Primeiro de Abril

01 de abril de 2014. Esta data entrou para a história do Mormonismo no Brasil, e talvez no mundo.

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

Orson Wells anuncia para o mundo a descoberta da Zarahemla

O diretor americano Orson Wells, repetidamente eleito como um dos melhores cineastas na história do cinema, adaptou a novela ‘Guerra dos Mundos’ de H.G. Wells para o rádio em 1938. Em seu primeiro episódio, em 30 de outubro, a primeira metade da encenação consistia em boletins de noticiário cobrindo a fictícia invasão da Terra por alienígenas de Marte. Apesar do aviso no início do programa, muitos ouvintes pegaram o show já em andamento, e uma parcela deles acreditaram no que ouviam como se fôra noticiário normal, resultando em um pequeno pânico público. Centenas de pessoas ligaram ansiosas para as estações da CBS para confirmar as notícias, e nos dias seguintes, para reclamar de haverem sido enganadas.

Da mesma maneira que 30 de outubro de 1938 entrou para história do rádio, este 01 de abril p.p. entrou para a história do Mormonismo. O site Vozes Mórmons publicou uma brincadeira de Primeiro de Abril que se espalhou rapidamente (viralizou, como se diz em internetês) enganando dezenas de milhares de Mórmons no Brasil e mundo afora. Até o presente momento, mais de 27 000 pessoas acessaram o artigo, com quase 10 000 compartilhamentos na rede social Facebook e mais de 30 000 visualizações por lá, tornando-a a “pegadinha” Mórmon mais bem-sucedida no Brasil e talvez no mundo (se alguém souber de uma que tenha conseguido maior divulgação e penetração, comente dela abaixo, por favor).

Piadas bem-sucedidas à parte, o que realmente permanece de importante são as questões levantada por este episódio. Por que a brincadeira foi tão crível? Como os Mórmons brasileiros reagiram? O que suas reações dizem a respeito da cultura Mórmon? Quais conceitos científicos podem iluminar nosso entendimento dele?

“O teste de uma boa religião é se pode-se fazer piadas com ela.” ― G.K. Chesterton (Escritor, filósofo, e apologista Cristão… influente na conversão de C.S. Lewis, apologista queridinho dos profetas SUD)

Ninguém nunca fica feliz ao cair numa brincadeira ou pegadinha. Muitas pessoas acham graça de fazer (ou assistir) outras pessoas caírem em brincadeiras ou pegadinhas. Existem motivos psicológicos e neuro-cognitivos específicos e claros para isso, e não, não é hipocrisia ou falta de caráter. Consideremos uma breve introdução a alguns dos conceitos científicos e lógicos mais conhecidos e melhor estudados antes de analisar o comportamento dos Mórmons diante desta brincadeira recente.

Viés de Confirmação

Viés de Confirmação é um fenômeno reflexo de neuro-cognição através do qual pessoas tendem a prestar mais atenção a informações que confirmem suas crenças, opiniões, ou hipóteses e ignorar informações que as contradigam. Leitura, busca, interpretação ou até memória enviesada reforçam tais crenças por ressaltar quaisquer dados confirmatórios (mesmo os insignificantes ou irrelevantes) e ignorar os desconfirmatórios (descaracterizando-os, invalidando-os, ou simplesmente ignorando-os), podendo resultar em um aumento de Polarização de Atitudes (ver abaixo) e Ilusão de Compreensão (ver abaixo).

Polarização de Atitudes

Polarização de Atitudes é o fenômeno psicológico através do qual pessoas aumentam sua confiança e certeza em suas crenças ou opiniões quando oferecidas informações e evidências neutras (ambíguas) ou contraditórias, ao invés de racionalmente re-considerar suas posições iniciais. Este fenômeno ocorre, em grande parte, como consequência de como tais pessoas abordam as evidências (i.e., sob viés de confirmação).

Ilusão de Compreensão

Ilusão de Compreensão é o fenômeno neuro-cognitivo através do qual pessoas experimentam sensações de elação através da falsa percepção de compreensão de determinado assunto ou tema. A sensação de regozijo está presente mesmo quando confrontado com informações contraditórias por causa do viés de confirmação.

Pensamento de Grupo

Pensamento de Grupo é o fenômeno psicológico coletivo onde um grupo de pessoas incentivam harmonia ou conformidade como maneira de evitar conflitos ou dissonância, resultando em ideações ou pensamentos coletivos irracionais, disfuncionais, ou distópicos. O fenômeno é estruturado e reforçado através de mecanismos sociais como Pressão de Grupo, Coesão de Grupo (i.e., nós contra eles), supressão de opiniões divergentes, imposição de lealdade, e isolacionismo.

Condicionamento de Thorndike

Condicionamento de Thorndike, ou a Lei de Efeitos, é o fenômeno neuro-cognitivo através do qual comportamentos são condicionados através de repetidas exposições a consequências imediatas. Consequências agradáveis ou prazerosas tendem a incentivar a repetição de determinados padrões de comportamentos, enquanto consequências desagradáveis ou desprazerosas coibam subsequentes comportamentos. Este fenômeno é fundamental na modelagem de Pensamento de Grupo. (Ver Edward L. Thorndike)

Reforço de Skinner

Reforço de Skinner é uma expansão do conceito de Thorndike, através do qual o processo de repetição — e exposição repetida — a estímulos condicionadores amplificam exponencialmente seus efeitos sobre comportamento, inclusive modulando até crenças e modos de pensamentos. (Ver B. F. Skinner)

