Professor da BYU Criticado por Livro Sobre Mulheres

lost+teachingsO Professor da BYU Alonzo L. Gaskill está sendo severamente criticado por seus pares acadêmicos, por acadêmicos Mórmons e pelo público Mórmon leigo, por grosseira incompetência intelectual.

Em seu livro recém-publicado ‘O Ensinamentos Perdidos de Jesus Sobre o Papel Sagrado da Mulher’, o professor de História da Igreja e Doutrina se propõe a estabelecer uma reconstrução acadêmica dos ensinamentos de Jesus de Nazaré sobre o papel apropriado de mulheres na sociedade Cristã. Uma das fontes principais, na qual Gaskill ancora seu livro  e seus argumentos nos manuscritos de Pali, que descrevem a vida e os ensinamentos de Jesus durante Sua adolescência no sub-continente Indiano, e descobertos num monastério Indiano no final do século XIX pelo jornalista e explorador russo Nicholas Notovich. Compilados e traduzidos para Francês (e, rapidamente, para vários outros idiomas) por Notovich nos anos 1890 sob o título ‘A Vida Desconhecida de Jesus’. O grande problema, contudo, é que o livro não só foi demonstrado por acadêmicos como um falsificação clara, como o próprio Notovich confessou o embuste.

Mas este nem é o maior problema do livro do historiador da BYU. Continuar lendo

As Diferentes Vozes Nas Escrituras (Parte II)

Conforme comentamos na primeira parte da série, ao incorporar o mundo feminino e priorizar seu ministério nos excluídos, Jesus resgatava sentimentos e práticas que existiam no judaísmo, mas que ainda sim causavam escândalo para muitos: “(…) chegaram seus discípulos e admiravam-se que falasse com uma mulher”[1], no contexto do diálogo com a samaritana; “por que come vosso mestre com publicanos e pecadores?”[2], perguntou um grupo de fariseus, em um tom crítico à baixa reputação dos que compartilhavam a mesa com o Salvador.

Jesus Healing BeggerAs palavras do Homem de Nazaré davam esperança e direção às pessoas, em especial, das camadas mais humildes. Quando compreendemos que foram os famintos, simples e doentes a maior parte dos pioneiros do movimento que se tornaria o cristianismo, fica mais fácil entendermos a aspereza com que a voz de Jesus se direcionava aos ricos e poderosos.
Aos que tinham bens, Jesus mandava que repartisse. Se é dos pobres o Reino de Deus [3]; para os ricos o acesso a ele é tão difícil quanto um camelo entrar no buraco de uma agulha [4]. Os lírios do campo eram mais interessantes que Salomão e sua riqueza [5].

Em uma sociedade que interpretava doenças muitas vezes como impureza, fruto do pecado ou ação de demônios, Jesus oferecia cura. Como profeta, curandeiro e exorcista, ele ganhava visibilidade. Seu projeto do Reino de Deus consistia em uma inversão de papéis, na qual os rejeitados de sua época se elevariam em detrimento dos ricos e poderosos, que teriam grandes dificuldades de pertencer a esse grupo. Todo esse radicalismo o colocou em rota de colisão com o Império, levando-o à crucificação. Continuar lendo

As Diferentes Vozes Nas Escrituras (parte I)

Era um domingo de Nisã, entre o final da década de 20 e início da de 30 do primeiro século. Segundo o texto lucano, algumas mulheres e pelo menos um dos apóstolos haviam visitado o túmulo de Jesus, e o encontram vazio. De acordo com o relato bíblico, a história de que a tumba estava vazia se espalhou, de modo que, no mesmo dia, já era possível encontrar várias pessoas comentando o evento.

O terceiro evangelho fala de dois discípulos que conversavam sobre o Salvador enquanto caminhavam em direção a Emaús. Como de apenas um foi citado o nome, Cléofas, presume-se, pelo costume da época, que o outro fosse uma mulher. [1] Jesus ressuscitado pôs-se a caminhar com o casal; este, embora conhecesse pessoalmente Jesus, não reconheceu o Mestre.

Aproximando-se do povoado para onde iam, Jesus simulou que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram, dizendo: “Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina. Entrou então para ficar com eles. E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão(…)Então seus olhos se abriram e o reconheceram”. [2]

Com base nos três relatos de páscoa que aparecem como pano de fundo do Evangelho de João, costumamos dizer que o ministério do Salvador foi de três anos. O movimento iniciado por ele teve como palco inicialmente a Galileia, região rural onde cresceu. Como um camponês, Jesus nos transporta aos ambientes bucólicos através de suas parábolas ao mencionar aves do céu, a figueira, as ovelhas e seu pastor, o peixe, o mar, o pescador.

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Podcast Mórmon #101 – Conselho dos 50: O Governo Teocrático Mórmon

Podcast Mórmon #101 – Conselho dos 50: O Governo Teocrático Mórmon

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons anunciam o início de um projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo.

