Namoro e Casamento entre Jovens Mórmons

Jovens Mórmons encontram desafios para namorar e casar-se diferentes de não-membros?

Interessante peça jornalística na revista ‘TIME’ explora algumas das características idiosincráticas da cultura Mórmon nas práticas sociais de namoro e casamento e dos desafios atuais da juventude Mórmon.

Jovens SUD

Moças SUD sofrem com escassez de rapazes na Igreja para namorar ou casar-se?

Eis alguns destaques dessa investigação:

  • Há mais mulheres na Igreja que homens.

De acordo com estudo da Trinity College chamado Pesquisa de Identificação Religiosa Americana (American Religious Identification Survey ou ARIS), há 150 mulheres Mórmons para cada 100 homens Mórmons no estado de Utah, ou 3 mulheres para cada 2 homens.

  • Homens na Igreja se aproveitam desse desequilíbrio.

Uma veterinária de San Diego entrevistada desabafa que os “homens [da Igreja] ficam esperando que possa aparecer uma mulher melhor, mais perfeita”. Além disso, diz que por causa da escassez de homens, mulheres na Igreja acabam se submetendo a intimidade sexual além do preconizado pela religião: “Há uma cultura de namoro muito mais promíscua dentro da cultura Mórmon por causa desse desequilíbrio”.

  • Mulheres Mórmons acabam se casando com homens não-Mórmons ou tendo filhos independentemente.

Entrevistada, a dona de um site de relacionamentos voltado para Mórmons chamado ‘Mormon Matchmaker‘, afirma que tem o triplo de mulheres cadastradas que homens em seu banco de dados, e relata dúzias de casos de mulheres que acabam desistindo de buscar parceiros dentro da fé para casar-se com membros de outras religiões ou mesmo ter filhos em “produções independentes”. Relata que, nos casos de 10 amigas próximas, muitas histórias pessoais chegam a ser tristes e dolorosas.

  • Demograficamente, há mais mulheres em idade de casamento que homens. Inclusive, a Igreja SUD sofre de uma dos maiores desequilíbrios de gênero entre religiões nos EUA.
  • A multiplicidade de opções em parceiras paralisa os homens SUD.

Uma gerente administrativa entrevistada pondera que “há tantas opções para homens que é difícil pra eles tomarem uma decisão [para casar]”.

  • Mulheres são mais ativas na Igreja SUD que homens. Estes abandonam a fé com maior frequência.

De acordo com estudos da Pew Research Center, 67% de ateus são homens. De acordo com dados publicados pela própria Igreja, a razão mulheres/homens em 1990 era 52:48. De acordo com dados publicados pelo estudo ARIS, esta razão em 2008 mudou para 60:40.

  • O desequilíbrio demográfico entre homens e mulheres SUD é mais pronunciado entre solteiros.

Nos EUA, especialmente em Utah, há alas designadas exclusivamente para membros solteiros. Em um exemplo citado, uma ala na Cidade de Lago Salgado, a Parley 7, tem 429 mulheres em seu registro, contra 264 homens.

  • Atividades sociais não ajudam.

Uma repórter de televisão de Utah entrevistada queixa-se que em há 2 mulheres para cada homem nas atividades sociais organizadas pela Igreja ou por membros em sua região. Ela relata que acaba passando mais tempo socializando com outras mulheres:  “Eu chego a viajar em cruzeiros para [Mórmons] solteiros e volto com nenhuma paquera mas incríveis amigas novas”.

  • Paradoxo da Escolha: Esperar pela Esposa Perfeita!

A repórter entrevistada continua: “Para homens, há tantas escolhas que acabam não escolhendo. O sonho de um homem Mórmon é casar-se e ter seis filhos. Ao envelhecer, seu sonho nunca se altera. Mas quando se é uma mulher de 37 anos de idade, você já é velha demais para esse sonho.”

Um professor de Sociologia da Universidade de Tampa entrevistado concluí que o êxodo de homens da Igreja é um efeito colateral da crescente importância da missão na vida Mórmon. Antigamente, servir missão era uma opção. Atualmente, é um pré-requisito para participação em cargos de liderança e, consequentemente, status social.

  • A maioria dos homens Mórmons não serve missão.