Obediência de Milgram

Obediência de Milgram é o fenômeno psicológico através do qual indivíduos se sentem aliviados de suas próprias consciências ou considerações pessoais de ética ou moralidade quando expostas à figuras de autoridade, mesmo quando estas lhe forçam instruções que violem suas crenças, opiniões, ou ética pessoais. Posto doutra maneira, pessoas disponibilizam com naturalidade suas crenças e opiniões mais íntimas quando confrontadas com o desconforto de ter que desobedecer ou se opor à uma figura de autoridade. (Ver Stanley Milgram)

Efeito de Forer

Efeito de Forer é um fenômeno psicológico através do qual pessoas tendem a buscar encaixar-se pessoalmente em quaisquer descrições vagas e generalizadas sobre si mesmas, desde que seja positivo e enaltecedor, sem qualquer valor de correlação. Consequentemente, indivíduos buscam informações que as façam sentir-se boas, inteligentes, morais, éticas, e sábias, mutilam as informações existentes para que as pareçam dizer isto, ou ignoram as informações negativas ou contrárias. (Ver Bertram R. Forer)

Dissonância Cognitiva

Dissonância Cognitiva é um fenômeno psicológico através do qual indivíduos sentem desprazer e dor ao se confrontar com duas crenças, ideias, ou ideais mutuamente conflitantes. Consequentemente, quando assim confrontados, o instinto natural das pessoas é sempre reduzir ao máximo a dissonância ao evitar expor-se a informações que possam resultar em informações conflitantes, deturpar ou ignorar uma ou mais informações conflitantes, ou simplesmente negar sua existência. (Ver Leon Festinger)

Argumentum ad Hominem

Argumentum ad Hominem é uma falácia lógica não-estrutural que consiste em vilipendiar o autor de alguma informação ou argumento que produza dissonância cognitiva apenas para descreditar a informação ou o argumento e possibilitar ignora-los, sem quaisquer ponderações sobre a validade da informação ou do argumento em si mesmas.

Esta é uma lista certamente não exaustiva de lida psicológica diante de aflição psico-cognitiva. Quem se lembrar de mecanismos ou táticas não discutidas aqui, por favor incluam-nos nos comentários abaixo, com breve descrição ou explanação para o benefício de todos.

É importante salientar que todos estamos expostos e vulneráveis a estas abordagens reacionais e irracionais, pelo simples fato de construção neuro-arquitetural. A importância de se discutir, explorar, e ilustrar tais desvantagens neuro-cognitivas é, justamente, aprender a estarmos mais conscientes deles e, dentro de limite do possível, em controle.

Reações Mórmons

Havendo discutido alguns dos mecanismos psicológicos pelos quais todos nós enxergamos o mundo, e que todos precisamos sobrepujar para levar uma vida mais ponderada e racional, ilustremos com reações concretas de Mórmons que leram a brincadeira em questão. Seria útil le-los com os critérios discutidos acima em mente, analisando quais destes mecanismos irracionais (e naturais) estão exibindo, como nós usamos os mesmos mecanismos episodicamente, e como eles poderiam ter reagido diferentemente se estivessem conscientes destes reflexos psicológicos.

Os comentários abaixo são retirados, sem edição (exceto um, que era longo e desconexo demais), daqui do site e do Facebook.

Como era de se esperar (embora ninguém aqui realmente acreditasse que a piada atingiria além dos nossos leitores usuais), muitos Mórmons perceberam imediatamente a piada.

Nem percam seu tempo. O link da matéria original dá num texto explicando sobre o dia da mentira. IÉ, IÉ! Pegadinha do Mallandro!!!

Impressionante como as pessoas acreditam cegamente nas notícias que encontram na internet.
Que essa sirva de lição.

Mas foi uma pegadinha de primeiro de abril bem legal. Como diria Silvio Santos: “bem bolado, bem bolado”.

Calma gente! O templo existe, os pesquisadores existem, mas foi exagerado um pouco pra virar uma brincadeira! Os contra que se acalmem, e nós, os “a favor” que demos risadas pois isso nao abala o nosso testemunho. bom dia a todos

qual a fonte ??? Nem o site oficial da igreja publicou isso ai, é por causa do 1º de Abril?

Seria legal se não fosse pegadinha de 1º de abril

A notícia é falsa. Se vc clicar no link da matéria original vai ver que é um texto sobre primeiro de abril! Eles publicaram essa matéria ontem no dia da mentira! Por favor, não a repassem mais!

Coloca-se uma notícia dessas logo no dia 01 de abril!
Assim eu desconfio…
rsrsrsrsrsr

Feliz Dia da Mentira 🙂

kkkkkkkkkkkkkk

As pessoas ainda criticam… Isso que dá serem crédulas, e não lerem o que é publicado, não usarem o raciocínio, e serem levadas somente pela emoção, aliás isso ocorre muito na igreja, basear crenças em achismos, ou em ouvi tal pessoa falar!

Infelizmente, a maioria dos Mórmons que leu o artigo — ou mais provavelmente, o título do artigo — acreditou na notícia… com entusiasmo.

MARAVILHOSO

VEJAM QUE GRANDE DESCORBERTA

Fico muito feliz com esta descoberta!

CHUPA! !

Toma

Show…

Agora quero ver algumas pessoas falarem que o Livro de Mormom foi inventado…

Não posso deixar de dizer “Ah, eu já sabia!”… Kkkk

Ainda tem gente que diz q livro de mormom não é verdadeiro…

A Igreja É Verdadeira

Eu acredito, é um estudo sério,o futuro dirá!

