Desastres Naturais, Parte do Castigo de Deus?

Ao ver a devastação do furacão Harvey, o pastor cristão conservador John McTernan argumentou recentemente que “Deus está destruindo sistematicamente a América” devido à sua ira com a “agenda homossexual”.

Houston furacão desastre Deus

Desabrigados em Houston, Texas. | Foto: Adrees Latif/Reuters

Outros discordaram dos motivos da ira de Deus, mas não necessariamente com a suposição de que Deus pode estar furioso.  Ann Coulter, comentarista política conservadora, por exemplo, brincou que a eleição de uma prefeita lésbica em Houston era uma causa mais “crível” para o furacão do que o aquecimento global. E, do outro lado do espectro político, um professor da Universidade de Tampa twitou que Deus havia punido os texanos por elegerem republicanos. Ele posteriormente expressou arrependimento, mas foi demitido. Continuar lendo

Poderemos Encontrar o DNA de Jesus?

Encontrei-me com os cientistas que estão tentando responder a pergunta.

Foi a primeira parada em uma jornada extraordinária. Em uma tarde de janeiro brilhante mas amargamente fria no início deste ano, eu me encontrei em uma pequena ilha no Mar Negro, ao lado de Sozopol, na costa leste da Bulgária. Sveti Ivan tem sido um destino para os viajantes: era um templo de Apolo nos tempos antigos. Mas estava lá para falar com um antigo arqueólogo búlgaro sobre o achado mais importante de sua carreira.

osuário de Tiago relíquia arqueologia

Material do Ossuário de Tiago, que alguns creem conter os restos do irmão de Jesus, está sendo sequenciado por geneticistas. Imagem: Wikipedia.

Em 2010, Kasimir Popkonstantinov descobriu o que acredita serem ossos de um dos mais famosos santos: João Batista. Fiquei interessado em saber o que a análise de DNA poderia nos contar sobre esses e outros ossos. Juntamente com o estudioso bíblico Joe Basile, eu estava viajando ao redor do mundo filmando um documentário sobre as evidências científicas e religiosas que ligam os artefatos arqueológicos ao próprio Jesus Cristo. Continuar lendo

Quem São os Cristãos Coptas?

Os cristãos coptas no Egito têm sido atacados ao viajar em peregrinações e bombardeados enquanto oravam no Domingo de Ramos, em meio a uma acelerada série de ataques na última década. Os desafios relacionados da violência, da economia e da discriminação levaram à crescente saída de cristãos do Oriente Médio. Durante séculos, eles fizeram parte da rica diversidade religiosa da região.

cristãos coptas egito

Igreja de São Jorge, em Tanta, Egito, após ataque suicida em 09 de abril de 2017. Imagem: Nariman El-Mofty/AP

Então, quem são essas pessoas que a National Geographic chamou de “Os Fiéis Esquecidos“?

História Copta

Entre os cristãos do Oriente Médio, o maior número — cerca de oito milhões ou mais — é composto de coptas do Egito. Desde a primeira vez que visitei o Egito, na década de 1990, fiquei interessado nessa comunidade e na seu contribuição ao pluralismo. Continuar lendo

Em Defesa de Cristo: Quais são as Evidências da Ressurreição?

Em 1998, Lee Strobel, um repórter para o jornal Chicago Tribune e advogado pela Universidade de Yale, publicou o livro entitulado “Em Defesa de Cristo” (com o subtítulo descritivo “a investigação pessoal de um jornalista das evidências a favor de Jesus”). Strobel reconta haver sido ateu até ser compelido pela conversão de sua esposa ao cristianismo evangélico a tentar refutar as principais asserções cristãs sobre Jesus.

Central entre tais asserções está a historicidade da ressurreição de Jesus, porém outras delas incluem as crenças que Jesus é literalmente o Filho de Deus e a acurácia dos escritos do Novo Testamento.  Strobel, contudo, encontrou-se incapaz de refutar tais asserções satisfatoriamente, e ele também se converteu ao cristianismo. Seu livro tornou-se um dos maiores bestsellers (i.e., mais vendidos) na categoria de apologética cristã (isto é, a defesa da razoabilidade e acurácia do Cristianismo) de todos os tempos.

Ontem, 7 de abril, estreiou [nos Estados Unidos] uma adaptação a filme de longa metragem entitulado “Em Defesa de Cristo”. O filme tenta estabelecer um argumento convincente para a historicidade da ressurreição de Jesus. Como diz um personagem para Strobel no começo do filme, “se a ressurreição de Jesus nunca ocorreu, então [a fé cristã] é um castelo de cartas”.

