Heber Grant: Cuidado com Lendas Urbanas

O Profeta e Presidente da Igreja SUD Heber Jeddy Grant explicou a importância da dedicação aos estudos:

Heber J. Grant, Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1918-1945)

“Sabemos, por experiências pessoais, que apenas uma pequena minoria dos membros da Igreja tem o interesse e a honestidade intelectual para dedicar-se a estudos racionais e lógicos. Exige disciplina. Exige criteriosidade. Exige dedicação. Não é para todos, certamente. Contudo, deveria ser a missão pessoal de todo Santo dos Últimos Dias desenvolver a disciplina intelectual, a criteriosidade crítica, e a dedicação mental em busca do conhecimento e da honestidade. Só assim poderão reivindicar sua liberdade de consciência e manter uma opinião informada.”

Mentira.

Heber J. Grant nunca disse essas palavras.

Então por que estaríamos atribuindo-lhe falsamente tal citação?

Explicamos.

Um leitor indignou-se quando lhe explicamos que “[i]mpomos critérios acadêmicos de raciocínio lógico e metodologia científica” nas discussões em nossas páginas, argumentando que o “‘real propósito desta página’ é justamente oferecer ferramentas racionais para aqueles que desejam estudar o mormonismo sob o prisma intelectual e acadêmico. Por isso ‘impomos’ essa disciplina”.

Argumentou o leitor:

“Então mude o nome dá página. Está muito centralizado nos mórmons.” Impomos critérios acadêmicos de raciocínio lógico e metodologia científica.” Impõe? Desculpe, mas não concordo. Sendo assim, não aceito imposições.. Agora sim, deixando de seguir a página.” (sic)

Deixou claro o leitor que ele não “aceit[a] imposições” de “raciocínio lógico e metodologia científica”. E por que haveria de aceitá-las?

Vemos que o mesmo leitor publicou em sua página pessoal, na mídia social em questão, a seguinte citação:

“Aquilo que persistirmos em fazer torna-se fácil, não por que a natureza da tarefa mude, mas por que nossa capacidade aumenta. David O. Mackey” (sic)

E aí está a real importância dessas imposições metodológicas e intelectuais.

Ignorando o fato de que um hábito de leituras e estudos lhe permitiria saber que o Profeta e Presidente da Igreja SUD entre 1951 e 1970 chamava-se “McKay” e não “Mackey”, notamos que estas imposições nos obrigam sempre a checar e a citar nossas fontes para nos certificar que nossas opiniões sejam baseadas em fatos concretos e bem estabelecidos.

Se o leitor tivesse o mesmo cuidado de checar suas fontes, dar-se-ia conta que McKay nunca havia sido citado dizendo ou escrevendo tal aforismo, mas sim o Profeta e Presidente da Igreja SUD Heber J. Grant (1918-1945). E com um pouco mais de cuidado, atenção, e investigação, dar-se-ia conta de que os membros da Igreja que atribuem tal citação a Grant também o fazem erroneamente. O autor da frase é o poeta Ralph Waldo Emerson!

“Aquilo que persistirmos em fazer torna-se fácil, não porque a natureza da coisa tenha mudado, mas porque nosso poder para fazê-la aumentou.” – Ralph Waldo Emerson

A origem da lenda urbana entre membros da Igreja SUD provavelmente vem de um artigo publicado pela Igreja na revista New Era em janeiro de 1972 que estabelece essa citação como uma das favoritas de Grant. Com o passar do tempo, como ocorre em muitas (se não todas) as lendas urbanas, a atribuição mudou-se de Grant citando Emerson para Grant como autor. E obviamente é uma lenda urbana popular. Bastante popular. Evidentemente, a lenda urbana evoluiu aqui no Brasil de Grant como autor para McKay como autor.

Contemporâneo de Joseph Smith e Brigham Young, Emerson (1803-1882) tornou-se um dos intelectuais norte-americanos a marcar o século 19 nos Estados Unidos com sua filosofia individualista, seu ateísmo do tipo panteísta, e sua poética expressão de sua bissexualidade. Não é difícil ver porque seria mais cômodo para mórmons no século 21 atribuir uma estimada citação a seus profetas do que a um pensador que, ao que tudo indica, seria por eles condenado ao ostracismo hoje em dia.