Mais comprovacoes da veracidade so Livro de Mormon.Muito legal, não que sejam necessárias comprovações científicas, mas para quem só “acredita vendo”, pense melhor.

mais uma prova para mostrar a veracidade de que A igreja de jesus cristo dos santos dos últimos dias é a única verdadeira

“E todos os povos ouviram e saberam que isso é verdade!”

Para os que tb querem provas cientificas de O Livro de Mórmon está ai mais uma! mas eu particularmente já sei que ele é verdadeiro sem precisar de provas científicas porque eu já o li inteiro e o espirito testificou a veracidade do livro. , mas essas provas cientificas tb é boa para confirmar oque já sabemos. Como diz nas escrituras: “Não obtereis testemunho senão depois da prova de vossa fé”

Na verdade existem muitos outros resquícios arqueológicos nas Américas da presença do cristianismo mesmo antes dos colonizadores do velho mundo…

E muitos outros, quer tenham acreditado ou não a princípio, decidiram tomar ofensa e proferir condenações.

Quero fazer um alerta. (E talvez isso seja polemico, mas não importa). Trata-se de meu posicionamento a respeito do blog “Vozes Mórmons”. Desculpe pelo tom de exortação. Mas senti a necessidade de manifestar-me sobre este assunto… distorcem a verdade, omitindo fatos históricos, citando assuntos polêmicos com referencias equivocadas, distorcendo a ordem dos acontecimentos e debochando da verdade revelada. Quando esses sites são claramente identificados como “anti-mormons” – não há tanto problema – pois se percebe, de pronto, qual a intenção dos autores.

Brincadeira infeliz, por se tratar de um site em quem deveria preservar a verdade…. Sinto mas não confiarei mais neste site que manipula informações com um cunho que deveria refletir sempre a verdade. Adeus site.

Nao e falta de humor. E sim ter consciencia de que isso pode servir como um prato cheio para os anti-mormons, jah q muitos mormons desavisados estao postando em seus Facebook achando a ‘veracidade do Livro de Mormon. ‘ Te liga. Esse tipo de brincadeira eh sem senso nenhum e nao tem graca!

Nossa, mancada de vocês… Tem gente publicando e compartilhando no face, isso pode gerar muita confusão. Quando dizerem e publicarem que é mentira, não vão divulgar do mesmo jeito.
Repetindo, pode causar muita confusão. Principalmente quando se trata da crença religiosa. Brincadeira pode ser feita, só se quem for vitimado seja o autor.

Palhacada….site podre…

Em nossa crença não se brinca com assunto sério, tão pouco achamos importante um dia da mentira, Os fatos e pessoas do Livro de Mormon só estão começando vir a tona, Por ai ainda vem muito mais, Abração pra quem dizia que ers mentira.

q otario

Muito decepcionada com esse site. Como podem brincar assim com as coisas do Senhor? É realmente uma pena ver isso!

Pode isso? se for pegadinha do blog não tem graça nenhuma? isto pode afetar seriamente a vida de milhares de pessoas não é coisa de se brincar.

Já fazem piada com tanta coisa sobre a Igreja. As pessoas estão compartilhando em redes sociais, prestando testemunho em cima dessa informação. Isso só vai fazer os membros sejam mais ridicularizados. Quem não é membro vai dizer… Esses mórmons acreditam em tudo mesmo. Eu acho que assuntos que tratam do Evangelho não devem ser envolvidos em nenhum tipo de brincadeira. É desrespeito. Não se trata de qualquer religião, é a Igreja verdadeira. Só isso.

Por que sera que essa informação só esta rolando aí no Brasil? Aqui nos EUA a BYU não anunciou tal coisa não. Mesmo com a maior das boas intenções, mentiras com o nome da igreja podem desonrar o bom nome da igreja. Se o mentiroso for pego corre o risco de ser escumungado e proscessado!

Nem Jesus Cristo agradou a todos…porisso sempre haverá polemica em relação a verdade encontrada…se acharem as placas de ouro e mostrarem para esses idiotas que não acreditam em nada, tb não vão acreditar que o livro de Mórmon foi escrito atravez dessas placas…infelizmente é assim mesmo…

Independente de provas científicas, a verdade é que o Livro de Mórmon é verdadeiro.

Um comentário, contudo, merece destaque por tentar amenizar a avalanche de reações negativas e contextualizar dentro de um paradigma de crença e fé que ajudasse os Mórmons indignados a manter suas crenças e ainda assim reagir racional e coerentemente.

Triste imaginar que tantos irmãos(a) que se dizem “fieis membros da única e verdadeira igreja viva sobre toda a face da terra” necessitem tão desesperadamente de evidências históricas que comprovem a autenticidade ou não do livro de mórmon. Como se ruínas,pinturas rupestres,ou qualquer outra comprovação histórica fizessem qualquer diferença em relação a “Fé”. É por isso que fico chocado com os comentários negativos sobre a “brincadeira” do Marcello, afinal se amanhã ou depois fossem encontradas a Arca da Aliança, o cajado de Moisés ou as ossadas de Cristo isto mudaria a fé Cristã ? seria mais ou menos verdadeira?

Considerações

Embora muitos Mórmons tenham percebido, e até achado graça, na brincadeira, é indiscutível que muitos mais ficaram mal-humorados e ranzinzas com ela, reagindo com tristeza, hostilidade, agressividade e até rudez. Além disso, a maioria absoluta simplesmente caiu na brincadeira, acreditando na notícia falsa e passando-a adiante com efusividade, isto não obstante a nota de rodapé claramente demonstrar que o artigo era falso!

