Jesus Mórmon Branco Viraliza na Páscoa Evangélica

Nesta Páscoa, em tempos de isolamento social por causa da pandemia de coronavírus, viralizou no aplicativo de mensagens pessoais WhatsApp entre evangélicos, um vídeo mórmon roubado e reapropriado por um aspirante a político adventista.

Imagem do vídeo produzido pel’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A mensagem-propaganda d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como Igreja Mórmon, mostra cenas genéricas de Jesus Cristo baseadas nas narrativas dos evangelhos do Novo Testamento, acompanhadas de citações atribuídas a Ele pelos evangelistas, e concluindo com um convite a conhecer a Igreja Mórmon. O vídeo é caracteristicamente mórmon, não apenas pelo aspecto missionário-propaganda de seu logo e seu convite ao final, mas também pela questão racial. Estruturada em forte tradição de supremia branca, a Igreja SUD costuma produzir arte que exiba Jesus como um homem branco de olhos claros (ver abaixo), ao invés do judeu palestino que teria historicamente sido.

O vídeo circulando entre evangélicos, popular o suficiente para nos ter sido encaminhados por três fontes diferentes em círculos não-evangélicos, é um furto de propriedade intelectual da Igreja Mórmon com alterações igualmente características. Continuar lendo

Moroni Torgan e a Igreja em Fortaleza

zuMoroniO Mormonismo no nordeste brasileiro teve início mais de 30 anos após a chegada dos primeiros missionários ao nosso país. Os pioneiros desta parte do Brasil foram Milton e Irene Soares, que se batizaram no Recife, em 1960. Seis anos depois, seria a vez de minha cidade ter seus primeiros conversos, com o batismo da família Cintra[1].

No início o crescimento foi lento, e a política de segregação racial não ajudava muito em uma região onde considerável parte dos moradores seria impedida de exercer plenamente a condição de membro.

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Nós e os outros

Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem.

A Regra de Fé acima é uma forte posição a respeito da liberdade religiosa de todo ser humano. Mas nem sempre, no cotidiano da igreja, as referências a outras religiões fazem jus a essa doutrina. Quando se fala em religiões em geral, tudo bem; os problemas surgem quando se citam denominações específicas. Compartilho quatro episódios da minha própria experiência.  Continuar lendo