Buscando não ser redundante com a missão do site Vozes Mórmons ou das Conferências Anuais de Estudos Mórmons, o Podcast ​Mórmon consistirá em diferente mídia, e mais importantemente, diferente formato.

​Estruturado num modelo de programa ao vivo, o Podcast Mórmon incluirá resenhas de livros, entrevistas, debates​, e curtas apresentações com interação dos ouvintes através de perguntas, réplicas, e questionamentos enviados em tempo real (via Twitter, Facebook, e aqui pelo próprio Site).

General de Divisão Joseph Smith, jr.

General de Divisão Joseph Smith, jr.

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Estudos Mórmons no Brasil: Esboço de um Guia

Durante a V Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, ocorrida no último sábado, Kent Larsen falou sobre as possibilidades de pesquisa acerca do mormonismo no Brasil e em língua portuguesa, esboçando um guia para aqueles que pretendem empreender tais estudos. Assista o vídeo de sua apresentação “Estudos Mórmons no Brasil: Esboço de um Guia”.

A Profetisa Eliza R. Snow

ElizaEliza R. Snow (1804-1887), chamada por Joseph Smith de “a poetisa de Sião”, é uma das mulheres mais reverenciadas da história mórmon. Eliza foi autora de diversos poemas e hinos, além de escrever também textos sobre questões doutrinárias e o papel da mulher na sociedade.

Um dos hinos mais conhecidos de sua autoria, Ó Meu Pai, constitui a única referência explícita à doutrina da Mãe Celestial amplamente difundida pela Igreja

Com a organização da Sociedade Feminina de Socorro em março de 1842,  Eliza foi convidada a redigir os estatutos da nova Sociedade e assumiu a função de secretária.  Em junho daquele ano, ela foi selada a Joseph Smith como sua esposa plural, vivendo durante seis meses na casa dos Smith. Continuar lendo

Movimento Rastafári e os Mórmons 3-3

Conhecer um pouco a história e as doutrinas de nossos irmãos Rastafáris me fez pensar em alguns eventos e curiosidades da saga Mórmon. Ambos os movimentos tiveram início no continente americano e conseguiram sintetizar em uma expressão religiosa os sentimentos e expectativas das pessoas de suas respectivas áreas de atuação inicial. A diferença principal entre eles está ligada ao público alvo, seus anseios e o significado que o continente americano tinha para os dois movimentos.

Assim como entre adeptos do movimento jamaicano, os primórdios do Mormonismo foram marcados por uma certa frouxidão doutrinária e precária hierarquia eclesiástica; até mesmo o conceito de igreja parece ter sido menos rígido. Continuar lendo

Movimento Rastafari e os Mórmons 2-3

Jamaica e o Início do Movimento Rastafari

Descoberta pelos espanhóis na época de Cristovão Colombo, a Jamaica foi colônia espanhola até a segunda metade do século XVII, quando passou para mãos inglesas. Sob o domínio britânico, esse território caribenho se transformou num grande exportador de açúcar. Assim como no Brasil, houve um grande uso da mão de obra de escravos vindos da África no cultivo da cana de açucar. Essa importação de escravos foi tanta, que a população negra passou a predominar na ilha.

Ainda antes da chegada dos ingleses, escravos que conseguiam fugir formavam assentamentos independentes equivalentes aos nossos quilombos. Esses escravos refugiados eram os “Maroons”. Símbolos de resistência contra a dominação europeia, os maroons sempre estiveram presentes no imaginário dos jamaicanos, com significado especial para os descendentes dos escravos, uma vez que a abolição da escravatura, ocorrida na década de 1830, não resultou no fim do sofrimento do povo negro.

Em 1914, após viajar por diversas partes da América e passar dois anos em Londres, o jamaicano Marcus Mosiah Garvey formou a Associação Universal para o Desenvolvimento do Negro (UNIA) que, entre outras coisas, lutava pelo desenvolvimento da África e a união dos afrodescendentes espalhados pelo mundo – entendidos como africanos em diáspora – em uma nação livre naquele continente.

Reza a lenda que, inicialmente, a mãe de Garvey quis dar-lhe o nome do meio de Moses (Moisés), explicando profeticamente: eu espero que ele seja como Moisés e conduza este povo.[1]O pai de Marcus Garvey tinha seu mesmo nome; era descendente dos maroons e tinha muito orgulho desse fato.[2] Continuar lendo

Movimento Rastafári e os Mórmons

Ao ler o excelente artigo do amigo Rolf Straubhaar no qual ele menciona ouvir Bob Marley desde o ventre, lembrei-me da adolescência, quando me questionava o porquê de várias canções de reggae usarem tantas expressões que eu só via nas escrituras. Babilônia era o termo mais recorrente; outras falavam sobre Sião, iniquidade, Leão da tribo de Judá. Aos poucos notava que existia algo religioso naquelas músicas.