O falso artigo de 01/04/2014 trazia um link para esta página como referência da notícia. Quantos leitores acessaram-na? 2 035, de bem mais de 20 000 acessos, ou menos de 10%!

O falso artigo de 01/04/2014 trazia um link para esta página como referência da notícia. Quantos leitores acessaram-na? 2 074, de bem mais de 27 000 acessos, ou menos de 8%!

Isto talvez seja um dos dados mais intrigantes em todo este episódio.   Menos de 8% dos 27 000 acessos diretos ao artigo se deram o trabalho de checar a fonte da notícia para averiguar sua procedência. E isso sem contar nas dezenas de milhares de pessoas que leram o título e chamada da matéria no Facebook e passaram-na adiante sem sequer checar o artigo em si.

Seria muito fácil dispensa-los como preguiçosos ou ignorantes, mas a verdade provavelmente é um pouco mais complexa do ponto de vista psicológico.

A realidade é que na cultura Mórmon dá-se uma importância exagerada à autoridades. Obediência cega aos líderes sem questionamento é a palavra de ordem, o que condiciona Mórmons a atribuirem relevância máxima à pessoas em posições de autoridade. Lê-se num artigo que autoridades (experts) em arqueologia encontraram algo, então não cabe discussão.

Esta ênfase em obediência a autoridade é muito útil em coesão social e em sucesso nas carreiras profissionais, além de ser muito propício para Pensamento de Grupo. Neste, condiciona-se a não questionar opiniões coletivas, por mais absurdas que possam ser. Não existe exemplo mais claro, para Mórmons, que a historicidade do Livro de Mórmon. O Livro de Mórmon postula que os Ameríndios são descedentes de Israelitas pré-Babilônicos, e o condicionamento coletivo de Pensamento de Grupo impossibilita o indivíduo Mórmon de questionar esta postulação. Como não há nem uma única peça de evidência arqueológica, linguística, literária, biológica, genética, ou histórica que apoie tal postulado, esta crença gera uma quantidade exagerada de dissonância cognitiva quanto mais se enfatiza importância nela. Tamanha dissonância explicaria qualquer busca angustiada por alívio, na forma de informações novas que reduzam-na — assim como uma pessoa afogando se debate intensamente por uma bóia.

Esta foto está correndo pelas redes sociais esta semana antes da Conferência Geral. Quantos Mórmons não acreditaram que não é uma montagem?

Esta foto do lutador Anderson Silva está correndo pelas redes sociais esta semana antes da Conferência Geral. Quantos Mórmons não acreditaram que não é uma montagem?

O descuido para checar a procedência e relevância da notícia espúria é inteiramente compreensível por causa do viés de confirmação. Como se trata de uma notícia que confirma, ao invés de desconfirmar, uma crença pessoal importante e íntima — especialmente uma que gera grandes quantidades de dissonância cognitiva — não há realmente necessidade de checa-la. Sabe-se, intimamente, que é válida. Esta é, no final das contas, a natureza irracional e ilógica destes mecanismos psicológicos para redução de dissonância, confirmação da identidade de grupo, e do indivíduo (através do efeito de Forer).

Um observador neutro recomendaria reestruturação das crenças irracionais que causam tamanha dissonância cognitiva, mas além dos problemas pessoais (i.e., efeito de Forer e viés de confirmação), seria necessário, neste caso, vencer obstáculos coletivos enormes que, por serem coletivos, exponeciam-se. Pensamento de grupo, modelado por décadas de condicionamento e reforço, e estruturados por obediência à autoridade torna o paradigma quase que insuperável, ao menos em âmbito individual.

As reações, especialmente as negativas, oferecem ainda mais confirmação para os modelos psico-cognitivos construidos acima. Conflitados entre o forte desejo do viés de confirmação e repulsados pela dolorosa desconfirmação que apenas serve para ressaltar a sempre presente dissonância cognitiva, reduz-se-la através de polarização de atitudes reforçada por ilusão de compreensão, colorida com uma agressividade ad hominem para selar e isolar a dissonância o mais hermeticamente possível.

Infelizmente, o grande problema é que tais mecanismos psicológicos apenas apresentam uma ilusão de conssonância cognitiva e falsa sensação de harmonia coletiva. O grande problema de deserção na Igreja é apenas um sintoma desta desarmonia coletiva — e a resposta não é intensificar o pensamento de grupo e o foco em obediência a autoridades. A solução, complexa por natureza, incluiria uma reestruturação de paradigmas de modo a permitir maior flexibilidade intelectual e social e uma avaliação mais honesta, aberta, e auto-reflexiva, tanto do indivíduo, como do coletivo.

Enquanto se insiste nos modelos cognitivos antigos e ultrapassados, expõe-se os Mórmons a uma ingenuidade social e puerilidade intelectual que os deixa presas fáceis a todo tipo de embustes, mesmo os de Primeiro de Abril!

Conclusão

A brincadeira expôs algumas angústias e ansiedades latentes na comunidade Mórmon brasileira e, talvez por preencher esta lacuna, atingiu sucesso em se auto-propagar dentro da comunidade. Estas angústias e ansiedades têm raízes em falhas (pessoais e comunitárias) de treinamento e educação em pensamento crítico, raciocínio lógico, e auto-reflexão.

Leitura e educação em técnicas e abordagens acadêmicas e racionais, pensamento crítico, e mecanismos lógicos para lidar com estresse cognitivo focando em falhas de viés, falácias lógicas, e ilusões psicológicas ajudariam a remediar e reduzir tais angústias e ansiedades. Tal exercício poderia, até, ajudar a fomentar uma fé revigorada e mais saudável, tranquila numa coerência mais racional e lógica. Aqui seria um bom lugar para se começar.

