‘Paulo, Apóstolo de Cristo’ está mais à Coca-Cola que à Bíblia

O cartaz de Paulo, Apóstolo de Cristo mostra um Paulo com olhar determinado (James Faulkner) olhando diretamente para o espectador. Lucas, interpretado por Jim Caviezel, (Jesus em A Paixão de Cristo), parece resoluto ao seu lado. Dois atores brancos, bonitos, e castigados pelo sol, com narizes fortes e queixos fortes, interpretam heróis da fé cristã.

O que poderia estar errado aqui?

Em termos de precisão histórica, há muita coisa errada. E muito em jogo. Paulo, Apóstolo de Cristo é um entre muitos numa crescente onda de filmes bíblicos que romantizam e distorcem o passado, e ainda arriscam causar danos atuais. Esses filmes são como refrigerantes: doce, fácil de engolir, mas prejudicial se parte de uma dieta constante.

Cartaz de “Paulo, Apóstolo de Cristo” com Paulo (James Faulkner) e Lucas (Jim Caviezel) olhando diretamente para o espectador.

Eu me diverti assistindo Paulo, Apóstolo de Cristo; a subtrama fictícia de Paulo assombrado pelo assassinato de uma jovem é bastante tocante. Apesar disso, acredito que o filme deve mais à Coca-Cola do que à Bíblia. Eis cinco razões: Continuar lendo

Historiografia Como Abordagem Científica: Exemplos da História Mórmon

Durante a VI Conferência Anual da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, ocorrida no último sábado, Marcello Jun explorou alguns conceitos básicos utilizando exemplos da história mórmon de como analisar criticamente o trabalho de uma historiadora ou como avaliar a qualidade de uma reconstrução historiográfica. Assista o vídeo dessa palestra aqui:

Continuar lendo

Mórmon De Verdade?

Uma das historiadores mais influentes no Mormonismo, Juanita Brooks, escreveu um dos dois livros mais importantes em toda historiografia Mórmon, corajosamente abordando um dos temas mais espinhosos na história da Igreja SUD: o massacre de Mountain Meadows.

Brooks era uma pessoa tão educada e impassível que seus colegas e amigos descrevem como nunca tendo a visto alterada ou elevando a voz a ninguém. Contudo, relata Floyd A. O’Neil, o famoso professor de História da Universidade de Utah, ele a viu alterar-se uma única vez.

Durante a dedicação da represa de Glen Canyon, na fronteira entre o Arizona e Utah, Juanita Brooks apresentou um discurso sobre a história do Oeste Americano e da região onde fora construída a represa. Terminando seu discurso preparado, Brooks abriu espaço para perguntas e respostas, quando um rapaz se levantou para questiona-la:

“Sra. Brooks, você se diz uma Mórmon, mas como é que uma Santo dos Últimos Dias fiel  pode escrever um livro tão horrível como aquele seu livro sobre o Massacre de Mountain Meadows?”

Visivelmente irritada, Brooks elevou a voz e retrucou sem pestanejar:

 

Juanita Brooks

Historiadora Mórmon Juanita Brooks (1898-1989), permaneceu ativa na Igreja SUD por toda sua vida, apesar de se sentir julgada e relegada ao ostracismo social por causa de seu livro histórico.

Continuar lendo