A Bíblia e sua restauração de uma pedra de tropeço

Texto de Daymon Smith para a Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, realizada em 2013. Daymon Smith possui doutorado em antropologia pela Universidade da Pensilvânia e é o autor de The Book of Mammon e os três volumes de A Cultural History of the Book of Mormon, entre outros trabalhos. Possui o blog Mormonism Uncorrelated. Comentários e perguntas dos leitores e as respostas do autor serão traduzidas pelo Vozes Mórmons.

book-whirlUma das ironias do Livro de Mórmon é que seu tradutor e seu escriba frequentemente entendiam mal o que diz o texto. O termo “restauração”, por exemplo, é claramente definido por Alma e outros como algo muito maior do que trazer de volta alguma igreja cristã, imaginariamente tirada das páginas do Novo Testamento. A restauração da Casa de Israel é trazê-la de volta a Deus, e isso acontece pela restauração do conhecimento sobre seus convênios e sua misericórdia desde a Criação até esta tarde.

Restauração era um termo do Livro de Mórmon, nele definido claramente, descrevendo geralmente algo como karma: aquilo que sai de você voltará a você, para sua condenação ou salvação, se sua vida tiver sido misericordiosa ou injusta.

Seis meses depois de o livro ser publicado, porém, um grupo amplo de restauracionistas afiliados a Alexander Campbell e seu amigo Sidney Rigdon foram reunidos na fazenda de Isaac Morley, próxima a Kirtland, Ohio. Eles viviam o que consideravam ser um comunismo cristão, uma parte distintiva do seu esforço de restaurar a antiga ordem das coisas. Campbell e Rigdon não praticavam a comunidade de bens, entretanto, e ocasionalmente discutiam sua restauração. Continuar lendo

Jesus e Joseph hoje

Aqui vão dois cenários puramente imaginários.

1) Se o homem a quem chamamos Jesus Cristo vivesse hoje entre nós, com outro nome, de modo humilde e sem revelar de forma sobrenatural seu papel de messias, ele seria melhor aceito pela sociedade? Ou seria de novo vítima da intolerância e perseguição? Ele seria condenado à morte de novo? Legal ou ilegalmente? Como ele seria tratado pela mídia? Pelo governo? Pelas religiões? Ele seria aceito pelos cristãos (incluindo os santos dos últimos dias)? Quem o perseguiria? Continuar lendo

Apostasia pessoal

Apostasia é um conceito frequentemente empregado por santos dos últimos dias para se referir, (1) num sentido histórico, à transformação do cristianismo original e sua perda de autoridade divina e, (2) num sentido individual, a uma forma de decadência espiritual ou desobediência a princípios divinos. Continuar lendo

Salvação e revelação

Salvação não pode vir sem revelação; é vão para qualquer um "A moeda perdida", pintura de J. Kirk Richardsministrar sem isso.  Nenhum homem é um ministro de Jesus Cristo sem ser um profeta.  Nenhum homem pode ser um ministro de Jesus Cristo a não ser que tenha o testemunho de Jesus e este é o Espírito de Profecia.  Sempre que a salvação tenha sido administrada o foi por testemunho. Homens no presente testificam de céu e inferno e nunca viram nenhum. (Joseph Smith, 08 de agosto de 1839, registrado por Willard Richards, Words of Joseph Smith, p. 10.) Continuar lendo

Quem são nossos samaritanos?

Hoje, na Escola Dominical, uma das parábolas abordadas foi a do samaritano socorrendo o judeu à beira da morte, em Lucas 10. A radicalidade do ensinamento de Cristo ao colocar o samaritano como próximo do judeu só pode ser entendida a partir da exclusão mútua entre os dois povos. Falando como judeu a uma audiência judaica, Cristo escolhe como exemplo de misericórdia um indivíduo Continuar lendo