Enquanto ponderamos os motivos e os significados desta brincadeira Mórmon de Primeiro de Abril, alguém poderia se voluntariar para inclui-la na lista de “peças do dia da mentira que ficaram famosas“?

53 comentários sobre “Primeiro de Abril

  1. Me lembrou uma vez que quando eu abençoava o sacramento, eu e meu amigo Mestre tinhamos o costume de pegar um pedaço do pão pra comer depois durante a sacramental e cortava o restante pra congregação. Acontece que uma vez o pão distribuido pelos diaconos estava acabando e não ia dar para todo mundo. O Bispo então pediu para os diaconos voltarem para eu e meu amigo cortar em mais pedaços. Então sem que ninguém percebesse, peguei um pão escondido debaixo da mesa, coloquei na bandeja e cortamos um monte de pedaços. Como era reunião de testemunho, um irmão se levantou e disse no pulpito: “Hoje testemunhamos um milagre. O pão do sacramento foi multiplicado”. O que eu vejo é tanta expectativa de acontecer uma grande coisa como uma descoberta cientifica, um exorcismo, ver um anjo no templo, que dá a impressão que não acreditam de verdade no que pregam

    • Peri Barros, eu li 10 vezes seu comentário. ele foi ótimo. parece que não acreditam em nada tamanha escassez de evidências.

    • Porque eu não achei inteiramente relevante. Todas as vezes que eu chequei, o link me levava para a página correta (ver print screen incluído acima). O mesmo número de pessoas que se queixaram do link escreveu dizendo que, para elas, o link funcionava normalmente. E, mais importantemente, menos de 8% das pessoas que acessaram o artigo no site sequer tentou checar o link! Isso sem falar que a maioria das pessoas que leram a “notícia” o fez direto do Facebook, sem sequer se dar o trabalho de acessar o artigo. Levando tudo isto em consideração, a quantidade de pessoas (como você) que tiveram problemas com o link é uma minoria tão baixa que não representa relevância estatística — isto é, mesmo que exageremos muito pra cima, o problema pode ter afetado entre 0,5 e 4% de todas as pessoas que leram (e compartilharam) a “notícia”, mas provavelmente menos. Não alterou significantemente a evolução dos eventos.

      • Esta brincadeira também contribuiu estatisticamente para comprovar que não só a maioria dos membros da igreja sequer checam as fontes como também a maioria dos que se dizem leitores na internet checam fontes das notícias ou leem a matéria por completo. Percebo exatamente isso quando acesso as páginas da Folha de SP, O Estadão e a Veja no facebook, a maioria das pessoas opinam e tiram conclusões próprias e precipitadas apenas por julgarem a imagem e o título da matéria sem ao menos sequer terem o mínimo senso de clicar no link para lerem a matéria por completo para depois, claro, opinarem sobre o assunto.

      • Vi vários compartilhamentos e fui chegar e vi que era uma brincadeira, na mesma hora fui avisando as pessoas que compartilharam. Isso é um mal que acontece com a maioria das pessoas, não só membros da igreja, saem compartilhando tudo que leem. É sempre bom verificar uma informação em várias fontes.

  2. Quando li, brevemente, o texto sobre a cidade Nefita tive dúvidas sobre sua veracidade, mas não lembrei que era 1º de abril. Pensei também que os administradores do blog não fariam essa brincadeira, cheguei a pensar isso. Ironicamente, li um outro texto dois dias antes da pegadinha. Enviei esse texto à você, Marcello Jun, questionando se poderia confiar ou não no outro blog…rsrs Porque no Vozes confio de olhos fechados. Viu, disse confio e não confiava! Agora ficarei mais alerta no próximo 1º de abril. 🙂

    • Confia no vozes!!!
      Eu sou fã incondicional!
      Eles são os melhores que eu já vi!
      Após o vozes, a apostasias subiu a um novo patamar. Sempre comento com alguns amigos. Esses caras são bons, têm conhecimento e sabem como utiliza-lo, comparados a outros apóstatas eles dão show. Espero que eles continuem fazendo o necessário papel deles em nosso processo de aperfeiçoamento pessoal.

      • Hahahahaha! Boa, Alex.

        Se todos os membros pudessem ler o nosso site e sair daqui com uma fé racional, sofisticada, tolerante e bem informada, haveremos cumprido com nossa missão.

  3. Parabéns por este excelente trabalho. Foi muito interessante ler uma abordagem de cunho psicológico sobre esta temática. Porém, como sociólogo, devo acrescentar mais uma questão que faz com que as pessoas não se “deem o trabalho” de checar o link; este, de cunho socioeducacional. Não só aqui no Rio de Janeiro, mas em todo o país o sistema de ensino está muito precário. Tenho vários alunos no 3º ano do ensino médio sem saber ler e escrever e terei que aprova-los “por ordens superiores”. E isto não é algo exclusivo das unidades públicas de ensino. Salvo raríssimos casos de escolas de qualidade, o sistema educacional brasileiro está muito precário.
    Sei que o foco do artigo não foi abordar a questão sociologicamente, mas penso que esta é uma questão-chave para se pensar este ponto da não-verificação do link.

