A Última Taça de Vinho de Joseph Smith

O Profeta Joseph Smith foi assassinado na tarde de 27 de junho de 1844.

O SANGUE DOS MÁRTIRS É A SEMENTE DA IGREJA "O Interior da Prisão de Carthage" por C.C.A. Christensen (Museu de Arte da Universidade de Brigham Young).

O SANGUE DOS MÁRTIRES É A SEMENTE DA IGREJA diz o rodapé da pintura intitulada “O Interior da Prisão de Carthage” por C. C. A. Christensen (1831-1912) Fonte: Museu de Arte da Universidade de Brigham Young

A descrição das últimas taças de vinho que Smith tomou junto com seus colegas de prisão, o Patriarca-Profeta Hyrum Smith e os Apóstolos John Taylor e Willard Richards, meros momentos antes do seu assassinato, encontra-se publicada na obra History of the Church.

Em 1858, o Presidente da Igreja SUD, Brigham Young, revisou e publicou uma coletânea de anotações históricas do Apóstolo Willard Richards, editadas por ele e pelo Apóstolo George A. Smith, sob o título History of Joseph Smith. Em 1902, a Primeira Presidência convocou o Presidente dos Setenta e Historiador Assistente da Igreja, B. H. Roberts, para re-editar, corrigir, e atualizar a obra publicada por Young, que então foi publicada sob o título History of the Church of Jesus Christ of Latter-day Saints.

Joseph Smith vestindo o uniforme da Legião de Nauvoo. Pintura de Sutcliffe Maudsley (1809 - 1881)

Joseph Smith vestindo o uniforme de General da Legião de Nauvoo. Pintura de Sutcliffe Maudsley (1809 – 1881)

É nessa obra, popularmente conhecida como History of the Church [História da Igreja], onde encontramos os testemunhos dos Apóstolos Willard Richards e John Taylor sobre os últimos momentos de paz na vida terrena de Joseph Smith.

Willard Richards

“Antes que o carcereiro entrasse, seu filho trouxe um pouco de água e disse que o guarda queria um pouco de vinho. Joseph deu ao Dr. Richards dois dólares para dar ao guarda, mas o guarda disse que um era suficiente e não pegaria mais.

O guarda imediatamente mandou buscar uma garrafa de vinho, cachimbos e dois pequenos papéis de tabaco; E um dos guardas os trouxe para a prisão assim que o carcereiro saiu. O Dr. Richards sacou a rolha da garrafa e ofereceu uma taça a Joseph, que a provou, assim como também o irmão Taylor e o doutor, e a garrafa então foi dada ao guarda, que se virou para sair. Quando no alto da escada, alguém abaixo o chamou duas ou três vezes, e ele desceu.

Imediatamente houve um pequeno sussurro na porta externa da prisão, e um grito de rendição, e também uma descarga de três ou quatro armas de fogo seguiu instantaneamente. O doutor olhou pela cortina da janela e viu uma centena de homens armados em volta da porta.” (History of the Church 6:616)

A prisão de Carthage, onde os irmãos Smith foram assassinados em 1844. Foto de 1885.

A prisão de Carthage, onde os irmãos Smith foram assassinados em junho de 1844. Retrato anônimo de 1885. Note a única janela do segundo andar na face leste, de onde Joseph Smith tentou implorar por socorro ou clemência.

John Taylor

“Algum tempo depois do jantar, nós mandamos buscar um pouco de vinho. Tem sido relatado por alguns que ele fora tomado como sacramento, não foi nada disso; Nossos ânimos estavam muito aborrecidos e pesados, e mandamos buscá-lo para nos animar. Eu acho que foi o capitão Jones que foi atrás dele, mas eles não o permitiram voltar. Creio que todos nós bebemos do vinho, e distribuímos um pouco para um ou dois guardas da prisão. Todos nós nos sentimos extraordinariamente desanimados e desalentados, com uma profunda depressão de espírito. Em consonância com esses sentimentos, eu cantei uma canção, que tinha sido introduzida recentemente em Nauvoo, intitulada, “Um Pobre e Aflito Viajor”, etc.

