A história mórmon é geralmente escrita pela perspectiva de seus líderes. Ou seja, é uma narrativa majoritariamente masculina.
Neste Dia Internacional da Mulher, quais mulheres você destacaria na história mórmon?
O novo cabeçalho da Declaração Oficial 2
Recentemente, a Igreja SUD lançou em formato digital os novos cabeçalhos para suas obras-padrão. Entre as mudanças mais significativas, está a nova introdução para a Declaração Oficial 2, documento que encerrou, em 1978, um longo período de exclusão de membros negros da ordenação ao sacerdócio, investidura e selamentos.
O texto, disponível apenas em inglês até o momento, diz
Durante a vida de Joseph Smith, uns poucos membros negros da Igreja foram ordenados ao sacerdócio. No início de sua história, líderes da Igreja pararam de conferir o sacerdócio a negros de origem africana. Os registros da Igreja não oferecem uma compreensão clara sobre a origem dessa prática. Líderes da Igreja acreditavam que uma revelação de Deus era necessária para alterar essa prática e buscaram por oração uma orientação. Continuar lendo
O sacerdócio deixa de ser eficaz quando exercido “em qualquer grau de iniqüidade” (D&C 131:37), mas ele opera pelo espírito e o espírito não é enganado, mas é extremamente sensível ao menor sinal de fraude, fingimento, auto-justificação, ambição, crueldade, etc.. “Quando nos propomos… a exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniqüidade, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e quando se magoa, amém para o sacerdócio ou autoridade desse homem” (D&C 121:37). Mas e o domínio justo do sacerdócio? Este pode ser facilmente reconhecido, pois opera apenas por “persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo… com as entranhas cheias de caridade a todos os homens” (D&C 121:41-45). Mesmo nas eternidades o poder do sacerdócio flui “sem ser compelido… eternamente” (D&C 121:46).
Quem pode negar tal poder a outro? Nenhum homem. Quem pode conferi-lo a outro? Nenhum homem. Gostamos de pensar que a Igreja se divide entre aqueles que o tem e aqueles que não o tem; mas é a mais pura tolice achar que podemos dizer quem o tem e quem não o tem. Apenas Deus sabe quem é justo e até que ponto justo; no entanto, “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu” e estes “não podem ser controlados ou exercidos a não ser de acordo com os princípios de retidão” (D&C 121:35). O resultado é que se há alguém que realmente porta o sacerdócio, ninguém está em posição de dizer quem é – apenas pelo poder de comandar os espíritos e elementos tal dom é aparente. Mas no que se refere a comandar ou dirigir outras pessoas, cada homem deve decidir por si mesmo. Continuar lendo
Neste ano, o tema da mutual dos jovens para 2013 é “Permanecer em lugares santos”. De acordo com Monica Lunardelli (2012), “as presidências gerais dos rapazes e das moças esperam que o tema e os recursos a ele relacionados ajudem os jovens a focar no trabalho do templo, viver os padrões e seguir o exemplo de Cristo”.
Este tema faz referência à escritura Doutrinas & Convênios 87: 8. Esta passagem está no contexto de uma revelação dada a Joseph Smith no natal de 1832. Haveria um período de guerra e, desta forma, muitas calamidades surgiriam na Terra. Para que os santos[1] não sejam desvirtuados do caminho do Senhor, eles devem permanecer em lugares santos.
O atual presidente da Igreja, Thomas S. Monson, busca explicar esta questão em um discurso da Conferência Geral de outubro de 2011. De acordo com Monson, haveria uma analogia entre a diversificação da moral (e dos “bons costumes”) e a guerra citada na escritura acima. Diante de um discurso onde afirma que “sabemos que a moralidade não é coisa ultrapassada” porque “as leis de Deus permanecem constantes” (Monson: 2011), um discurso moralizante, nos é posto a ideia de que devemos “estar no mundo, mas não ser do mundo”, ou seja, que como santos dos últimos dias, nós devemos nos distinguir das demais pessoas por termos uma “moral mais elevada”. Continuar lendo
Para os que não moram em São Paulo e/ou não poderão comparecer pessoalmente à nossa quarta conferência anual de estudos Mórmons, neste sábado, estamos transmitindo ao vivo aqui:
Fique à vontade para usar este espaço também para perguntas e comentários sobre cada apresentação. O programa da conferência encontra-se aqui.