  4. Pingback: Aniversário: Ano 3 | Vozes Mórmons

  5. Ainda penso que os propagadores desta ofensa e autores deste e de outros artigos deveriam sofrer sérias punições da Igreja SUD, talvez mesmo a excomunhão

    • E viva a Inquisição, não é, JJP-1985?
      (se você não souber o que foi a Inquisição católica, procure numa enciclopédia ou na Internet)

  6. Respeito sua critica, mas não concordo, nem um pouco! A “obediência cega” como você chama talvez seja um pouco perigosa, pois pessoas assim como você podem usar da habilidade de falar ou escrever bem, para levar muitas pessoas a acreditarem em coisas contrárias à Igreja, assim como Corior.
    Na Bíblia, Abraão, assim que recebeu um mandamento de sacrificar o filho, o fez sem questionar, ai você vai me dizer ah! Um anjo apareceu para ele, isso prova que foi da vontade do Senhor, o que me diz do exemplo de Néfi? Leí pediu para que eles retornassem à Jerusalém para pegar os registros, Néfi questionou? Que eu saiba não, ainda por cima escreve-se “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”, ele não questionou, então seria uma “obediência cega”, como você diz, não seria?
    O que eu quero dizer, quem está errado, quem “obedece cegamente”, ou quem, sem inspiração alguma, dá ordens ou fazem afirmações falsas?
    Quando você posta alguma coisa em homenagem ao Dia da Mentira, com o intuito ou não de mostrar para as pessoas que elas devem verificar a fonte, se é confiável ou não, muito embora eu concorde de que as pessoas devam fazer pesquisas relacionadas à Igreja somente em sites confiáveis, você descredibilizou o seu site, à partir de agora, se eu der importância ao que você posta, eu vou verificar se o que foi falado é de confiança ou não, pois você mesmo não pode assegurar.

    • A estória bíblica de Abraão e Isaque é talvez um dos contos mais vis e imorais na literatura sacra humana.

      Isto numa coleção de textos sacros (i.e., a Bíblia) que justifica a matança indiscriminada de mulheres e crianças de outras religiões, regulamenta a escravidão de mulheres virgens para coerção sexual/matrimonial, obriga uma mulher vítima de estupro a casar-se com seu estuprador, exige que escravos sejam submissos a seus mestres Cristãos, claramente permite a escravidão humana em geral, regozija quando não-Cristãos serão torturados durante 5 meses sem morrer por causa de sua descrença, proibe mulheres de falar em público, ou de chefiar ou liderar homens em quaisquer capacidades, e obriga mulheres a serem completamente submissas e obedientes a seus maridos, mesmo aos que sequer são bons Cristãos.

      Que você, ou qualquer pessoa, ainda utilize este conto para justificar “obediência cega” é tão estúpido e imoral que serve de argumento perfeito contra qualquer sugestão das virtudes da “obediência cega”.

      Ou você assassinaria seu próprio filho se Thomas Monson lhe ordenasse?

      • Mas você não respondeu sobre o meu outro exemplo, o de Néfi! Se você passou pelo Templo talvez se lembre da experiência de Adão, que seguia aos mandamentos do Senhor, mas não sabia o porquê, exceto que o Senhor ordenou!
        Posso citar vários outros, que excluam Abraão da lista. Mas o problema é que você tinha dito que fez essa falsa reportagem porque queriam alertar aos membros que eles são presas fáceis daquelas pessoas que perseguem nossa Igreja, porém você faz o mesmo, tenho certeza que as pessoas que foram enganadas pela sua afirmação não serão condenadas por isso quanto aquelas que enganaram essas pessoas.
        Triste ver uma pessoa com tanto conhecimento, ou inteligência, usando isso para causar polêmica, julgando as pessoas, suas crenças, ou mesmo sua “obediência cega”. Não sei qual o seu intuito em fazer esse blog, mas com certeza não é o de divulgar a Igreja, mas sim de polemizar os ensinamentos.

      • André, você obviamente não sabe o que significa ignorância. Se você se desse o trabalho de ler um dicionário, veria que “acreditar” em algo cegamente, sem expo-lo a escrutínio intelectual, é praticamente a própria definição de ignorância.

        E, por favor, nada de desonestidade — você está deturpando as minhas palavras para tentar apoiar um argumento cretino por obediência cega. Ninguém aqui está “desacredita[ndo] a fé das pessoas” dizendo que, por sua fé, elas tem “preguiça intelectual ou moral”. Você pode ter fé no que você quiser. Fé, por definição, é um exercício irracional e ilógico como amor, paixão, e gosto estético ou artístico e por isso merece a liberdade de expressar-se divorciado de razão ou lógica. Mas a “obediência cega” é, sim, preguiça intelectual e torpeza moral, justamente porque o indivíduo delega a outra pessoa ou partido todo o esforço de pensar em dados, medir fatos, avaliar argumentos, além de todo o processo de ponderar e considerar a moralidade e a ética desta ou daquela proposição. Havendo delegado estas tarefas intelectuais e morais para terceiro partido, este indivíduo abstém-se do labor e da responsabilidade de um ser ético e pensante.

        Sabe que é triste, de verdade? Mórmons que, ensinados desde o berço que o maior de todos os dons divinos é o livre arbítrio, decidem como adultos obediência cega. Aliás, veja o que Joseph Smith disse sobre isso.

    • Ademais, você profundamente falhou em compreender o texto acima.

      Eu sugiro que você, ou qualquer outra pessoa, duvide de todas as informações publicadas no nosso site.

      Eu espero que você, ou qualquer outra pessoa, duvide de todas as informações publicadas no nosso site.

      Eu quero muito que você, ou qualquer outra pessoa, duvide de todas as informações publicadas no nosso site.

