O nervinho

Texto de Sueli Patelli

670px-Put-Shoes-on-a-Baby-Step-6Numa época em que a Igreja costumava alugar casas para iniciar seus “ramos”, meu pai foi chamado para ser o presidente de um ramo no interior de São Paulo. A casa era grande, tinha cômodos amplos que acomodavam de maneira adequada toda a congregação. Para uma criança de sete anos, não importava tanto o tamanho da casa, mas o grande quintal que ela tinha.

Era lá que, depois da sacramental, brincava com meus irmãos, enquanto meu pai ficava em reuniões e entrevistas. Corríamos pelo quintal cheio de pedregulhos e gastávamos toda a energia contida durante a manhã de domingo. Tínhamos muitos amiguinhos que brincavam conosco, os filhos dos conselheiros e de outros líderes também. As mães muitas vezes ralhavam com a gente, principalmente com as meninas por causa dos vestidos, meias e sapatos. Continuar lendo

O leite derramado

Conto de Sueli Patelli

Dona Maria labutava o dia inteiro com os afazeres domésticos e cuidava de dois filhos pequenos, um de três e outro de dois anos, mas sua barriga já dava sinal de outro bebê a caminho.

Antes do sol raiar, seu marido, João, já estava na estação de trem a caminho do trabalho. Viajava duas horas no trem lotado, depois uma hora de ônibus até chegar à lojinha de aparelhos eletrônicos usados de que era sócio. Ao findar o dia era a mesma coisa, uma hora de ônibus, duas horas de trem. Chegava em casa depois das nove horas da noite, Continuar lendo

O Missionário e o Advogado

Conto de Luiz Polito

-“Se os malandros e vigaristas soubessem como é bom ser honesto, eles seriam honestos até por vigarice !”
Essas palavras voltaram à mente de Roberto, depois de mais de trinta anos dele as ter ouvido. Ele as ouvira da boca de um advogado, numa tarde de calor forte, numa praça pública do Rio de Janeiro. Roberto era na época um missionário mórmon – Elder Silveira- e estava fazendo uma exposição na praça Castro Alves, num subúrbio da cidade do Rio. Continuar lendo

O Estranho Sonho de Natalicio – final

Parte Dois

-Pode me chamar de Eliel, Natalício. E agora eu vou explicar melhor essa questão de passado, presente e futuro para você. Para isso, pense num criador e numa criatura. O criador construiu uma estrada muito extensa, cheia de curvas, cheia de subidas e descidas, que começava numa cidade e terminava em outra. Continuar lendo