A canção é patética, e a melodia é bastante lamentável, e estava muito de acordo com nossos sentimentos no momento em que nossos espíritos estavam todos deprimidos, aborrecidos e sombrios e sobrecarregados com presságios sinistros e indefinidos. Depois de algum tempo, o irmão Hyrum me pediu que cantasse novamente essa canção. Eu respondi: ‘Irmão Hyrum, não tenho vontade de cantar’; Quando ele comentou: ‘Oh, não importa; Comece a cantar, e você obterá o espírito dela.’ A seu pedido, eu o fiz. Pouco depois, eu estava sentado em uma das janelas da frente da prisão, quando vi um número de homens, com rostos pintados, vindo ao redor da esquina da prisão e dirigindo-se para a escada.”  (History of the Church 7:101)

 

"O Martírio de Joseph e Hiram [sic] Smith na Cadeia de Carthage, 27 de junho de 1844" por G.W. Fasel [pintura] e C.G. Crehen [litografia] para Nagel & Weingaertner, N.Y. Dedicado ao "Reverendo" [sic] Orson Hyde

“O Martírio de Joseph e Hiram [sic] Smith na Cadeia de Carthage, 27 de junho de 1844” por G.W. Fasel [pintura] e C.G. Crehen [litografia] para Nagel & Weingaertner, N.Y. Dedicado ao “Reverendo” [sic] Orson Hyde. Note a ilustração de uma tentativa de decapitação após a execução final.

Os textos, como originalmente publicados pela A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foram gentilmente cedidos por esta, através do site oficial de sua universidade Brigham Young University, e podem ser acessados e lidos em seu inglês original clicando-se nos links inclusos acima.

É interessante notar como George Smith editou o testemunho de Richards de modo que ele parece referir-se a si mesmo na terceira pessoa. Supõe-se que isso tenha sido feito para conferir à obra uma sensação de objetividade historiográfica.


REFERÊNCIAS

Bushman, Richard L, Joseph Smith: Rough Stone Rolling, Alfred A. Knopf, 2005.

Hansen, Klaus J, Quest for Empire: The Political Kingdom of God & the Council of Fifty in Mormon History, Michigan State University Press, 1967.

Oaks, Dallin H e Hill, Marvin S, Carthage Conspiracy: The Trial of the Accused Assassins of Joseph Smith, University of Illinois Press, 1979.

Roberts, Brigham H, History of the Church, Deseret News, 1912.

Searle, Howard C, History of the Church (History of Joseph Smith), em Encyclopedia of Mormonism, Brigham Young University, 2001.

Quinn, D Michael, The Mormon Hierarchy: Origins of Power, Signature Books, 1999.

 

16 comentários sobre “A Última Taça de Vinho de Joseph Smith

  1. Aff… como tem gente inocente, que só acreditam nos manuais “sanitizados e censurados” da igreja mormon!!!

    O “profeta” bebia, era poligamo, pegou mulher casada, adolescentes, fumava, bebia café, era maçon, e gostava de artes mágicas…. pesquise …e saberá

    • Não, mas eu gosto de uns punk rock. Relembrei a música e o cantor gaúcho Wander Wildner, acho o máximo o sotaque quando cantam.

      • Olha Marcello, jamais questionei a veracidade dos posts ou das fontes de vocês. Apenas, quero deixar bem claro que, as minhas convicções, vão bem além e se baseiam muito mais do que em obviedades e fatos históricos, muito bem documentados diga-se de passagem…

      • Você tem todo o direito de “questionar a veracidade dos posts ou das fontes” que publicamos ou usamos. Aliás, encorajamos isso. É justamente por esse motivo que citamos e publicamos todas as referências de todas as afirmações que publicamos. Para que todo leitor possa checar a “veracidade dos posts ou das fontes”.

        O que você não tem direito é de inventar “fatos históricos”. Esses “fatos históricos” que são inventados não são “bem documentados”, e tampouco são honestos. Apenas para lhe servir de exemplo, para futura referência, o exemplo do artigo acima é um bom acaso de um evento “bem documentado”, considerando duas testemunhas oculares e duas publicações oficiais, cumprindo os requisitos básicos do critério do embaraço e critério da atestação múltipla.

        As suas convicções religiosas são absolutamente irrelevantes aqui. Você pode crer nos “fatos históricos” que você inventa na sua cabeça, mas isso não os torna “verídicos” ou relevantes.