O Novo Testamento (Foto: Ty Muckler)

Como um professor de estudos religiosos especializado no Novo Testamento e no Cristianismo primitivo, eu postulo que tanto o livro de Strobel, como sua adaptação cinematográfica, foram Continuar lendo

O Primeiro Natal de acordo com o Novo Testamento

Celebramos recentemente o Natal.

Natal vem da palavra latim natus, que significa “nascimento” ou “nascer” ou mesmo “gerar”, e é comumente utilizado para se referir ao “dia do nascimento” de alguém. Costumeiramente, no mundo de línguas românicas, Natal tornou-se um termo para descrever a celebração do nascimento de Jesus. Assim, no Brasil, como nos demais países românicos e cristãos, no Natal (usualmente no dia 25 de dezembro) comemora-se o nascimento de Jesus há mais de 2 mil anos atrás.

A Adoração dos Pastores, por Gerard van Honthorst (1590–1656), em 25 de dezembro de 1622

A Adoração dos Pastores, por Gerard van Honthorst (1590–1656), em 25 de dezembro de 1622

Ao contrário do que a maioria dos cristãos imagina, os quatro relatos canonizados da vida de Jesus no Novo Testamento (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram os mesmos eventos, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).¹

Portanto, honraremos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu o “primeiro natal”, ou o nascimento de Jesus, de acordo com cada um dos 4 autores de cada Evangelho canônico?

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O Que a Ciência Pode Nos Dizer Sobre a Estrela de Belém?

Durante o inverno, às vezes pode parecer que o dia inteiro passa em um piscar de olhos e que a escuridão da noite chega rápido demais. Enquanto mais luz do dia seria adorável, a escuridão precoce tem uma grande vantagem: as estrelas. Em uma noite clara, você consegue olhar acima e ver longe no espaço. Passei muitas noites de inverno com meus filhos, voltando de atividades para casa, à procura de Órion (e outras constelações), seguindo o seu caminho através das estações.

estrela de belém natal mórmons

Estrelas e espaço são dois dos temas mais populares da ciência, qualquer que seja a idade da criança. Há algo impressionante e belo sobre olhar para as estrelas no céu noturno.

Mas não são apenas crianças e jovens os fascinados pelas estrelas– a astronomia é uma das poucas ciências onde amadores podem fazer uma contribuição significativa para a nossa compreensão do assunto.

…vieram do oriente

Nesta época do ano, a narrativa do Natal pode servir como um lembrete de que, ao longo da história, as pessoas têm olhado para o céu à noite e se perguntado sobre o que veem. Babilônios tinham catálogos de estrelas já em 1300 aC, contendo informações sobre constelações e padrões nas estrelas. É provável que a observação e nomenclatura dessas constelações sejam anteriores a essa data. Continuar lendo

Judas e a História

A (in)Confiabilidade das Informações Transmitidas pelas Escrituras.


Quando falamos em escrituras, consideramos elas como fontes seguras para entendermos a vontade de Deus, conhecer seus estatutos e um mapa para voltarmos a viver com Deus. O Livro de Mórmon chama as escrituras de “Barra de Ferro”, ou o que conhecemos hoje, um “corrimão” que nos conduz em segurança pelas tribulações da vida. Apesar dessa ser a ideia geral, as pessoas tendem depositar uma confiança excessiva nas escrituras, confiança essa que pode trazer erros de entendimento quanto às coisas de Deus.

A Última Ceia por Carl Heinrich Bloch (1834 – 1890), focando na conspícua saída de Judas da ceia

A Última Ceia por Carl Heinrich Bloch (1834 – 1890), focando na conspícua saída de Judas da ceia

Há vários tipos de informação nas escrituras: Continuar lendo

Plágio e as Escrituras

Plágio significa “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”.

Apesar de conceito simples e claro, muitas pessoas tem dificuldade para compreendê-lo e, ainda mais frequente, reconhecê-lo.

Felizmente, a esposa do candidato Republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu o perfeito exemplo ilustrativo.

Melania Trump plagia Michelle Obama em seu discurso na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, Ohio

Durante seu discurso na Convenção Nacional do Partido Republicano dessa semana, a candidata à primeira dama dos EUA Melania Trump liberalmente plagiou de trechos de um discurso de 2008 da então candidata à primeira dama dos EUA Michelle Obama:

Inicialmente, Donald Trump e aliados insistiram em negar que Melania Trump havia plagiado Michelle Obama. Contudo, as evidências eram tão óbvias, e foram tão rápida e amplamente divulgadas, que uma membro de sua equipe, a escritora formada pela Universidade de Utah Meredith McIver assumiu responsabilidade e culpa pelo plágio.

