizou como mórmon em 2007, quando tinha 16 anos, e se mudou para a capital de Utah em 2014. Depois de estudar inglês por alguns meses, ele entrou na LDS Business College, a escola de negócios ligada à igreja –a sigla de três letras se refere à versão em inglês de Santos dos Últimos Dias. Os mórmons são a força dominante em Utah e representam 60% da população do Estado. Além da igreja, eles controlam algumas das melhores instituições de ensino locais e oferecem a seus seguidores estrangeiros as mesmas anuidades que cobram dos americanos – em geral, os estudantes internacionais estão sujeitos a preços mais elevados.

Souza estuda contabilidade e se formará no fim de 2017. No ano passado, ele se casou com uma americana que conheceu na igreja, com a qual pretende ter o primeiro filho em breve. “No Brasil, eu era pobre. Aqui eu também sou pobre, mas tenho carro e consigo viajar para o exterior e pensar em comprar uma casa”, disse Souza, que trabalha como garçom e churrasqueiro.

Lucy Filizola:

A cearense Lucy Filizola, que não pertence ao mundo dos restaurantes, se mudou para Salt Lake City em 1997, quando tinha 17 anos. “Minha mãe queria que eu viajasse”, disse a filha de uma família mórmon de classe média alta do Ceará. A brasileira se casou no ano seguinte e teve seis filhos, seguindo a tradição de grandes famílias da igreja. Formada em contabilidade na LDS Business College, Lucy é separada e cria sozinha os seus seis filhos, um dos quais tem paralisia cerebral. “Não tenho empregada e todos ajudam com o irmão na cadeira de rodas”, disse a cearense, dona de uma empresa de consultoria. “Não é como no Brasil. Aqui, eles são autossuficientes e cada um é responsável por suas coisas.”

Reinaldo Drogueti:

O Rodizio Grill é um dos pelo menos seis restaurantes brasileiros que existem na região de Salt Lake City – em sua maioria churrascarias. Uma das exceções é o Sweet Spot, da família Drogueti, especializado em feijoada, salgadinhos, pratos feitos e doces brasileiros. Atrás do balcão, o patriarca Reinaldo Drogueti atende cerca de 150 brasileiros a cada sábado em busca de feijoada.

Diego  Quiroga e família:

Diego Cavalcante Quiroga, de 32 anos, chegou a Salt Lake City em abril com a mulher, Jessica, e os dois filhos, de 5 e 2 anos. Mórmon como o xará, ele é garçom da Rodizio Grill, estuda inglês e pretende entrar em uma faculdade de Utah. “Para ter algo melhor, eu precisava do inglês e vim para cá para aprender mais rápido”, disse Quiroga, que é de uma família mórmon.

Política oficial da Igreja contra emigração

Não obstante a prática dos primeiros presidentes e profetas mórmons de admoestar que seus conversos de além-mar emigrassem para um mesmo local na América do Norte, a política oficial da moderna Igreja SUD é desincentivar seus membros internacionais, especialmente os membros da América Latina, a emigrarem para os Estados Unidos.

Lê-se, por exemplo, no seu livro oficial de regras para os membros, conhecido como Manual de Instruções da Igreja, na seção sobre “Emigração de Membros” (ênfases nossas), que “permanecer em terra natal” é um imperativo religioso e um dever para cada membro à Igreja:

De modo geral, os membros são incentivados a permanecer em sua terra natal para edificar e fortalecer a Igreja. As oportunidades de atividade na Igreja e de receber as bênçãos do evangelho e levá-las ao próximo estão aumentando muito em todo o mundo. Quando os membros permanecem em sua própria terra natal e se empenham em edificar a Igreja ali, eles próprios e a Igreja recebem grandes bênçãos. As estacas e alas do mundo inteiro são fortalecidas, permitindo que as bênçãos do evangelho sejam levadas a um número ainda maior de filhos do Pai Celestial.

A experiência mostrou que, com frequência, as pessoas que emigram encontram dificuldades financeiras, culturais e em relação ao idioma, resultando em decepção e problemas pessoais e familiares.

Os missionários não devem pedir a seus pais, parentes ou outras pessoas que contribuam financeiramente para a emigração dos membros que desejem deixar o próprio país.

Os membros que emigrarem para qualquer país devem cumprir todas as leis a ele pertinentes.

Quando viajarem para os Estados Unidos ou para outros países com visto de estudante ou turista, os membros não devem fazê-lo com a intenção de conseguir emprego ou de obter um visto permanente após sua entrada no país.