  2. Você não entendeu as minhas colocações, ou então, me desculpo por ter me expressado mal. Vou tentar ser mais claro desta vez.

    Quando eu fiz afirmações no post passado, no qual você faz referência pelo link, não quero de maneira alguma negar os fatos ali colocados e, muito menos, pretendi inventar fatos históricos; portanto não estou mentindo. O que acontece é que, ao fazer tal afirmativas como, a igreja não é racista, por exemplo, estou colocando o meu ponto de vista, depois de ler os referidos artigos sobre o assunto. Pois creio firmemente que posso usar de minhas faculdades interpretativas para analisar qualquer texto, seja ele de teor informativo e ou histórico. Acredito ser a História passível de objetividade. Isto não ignifica que eu esteja negando ou distorcendo fatos ocorridos. Apenas observando e analisando de uma perspectiva diferente.

    Em relação as minhas convicções religiosas, concordo com a sua alegação. Porém entendi serem necessárias para melhor explanação de meu comentário.

    • Você está, novamente, distorcendo os fatos do passado.

      Você não tinha dito: “a igreja não é racista”. Você disse: “A igreja nunca foi racista”.

      Não existem “faculdades interpretativas” que alterem o fato de que a Igreja foi, objetiva e inegavelmente, racista entre 1852 e 1978.

      Ademais, você está fingindo que não se levantou a sua outra distorção dos fatos do passado:

      Você disse, sobre poligamia: “a igreja apenas estava dentro da lei”.

      Não existem “faculdades interpretativas” que alterem o fato de que poligamia era ilegal em Ohio entre 1833 e 1838, em Illinois entre 1839 e 1847, e em Utah entre 1862 e 1904, quando a Igreja foi, objetiva e inegavelmente, ativa promulgadora desse crime.

      Fatos bem documentados são fatos. Em ambos os casos você estava, claramente, “negando ou distorcendo fatos ocorridos”. Apenas “observ[ar] e analis[ar] … uma perspectiva diferente” desses fatos seria conjecturar motivos por que a Igreja foi racista por tanto tempo ou por que a Igreja pregou um crime por tanto tempo, sem negar o fato histórico bem documentado de que ela assim agiu.

  3. Vale lembrar que havia Whisky para os SUD em Utah, a palavra de sabedoria demorou para “pegar”. Tem coisa mais estranha que uns missionários beberem coca-cola e outros não…Na seção 89 de D&C nos alerta contra “homens conspiradores”, seria algo relativo á indústria e a formulação de alguns produtos ? A palavra de sabedoria é um mandamento de relacionamento com o Senhor, por mais que se debata substancias químicas e/ou seus males; o que devemos ou não devemos beber / comer. Este mandamento é um aspecto do evangelho que envolve disciplina, humildade, firmeza e controle das paixões e desejos carnais, isso na minha opinião fortalece e enobrece qualquer vida religiosa e espiritual. Vejamos o exemplo dos monges, dos hindus. A igreja Adventista é muito mais rigorosa com isso e se nota uma diferença no jeito deles. A Palavra de Sabedoria trouxe uma característica positiva a nossa igreja, realmente algo louvável se comparando com outras religiões.Trata-se de um elemento santificador. O fato dos profetas, apóstolos ou qualquer outros membros SUDs beberem álcool, não alteram o propósito desta revelação.

  4. Já fui mórmon. A única e verdadeira igreja? Não. Não se monopoliza Deus. Religiosos, na maioria, são críticos e preconceituosos. Um Deus vingativo e que privilegia uns mais do que outros é muito imperfeito. Se nós, humanos imperfeitos, conseguimos entender e perceber mais de um bilhão de galáxias que nossas vistas alcançam, como podemos acreditar que o criador disso tudo vai se vingar e preterir seus filhos? Qual a melhor religião de todas? A sua. Desde que te faça bem e tb a seu semelhante.
    Degladiar teologicamente e perda de tempo.
    A todos : shalom sarava namaste axé e o que te faça bem

    • O importante é dormir com a consciência tranquila, se deus vai salvar só quem for daquela igreja como eles pensam, prefiro o inferno.

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