Parece-me que muita gente não entende por que existe a Conferência Brasileira de Estudos Mórmons. “Mas não é patrocinado pela Igreja” dizem alguns. Outros pensam que a Igreja é contra os acadêmicos e tem medo do estudo sobre a religião, pois “se você aprende demais vai perder seu testemunho,” pensam. E mais outros pensam que o estudo não é importante, dizendo: “Quero viver a minha vida. Para que devo gastar meu tempo estudando. Completei a escolha, não vou voltar.”
No domingo passado ensinei o primeiro capítulo do manual “Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow” e nele achei uma resposta: o propósito da vida.
Um esboço biográfico

Aproveitando o novo volume da série Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, a ser utilizado em 2013 na Igreja sud como manual dos Quóruns de Élderes e da Sociedade de Socorro, destacamos abaixo alguns dados biográficos de Lorenzo Snow, quinto presidente da Igreja. Algumas destas informações você só encontra aqui no Vozes Mórmons. Continuar lendo
Conhecer um pouco a história e as doutrinas de nossos irmãos Rastafáris me fez pensar em alguns eventos e curiosidades da saga Mórmon. Ambos os movimentos tiveram início no continente americano e conseguiram sintetizar em uma expressão religiosa os sentimentos e expectativas das pessoas de suas respectivas áreas de atuação inicial. A diferença principal entre eles está ligada ao público alvo, seus anseios e o significado que o continente americano tinha para os dois movimentos.
Assim como entre adeptos do movimento jamaicano, os primórdios do Mormonismo foram marcados por uma certa frouxidão doutrinária e precária hierarquia eclesiástica; até mesmo o conceito de igreja parece ter sido menos rígido. Continuar lendo
IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons
Conferência Anual da ABEM
(Associação Brasileira de Estudos Mórmons)
Tema: “A Relação entre Sede e Periferia na Igreja SUD”
19 de janeiro de 2013
São Paulo, SP
Programa
08:00 – 08:30 – Cadastramento e Café de manhã
08:30 – 08:35 – Abertura & Oração
08:35 – 08:50 – Mensagem de boas-vindas
09:00 – 10:20 Sessão A – “A entrevista oral nos estudos mórmons no Brasil: um guia prático” – Kent Larsen
10:20 – 10:40 – Intervalo 1 & Exposição
10:40 – 12:00 – Sessão B – Mesa-redonda: Por que a retenção nos EUA é maior que no Brasil?
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12:00 – 13:00 Almoço
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13:00 – 14:20 Sessão C – “A jornada de Andrew Jenson pela América Latina em 1923”
Reid Neilson (Departamento de História da Igreja, EUA)
14:20 – 14:40 – Intervalo 2
14:40 – 16:00 – Sessão D – “Colonialismo Político-Religioso: O Impacto Sobre Mórmons Brasileiros da Cruzada Política Contra Gays nos Estados Unidos” – Marcello Jun de Oliveira
16:00 – 16:30 Coffee Break
17:50 – 18:50 – Sessão Sessão E – “Uma história cultural do Livro de Mórmon” – Daymon Smith
18:50 – 19:00 – Encerramento & Oração
Local: A IV Conferência Brasileira de Estudos Mórmons acontecerá na Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, 345 (sobreloja), em São Paulo, SP.
Este post abre a votação para Mórmon Brasileiro do Ano. Votos serão aceitos até a meia-noite de segunda-feira, dia 7 de janeiro, momento em que a votação será fechada.
O mecanismo de votação vai tentar restringir votos a um por pessoa.
A ordem das opções é definida de forma aleatória, e será diferente cada vez que o formulário é apresentado.
O vencedor da votação on-line não é necessariamente o Mórmon Brasileiro do Ano!
Os resultados da votação serão considerados pelos blogueiros e editores da Vozes Mórmons e do Blog Murilovisck (e qualquer um que nós convidamos a participar) como parte do processo de escolha de um mórmon brasileiro do ano. Eu imagino que os resultados provavelmente serão o fator decisivo em caso de um empate, por exemplo, assim como em vários outros cenários possíveis. Continuar lendo
Há alguns anos, enquanto cantava canções de Natal em um evento não-mórmon, sugeri que o grupo cantássemos “Lá na Judéia, Onde Cristo Nasceu.” Fui recebido com olhares em branco e perguntas: “Qual música?” “Nunca ouvi falar.” Acontece que eu estava tão imerso na cultura mórmon (em grande parte eu ainda estou imerso na cultura) que eu não sabia que “Lá na Judéia, Onde Cristo Nasceu” é um hino SUD, escrito por um autor de Utah no século 19 (de fato é o único hino de natal escrito por um membro da Igreja SUD), e é, portanto, desconhecido pela maioria dos grupos não-mórmons, apesar de sua doutrina ser suficiente universal para a maioria deles.
