N. Eldon Tanner: Obediência Cega

Mórmons são institucionalmente estimulados à obediência cega a seus líderes eclesiásticos.

Mórmons são ensinados que obediência é a “primeira lei do céu” e, portanto, o princípio mais importante de sua religião. Membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são orientados a ignorar suas próprias consciências, seus instintos e seu julgamento pessoal e apenas obedecer o Presidente da Igreja, sem hesitação ou questionamento.

Por exemplo, o Profeta Heber Grant explicou que devemos obedecer o Profeta mesmo quando ele nos pede para fazer algo errado. Em outro exemplo, esse ensinamento publicado pela Igreja SUD estipula que não devemos pensar por nós mesmos, apenas obedecer.

Nathan Eldon Tanner, Conselheiro na Primeira Presidência (1963-1982) sob os Presidentes David O McKay, Joseph Fielding Smith, Harold B Lee, e Spencer W Kimball

Contudo, poucos líderes deixaram esse tema mais explícito do que o Presidente N Eldon Tanner em uma mensagem da Primeira Presidência para todos os membros da Igreja em agosto de 1979. Além de explicar que membros da Igreja não devem nunca questionar os ensinamentos de seus profetas, e apenas ignorar suas opiniões pessoais e segui-los, Tanner ainda elabora como “crianças estão sendo negligenciadas e abusadas porque suas mães estão buscando … carreiras fora de casa”.

Eis a mensagem da Primeira Presidência em sua íntegra (ênfases nossas): Continuar lendo

Dez Mil Brasileiros Vivem o ‘Sonho Americano Mórmon’

Com o sugestivo e descritivo título Dez mil brasileiros vivem o ‘sonho americano mórmon’, a jornalista Cláudia Trevisan publicou uma excelente matéria no jornal O Estado de São Paulo, explorando as ambições de muitos dos membros brasileiros da Igreja SUD de emigrar para Utah, nos Estados Unidos.

Salt Lake City Utah mórmons brasileiros

Centro de Salt Lake, capital de Utah e sede mundial da Igreja SUD.

Apesar de muito interessante, informativo, e bem pesquisado, o artigo de Trevisan não inclui o que talvez devesse ser o ângulo mais importante para esse tema. Esses mórmons que emigraram para os EUA por causa de sua fé e religião, o fizeram em direta contravenção aos mandamentos de seus profetas modernos, e portanto, de sua religião. Continuar lendo

Jedediah Grant: Entregar a Esposa ao Profeta

O Presidente Jedediah M. Grant explicou como um membro fiel da Igreja deveria ser obediente o suficiente para entregar sua esposa ao Profeta da Igreja sem titubear ou se queixar, em discurso no Tabernáculo em fevereiro de 1854.

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Jedediah M. Grant serviu como Presidente dos Setenta (1845-1854), Apóstolo (1854-1856) e Conselheiro na Primeira Presidência (1854-1856).

Além de servir como um dos mais ferozes articuladores das políticas de Brigham Young (recebendo o apelido “a marreta de Brigham”) e um dos principais motivadores da Reforma Mórmon de 1856, Grant fora o pai do Profeta Heber J. Grant.

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Harold Lee: Mórmons Não Devem Questionar

O Profeta Harold B. Lee, Presidente da Igreja SUD na década de 1970, ensinou que membros da Igreja não devem pensar por si mesmos ou ter suas próprias opiniões.

Harold Bingham Lee, Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entre 1972 e 1973, Conselheiro na Primeira Presidência entre 1970 e 1972, e Apóstolo entre 1941 e 1970.

A atual liderança da Igreja amplamente endossa esse ensinamento de Lee, a julgar pela sua inclusão em seu manual oficial curricular. Para Lee, e por extensão para a Igreja do século 21, membros não precisam ler ou pensar em nada exceto “ouvir e obedecer”. Inclusive, membros sequer precisam ler as escrituras, desde que ouçam e obedeçam:

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Joseph Smith: Falta Inteligência a Membros

O Profeta Joseph Smith ensinou que uma determinada postura, indicando profunda falta de inteligência, lhe parecia comum entre os membros da Igreja em sua época.

Joseph Smith

É possível ver essa mesma postura entre membros da Igreja hoje? E, se for, ela representa o mesmo déficit intelectual que o Profeta insinuou há quase 2 séculos atrás? Continuar lendo

Ezra Benson: Martin Luther King & Direitos Civis

Comemora-se, hoje, o Dia de Martin Luther King, Jr.