      Apenas quando lemos tudo com olhar crítico, e checamos as fontes e os dados por nós mesmos, e avaliamos os argumentos com cuidado, podemos dizer que formamos uma opinião informada e coerente.

      Acreditar no que se lê apenas porque se “confia” no autor do que se escreve é a própria definição de preguiça intelectual — e, em alguns casos, torpeza moral.

      EM TEMPO: Eu citei a Teoria de Stanley Milgram sobre “obediência à figuras de autoridade”. O trabalho científico de Milgram é justamente sobre esta falha humana comum: Pessoas, quando confrontadas com dilemas morais, permitem-se ignorar o que lhes parece certo ou ético por deferir seus julgamentos a alguma figura de autoridade. “Obediência cega” ou “sites confiáveis” é justamente o que a maioria das pessoas faz para reduzir a angústia interna resultante de tal preguiça intelectual e moral. Eu lhe sugiro que leia um pouco sobre a sua pesquisa.

      • Achar que as pessoas que acreditam cegamente o que acreditam em sites confiáveis têm preguiça intelectual e em alguns casos torpeza moral é, para mim ignorância! Enfim, quem está certo? Você, que cita filósofos para reforçar suas idéias, ou eu, que tenho minha própria opinião à respeito das coisas? Isso eu sinceramente não sei, mas descreditar a fé das pessoas dizendo que elas têm preguiça intelectual ou moral é ser arrogante demais para se discutir, eu, em algumas coisas obedeço cegamente, outras eu questiono primeiro vivo uma vida feliz da forma que eu considero que seja felicidade, me considero uma pessoa inteligente, e dou direito das pessoas expressarem suas opiniões livremente. É claro que, quando expressamos opiniões, principalmente publicamente, temos que aceitar retaliações, mas isso não quer dizer que nossa opinião mudará!

      • Sim, André, eu passei pelo Templo, e sim eu vi que um dos convênios básicos templários é de “obediência absoluta em todas as coisas”. Isto é uma infelicidade, porque este tipo de mentalidade é o ambiente sócio-cultural mais propício para a propagação de ideias imorais e anti-éticas.

        O exemplo de Néfi decapitando a sangue frio uma pessoa em torpor alcóolico desnecessariamente é outro exemplo de falta de ética e imoralidade crassa. Eu, se fosse você, também evitaria de usar Néfi como um exemplo dos méritos da obediência cega.

        O intuito do nosso site é muito simples, muito claro, e transparente ao público. O intuito da brincadeira de primeiro de abril foi o mesmo de qualquer brincadeira de primeiro de abril. A ponderação intelectual e psicológica teve mais a ver com a reação à brincadeira do que com a brincadeira em si.

        Quem está certo, você pergunta. Eu, que elaboro minhas opiniões com lógica e metodologia, e meus raciocínios com fatos, ciência, e filosofia? Ou você, que tem sua própria opinião… baseado em sua própria opinião?

    • André, o que é para você um site confiável? Um que só mostre versões pouco fiéis de eventos históricos? Que diga, por exemplo, que a Igreja SUD “não sabe” por que os negros africanos e seus descendentes tiveram seu acesso barrado ao sacerdócio mórmon? Ou que tente esconder ou minimizar o fato de que Joseph Smith declarou ter utilizado uma pedra posta dentro de um chapéu para “traduzir” o Livro de Mórmon? Que encorage os membros a acreditar na lenda de que o casamento plural foi praticado por causa de viúvas destituídas?
      E, deixando mesmo tudo isso de lado: qual é, exatamente, o problema de um site sério como este fazer uma brincadeira de 1o. de abril? Será que os membros da Igreja SUD estão tão condicionados a aceitar, sem qualquer discussão, qualquer coisa que leiam, que desligaram a sua capacidade de raciocinar?
      Em relação à Igreja Católica costuma(va)-se dizer: “Roma locuta, causa finita” (“Tendo Roma se expressado, a discussão está terminada”). Em relação à Igreja SUD, o que se vê é MUITO semelhante: “When the Prophet has spoken, the discussion is over” – acho que foi Bruce R. McConkie que escreveu isso.
      Qual a diferença?

      • Um site confiável é aquele site que publica informações confiáveis, achei que não precisaria dar um resposta tão óbvia. Eu, claro, não gostei da brincadeira feita pelo seu “site confiável”, apesar de nem ter me interessado em ler, só me interessei em ver por causa da polêmica.
        Existe uma coisa que não pode ser duvidada ou questionada, é o modo como as pessoas agem de acordo com a fé, ela é única para cada individuo, há alguns que precisam questionar para aprender, há outros que nem questionam e já fazem, quem está certo, quem está errado? O que é ser certo para você para julgar? Embora acredite firmemente que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias seja verdadeira, eu respeito sinceramente pessoas de outras religiões, que acreditam em coisas diferentes das minhas, não as julgo, se eles obedecem cegamente ou questionam, eles sabem o que é melhor para si.
        Você fala em liberdade em questionar, em não obedecer cegamente, mas se recusa em aceitar que as pessoas não gostem do que foi publicado aqui? Isso soa para mim como hipocrisia.

      • André, baseando-se nesta sua descrição de um “site confiável”, o Vozes Mórmons é o site Mórmon mais confiável que você pode encontrar na língua Portuguesa atualmente — inclusive, mais que o próprio site oficial da Igreja, que muitas vezes deixa de publicar “informações confiáveis” para publicar informações mais, digamos, aprazíveis.

