Enquete: ordenação de mulheres

24 comentários sobre “Enquete: ordenação de mulheres

  1. A doutrina da igreja de Jesus Cristo sempre foi e sempre será a mesma, vivemos em um mundo de grandes mudanças, o Pai Celestial sabe de todas as coisas, se ele achar necessário a mulher receber o sacerdócio, ele vai fazer, o nosso profeta vivo está aí pra isso, pra transmitir a vontade do Senhor e não a nossa, VINDO do SENHOR só temos que obedecer. 🙂

  2. Estas polêmicas acontecem porque não há esclarecimentos por parte da Igreja sobre assuntos que não deveriam deixar dúvidas. Existem vários pensamentos e suposições de como acontece a revelação para o Profeta e como ocorrem mudanças na Igreja. Cito duas que conheço:

    1) O Senhor Jesus Cristo aparece pessoalmente ao Profeta e aos Apóstolos e revela a sua vontade, mantendo a Igreja protegida de doutrinas falsas e sendo uma fonte inquestionável de conhecimento impoluto e divino. Alguns creem que essas visitas ocorram com frequência.

    2) A Primeira Presidência e os Doze se reúnem semanalmente e debatem de forma acalorada, inclusive fazendo votações sobre temas polêmicos. Dizem nessa corrente que enquanto eles não chegarem a um consenso unânime, não ocorrem mudanças oficiais. Na minha opinião, essa forma de pensar destrói a ideia número 1 fazendo com que as subjetividades dos apóstolos seja levada em consideração na hora de definir os dogmas da Igreja. Claro que muitos defendem que o Espírito Santo os toca e eles chegam a um consenso mais facilmente. Mas isso são variações destas formas de pensar, o que não é o meu foco aqui.

    O que eu quero dizer é que se, de fato, há uma comunicação direta e pessoal com Cristo, por que não simplesmente dizer “O Senhor nos disse que não é para dar o Sacerdócio para as mulheres”. Pronto. Estaria resolvido o problema. Quem não concordasse, repensaria, faria suas orações, tentaria pedir uma confirmação pelo Espírito Santo. E quem não acreditasse simplesmente sairia da Igreja. O Profeta poderia fazer essa declaração numa conferência mesmo, afinal, qual seria o receio de transmitir a vontade de Deus, mesmo que seja impopular?

    Ainda pensando dentro da doutrina da Igreja, o Espírito Santo deveria tocar os membros e eles deveriam ter absoluta certeza de que as palavras do Profeta são de fato a vontade do Senhor. Então, onde está acontecendo o problema? Por que o Espírito Santo não toca mais essas pessoas para que elas acreditem que é a vontade do Senhor de que as mulheres não recebam o Sacerdócio? Por que elas sentem o Espírito confirmando ensinamentos sobre amor, família, perdão, expiação de Cristo, Plano de Salvação, mas agora não sentem nada a respeito do Sacerdócio exclusivo para homens? Aliás, alguém aqui pode dizer que já orou ao Senhor para ter um testemunho de que as mulheres não devem receber o Sacerdócio? Só por curiosidade…

    Agora pensando pelo lado de fora do mormonismo. Se a Igreja admitisse abertamente que as mudanças oficiais ocorrem através do debate de 15 pessoas e não de revelação direta e pessoal de Cristo, isso geraria um desconforto muito grande entre os membros mais ortodoxos que não aceitam a possibilidade de influência humana no composto sagrado e divino da religião. Seríamos obrigados a aceitar que estamos sujeitos à subjetividade dos apóstolos e de um conhecimento limitado. Afinal, eles ainda são pessoas normais e falíveis como qualquer outra.

    Sem falar que muitos membros começariam um ativismo para que a Igreja se tornasse mais “justa”, como é o caso da Kate Kelly. Outros envidariam esforços para que a Igreja fosse, ao menos, mais tolerante com homossexuais. E acho que a Primeira Presidência e os Doze não gostariam de passar por esse tipo de pressão interna.

    De qualquer forma, é claro que a Primeira Presidência e os Doze estão passando por um dilema. Se ela manter o seu discurso centenário de revelação, correm o risco de se enredar futuramente e ter que fazer mais “declarações oficiais”, também correm o risco de perder muitos membros que podem parar de acreditar na revelação direta e pessoal vinda do Salvador. Por outro lado, se admitirem que eles tomam decisão por si mesmos, sem interferência divina, será um baque para os membros mais antigos e ortodoxos que sempre tiveram a segurança de que o Profeta apenas transmite a palavra de Deus.

    • Perfeitas observações, Jeferson.

      Essa coisa de ‘medo’ de serem honestos e taxativos (e não só na Igreja, mas na política em geral) cansa. Em especial aqueles mais esclarecidos que ficam cada vez mais inseguros pela falta de um norte claro e sincero, diante de seus próprios desafios existenciais pessoais.

      Não queremos saber da posição dos ‘subalternos’, queremos a do Presidente. Se notarem, seus discursos não tratam nem perto desse tipo de coisa nos últimos tempos.

      Observação: Mas a julgar pelas posições dos que não estudam sua própria Igreja, acham bonito certas discrepâncias e incongruências, EU ATÉ ENTENDO que uma posição mais formal e clara sobre estes e outros tantos assuntos que ‘nos cutucam’ causaria mais prejuízos à organização (maioria) do que os problemas atuais de grupos de membros (minorias) seriam ‘beneficiados’.
      Pois a julgar pelos comentários já lidos, melhor que continue assim mesmo, pois os sentimentos são tão raivosos e de teor idólatra que é provável que qualquer posição contrária a defendida pela Igreja hoje poderia criar uma cisma de proporções significativas.