Homens Mórmons são compelidos a servir missões justamente no período de vida quando sociologistas dizem que é mais propenso para o abandono de religiões organizadas. O sociólogo entrevista diz crer que este foi o real motivo pelo qual a Igreja SUD decidiu reduzir a idade para missionários de 19 anos para 18 anos de idade: “Eu acho que eles estavam perdendo muitos membros que começavam suas faculdades aos 18 anos, ou entravam no mercado de trabalho, e simplesmente chegavam aos 19 anos sem o ímpeto de abandonar suas vidas para servir uma missão”.

  • Reduzir a idade missionária parece ter reduzido o problema da evasão.

Entre 2012 e 2014, o número de Mórmons servindo missão de 58 mil para 83 mil. Se essa tendência persistisse, poderia haver uma redução na taxa de evasão de homens, e consequentemente uma redução na disparidade entre homens e mulheres.

  • Homens Mórmons estão postergando casamento.

Artigos recentes vem documentando essa tendência entre membros da Igreja SUD, assim como a própria liderança da Igreja, que encaram essa atitude como um problema religioso.

Alunos da universidade oficial da Igreja (BYU) entrevistados dizem achar que a idade ideal para casamento é 30 anos.

  • Homens Mórmons objetificam mulheres.

David Dollahite, professor da BYU, acusa os rapazes Mórmons de ter uma “mentalidade de mercado” com respeito a mulheres: “Atualmente, estou namorando uma mulher [nota] 9,7. Mas, se eu esperar um pouco, posso conseguir uma mulher [nota] 9,9!”

Hannah Wheelwright, voluntária no Ordain Women, adiciona: “No mercado de namoros, os homens detêm todo o poder. Eles tem todas as escolhas, enquanto as mulheres gastam horas preparando-se para os encontros porque, afinal, sua salvação eterna e exaltação dependem exclusivamente de um casamento com um homem digno de portar o Sacerdócio”.

Ademais, ela ilustra o processo de objetificação de mulheres: “Os corpos das mulheres são debatidos [entre os homens]”. Homens Mórmons são, portanto, muito mais exigentes com as aparências e atributos físicos das mulheres, o que tem levado a uma obsessão competitiva por estética, cirurgia plástica, e cosméticos entre mulheres Mórmons.

  • Embora sexo antes do casamento ainda seja tabu, as normas sociais entre Mórmons vem mudando.

Recém-formada, Wheelwright coloca o cenário atual em perspectiva: “Na BYU, muitos Mórmons da minha idade não consideram sexo oral como sexo.”

  • Mórmons são fanáticos por cirurgia plástica!

“Eu já vi as próteses mamárias mais chamativas e as cirurgias plásticas faciais mais radicais em Utah do que em qualquer outro lugar do país, especialmente entre mulheres Mórmons. Elas dizem que castidade é a maior virtude, mas isso não impede ninguém de comprar pra si seios enormes”, pondera o sociólogo.

O site RealSelf.com, dedicado a cirurgias plásticas, publicou estudo em 2011 na qual residentes de Salt Lake City constituíam os maiores visitantes em busca online por cirúrgias plásticas. Em 2007 a revista Forbes publicou matéria entitulando-a como a “cidade mais vã”, com 4 cirurgiões plásticos por 100.000 habitantes, 2,5 vezes acima da média nacional. Salt Lake City gastava em 2006, além disso, USD 2,2 milhões em produtos para tingir cabelo e USD 6,9 milhões em cosméticos, enquanto  Oklahoma City, com uma população um pouco maior, gastava USD 172.000 e USD 594.000, respectivamente.

Kimball Crofts, cirurgião plástico em Salt Lake, relata que “há tantas mulheres atraentes aqui que os homens escolhem demais e ficam exigentes.” Ele diz que próteses mamárias, lipoaspiração, e toxina botulínica são os procedimentos mais pedidos. Ainda relata que algumas pacientes vão a pedido de seus namorados mais do que por volição própria.

  • Assimetria de expectativas sociais pioram, ao invés de melhorar, o quadro.

Casar-se e ter filhos é a principal responsabilidade e aspiração de vida dentro da fé SUD. A desigualdade demográfica, que dificulta um casamento dentro da fé, só torna o que seria uma desilusão numa situação social degradante. Opina Wheelwright:

“Numa religião onde mulheres são inteiramente desnecessárias na estrutura essencial da Igreja, ter um desequilíbrio de gêneros onde há mais mulheres que homens apenas serve para intensificar o efeito [negativo].”