Para candidatar-se a um emprego na Igreja em qualquer país, a pessoa precisa cumprir todas as condições impostas pelas leis de imigração e naturalização. A Igreja não patrocina imigrações por meio de empregos na Igreja.

É prática muito comum, entre membros da Igreja, emigrar ilegalmente (ou extra-legalmente, como descrito no manual citado acima) para os Estados Unidos, na esperança de regulamentar sua situação através de matrimônio. Qual mórmon aqui no Brasil não conhece ao menos um amigo ou colega correligionário que emigrou ilegalmente para lá?

Quantos mórmons brasileiros permanecessem no Brasil por causa desse sentimento de dever para com a fé e a Igreja? Ou por obediência a seus Profetas e Apóstolos que assim expressaram seus ensinamentos?

Sobre esse assunto expressou-se claramente o Profeta Spencer Kimball na Conferência Geral de abril de 1975 (ênfases nossas):

Com alguns dos líderes, acabamos de voltar recentemente das conferências de área em São Paulo, Brasil, e em Buenos Aires, Argentina. Nesse mundo do sul de Sião lembramos que Sião era toda a América do Norte e do Sul, como as asas largas e espalhadas de uma grande águia, uma sendo a América do Norte e a outra a América do Sul.

A Igreja está progredindo e crescendo. As pessoas são felizes e inspiradas; Os jovens estão rindo e dançando enquanto eles crescem para ser liderança.

A “coligação de Israel” é efetuada quando as pessoas dos países distantes aceitam o evangelho e permanecem em suas terras nativas. A coligação de Israel para mexicanos está no México; Na Escandinávia, nos países do Norte; O local de coligação para os alemães está na Alemanha; E os polinésios, nas ilhas; Para os brasileiros, no Brasil; Para os argentinos, na Argentina. Expressamos nosso agradecimento ao Senhor por sua bondade ao dirigirmos as atividades de três milhões e meio de pessoas, cada vez mais populosas, mais independentes e ainda mais fiéis.

Além disso, o Profeta Kimball ordenou a publicação e distribuição do discurso do Apóstolo Bruce McConkie, proferido no Peru em 1977, para reforçar o ponto (ênfases nossas) de que membros da Igreja SUD não devem emigrar para os EUA, mas permanecer em suas terras natais:

O seguinte sermão foi proferido pelo Élder McConkie em 27 de fevereiro de 1977 em Lima, Peru. O Presidente Spencer W. Kimball desejou que ele fora impresso para os membros da Igreja.

(…)

Em vista desses princípios, e para que os membros da Igreja que vivem fora dos Estados Unidos e do Canadá saibam por que agora são aconselhados a permanecer em suas próprias nações e não se reunir a uma Sião Americana, eu dei o seguinte discurso na Conferência da Área Lima Peru:

Somos gratos, além de qualquer expressão, pelo excelente trabalho que está sendo feito na Igreja aqui na América do Sul. Estendemos nossa alta recomendação aos nobres homens que servem como Representantes Regionais dos Doze, como presidentes de estaca, como bispos e em outras posições responsáveis nas estacas e alas. Nós sentimos que uma fundação foi colocada para um grande progresso e desenvolvimento. Prevemos um dia em que a Igreja será uma influência muito substancial em todas essas grandes nações. É uma questão de grande satisfação que as estacas de Sião foram organizadas aqui. Esperamos ver o aumento nas estacas em número e eficácia.

Falarei da coligação de Israel e da edificação de Sião nos últimos dias. Como todos sabemos, o Senhor dispersou Israel entre todas as nações da terra, porque o abandonaram e quebraram os seus mandamentos. Como também sabemos, agora Ele está reunindo as ovelhas perdidas de Israel e impondo sobre eles a obrigação de edificar a sua Sião dos últimos dias.

Esta coligação de Israel e esta edificação de Sião nos últimos dias ocorre em etapas. A primeira parte do trabalho, que envolveu coligar-se aos Estados Unidos e construir estacas de Sião na América do Norte, já foi realizada. Estamos agora empenhados em coligar Israel dentro das várias nações da terra e em estabelecer estacas de Sião nos confins da terra. Este é o trabalho que está agora acontecendo em todas as nações da América do Sul e do qual falarei agora.

(…)

Manifestamente nos primeiros dias desta dispensação, isso significava reunir-se à montanha da casa do Senhor, nos cumes das montanhas da América do Norte. Só lá haviam congregações fortes o suficiente para os Santos se fortalecerem uns aos outros. Lá estavam os templos do Altíssimo onde a plenitude das ordenanças de exaltação são realizadas.

