Alguns Mórmons Veem Mensagem na Trombeta Caída do Anjo Morôni

Em 18 de março de 2020, às 7:09 da manhã, moradores de Salt Lake City e condados vizinhos do norte de Utah acordaram com um terremoto de magnitude 5,7 que atingiu 16 km além da cidade. Felizmente, parece não ter havido perda de vidas, embora danos materiais ocorreram em toda a área. O icônico Templo de Salt Lake City d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias teve somente pequenos danos. O anjo de mais de três metros e meio, na torre mais alta do prédio, foi sacudido a tal ponto que a trombeta posicionada em seus lábios deslocou-se e despencou para a base da torre. Coincidentemente, o templo havia sido fechado em 29 de dezembro de 2019, para reforma e atualização sísmica.

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Morôni sem a trombeta. | Imagem: Beneathtimp, Wikimedia Commons

Um porta-voz da Igreja SUD observou: “Este evento enfatiza por que este projeto é tão necessário para preservar este edifício histórico e criar um ambiente mais seguro a todos os nossos frequentadores e visitantes.” Membros individuais da Igreja, no entanto, procuraram um significado profético maior do que o oferecido na declaração sobre a segurança do edifício.  Continuar lendo

Vivemos nos Últimos Dias?

Reza a doutrina mórmon que nós vivemos nos últimos dias. Literalmente os “últimos dias” antes do apocalíptico “fim do mundo” consequente à “destruição de todas as coisas” que acompanharão a “segunda vinda de Cristo”.

Jesus Mórmon

Por isso os “sinais dos tempos” são tão relevantes na cultura mórmon. Tais sinais indicariam a proximidade do fim, ao mesmo tempo que confirmam a fé do mórmon. Esse costume mórmon de procurar, e achar, “sinais dos tempos” em tudo o que vê mundo afora é muito popular entre membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (notemos que o foco apocalíptico está logo aí no nome oficial da igreja, segundo apenas ao foco em Jesus Cristo).

Todavia, isso não é uma tendência recente no mormonismo. Avistar “sinais dos tempos” é uma prática tão velha quanto o mormonismo em si. O historiador do mormonismo do século 19, Klaus Hansen, resumiu a prática assim¹:

“Contudo, os Santos não haviam sido deixados num mar de inteira incerteza. Os sinais dos tempos, como faróis, os guiariam através da escuridão e das águas turbulentas até que a luz de Cristo reaparecera. Aos gentios, tais faróis seriam luzes de aviso, se não o fogo do julgamento. Pois entre os sinais incluir-se-iam calamidades da natureza, acidentes ferroviários, fogos, explosões de barcos à vapor, guerras, revoluções, e sinais nos céus. Como não havia nunca grande dificuldade em achar tais catástrofes em abundância, o [jornal da Igreja SUD] Estrela Milenar fielmente os documentava  em cada edição sob uma seção especial entitulada “Sinais dos Tempos”. [Joseph] Smith fazia o mesmo em seu diário pessoal. Toda calamidade no mundo era vista como um sinal do, e uma contribuição para, o fim do mundo. “Todas são”, observou T. B. H. Stenhouse, “para o Santo, confirmações alegres de sua fé, e sugestões do triunfante reconhecimento do… ‘Reino’.”

Portanto, não é de se espantar que se ouve nas capelas, ou se lê nas mídias sociais, frequentes alusões a fatos e tendências contemporâneas como “sinais do tempo” e indicações que “o fim se aproxima”.

Não obstante, a realidade, ou fatos observáveis e mensuráveis, não parecem confirmar os “sinais dos tempos”. Tomemos, por exemplo, Continuar lendo