Como nós vivenciamos isso nas nossas comunidades Mórmons brasileiras?

69 comentários sobre “Namoro e Casamento entre Jovens Mórmons

  1. Eu em minha ex-vida sud e todas as minhas amigas da época, sempre fomos sim obrigadas a casar com rapazes 100% despreparados para o matrimônio, só o fato de fazer missão não é suficiente para construir uma vida a dois, logo quando eles chegam da missão já procuram por todos os lados uma esposa, moças que ao meu ver mal sabem fritar um ovo, sem maturidade alguma e o pior sem nenhum emprego ou faculdade em vista, o país está em crise e cada vez mais somos obrigados a fazer um pós-graduação, isso de casar cedo talvez dê certo no meio sud lá de Utah mas aqui esse lance raramente dá certo. Fazer uma faculdade algumas vezes leva sim, com o tempo, ao afastamento da igreja pois percebo que o debate nas universidades é mais aberto e sinto que as igrejas temem isso, testemunhas de jeová também são contra faculdades, pelo menos as famílias que conheci na minha missão me confirmavam isso, e pelo que leio, quando maior a demora para casar mais está propenso a ser duradouro o casamento, afinal nos tornamos mais maduros,e mudamos muito de opinião e a igreja sabe disso pois observa e teme isso, na minha humilde opinião.

      • Não é contra cursar uma faculdade, mas sim a Igreja não consegue lidar com pessoas pensantes e questionadoras. Quando a Igreja é questionada, ela entra em conflito com o membro. Seja retirar cargos eclesiásticos, seja não dar recomendação, seja deixar no ostracismo e sempre a desculpa “não toque na arca”, “A Igreja é do Senhor, não de conselhos ao Senhor” ou a pior de todas “Vc não apoia seus líderes”. Pessoas que cursam faculdade, em geral, começam a ter uma visão de mundo muito mais abrangente do que a Igreja quer hoje em dia.

        E no caso em questão, as mulheres fazem faculdade mais cedo que os homens (pq eles vão pra missão), o que faz que elas não sejam tão Amélias como os homens normalmente esperam. Uma mulher que questiona o fato dela não possuir o sacerdócio já é tratada como apóstata (inclusive pelas próprias mulheres). As pessoas começam a perceber que não é normal mulher apanhar do marido em casa e ficar revoltada pq a liderança só da uma bronca e já era. Esses dias uma líder disse que não se envolve em briga de casal onde o marido bate na esposa. Minha esposa e eu levamos a mulher na policia registrar ocorrência.

        Essas são formas de ver o mundo que abrem os olhos das pessoas e elas param de aceitar abusos, domésticos, de autoridade, começam a questionar etc. Quantos líderes já vi falando bobagens sobre a Terra ter 6 mil anos e a teoria da evolução ser mentira pq não tá na biblia…. Para uma pessoa com instrução ouvir uma coisa dessa é óbvio que vai saber que ali só tem bobagem, ainda que seja a opinião do líder e não a posição oficial da Igreja.

        São só alguns exemplos

    • Magnólia, penso que a vida a dois realmente torna-se mais fácil quando há objetivos em comum e neste sentido, o casal que pertence a mesma crença tem mais chance de ter sucesso no casamento. Eu concordo com a parte da proclamação da família que trata dos princípios que devem ser aplicados na família, mesmo aquela que tenha uma configuração diferente e não somente a tradicional. E concordo contigo, no que tange à ideia de presumir que somente a missão basta para preparar um rapaz ou moça para o casamento, com certeza, não! É preciso muito mais, é preciso trabalho, esforço mútuo, sacrifício de ambos e não só da mulher, entre outros. As moças devem se preparar a tal ponto de não precisar ficar na dependência financeira do marido e não devem se sentir pressionadas a ficar em casa, cuidando do lar e das crianças.

    • Nossa, quanta besteira você disse ai ein, depois que li : ”quando maior a demora para casar mais está propenso a ser duradouro o casamento, afinal nos tornamos mais maduros,e mudamos muito de opinião”…

      Total contra o que o Profeta fala, cruzes…

      • Pedro, se o profeta estivesse certo, Utah não seria o estado norte-americano com maior quantidade de divórcio dos EUA.

