Jesus Condena Doutrina do Casamento Eterno

Mórmons acreditam que o casamento é eterno, que sobrevive o trauma da morte, e mantém os laços matrimoniais por toda eternidade.

Citado discutindo a ressurreição dos mortos, Jesus teria pregado que não haverá casados

O manual para mulheres da Igreja SUD ‘Manual Básico da Mulher SUD’ explica o conceito doutrinário do “casamento eterno”:

“A vida não termina com a morte, e o casamento também não foi feito para terminar com a morte. Porém, o casamento realizado por oficiais civis ou de outras igrejas, fora do templo, é só para esta vida. O casamento eterno no templo é o único que continuará após a morte, e a exaltação no grau mais alto do reino celestial só vem para aqueles que fazem tal convênio e o observam.”

Não obstante, a coleção do Novo Testamento da Bíblia Sagrada cita Jesus explicitamente pregando justamente contra o conceito de “casamento eterno”. Aliás, 3 dos 4 evangelhos citam Jesus claramente condenando tal crença.

O ensinamento de Jesus sobre casamento na vida pós-mortal de acordo com o Evangelho de Marcos:

“Vocês estão enganados!, pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus! Quando os mortos ressuscitam, não se casam nem são dados em casamento, mas são como os anjos nos céus. Quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram no livro de Moisés, no relato da sarça, como Deus lhe disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vocês estão muito enganados!” (Marcos 12:24-28)

O ensinamento de Jesus sobre casamento na vida pós-mortal de acordo com o Evangelho de Mateus:

“Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus! Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu. E quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!” (Mateus 22:29-32)

O ensinamento de Jesus sobre casamento na vida pós-mortal de acordo com o Evangelho de Lucas:

“Os filhos desta era casam-se e são dados em casamento, mas os que forem considerados dignos de tomar parte na era que há de vir e na ressurreição dos mortos não se casarão nem serão dados em casamento, e não podem mais morrer, pois são como os anjos. São filhos de Deus, visto que são filhos da ressurreição. E que os mortos ressuscitam, já Moisés mostrou, no relato da sarça, quando ao Senhor ele chama ‘Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó’. Ele não é Deus de mortos, mas de vivos, pois para ele todos vivem.” (Lucas 20:34-38)

Além de notar, com interesse, que os textos desses 3 livros são quase idênticos nessas citações (e são ainda mais semelhantes no grego koine original), é relevante notar que as expressões utilizadas não podem ser interpretadas ambiguamente.

Todas as “testemunhas” bíblicas citam Jesus afirmando que as pessoas não serão casadas, mas sim solteiras “como os anjos”, após a ressurreição. A expressão atribuída a Ele é “não se casarão nem serão dados em casamento” (“ουτε γαμουσιν ουτε γαμιζονται” ou “oute gamousin oute gamizontai”), indicando com a proibição ao casamento vale tanto para homens (“não se casarão” ou “oute gamousin”) como para mulheres (“oute gamizontai”).

O verbo utilizado (“γαμέω” ou “gameó”) é o verbo utilizado para a ação de casar-se nos textos do Novo Testamento ou na tradução septuaginta da Bíblia Hebraica (vulgo “Velho Testamento”) que teria sido utilizada pelos autores dos evangelhos.

Não é incomum apologistas desonestamente atribuindo essa citação de Jesus a apenas o ato de casar-se em si, e não à condição matrimonial de casado (em oposição à condição de solteirice), mas a expressão linguística original não suporta tal distinção. Por exemplo, o substantivo “γάμος” (“gamos”) da exata mesma raíz do verbo descreve tanto a cerimônia quanto a instituição do “casamento”, enquanto os adjetivos “γαμήσας” (“gamesas”), “ἄγαμος” (“agamos” — ou traduzindo-se o prefixo “a”, “não gamos” ou “sem gamos”), e “γαμήσασα” (“gamesasa”) descrevem, respectivamente, os estados civis de casado, solteiro, e casada.

“Mas o homem casado (“gamesas”) preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido. Tanto a mulher não casada (“agamos”) como a virgem preocupam-se com as coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito. Mas a casada (“gamesasa”) preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar seu marido. Estou dizendo isso para o próprio bem de vocês; não para lhes impor restrições, mas para que vocês possam viver de maneira correta, em plena consagração ao Senhor.” (1 Coríntios 7:33-35, ênfases nossas)

Sendo assim, o testemunho dos evangelhos bíblicos é que Jesus ensinou que não há casamentos na “era que há de vir” após a “ressurreição dos mortos”, e aqueles que crêem em casamentos eternos “estão enganados”, e ainda “estão muito enganados”.

16 comentários sobre “Jesus Condena Doutrina do Casamento Eterno

  1. Me lembro como se fosse o dia que estava na missão ensinando um cara muito inteligente e ele me mostrou essa escritura que eu, obviamente, não conhecia….
    Essa escritura quebra as perninhas de qualquer LDS

    • Eu já conhecia essa escritura antes da missão, e ela é de fácil entendimento. O casamento ocorre aqui na terra e não na ressurreição. Não vejo trauma algum. E outra coisa básica é que na Igreja acreditamos em revelações modernas, para os nossos dias, vc sabe disso.
      Mas cada um vive como quer. E digo o preceito de Thiago 1:5-6 pra qualquer coisa.

    • Leia a história completa e entrada como os Saduceus queriam apanhá-lo com astúcia.
      Eles não acreditavam na Ressurreição e no casamento eterno, mas sabiam que isso era prática.