      #SóAcho

      • Gerson Sena,

        Tenho de concordar com você. De fato, não parece sensato que a Igreja decepcione a maioria em prol de uma minoria. Mas suponho que independente da medida que a Igreja decidir adotar, as consequências virão. Digamos, hipoteticamente, que a Igreja em um dia futuro resolva ordenar as mulheres, as pessoas vão se lembrar deste fatídico episódio da irmã Kate e vão começar a surgir dúvidas cada vez mais densas na mente de alguns por causa disso. Lembremos que a internet será uma fonte de memória de muito mais fácil acesso do que qualquer outro tipo de documento.

        Não achei errado excomungarem a Kate Kelly, mas achei que as circunstâncias em que isso aconteceu não foram bem pensadas (ela morava em outra cidade, não foi dada ampla defesa, etc). Isso vai depor contra a Igreja no futuro.

        Outro aspecto que é importante comentar é sobre as mudanças no discurso. Hoje os profetas dizem algumas coisas, e aí depois de umas décadas precisam ficar negando que disseram tais coisas ou que aquilo tem valor doutrinário. Vide o que aconteceu com Bruce R. McConkie. Ele ensinava doutrinas que hoje a Igreja precisa negar porque são impopulares e não condizem com o pensamento do mundo contemporâneo. Talvez seja por isso que eles não fazem discursos mais claros e objetivos na Conferência Geral.

    • Jeferson, muito bons os seus comentários. Fazendo uma nota, quando você disse “O que eu quero dizer é que se, de fato, há uma comunicação direta e pessoal com Cristo, por que não simplesmente dizer ‘O Senhor nos disse que não é para dar o Sacerdócio para as mulheres'”. Isto posto, em 26 de fevereiro de 1980 o Presidente Ezra Taft Benson proferiu um discurso na Universidade Brigham Young intitulado: “Quatorze Princípios Fundamentais para Seguir o Profeta” [1] que foi posteriormente publicado na revista oficial da Igreja “Liahona” em junho de 1981, onde neste discurso, mais precisamente no sexto principio, o Presidente Benson disse:

      “Sexto: O profeta não precisa dizer: “Assim diz o Senhor” para nos dar uma escritura.

      Às vezes, há aqueles que discutem sobre as palavras. Eles podem dizer que o profeta nos deu conselhos, mas que não são obrigados a segui-lo, a menos que ele diga que é um mandamento. Mas o Senhor diz do Profeta, “Tu deverás dar ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitirá.” (D&C 21:4).

      E por falar em tomar o conselho do profeta, em D&C: 108:1 , o Senhor diz:

      ‘Em verdade assim te diz o Senhor, meu servo Lyman: Perdoados são teus pecados, porque obedeceste a minha voz e vieste aqui esta manhã para receber conselhos daquele que designei.’

      Brigham Young disse, ‘nunca preguei um sermão e mandei-o aos filhos dos homens, que eles não possam chamar de Escritura.'” (Journal of Discourses 13:95.)

      Creio que essa forma de pensar a revelação por parte do Presidente Benson, da forma como foi citada acima, é compactuada pela Primeira Presidência atualmente, ou seja, perde-se a citação direta da fonte, mas deixa entender que aquele que fala, anuncia a vontade daquele que revela.

      [1] Quatorze Princípios Fundamentais para Seguir o Profeta. Disponível aqui.

      • O grande problema, Josimar, é que a Igreja tem admitido alguns equívocos ocorridos por parte do Profetas e os Doze. Eles estão admitindo que há uma mistura entre opiniões pessoais e inspiração. Inclusive admitem influências culturais da época em que vivem.

        Por isso acredito que a Igreja precisa deixar claro o que é que vem do Senhor e o que vem do Profeta. Do contrário, o Presidente da Igreja torna-se um “deus falível”, ou seja, as pessoas pensam que o que está sendo dito é a palavra de Deus, mas depois pode-se comprovar que era apenas a opinião do Profeta que estava equivocada.

      • Jeferson, eu também concordo com você. Por outro lado, dificilmente a Igreja tomará um posicionamento diferente do que vem praticando. A figura do profeta representa para a Igreja uma forma eficaz de manter a unidade da fé. Tirar-lhe a inspiração significaria abrir muitas margens para a interpretação do caráter de seus ensinamentos, o que poderia gerar muitos questionamentos e posteriormente dúvidas.

        É comum ouvir comentários sobre o que é considerado conselho ou mandamento. No princípio a palavra de sabedoria era tida como um conselho, mais tarde, em 1851 foi apresentada à Igreja como mandamento, mas somente em 1908 sob a gestão do Presidente Joseph F. Smith é que a Palavra de Sabedoria ganhou peso e por volta de 1919 é que ela passou a ser requisito para se poder entrar no templo. Em meio a isso, podemos citar a escritura que diz: “Portanto vós, ou seja, a igreja, dareis ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitir à medida que ele os receber, andando em toda santidade diante de mim. (D&C: 21:4). Em outras palavras, essa escritura, por exemplo, limita em muito a possibilidade de selecionarmos aquilo que deve ou não ser obedecido quando um profeta fala, seja sua palavras conselhos ou mondamentos. Pois como a escritura acima disse: “dareis ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitir”, ou seja, “dareis ouvidos a todas as palavras” também pode significar aquilo que vem do profeta.

        Assim como você eu concordo que deveria haver maior esclarecimento sobre a natureza daquilo que nos é ensinado. No entanto, um dos grandes privilégios daqueles que são membros “comuns” da Igreja é exatamente poder conjecturar sobre determinado assunto sem que para isso receba o título de escritura. Não creio que essa liberdade seja compartilhada tão amplamente entre as Autoridades Gerais atualmente.

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