        As moças e rapazes SUD são completamente despreparados para casamento, sonham com contos de fadas, não conversam sobre sexualidade, a maioria é sustentada pelos pais. A maioria casa e vai morar com os pais de um dos noivos ou numa casa alugada ou emprestada por familiares. Com isso evidentemente os boletos começam a chegar, filhos (pq não basta casar, tem que fazer filho também, é a pressão para ter filho logo depois que casa), aí o casamento entre em colapso, a ala tem que ajudar financeiramente e o casamento vira um inferno. É óbvio que o “profeta” está errado. O casamento deve acontecer quando há ao menos condições minimas para o casal viver em liberdade, em seu próprio canto e conseguindo pagar suas contas. Nossa economia não é igual nos EUA que qualquer pessoa pode comprar uma casa, financiar por meio de hipoteca e quase nao pagar juros. Cada país tem uma realidade completamente diferente. Mesmo nos EUA vemos que isso não funciona (novamente, mostrando o número de divórcios em Utah), imagina no resto do mundo?

        Casar mais tarde que ela quis dizer, é que vc tenha uma profissão, uma certa estabilidade financeira e emocional.

  2. A cultura de que devemos buscar alguem dentro da Igreja para casar nao esta em harmonia com o evangelho de Jesus Cristo. Nao ha garantia de sucesso no casamento simplismente por compartilharem a mesma crenca. A maioria das jovens deveriam pensar em concluir seus estudos antes de se casarem, a igreja pressiona eles a se casarem logo apos retornarem de missao mas esquece que a maioria deles nao estao preparados para o casamento. Logo que se casam ja comecam a ter filhos e a vida vira um chaos e ai se precisar ajuda da igreja..

  3. Fábio, foi perfeito seu comentário, ser da mesma crença é o de menos, já vi muitos casamentos acabarem pela falta de $$ mas raramente pelo excesso dele, os membros daqui da minha ex-ala se casam “com uma mão na frente e outra atrás ” com um fogão e uma cama e quando a gente fala o contrário somos tratados como incrédulos, eles querem aqui sustentar uma família com 1 salário, eles pensam que mulheres que trabalham fora de casa NÃO são boas mães, vejo moças aqui quase passando fome e todo ano parindo filhos a mando da liderança da igreja, devemos pensar muito no futuro, o mundo tá cada vez mais capitalista e a frase que mais escuto é sempre a mesma: ” deixa que deus ajuda” ou ” o importante é só ter fé” e ainda falavam mal de mim e de quem pensava como eu, dizendo que nós só queremos saber de $$, por isso tantas aqui se casam com americanos, acho que é para não passar fome como muitos aqui……….porque será que é uma das igrejas que mais fala de casamento e tem taxas de divórcio tão altas?

    • AS que casam com americanos se casam com os white trash (Lixos brancos) o que vi de brasileiras que são praticamente escravas de um casamento foi brincadeira. conheci varias infelizes pois resolveram casar com americanos tanto quando estava na missão ou que conhecera lá.A vida delas é aparências é nada mais. Trabalham na faxina ganham o dinheiro suado enquanto o marido esta jogando video game ou na faculdade que nunca termina.Conheci pouquíssimas que que deram certo no casamento.O sonho americano e um pesadelo.

      • Outra coisa que a igreja fala e sou contra é o de não misturar raças. Que “cada um fique em seu país nativo.” Muito fácil para os líderes mórmons terem uma posição como essa, conheço as riquinhas casadas com os americanos e mandando as pobres brasileiras pretas se casarem com os analfabetos daqui do Brasil.