      26 E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e maravilhados da sua resposta, calaram-se.
      27 E chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe,
      28 Dizendo: Mestre, Moisés escreveu-nos que, se o irmão de alguém falecer, tendo mulher, e não deixar filhos, o irmão dele tome a mulher, e suscite posteridade a seu irmão.
      29 Houve, pois, sete irmãos, e o primeiro tomou mulher, e morreu sem filhos;
      30 E o segundo tomou-a, e também este morreu sem filhos;
      31 E o terceiro tomou-a, e igualmente também os sete; e morreram, e não deixaram filhos.
      32 E por último, depois de todos, morreu também a mulher.
      33 Portanto, na ressurreição, de qual deles será a mulher, pois que os sete a tiveram por mulher?
      34 E respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento;
      35 Mas os que forem considerados dignos de alcançar aquele mundo, e a ressurreição dos mortos, nem hão de casar, nem de ser dados em casamento;
      36 Porque não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.
      37 E que os mortos hão de ressuscitar também o mostrou Moisés junto da sarça, quando chama ao Senhor Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó.
      38 Ora, Deus não é Deus de mortos, porém de vivos; porque para ele vivem todos.

      • Justamente, Jean.

        A perícope explicitamente cita Jesus ensinando que os Saduceus estavam “enganados” ao postular que a mulher permeneceria casada com algum dos seus maridos com quem se havia casado durante a sua vida terrena. Ela cita Jesus explicando que ela não estaria casada com nenhum pois ninguém estará casado após a ressurreição.

        Reiteramos que, para se compreender o significado de um texto, é fundamental lê-lo respeitando o que o autor está dizendo, e não alterando-o para se moldar às crenças modernas do leitor.

      • James E. Talmage, em Jesus, o Cristo, explica essa passagem informando que não haveria dúvidas de que ela estaria casado com o primeiro, visto que os outros não se casaram com ela, e sim a tomaram como esposa somente para suscitar descendência ao irmão morto.

        “A seguir, os saduceus tentaram confundir Jesus, propondo-Lhe o que lhes parecia ser uma questão complexa, e certamente muito difícil. Os saduceus afirmavam que não poderia haver ressurreição corpórea, e nesse ponto de doutrina como em muitos outros, estavam em declarada oposição aos fariseus.i A questão proposta por eles nessa oportunidade relacionava-se diretamente com a ressurreição e fora armada para desacreditar a doutrina, por meio de uma aplicação desfavorável e gritantemente exagerada. “Mestre”, disse o porta voz do grupo, “Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos casará o seu irmão com a mulher dele e suscitará descendência a seu irmão. Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu, e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; por fim, depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?” Era inquestionável que a lei mosaica autorizava e requeria que o irmão de um marido falecido sem filhos, deveria casar-se com a viúva, com o propósito de suscitar filhos ao nome do morto, cuja linhagem familiar seria assim legalmente continuada.j Um caso tal como o que os casuísticos saduceus apresentaram, no qual sete irmãos teriam tido por esposa, e deixado como viúva sem filhos, a mesma mulher, era possível pelo código mosaico, relacionado com os casamentos de levirato, mas era um acontecimento dos mais improváveis.

        Jesus, contudo, não parou para discutir os elementos do problema que se lhe apresentava; não importava que o caso fosse real ou imaginário, uma vez que a pergunta: “De qual dos sete será a mulher?” baseava-se numa concepção totalmente errônea. Respondeulhes Jesus: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus; Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.” O que o Senhor queria dizer era claro: que na situação de ressurretos, não poderia haver dúvida entre os sete irmãos, quanto a quem pertencia a mulher para a eternidade, uma vez que todos, com exceção do primeiro, se haviam casado com ela pelo tempo de duração de suas vidas mortais tão somente, e, primariamente, com o propósito de perpetuar, na mortalidade, o nome de família do irmão que morrera primeiro. Lucas registra as palavras do Senhor, em parte, da seguinte forma: “Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento; porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.” Na ressurreição, não haverá casar-se nem ser-se dado em casamento; pois que todas as questões de situação matrimonial devem ser resolvidas antes daquela ocasião, sob a autoridade do Santo Sacerdócio, que tem o poder de selar em casamento, tanto para o tempo quanto para a eternidade.” (Jesus, o Cristo, cap. 31).

      • Talmage comete o mesmo erro que praticamente todo apologista comete: Ignora o texto original, ignora o que o texto está narrando e articulando, e introduz a sua própria interpretação pessoal de volta no texto, forçando-o a dizer o que o apologista quer que diga.

        Não há absolutamente nenhum indício no texto original de que Jesus teria intimado que “todos, com exceção do primeiro, se haviam casado com ela pelo tempo de duração de suas vidas mortais” e é absolutamente desonesto da parte de Talmage afirmar que isso era o que “o Senhor queria dizer [e] era claro”. Para qualquer observador honesto e objetivo, o texto é 100% claro com a afirmação de que não haverá casamento na ressurreição, independente da ordem do casamento.

        Talmage poderia tentar afirmar que os textos originais dos evangelhos canônicos estão todos equivocados e então estabelecer a sua versão dos eventos narrados, e aí a discussão seria inteiramente outra. O que ele não pode fazer é inventar uma leitura dos textos desconexas e divergentes com os textos em si. (Infelizmente para Talmage, contudo, a tradução que Joseph Smith fez do Novo Testamento não altera essas passagens)

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