A empresa Turnitin, especializada em detecção de plágio em trabalhos acadêmicos, analisou os discursos e demonstrou com alto grau de confiança que Trump plagiara de Obama [ênfases nossas]:

“O tipo ‘clone’ de plágio copia de outro trabalho literalmente, palavra por palavra. O início da seguinte frase de ambos discursos de Melania Trump de 2016 e o de Michelle Obama de 2008 exemplificam isso. Ambas são exatamente as mesmas. (…) Só para oferecer um contexto… há uma chance em um trilhão que uma frase de dezesseis palavras correspondam a uma outra frase do mesmo comprimento apenas por coincidência. Quanto mais o número de palavras correspondentes aumenta, a probabilidade de uma correspondência por pura coincidência cai por ordens de magnitude. (…) O final da mesma frase, mencionada acima, fornece um exemplo de plágio do tipo “localizar e substituir”, um caso em que algumas palavras-chave ou frases são alteradas, mas o texto mantém o conteúdo ou o significado do trabalho copiado.”

A comparação lado a lado das frases em questão não deixa nenhuma dúvida para o investigador racional e imparcial dos dois tipos de plágio dentro os 10 tipos categorizados (i.e., “clone” e “localizar e substituir”) inclusos no discurso de Trump.

Plágio não é exclusividade acadêmica ou política, aparecendo com frequência no universo religioso. Thomas Monson, por exemplo, é fã pessoal de plágio, havendo plagiado de seus próprios discursos passados em Conferências Gerais de 2014 e 2016. Alguns sites de notícias SUD plagiam rotineiramente.

Plágio também ocorre nas escrituras. Continuar lendo

Escandalizar e “Arrancar” Partes do Corpo

E como aplicar essa escritura?

Resolvi escrever este artigo simples sobre as passagens bíblicas que tratam do ato de escandalizar (ou do sujeito pelo qual vêm os escândalos), numa tentativa de esclarecer aos leitores alguns dos reais significados e contextos dessa expressão popular entre cristãos.

Jesus cortava mãos e arrancava olhos?

Jesus cortava mãos e arrancava olhos?

Eu tenho pouco tempo, e alguma preguiça também, sobre escrever artigos que sei que demandariam tempo para referencial técnico, mas fui desafiado a dar razão a uma resposta dada no artigo “Heber J. Grant: Castidade ou Morte”, tema também familiar em algumas falas de Spencer W. Kimball e outros.

  • Será que ao ler esta passagem eu compreendo a dimensão implícita com “um membro do corpo”?
  • Ou mais profundamente, quando é o caso de fazer essa ‘remoção’?

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Aprendendo a Ler (as Escrituras)

Ler é difícil. Compreensão e interpretação de textos também são difíceis.

Infelizmente, é um fato inconteste que a maioria dos cristãos, incluindo a maioria dos mórmons, não dispõe das ferramentas intelectuais suficientes para ler e estudar as escrituras adequadamente.

Casal Lendo Livros (Foto por Erin Kelly, reproduzido com permissão)

Ontem publicamos uma citação do Apóstolo Paulo de Tarso ensinando obediência e submissividade às autoridades governamentais. Hoje iríamos discutir o motivo pelo qual Paulo pregava essa doutrina, mas optamos por pausar em um comentário de um leitor que exemplifica falhas comuns de muitos fiéis ao ler os textos bíblicos (e demais leituras, em geral).

Essa discussão é importante porque, sem as técnicas literárias básicas necessárias para ler, compreender, e interpretar um texto, é absolutamente fútil qualquer tentativa para discutí-lo.

Vejamos, portanto, o texto em discussão e o comentário que tentara interpretá-lo:

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Paulo de Tarso: Submissão Ao Estado

O Apóstolo Paulo de Tarso ensinou, sem margens para equívocos, que o bom cristão é inteiramente obediente e submisso às autoridades governamentais em todos os momentos.

Relevo do ARCO

Relevo do Arco de Tito na Via Sacra Romana, celebrando a destruição de Jerusalém e a subjulgação dos judeus rebeldes em 70 EC

Independentemente da qualidade do governo, o bom cristão será tão obediente ao governo e às autoridades constituidas quanto a Deus:

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Páscoa: Evangelho de João

Celebramos a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de João? Continuar lendo

Páscoa: Evangelho de Lucas

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Mateus?
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Páscoa: Evangelho de Mateus

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Mateus?
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Páscoa: Evangelho de Marcos

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Marcos?
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