  4. Esse tema é muito delicado para as mulheres com mais de 30 pois o que ocorre é que, para os membros, com essa idade já estamos velhas, passadas, não servimos pra nada mais. Na verdade servimos para servir mas não para ser servidas, entendem? Usam todos os nossos talentos e nossa educação secular de maneira quase predatória para depois nos desvalorizarem pq simplesmente não somos casadas (como se o fato de ser casada fizesse de vc uma rainha de sabedoria e conhecimento). É muita humilhação todo domingo ir na Igreja e te encherem o saco falando de homem, que vc tem que casar, que vc tá ficando velha, que isso, que aquilo! Caramba, nem sabem da minha vida mas sabem que eu preciso casar urgente! E o pior: me empurram cada homem que dá pena: homens infantis, que não gostam de trabalhar ou estudar, não correm atrás de nada na vida, vivem das glórias da Missão… e eu que sou a idiota por não querer namorar um pamonha-mór desses! Eu desisti de procurar alguém da Igreja: prefiro um relacionamento de verdade com amor, paixão, companheirismo, sexo, luta do que esses casamentos fakes que vejo na Igreja: gente que mal conversa em casa mas no domingo, e no facebook, vive um conto de fadas… A gente se doa, se abnega em tantas coisas e ainda escuta que é indigna, que não chegou no nível certo… e ainda tem que aguentar as irmãs insuportáveis que acham que sabem tudo da vida só pq foram seladas… ah, pra mim já deu! Sempre a mulher se dá mal! Já larguei mão de homem da Igreja e agora quero alguém mais real… homens da Igreja são fake demais!

    • Concordo com você!!!
      A grande maioria é fake, sim. Nós vemos na Igreja moças muito preparadas, estudadas, esforçadas, mas não vemos homens à altura delas….
      Também desisti!

  5. Casamento é algo muito importante. A família é algo sagrado por isso tanto as moças quanto os rapazes se preparam com recato para encontrar um companheiro e companheira que tenham os mesmos objetivos, uma vez que o casamento é um projeto para a eternidade, torna-se mais seguro casar-se dentre os membros da Igreja pois ambos defenderão as mesmas causas. Quanto a ausência de uma qualificação profissional, acadêmica ou financeira é importante e a Igreja ajuda-os oferecendo condições para se formarem pois há um financiamento através do Fundo perpétuo de educação que permitirá a ambos estudarem e se qualificarem. É verdade que poderá ser difícil no inicio, mas vencerão e atingirão as metas desejadas. O importante é que haja amor, compromisso. e a esposa ajude seu marido a vencer , compreendendo que o momento inicial requer alguns sacrifícios e renuncias.
    Não há pressão por parte da Igreja e sim um aconselhamento para os rapazes e moças que não protelem mas sejam sábios. Acho que esse tema é deva ser bem explorado, com respeito e responsabilidade porque os Jovens adultos da Igreja merecem todo o apoio respeito e consideração, os rapazes e as moças são perolas de grande valor.

    • Há que se ter muito cuidado com as mensagens que se transmite na igreja, especialmente, quando se fala de “família”, pois de forma direta há uma exclusão dos que não se enquadram no perfil tradicional, incluindo os adultos solteiros. Na minha ala, algumas adultas solteiras sentiram-se desconfortáveis com comentários preconceituosos e impensados de algumas mulheres casadas que costumam repetir citações descontextualizadas, resultado? afastamento da Igreja, pois a mesma parece não acolhe-las em seus anseios. Sem falar que também o número de homens ativos solteiros é tão ínfimo que o círculo fica reduzidíssimo e as possibilidades de relacionamento quase inexistentes.

      • Lisiane, há alguns anos, num serão do SEI, um representante regional disse que todo jovem que volta da missão e demora mais de dois anos para casar, se torna uma ameaça à sociedade. Naquele dia, pelo menos três amigos meus resolveram não voltar mais à igreja e estão afastados até hoje. Este tipo de padronização excludente só faz com que aqueles que não se enquadram no modelo tradicional e nas expectativas da comunidade se sintam de fora, sem conseguir sentir que realmente fazem parte. O reflexo disso infelizmente é o afastamento. Todo mundo tem necessidade de ser aceito e se sentir parte integrante e importante do grupo, e não só um anexo.