Porém, nas providências daquele que tudo conhece, nas providências daquele que dispersou Israel e que está agora reunindo aquele povo favorecido novamente, chegou o dia em que o rebanho de Cristo está chegando até os confins da terra. Nós não estamos estabelecidos em todas as nações, mas certamente estaremos antes da segunda vinda do Filho do Homem.

Como diz o Livro de Mórmon, nos últimos dias, “os santos de Deus” serão achados “sobre toda a face da terra”. Também: “Os santos da igreja do Cordeiro e … o povo da aliança do Senhor” – espalhados como estão “sobre toda a face da terra” – serão “armados com justiça e com o poder de Deus em grande glória” (1 Néfi 14:12, 14).

Estamos vivendo em um novo dia. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está rapidamente se tornando uma igreja mundial. As Congregações dos Santos são agora, ou logo serão, fortes o suficiente para se sustentar e sustentar seus membros, não importa onde eles residam. Templos estão sendo construídos sempre que a necessidade justifica. Podemos prever muitos templos na América do Sul com o passar do tempo.

As estacas de Sião também estão sendo organizadas nos confins da terra. A este respeito, ponderemos estas verdades: Uma estaca de Sião é uma parte de Sião. Você não pode criar uma estaca de Sião sem criar uma parte de Sião. Sião é o puro de coração; Ganhamos pureza de coração pelo batismo e pela obediência. Uma estaca tem limites geográficos. Criar uma estaca é como fundar uma Cidade de Santidade. Cada estaca na terra é o local de coligação para as ovelhas perdidas de Israel que vivem em sua área.

O local de coligação dos peruanos está nas estacas de Sião no Peru, ou nos lugares que em breve se tornarão estacas. O local de coligação dos chilenos está no Chile; Para bolivianos é na Bolívia; Para coreanos é na Coréia; E assim Ele percorre todo o comprimento e largura da terra. Israel disperso em cada nação é chamada a reunir-se ao rebanho de Cristo, às estacas de Sião, como tal está estabelecido em suas nações.

(…)

Este é então o conselho dos [Profetas e Apóstolos]: Construa Sião, mas edifica-o na área onde Deus te deu nascimento e nacionalidade. Construa-o onde Ele lhe deu cidadania, família e amigos. Sião está aqui na América do Sul e os Santos que compõem esta parte de Sião são e devem ser uma influência influenciadora para o bem em todas essas nações.

E saibam isso: Deus abençoará a nação que assim organiza seus assuntos, a fim de promover Sua obra.

Sua obra inclui a edificação de Sião nos últimos dias. Ele nos encomendou para fazer esse trabalho para ele. As fundações de Sião já foram colocadas na América do Norte, na América do Sul, na Europa, na Ásia, no Pacífico Sul e em todos os lugares onde há estacas de Sião. Mas Sião ainda não está aperfeiçoada em nenhum desses lugares. Quando ela for aperfeiçoada, será como foi com Sião de antigamente – o Senhor virá e habitará com seu povo.

Seriam as admoestações contra a imigração de membros SUD aos Estados Unidos menos marcantes no imaginário mórmon do que o legado migratório de sua religião? O pesquisador francês Eliott Mourier observa:

Os fluxos migratórios dos primeiros santos dos últimos dias foram um elemento fundador decisivo da edificação e do desenvolvimento da Sião mórmon. Essa dimensão histórica, bem conhecida por todos os membros da igreja deixou para as gerações seguintes da Igreja, um “legado migratório” bem presente nas mentes de todo santo dos últimos dias.

Resignações em protesto à homofobia

Além de discorrer sobre a questão de emigração mórmon brasileira, Trevisan encontrou em suas pesquisas o que nós já havíamos noticiado desde o ano passado [ver, por exemplo, artigos nossos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui], a saber, que a nova política de discriminação contra crianças em lares LGBT criou um racha entre a Igreja e milhares de seus membros:

A igreja mórmon demanda de seus seguidores dedicação plena e um estilo de vida espartano, no qual a família ocupa posição central e o consumo de álcool, café e chá são banidos. A identidade da maioria dos moradores de Utah gira em torno da religião e abandoná-la é uma decisão drástica, que põe em risco laços familiares e de amizade.

Depois de passar pelo trauma do rompimento com a igreja, muitos ex-mórmons criaram grupos de apoio aos que seguem os mesmos passos. O abandono da religião se dá por vontade própria ou por decisão das instância disciplinares da igreja, que determinam a excomunhão de seguidores que contrariam os princípios da religião ou são considerados hereges.