Independentemente de como nascera esta lenda urbana, tais atribuições não passam justamente disso: Lenda urbana. Enquanto mórmons insistirem em se ofender por demandas intelectuais de disciplina intelectual, criteriosidade crítica, e dedicação mental em busca do conhecimento e da honestidade, permanecerão sempre e cada vez mais expostos a, e as mercês de, lendas urbanas.

E o problema sequer é restrito aos membros comuns da Igreja. Veja, por exemplo, uma Autoridade Geral brasileira, Jairo Mazzagardi, em plena Conferência Geral, estruturando seu testemunho pessoal inteiramente em lendas urbanas.

Quando impomos a nós mesmos e aos nossos processos de pensamento critérios acadêmicos de raciocínio lógico e metodologia científica, não dismistificamos a fé ou as crenças religiosos, mas tornamo-nas mais adultas e condizentes com a realidade. Apenas lendas sofrem com escrutínio racional e lógico.

9 comentários sobre “Heber Grant: Cuidado com Lendas Urbanas

  1. Dentro da igreja há muitos que vivem de lendas urbanas. Tem um video no youtube onde o finado presidente John F. Kennedy elogia os Mormons como se isso viesse de seu coração. Na verdade como qualquer político ele estava tirando a média com a igreja, seus líders e seus membros e muitos membros até hoje atribuem seus elogios á idéia que a igreja se tornou respeitada pelos politicos norte-americanos.

  2. Existem muitas lendas porque justamente as pessoas nao checam as fontes,saem repetindo tudo que “ouvem dizer” ou ainda aquela do um “lider me disse” quando não citam uma “autoridade geral não sei quem disse tal coisa em não sei qual conferencia”.É preciso sempre ver as coisas da forma certa pra nao acreditar em Lendas.

  3. Parabéns, Vozes Mórmons pela belíssima pesquisa. Nem Grant, muito menos Mcay. Emerson.
    Conhecereis a verdade, e ela vos libertará.
    Só o conhecimento trás o poder. (nem me atrevo a dizer o autor desta frase).

  4. Acho apenas que quem administra o perfil “Vozes Mórmons” para responder as pessoas que comentam, deveria ser mais equilibrado e menos agressivo. Não raramente a interação desse administrador termina em cenas lamentáveis de agressividade, onde o administrador nitidamente demonstra raiva ao responder alguns comentários negativos. Quanto ao hábito de fazer postagens para colocar os autores desses comentários negativos a execração pública, creio que o site deva rever isso. Pode-se comentar o que foi dito no texto acima, mas é inexplicável a ausência de interesse do site preservar as pessoas que usa de exemplo.

  5. A própria liderança não gosta quando chegamos as fontes de nada, digo por experiência própria. Eles dizem que só rezar e sentir o famoso calorzinho no peito, é suficiente.

  6. O que tenho a dizer e que precisamos ter nosso testemunho alicercado no Salvador… Ele e o cabeca desta igreja. Sei que meu Salvador vive e dirige esta igreja . Se a igreja de Jesus Cristo SUD nao for verdadeira verdadeira… nenhuma outra é, com certeza.

  7. Os desafios intelectuais e informativos proporcionado pelo Vozes Mórmons aumenta muito minhas ponderações sobre o evangelho e me estimula a conversar com o Senhor sobre todas as matérias postadas aqui. Um membro que não se prepara para desafiar sua fé e suas crenças, se torna limitado em argumentação para suas dúvidas e é entregue aos enganos de falsos espíritos irados e preguiçosos…O estímulo de realizações de novas conexões neuroniais e inspirações advinda da fonte pura do Santo Espírito é uma fortaleza que mantém o caráter intacto e o sentimento de veracidade sereno e firme no coração e na mente. Se quisermos ser como Cristo temos que observar seu exemplo ao jejuar 40 dias no deserto com Satanás desafiando sua missão individual e suas crenças. Não devemos nos contentar somente em receber elogios pelo que acreditamos, devemos nos preocupar em sempre mudar nossa posição intelectual para a direção de mais luz e conhecimento. Nossa argumentação deve se enriquecer e não estagnar ou empobrecer. Deixemos a mediocridade intelectual para os preguiçosos e orgulhosos.Devemos ser um povo autocrítico, pois a humildade e reconhecimento de nossas próprias fraquezas é primeiro passo para nos fortalecermos como indíviduos povo e religião.

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