  6. Ok, então vamos lá. A Igreja com sua forte cultura patriarcal impõe sobre as mulheres as mesmas mazelas que nossa sociedade machista. Com alguns agravantes, a saber:
    Imprime ao casamento o caráter de status. Quem se casa no templo chegou ao ápice da cadeia alimentar sud. Ao se selar, o casal está apto para ter seu próprio planetinha para cuidar um dia, mandar em tudo, ter milhões de filhos que o adorarão eternamente. Revela, obviamente, um conhecimento muito superficial de doutrina, é uma teologia perigosa essa. Tem pessoas que já se sentem deuses agora mesmo. Aqui, deste lado do véu, são uma família a mais na contagem, com potencial para exercerem cargos que solteiros não podem. Visto isso, todo o resto vira uma corrida do ouro pelo matrimônio, quanto mais rápido, mais cedo, melhor. Tudo é voltado para a construção desse modelo de família perfeita, que faz uma bela vista nos bancos da sacramental, sem no entanto, ter se preocupado com as estruturas básicas de um casamento, o mínimo para que se possa construir algo duradouro.
    Ensinam as moças desde cedo que o casamento é aquilo que elas devem almejar da vida em primeiro lugar, com primazia sobre todo o resto. Portanto, estudar, trabalhar, ter uma profissão, desenvolver seus dons e talentos estão em terceiro plano. Em primeiro e segundo estão casar-se e ter filhos.
    Diante disso, é óbvio que todos aqueles que não se encaixam neste padrão fortemente estabelecido estão à margem, neste grupo social. Quem são eles? As jovens com aparência aquém dos padrões de beleza da sociedade, as jovens que por ideal próprio ou cultura familiar decidem deixar o casamento para depois dos estudos e de uma carreira estabilizada, a jovem mãe solteira, separada, viúva. A maioria destes casos cabe também aos homens. No entanto, como o patriarcado é um traço forte, homens encontram menos dificuldades. Mulheres estão sempre esperando ser escolhidas.
    O problema é que, após a pressão para se casarem cedo, sem preparação, sem se conhecerem direito, sem profissão, quando a porta se fecha, são só eles dois. Todos os que fizeram pressão e lavagem cerebral desaparecem. E fica só o casal, jovem, amedrontado, tendo um filho atrás do outro, na companhia de inúmeros problemas complexos para os quais eles não tem solução e, obviamente, não tem apoio. Problemas, eles que se virem pra resolver. Experimenta ficar levando problema conjugal toda semana pra o líder que te incentivou a um casamento apressado e veja se a.simpatia será a mesma. Não, porque o líder também não sabe o que fazer com o problema. Estão todos numa engrenagem automatica, ninguém pensa nas variáveis. “Então pare de dar problemas, fez suas visitas? Hoje é dia 31 e não fez suas visitas”.
    Tomando mais uma vez o lado feminino como referência, quando uma moça resolve romper com este padrão, estudar, trabalhar, se qualificar, não aceitar qualquer mala que a liderança resolva lhe empurrar, ou seja, tomar as rédeas de seu futuro, ela não é bem vista. Não, não, senhores, ela não é bem vista. E então, para essa jovem acabar se relacionando com alguém de fora, é só questão de lógica.
    O que me espanta, nisso tudo, é ver mulheres que sofreram este tipo de alienação, sofreram comendo o pão que o diabo amassou nas mãos de um homem preguiçoso, acomodado, cruel, manipulador e opressor ( afinal, não derramando sangue inocente nem pecando contra o espírito santo seu planetinha está garantido, pra que se preocupar?), ainda terem coragem de reproduzir a mesma lavagem no cérebro de moças indefesas, perpetuando o padrão.
    Chamo essa ilusão do casamento entre os sud de síndrome do pequeno Príncipe. Não era ele que tinha um planetinha só dele, e ficava mexendo no jardim dia e noite? Todo mundo quer o seu. O problema é que se esquecem de que o stress do dia a dia, as contas, os filhos, as diferenças culturais e sociais, a falta de realização profissional etc etc etc são bem mais difíceis de administrar do que uma rosa e alguns baobas.

  7. Esse casamento “perfeito” que esses suds acreditam nunca existiu e o que mais me irrita é que eles acham que é só o “lado espiritual” que conta, que tudo vai se resolver com jejum e oração e colocam a carroça na frente dos bois deixando para estudar depois de ter 4 filhos só com o marido trabalhando e ganhando um salário, mero engano deles, e o que vemos são famílias quase hipossuficientes, mendigando dinheiro da igreja e não recebendo nada e como sempre a culpa é só dos membros a igreja “nunca tem culpa de nada está só aconselhando”.