Em 2015, aumentou o potencial de conflito entre os que ditam a doutrina mórmon e alguns dos seguidores da igreja, com a proibição do batismo de crianças que vivem em famílias chefiadas por casais gays. A mesma determinação reiterou que a união entre pessoas do mesmo sexo é pecado sujeito ao julgamento da igreja.

A rejeição do homossexualismo pela religião causou reação entre pais mórmons de filhos homossexuais, que criaram grupos de apoio e decidiram participar da Parada Gay de Salt Lake City.

A condenação dos gays antecede a proibição do batismo e é apontada por integrantes de organizações de pais como um dos fatores responsáveis pelo elevado índice de suicídio entre os jovens no Estado. Dados do Departamento de Saúde indicam que o suicídio entre pessoas de 10 a 17 anos está em alta desde 2011; e, em 2013, ultrapassou o número de mortes por causas não intencionais.

Teria sido interessante saber quantos desses mórmons que protestaram, ou pediram resignação em protesto, contra a nova política de discriminação contra membros LGBT eram imigrantes brasileiros. Ou mesmo se houve quaisquer manifestações dos brasileiros expatriados sobre essa polêmica.

Contradição e revelação

O artigo de Trevisan poderia ter explorado em mais detalhe como a religiosiodade mórmon de fato afetou a decisão desses brasileiros buscarem o “sonho americano”. Em uma tradição religiosa que enfatiza a comunicação divina ao indivíduo, imigrantes sentem-se influenciados por Deus para emigrar aos EUA?

Ademais, como explicam a evidente contradição entre sua busca pessoal por melhores condições de vida e as admoestações de seus profetas de serem leais à Igreja e permanecerem em sua terra natal?

7 comentários sobre “Dez Mil Brasileiros Vivem o ‘Sonho Americano Mórmon’

  1. Nao ha duvida que o Espirito Santo nos ajuda a tomar decisoes, nao existe uma revelacao dada a Igreja sobre onde os membros devem residir ou se eles devem ou nao mudar de cidade ou de pais. Essa ideia de que os membros devem ficar em seus lugares nao tem fundamento escrituristico e sim um interesse economico e provavelmente movido por razoes raciais, qualquer membro que tenha dinheiro suficiente para investir na economia de Utah sera muito bem vinda, qualquer membro vindo de paises Europeus como Inglaterra, Franca, Alemanha por exemplo sera bem vinda em Utah nao e o caso com pessoas pobres ou pessoas vinda da America Latina por exemplo. Como podemos esperar que membros muito pobres nao tenham o desejo de sair do interior da Guatemala ou da Africa por exemplo e ir para um lugar mais prospero? Que lider de Salt Lake que vive uma vida de alta classe tem o direito de inibir esse desejo de um membro que vive no Brasil ou no Mexico por exemplo? Se Joseph Smith estivesse hoje como lider da igreja ele ja teria estabelecido uma sociedade Mormon mais inclusa e diversificada, ainda mais com a riqueza que a igreja tem hoje
    Quando eu fui para o EUA em 97, o visto era dificil de se obter, eu me lembro ter orado varias vezes e a ultima oracao foi no banheiro do Consulado antes da entrevista. Tudo ocorreu tranquilamente, eu pude ver a mao do Senhor em todo o processo, tambem conheco outros membros do Brasil que fizeram a mesma coisa. Eu tenho certeza que o manual da igreja nao tem nada a ver com revelacao vinda de Deus e sim de homens que querem controlar a vida das pessoas.

    • Concordo com esse pensamento, a igreja fala para não migrar, para evitar o refúgio em massa, que gera caos social, vejamos o caso dos africanos e árabes, também gera uma classe sem privilégios veja o filme Distrito 9 faz uma crítica a isso.O Brasil está horrível, isso incentiva a migração.Contudo vamos aguardar o TRUMP e ver a situação.Eu também sinto que o Senhor guia as pessoas ,como acontece nas escrituras, não importa o local ou país, a emigração pode ser uma revelação e portas se abrirão!

  2. Como a maioria dos membros são mal informadas, acredito que nunca ouviram falar dos ensinamentos citados no artigo. Tenho acompanhado a mudança de muitos jovens para Utah, alguns solteiros, outros casados. Ao meu ver, estão a procura de uma vida melhor,.
    Eu penso que alguns membros apenas se mantiveram na igreja para imigrarem e viverem o tal sonho americano.

  3. Eu nunca vi moças se “apaixonarem” tão rápido como essas da igreja SUD que conheci, elas conhecem em 1 dia e amam em 2, duvido que cairiam de amor tão rápido por um brasileiro.

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