King foi um dos norte-americanos mais proeminentes no século XX, figurando entre os principais líderes do Movimento pelos Direitos Civis de Negros. Vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1964, King foi o idealizador e principal proponente do conceito de protestar injustiças através da desobediência civil não-violenta, e uma das maiores figuras públicas a defender a proposição que o combate à pobreza seja um tema religioso Cristão predominante.

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King foi assassinado em 1968, aos 39 anos, e subsequentemente seu nome ficou eternizado como síntese dos princípios que esposava de justiça social e equalidade racial, além de um Cristianismo compassivo.

O Presidente Hugh B. Brown, da Primeira Presidência era um fã de King, sua filosofia, e o que ele representava. Contudo, o primeiro Apóstolo Mórmon a discorrer sobre King e sua filosofia de pacifismo ativista em plena Conferência Geral não foi Brown, mas sim Ezra Taft Benson.

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Ezra Benson: Obediência Cega

Mórmons são institucionalmente estimulados à obediência cega a seus líderes eclesiásticos.

Mórmons são ensinados que obediência é a “primeira lei do céu” e, portanto, o princípio mais importante de sua religião. Membros da Igreja SUD devem ignorar suas próprias consciências, seus instintos e seu julgamento pessoal e apenas obedecer o Presidente da Igreja sem hesitação ou questionamento.

Tome, por exemplo, essa lição oferecida pelo Profeta Heber Grant que explicou que devemos obedecer o Profeta mesmo quando nos pede para fazer algo errado, ou esse ensinamento publicado pela Igreja SUD para seus membros que estipula que não devemos pensar por nós mesmos, apenas obedecer.

Ezra Taft Benson, 13o Presidente da Igreja, ensinou que a Constituição dos EUA é um documento divino e que se deve obedecer ao Profeta cegamente sem nunca questioná-lo.

Contudo, poucos líderes ousaram explorar esse preceito tão explicitamente quanto Ezra Taft Benson. Continuar lendo

Heber Grant: Faça O Mal, Mas Obedeça

Mórmons acreditam que o Profeta é literalmente a Voz de Deus na Terra. Obediência cega e absoluta aos ditames dele é esperado de todo membro da Igreja.

Heber J. Grant, Presidente d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1918-1945)

Heber J. Grant, Profeta Mórmon e Presidente da Igreja SUD (1918-1945)

O Apóstolo Marion Romney relatou algo que o Presidente Heber J. Grant lhe havia ensinado sobre obediência ao Profeta: Continuar lendo

Como Você Traduziria Ezra Taft Benson?

Em 2015, mórmons pelo mundo afora estarão estudando os ensinamentos de Ezra Taft Benson, 13° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entre 1985 e 1994.

 

Durante o ano, aproveitaremos esta oportunidade para relembrar e discutir a interessantíssima e idiossincrática passagem desta marcante figura histórica do mormonismo, que serviu como Apóstolo entre 1943 e 1985, como Ministro da Agricultura dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, e protagonizou as maiores controvérsias na história da liderança Mórmon no século 20.

Antes de entrarmos na celebração deste importante homem, ponderemos talvez seu legado filosófico e teológico mais famoso.

Uma das citações icônicas no mormonismo associadas a Benson é, ironicamente, anônima. Publicada em uma revista oficial da Igreja como mensagem oficial para Mestres Familiares, ela, não obstante, encapsula tão profunda e sucintamente um dos discursos mais icônicos da carreira apostólica de Benson que é, até hoje, usada para resumir a sua filosofia profética. Ela é, também, uma das mais difíceis de se traduzir. Como qualquer tradutor competente e experiente sabe, uma tradução bem sucedida deve muito mais que transliterar as palavras entre uma língua e outra, mas sim transpassar a totalidade das ideias e dos sentimentos expressado em uma língua para outra. E isso, como bons tradutores admitem, nem sempre é simples, fácil, ou mesmo possível.

Portanto, estamos solicitando uma colaboração coletiva para traduzir esta pérola dos arquivos literários da Igreja SUD: Continuar lendo

A excomunhão foi necessária

Há indivíduos que não apenas cedem ao mal, mas o cultuam. E com seu discurso e ações, utilizando seu status como membros da Igreja, atraem seguidores. Eles usam seus seguidores para obter poder e serem mais convincentes. Para esses, quando se negam a ouvir as orientações dos líderes da Igreja que lhes pregam o arrependimento, só a excomunhão possa talvez ajudar. Uma medida extrema, mas necessária.

Se não for de ajuda para esses apóstatas, a excomunhão será pelo menos uma forma de resguardar o nome da Igreja e proteger seus membros fiéis, avisando a todos que tais indivíduos não devem ser seguidos ou escutados.