  8. Suzana Nues,
    Os Santos dos últimos Dias, são membros ativos da sociedade atual e estão sujeitos a todas as ações imposta por ela. Estão assim como a maioria sujeita a todos os desafios, talvez a única diferença, é que acreditam no seu potencial divino e vão a luta com fé e determinação, obedecendo os princípios salutares para uma vida feliz, e, conseguem. Temos muito mais lares felizes do que infelizes, aqueles que seguem a Cultura SUD são bem sucedidos na sua vida financeira, conjugal, familiar e social.
    O segredo é compreender e viver o Evangelho de Jesus Cristo. Todos que vivem os princípios ensinados pela a Igreja sofrem menos com as angustias e ansiedades da sociedade moderna..

    • Caro José,
      Creio que uma coisa são os princípios do Evangelho de Cristo. Outra bem diferente é a cultura sud. Uma cultura é formada pela vivência diária, pelos costumes, hábitos, visão de mundo, produção artística, tradição oral, pela experiência prática de um povo, por muita coisa que não pode ser escrita. É o chamado currículo oculto. Ele é tão ou mais poderoso sobre o comportamento humano quanto o conhecimento sistematizado. Estamos falando aqui exatamente deste padrão comportamental que não está descrito nos princípios ensinados formalmente, mas que, indubitavelmente, existe. Concordo quando diz que se as pessoas seguirem os princípios ensinados do evangelho de Cristo, serão felizes. Mas isso não é a única coisa que aprendemos na Igreja. Todo grupo tem suas regras de convivência, modo de relacionamento, sua identidade, ideologias, visão de mundo, e a comunidade sud não é diferente. Algumas delas são, se olhadas mais de perto, incisivamente contrárias aos princípios do Evangelho de Cristo já mencionados, e espantosamente, com eles se confundem. Filosofias dos homens mescladas com escrituras….já ouvimos isso em algum lugar?
      Nosso desafio é o exercício diário de diferenciar um do outro e fazer a escolha, nem sempre cômoda, de que lado ficar. Muitas vezes estas filosofias são defendidas como se fossem o próprio evangelho, e quem se opõe a elas sofre pressão, mesmo dentro da Igreja de Cristo.

    • Benedito, obrigado por comprovar que vc não faz suas visitas de mestre familiar.
      A maioria esmagadora dos membros da Igreja são infelizes no casamento, qualquer pessoa que faça visita de mestre familiar terá metade ou mais de suas familias ativas com infelicidade conjugal ainda que elas digam que são felizes.

      Sobre isso aqui “”””Temos muito mais lares felizes do que infelizes, aqueles que seguem a Cultura SUD são bem sucedidos na sua vida financeira, conjugal, familiar e social. “”””””
      Eu posso rir da sua cara agora ou já? Há 5 milhões de membros ativo no mundo, desta quantia, 20% aproximadamente são casados (pelos relatórios vazados recentemente pelo Wikileaks). Então temos 1 milhão de membros casados, que dá 500 mil casais mórmons ativos e casados (vamos esquecer que um grande percentual dessa quantia casou fora da religião, vamos fingir que todos são casados no templo). Vamos ver números reais:
      Em 1970 a população de meia idade de Utah era de 1,066,000 e o número de casamentos foram 11,938, o que dá uma taxa de 11.2, sendo o a média nacional americana 10.6.
      Em 2009 a população de meia idade (18 aos 50) era de 2,763,885 e o número de casamentos 23.224, tendo como taxa de 8,3 e a média nacional 6.8. Mostrando que as pessoas em Utah estão casando menos.

      Agora o interessante, o número de divórcios foi de 3.912 , taxa de 3.7 em comparação a média nacional de 3.5. E em 2009 tivemos 10,088 divórcios, com taxa de 3.6 em Utah frente à média nacional de 3.4.

      E vc vai me falar, ok, o que isso significa?

      Significa que em média 40% dos casamentos em Utah acabam em divórcio. Significa que em média, 40% dos casais da Igreja acabam em divórcio. Dos 500 mil casais SUD, 200 mil irão se divorciar. (Não vou levar em consideração os casais que vivem de aparências e não se divorciam)

      Isso também mostra que viver a Cultura SUD as chances de divórcio SAO MAIORES DO QUE NO MUNDO e a média de divórcios na Igreja SEMPRE FOI MAIOR do que a média nacional americana!!!!!!