        Agora, se os leitores são intelectualmente incapazes de distinguir entre uma discussão séria ou acadêmica e uma pegadinha (que leva, consigo, a prova de que ela é uma pegadinha), isto não impugna em nada o site, mas sim os leitores. Que dirá, então, dos leitores que não “gosta[ram] da brincadeira… apesar de nem ter [se] interessado em ler”? Pessoalmente, eu acho uma estupidez tremenda julgar qualquer texto sem se dar o trabalho de le-lo.

        Qual pessoa, que obedece a qualquer autoridade cegamente, pode dizer que “sabe o que é melhor pra si”? Uma pessoa que obedece qualquer autoridade ou preceito cegamente é uma pessoa que absteve completamente de qualquer faculdade intelectual ou raciocínio crítico, e consequentemente, não sabe absolutamente nada sobre sua condição humana.

        E, por favor, pense um pouco antes de escrever. Ninguém aqui se “recusa em aceitar que as pessoas não gostem do que foi publicado aqui”. Pode desgostar à vontade, pode criticas à vontade — aliás, você está desgostando e criticando livremente usando o nosso espaço, sob a nossa graça, no nosso site. O que não significa que os seus argumentos não tenham sido até aqui tolos, ilógicos, irracionais, ou simplesmente equivocados — e, por se expressar em público, está aberto a escrutínio público.

      • Você se esquece que tem co-responsabilidade sobre os erros que você induz as pessoas a cometerem. Vocês defenderam tantos conceitos e pensamentos que esqueceram de avaliar a si mesmos. Tudo que vejo são narcisistas criando polemica, se aproveitando de uma massa ignorante(fato comum para população brasileira) para chamar atenção para vos próprios.
        É tão difícil aceitar assim suas falhas? Vocês realmente precisam disso para alimentar seu ego?

      • Você se esquece, Jonatas, que ninguém foi induzido a erro. Como você mesmo confessou acima, a pegadinha estava deliberadamente documentada como uma brincadeira de primeiro de abril. Bastava ler com um mínimo de atenção. Você não acha que seria insultar Mórmons de idiotas se achássemos que isso não seria aviso suficiente?

        Você também ignora, Jonatas, a natureza da brincadeira de primeiro de abril. Talvez ler o artigo para o qual estava linkado a nossa brincadeira lhe ajudaria a entender do que realmente se trata uma brincadeira de primeiro de abril.

        Devo lembra-lo aqui que nós não aceitamos discussões pessoais (leia a nossa política de comentários). Se você quiser continuar comentando, faça-o sobre ideias e argumentos, e não sobre as pessoas que aqui estão debatendo-nas.

  7. André, desde que descobri este site li uma boa parte dos artigos aqui publicados e não encontrei nenhuma informação que não fosse confiável. A maioria dos artigos tem referências bibliográficas que comprovam o escrito, como digno de um site que promove ESTUDOS mórmons (e não para as pessoas “deixarem testemunho”, como se estivessem em uma reunião de testemunhos da Igreja SUD). Ou você pode indicar algo que não seja confiável – com exceção da brincadeira de Primeiro de Abril que, tanto pela data de sua publicação (justamente o “Dia da Mentira”), quanto pela impossibilidade de ser verídica (“cidade nefita”), era claramente um artigo para divertir as pessoas?
    Brincadeiras de 1.o de abril são feitas em todas as partes, em sites tão sérios quanto este, nas edições online de jornais e revistas. As pessoas leem, no primeiro momento levam a sério, mas logo “caem na real”, veem que é brincadeirinha, riem, e passam para outra. Já aconteceu com todo o mundo. Comigo, e com certeza com você também.

  8. Aliás, eu conferi as fontes na primeira vez escutei alguém comentar o assunto. Chequei o link, vi que era mentira, mas é triste acreditar que alguém se de ao trabalho de inventar este tipo de mentira apenas para realizar uma experiência social, que não tem nenhum valor científico.

    • Jonatas, parece que você não leu o post com cuidado ou atenção. Onde você leu que a pegadinha foi escrita “apenas para realizar uma experiência social”?

      Parece, também, que você não aprendeu sobre ciências no ensino médio. De onde você tirou a noção que “valor científico” não é graduado e hierarquizado, e que não existem testes observacionais?

      Ler direito os textos antes de comentar sempre ajuda, Jonatas. Não ser ignorante sobre o assunto comentado, também. #FicaDica

    • Primeiramente, quem é você para “dar uma lição de moral” nos membros? Você por algum acaso recebeu um chamado do profeta pra fazer isso? Doutrina do homem. Não importa se tinha o tal do link no final, seu artigo, em um primeiro momento, fez referência à conhecimentos muito sagrados e enganou muitas pessoas. Pessoas que, não por serem “preguiçosas” deixaram de acessar ao link (que foi uma brincadeira muito infeliz meu amigo). Minha avó, por exemplo, mulher com uma fé inquebrável, com certeza não teria notado esse detalhe, e talvez por já conhecer o site não achou que este seria capaz de publicar algo que não fosse verdade, pois isso seria ridicularizar nossa religião. E sinceramente, nao acho que ela receberia a culpa por ter compartilhado algo que nao fosse verdade, não havia maldade no coração dela, muito pelo contrário. Eu mesma, que tenho 15 anos e lido mais com essas coisas, acreditei. Entendo que sua intenção pode não ter sido está, ate acho que é muito importante concientizar os membros de que nem tudo que lemos por aí é verdade. Mas infelizmente, a maneira como você tentou fazer isso foi a pior possível. Sinto muito. Afinal, Jesus Cristo jamais enganou ninguém para tentar ensinar alguma coisa, estilo “pegadinha do malandro” “Glu glu yeah yeah”. Repense.

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