Nada mais correto do que excomungar essas pessoas.

Para entender do que estou falando, clique aqui.

 

Joseph Smith: Liberdade de Errar

O que ensinou Joseph Smith sobre como devemos tratar as pessoas que erram, ou pensam diferente, ou mesmo tem opiniões divergentes de nós?

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Eu nunca pensei que fosse correto intimar um homem e julgá-lo porque ele errou em doutrina, isso parece muito com o Metodismo e não com santismo dos últimos dias. Metodistas têm credos que um homem deve acreditar ou ser expulso de sua igreja. Eu quero a liberdade de acreditar como eu quiser, é bom não ser amarrado. Não se prova que um homem não é um bom homem porque ele erra em doutrina. (The Words of Joseph Smith, pp. 183-184)

 

Primeiro de Abril

01 de abril de 2014. Esta data entrou para a história do Mormonismo no Brasil, e talvez no mundo.

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

O diretor americano Orson Wells, repetidamente eleito como um dos melhores cineastas na história do cinema, adaptou a novela ‘Guerra dos Mundos’ de H.G. Wells para o rádio em 1938. Em seu primeiro episódio, em 30 de outubro, a primeira metade da encenação consistia em boletins de noticiário cobrindo a fictícia invasão da Terra por alienígenas de Marte. Apesar do aviso no início do programa, muitos ouvintes pegaram o show já em andamento, e uma parcela deles acreditaram no que ouviam como se fôra noticiário normal, resultando em um pequeno pânico público. Centenas de pessoas ligaram ansiosas para as estações da CBS para confirmar as notícias, e nos dias seguintes, para reclamar de haverem sido enganadas.

Da mesma maneira que 30 de outubro de 1938 entrou para história do rádio, este 01 de abril p.p. entrou para a história do Mormonismo. O site Vozes Mórmons publicou uma brincadeira de Primeiro de Abril que se espalhou rapidamente (viralizou, como se diz em internetês) enganando dezenas de milhares de Mórmons no Brasil e mundo afora. Até o presente momento, mais de 27 000 pessoas acessaram o artigo, com quase 10 000 compartilhamentos na rede social Facebook e mais de 30 000 visualizações por lá, tornando-a a “pegadinha” Mórmon mais bem-sucedida no Brasil e talvez no mundo (se alguém souber de uma que tenha conseguido maior divulgação e penetração, comente dela abaixo, por favor).

Piadas bem-sucedidas à parte, o que realmente permanece de importante são as questões levantada por este episódio. Por que a brincadeira foi tão crível? Como os Mórmons brasileiros reagiram? O que suas reações dizem a respeito da cultura Mórmon? Quais conceitos científicos podem iluminar nosso entendimento dele?

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O Verdadeiro Presente

amigo-secreto

“Você dá pouco quando você dá de suas posses. É quando você dá de si mesmo que realmente dais.” (Kahlil Gibran)

Tanto no Natal quanto na Virada do Ano, existe uma prática tradicional e muito apreciada, que leva seus participantes a concentrarem seus esforços nela, e por vezes, no frenesi do momento, esquecerem-se da razão pelo qual a prática foi inspirada e em lembrança do que (ou de Quem) tal prática foi idealizada…

A troca de presentes, tão comum quanto quase que indispensável, acaba por vezes, substituindo o verdadeiro sentimento que deveria reinar nas datas comemorativas supracitadas…

Um pensamento atribuído ao Padre Rafael de Queiroz Neto, abrange bem este ponto, abordando a época natalina:

“Hoje se propaga, furtivamente, o consumismo desenfreado, fazendo com que as pessoas se dediquem muito mais à preocupação com aquisição de bens e com a comemoração da troca de presentes do que com o verdadeiro sentido da festividade, que é o nascimento do Salvador de nossas vidas. Infelizmente, as consequências desta escolha são, regra geral, dissaborosas, pois uma vez passado o efêmero prazer e deleite da festividade ou mesmo durante o seu curso, (…) as pessoas voltam à triste realidade de sua distante comunhão com o Espírito de Deus, sentindo-se solitárias, abandonadas e incompreendidas. (…)”

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Apostasia pessoal

Apostasia é um conceito frequentemente empregado por santos dos últimos dias para se referir, (1) num sentido histórico, à transformação do cristianismo original e sua perda de autoridade divina e, (2) num sentido individual, a uma forma de decadência espiritual ou desobediência a princípios divinos. Continuar lendo