A história da composição dessa música é interessante, por isso vou resumi-la: seu autor, John Menzies Macfarlane, era um converso escocês que emigrou para Utah em 1852 e para a vila de Cedar City, Utah em 1853. Lá, ele fez de tudo um pouco, enquanto agricultura foi descrita como sua ocupação principal, ele também foi professor de escola, o primeiro agente postal para o vilarejo de Toquerville, foi o primeiro superintendente das escolas para o condado, e foi um topógrafo. E até estudou direito e foi eleito juiz de paz da condado[1].
Mas Macfarlane também era músico, e “ocupou-se zelosamente” como músico, para dizer o mínimo. Ele organizou um coro em Cedar City, fundou uma banda de metais na cidade e liderou os esforços para comprar um órgão para a capela de Cedar City. Os concertos de seus coros eram conhecidos em todo o sul de Utah nas décadas de 1860 e 1870 e os registros da época estão repletos de elogios para os concertos. Um concerto realizado em St. George em 1868 levou o Apóstolo Erastus Snow a pedir-lhe a deslocar-se para St. George—e assim ele fez[2]. Continuar lendo
Crônicas da Babilônia: notícias mórmons e outras nem tão mórmons assim
Maias, mais uma profecia, manuscritos do Mar Morto e missionárias sequestradas
Não foi desta vez
E eis que a profecia maia não se cumpriu. Ou melhor, a interpretação new age do calendário maia sobre o fim do mundo não se cumpriu. (Mesmo apesar de algumas mulheres terem ido à sacramental de calças, como bem lembrou Robert Kirby na sua coluna!)
Os verdadeiros maias
Sim, os maias de verdade – que ainda hoje vivem no México e na Guatemala – não estavam esperando o fim do mundo, mas receberam o fim do seu calendário com festas. Já outros milhares de descendentes dos maias aproveitaram a data para um protesto silencioso que fez voltar à vida o EZLN. Quem sabe não serão eles que cumprirão as profecias concernentes ao lamanitas afligindo os gentios?
Políticos metem a colher na profecia “maia”
Aqui no Rio Grande do Sul, um prefeito levou a sério a data fatídica. Já Vladimir Putin
fez questão de dizer aos russos que o mundo vai acabar sim, mas só daqui a 4,5 bilhões de anos. Meu correligionário religioso Mitt Romney não falou nada sobre calendários e fim do mundo, mas muitos apostam que 2012 tenha marcado o fim de sua carreira política. Será que o também sud (mas moderado) Jon Huntsman será o candidato republicano na próxima corrida presidencial? Continuar lendo

Ao ler o excelente artigo do amigo Rolf Straubhaar no qual ele menciona ouvir Bob Marley desde o ventre, lembrei-me da adolescência, quando me questionava o porquê de várias canções de reggae usarem tantas expressões que eu só via nas escrituras. Babilônia era o termo mais recorrente; outras falavam sobre Sião, iniquidade, Leão da tribo de Judá. Aos poucos notava que existia algo religioso naquelas músicas.
Há vários anos dirijo a escolha do Mórmon do Ano no blog Times and Seasons. É uma maneira muito divertida de reconhecer o mórmon que foi mais mencionado na mídia ou que teve o maior impacto público durante o ano passado. Já começamos o processo lá, e o público pode indicar lá quem deve ser o Mórmon do Ano, e também mencionar outros mórmons que apareceram na mídia e merecem menção. Nos anos passados Mitt Romney (2008), Harry Reid (2009), Elizabeth Smart (2010) e Jimmer Fredette (2011) já foram selecionados.
Como parece-me que muitos brasileiros mórmons apareceram na mídia no Brasil, acho que vale a pena selecionar um Mórmon Brasileiro do Ano. Essa designação procura dar uma resposta ao seguinte pergunta:
Qual mórmon brasileiro teve o maior impacto na mídia durante o ano passado?