Honrando a tradição internacional do mormonismo

A liderança majoritariamente norte-americana da Igreja sud contrasta hoje com seu enorme avanço em países como o Brasil e México. Os primórdios do mormonismo, porém, mostram como a inserção de imigrantes foi um ponto que certamente moldou a igreja. A migração sempre foi um tema presente no mormonismo. Eliott Mourier, um pesquisador francês que estuda as migrações atuais de mórmons da América Latina para a Europa, nos relembra que

Os fluxos migratórios dos primeiros santos dos últimos dias foram um elemento fundador decisivo da edificação e do desenvolvimento da Sião mórmon. Essa dimensão histórica, bem conhecida por todos os membros da igreja deixou para as gerações seguintes da Igreja, um “legado migratório” bem presente nas mentes de todo santo dos últimos dias. [1]

Essa tradição migratória sofreu evidentemente suas mutações a ponto da migração para Utah ser inclusive desencorajada por líderes da Igreja no séx. XX. Mas ela sem dúvida marcou a Igreja sud com o seu potencial de ser uma instituição transnacional:

‎Mormonismo, como metodismo e catolicismo, foi um movimento transnacional desde o início. Mórmons não eram mais ou menos “americanos,” e não mais ou menos “ocidentais”. De fato, a igreja foi internacional quase desde de seus primórdios e em alguns momentos, membros no exterior eram em maior número do que membros nos EUA. (Laurie F. Maffly-Kipp em A Plea for the West?)

Honrar tal tradição pressupõe que possamos também nos apropriar da história mórmon e produzir conhecimento sobre o mormonismo em nossa realidade. Hoje, ao empreendermos o estudo da história mórmon, muitas vezes nos escapa essa perspectiva internacional. Até hoje, por exemplo, não temos uma história escrita da Igreja sud no Brasil, sabemos poucos detalhes sobre a história mórmon em alguns países. Em suma, nos confinamos intelectualmente à pobreza de ler nossa própria história por uma ótica norte-americana. A iniciativa da ABEM de promover os estudos sobre mormonismo neste país, esperamos, terá um efeito benéfico de pensarmos a tradição mórmon como uma tradição plural e que pode ir além da historiografia produzida nos EUA.

[1] Mormonismo e migrações: a religião como rede de segurança dos processos migratórios transatlânticos. (Trabalho a ser publicado este ano pela ABEM)

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