      (vc vai falar que nem todos os que vivem em Utah são SUD e tal, porém na década de 70, 90% das pessoas eram e isso não mudou os números. Vc vai falar também que muitos desses casamentos são de inativos e não membros, o que é verdade, pode realmente ser, mas em 1970 não era. Com isso mostro que a quantidade de inativos e não membros no território de Utah não fez mudar os dados estatísticos, uma vez que muitos “infiéis” moram juntos sem se casar,, algo que não acontece entre os SUD ativos).

      Isso, sem levar em conta que a doutrina SUD coloca forte pressão social e religiosa para que a pessoa não divorcie e como vc disse, tenha “perspectiva eterna”, fazendo as famílias aguentarem pessoas abusadores, irresponsáveis, violentas, despreparadas etc com o foco da “felicidade eterna”. Cria mais lares infelizes e maior receio para realizar o divórcio do que nos lares normais. E se mesmo com essa pressão e esse “foco eterno”, a média de divórcios é maios que a média americana (em números isolados, é o maior dos EUA), imagine a quantidade de famílias infelizes que existem justamente por conta dessa mentalidade de “foco eterno” e aguentarem anos a fio um casamento fracassado por medo de perder o “foco eterno”.

      Seu comentário é lindo na teoria pra falar no púlpito no domingo, mas é completamente fora da realidade.

  9. Ah Rafael, queria muito concordar com vc, mas se algum desavisado vier aqui só vai ler verdades, isso infelizmente é o meio sud, eles são uma organização de homens e tem suas próprias regras que muitas vezes não são as de algum deus, logo que coloquei meu comentário vi que não estava sozinha nesta linha de raciocínio e isso acontece em muitos ou talvez em todos os lugares, fiz missão e visitei 4 estados e todos eles tinha estes mesmos problemas, óbvio que não preciso mencionar que não é com todas as pessoas, mas com muitíssimos, se fossem por eles esses membros teriam sim esperado ter essa vida estável que vc conseguiu mas, a igreja e seus líderes ” inspirados” atrapalharam tudo e depois não podem fazer nada, vc está só, na rua da amargura, sem um miserável real no bolso e 4 filhos para criar como quase todas na minha ex-ala (juro mesmo que não estou mentindo) e ficará pior com o tempo pelo que eu vejo tamanho é o desespero para estabelecer a igreja e se pega moças com ” juízo fraco” (se é que me entende), sem muita ou nenhuma maturidade eles destroem a vida delas!

    • Magnólia, os líderes da igreja não tiram a liberdade de ninguém. Quem quiser esperar pra casar que espere, assim como eu fiz.
      E Suzana, na minha estaca não sou exceção, aqui nós levamos muito a sério o principio de autossuficiência, principalmente no casamento, pois sabemos como as dificulfades financeiras afetam um casamento.
      E digo mais, a Igreja está muito preocupada com a vida do missionário pós missão. Agora eles recebem um acompanhamento bem de perto visando ajudá-los a alcançarem sua autossuficiência.
      Então, essa idéia de casar a qualquer custo sem se preocupar com a autossuficiência da família não condiz com a visão atual da liderança da igreja. A liderança está sendo treinada nesse sentido, o problema é que trata-se de uma mudança cultural que demora um certo tempo pra ser absorvida por todas as alas e estacas.

      • Graças ao Senhor! Espero ver mudanças para que o futuro desses jovens seja melhor, mais preparado, de mais sucesso, com mais planejamento, que bom que esta mentalidade está mudando! Fico feliz em ver esses esforços por incentivar o estudo e a autossuficiencia. Quem sabe daqui alguns anos esta cultura tenha perdido força e seja substituída por outra, com outra geração de líderes mais lúcidos e preparados, acompanhando os novos rumos da sociedade? Eu torço muito, afinal tenho filhos, e quero ver a felicidade deles, e dos jovens da Igreja que eu amo tanto!

      • Parabéns Moroni por frequentar uma ala que deve ser única ou uma das poucas no meio sud, aqui na minha ex-ala e em tantos lugares que passei e pelos muitos comentários que li neste artigo a história é outra.

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