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Edições históricas do Livro de Mórmon

s-BOOK-OF-MORMON-largeO site Book of Mormon Online traz diversos recursos para os leitores do Livro de Mórmon em inglês, incluindo mapas, áudio e uma apresentação cronológica da narrativa. O maior mérito do site, porém, parece ser o de reunir em um só local diversas edições históricas do Livro de Mórmon em inglês, desde o manuscrito de 1828, com a caligrafia de Oliver Cowdery, até a edição sud de 1981.

Podem ser vistas também as três edições do Livro de Mórmon que passaram pelas mãos de Joseh Smith (em Palmyra, Kirtland e Nauvoo), as primeiras edições com divisão de capítulos (feita na cidade inglesa de Liverpool) e  de versículos (em Salt Lake) , bem como a primeira edição da Igreja Reorganizada (em Lamoni).

A edição mais recente incluída no site é de 2005, uma edição independente chamada Mormon’s Book que utiliza o texto sud de 1981 mas no formato original de parágrafos, tal como nas primeiras edições. Eu desconhecia tal edição e acho digno de nota que ela se insere numa recente tendência (ver, por exemplo, as edições de Grant Hardy e Daymon Smith¹) sentida por leitores do Livro de Mórmon de retomar a fluidez da narrativa original ao revisitar sua formatação original.

Nota

1 O antropólogo Daymon Smith participará da IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, falando sobre a história cultural do Livro de Mórmon. Veja o programa da Conferência aqui.

Um vira-lata maravilhoso e um assombro

Blogueiro convidado: Robert Kirby

Como um cachorro ensinou a um missionário um novo truque.

Obrigado, Élder Solavanco, por ser um vira-lata maravilhoso e um assombro

O melhor companheiro de missão que tive foi esse sujeito. Não o da esquerda, nosso líder de distrito, Brent Merrell, de Vernal.

Quero dizer o outro sujeito. Calça vermelha. Língua comprida. Aqui ele está dando a Merrel as boas-vindas ao distrito San José de Carrasco, da Missão Uruguai-Paraguai, em 1975.

Pois é, eu sei, é um cahorro. Mas ele também foi chamado para ser um servo do Senhor.

Por mim. Continuar lendo

Prepare-se para a IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons

Você já se agendou para a IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons? Ela acontece no dia 19 de janeiro de 2013, em São Paulo.

O tema da Conferência de 2013 será “A Relação entre Sede e Periferia na Igreja SUD”.

A Conferência é gratuita e aberta a todos os interessados. Continuar lendo

Eu sou um pouco do meu avô

me vejo no espelho
e imagino que pareço meu avô
no fundo queria ter um nariz mais parecido com o dele
e aquele azul raro do olho

minha desorganização de remédios
e livros e lâminas de barbear
me fazem parecer mais
Pedro Continuar lendo

Brasileiros e a Igreja no Século XIX

Meu avô Garcia foi passar alguns dias lá em casa. Assim que chegou, pediu-me para irmos juntos ao centro da cidade. Ele tirou uma camisa amassada da mala e ligou o ferro de passar. Minha mãe vendo aquilo sorriu e me alertou: pode ter certeza que vai demorar!

Não era tanto a menor agilidade de seu corpo senil o motivo da demora. Creio que, para alguém que havia chegado à idade adulta ainda no início dos anos 30, a lentidão da vida naquela época lhe permitiu acostumar-se a passar a roupa com o mesmo preciosismo com que pincela seus quadros.

Como um adolescente do final dos anos 90, eu achava tudo aquilo uma perda de tempo. Ofereci-me para ajudá-lo, mas ele recusou minha oferta. Não confiaria em mim para realizar uma tarefa tão importante. A julgar pelos amassados das roupas que uso, acho que meu avô tinha razão.

Fui para a sala e fiquei folheando os livros que ele havia trazido. Dentre eles, encontrei um Aurélio bem grande. Aquele dicionário era diferente dos que eu já vira, já que, além de cumprir sua função metalinguística, dava o uso da palavra procurada em algum clássico da literatura em língua portuguesa. Constatada a peculiaridade daquele Aurélio, fiquei imaginando o trecho e a definição que o primo do Chico Buarque daria a minha religião.

Mormonismo. [Do ingl. mormonism.] S. m. Seita religiosa norte-americana fundada em 1827 por Joseph Smith (1805-1844), e cujos membros, os mórmons , praticavam a poligamia, que a lei americana proibiu desde 1887. “Cheguei a lembrar-me do mormonismo, a amaldiçoada seita de José Smith” (Aluísio Azevedo, Livro de uma Sogra, p. 77)[1]

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Céus e terra

do pó às palavras

a terra

vã e vazia Continuar lendo