Em Comunidades Polígamas, Raízes Profundas de Desconfiança Definem Hesitação Para Com Vacinas

Cristina Rosetti

Desde o início da pandemia do COVID-19, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comumente conhecida como Igreja Mórmon ou Igreja SUD, seguiu as diretrizes do governo para proteger os membros de sua comunidade religiosa. Em 25 de março de 2020, a igreja fechou seus templos e incentivou membros a usarem máscaras. Líderes elogiaram a vacinação, a qual o presidente da Igreja Russel M. Nelson, cirurgião aposentado, chamou de “enviada literalmente de Deus“. Ele e outros membros seniores foram vacinados, convocando os membros da igreja a seguirem seu exemplo.

Mórmons fundamentalistas
Jovens da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, originalmente sediada na fronteira entre os estados de Utah e Arizona. A Igreja FSUD constitui apenas um dos diversos grupos que praticam o casamento plural no oeste dos Estados Unidos. | Imagem: Cortesia de Stephanie Sinclair, New York Times

Ramos fundamentalistas do mormonismo, entretanto – grupos que começaram a se separar da igreja SUD depois que ela encerrou a prática institucionalmente sancionada da poligamia em 1904 – tomaram um caminho diferente. Muitos fundamentalistas se recusaram a tomar a vacina e buscaram terapias alternativas, incluindo o controverso uso de ivermectina, medicamento comumente prescrito para o tratamento de parasitas intestinais.

Cerca de 30% dos norte-americanos não receberam nenhuma dose da vacina contra COVID-19. Muitos expressam ceticismo sobre a intervenção do governo na saúde de suas famílias, opiniões às vezes enraizadas em desinformação ou teorias de conspiração.

A cautela em relação ao governo e às autoridades médicas pode ocorrer de modo especialmente profundo em comunidades isoladas ou marginalizadas. Como estudiosa do fundamentalismo mórmon, vi como tais medos, para fundamentalistas, estão enraizados na desconfiança. Desde a fundação da igreja SUD em 1830, seus membros muitas vezes enfrentaram discriminação e perseguição, mas o conflito diminuiu significativamente após o fim dos casamentos polígamos sancionados institucionalmente. Grupos fundamentalistas, por outro lado, ainda veem o governo com suspeita. Muitos continuam a poligamia, e o medo de serem denunciados às autoridades policiais os impede de acessar recursos, como assistência médica.

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Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: o Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan, Emanuel Santana e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um dos aspectos históricos, sociais, e culturais mais marcante no Mormonismo: POLIGAMIA.

Podcast 03 versão 02

Em 1831, Joseph Smith teria recebido uma revelação ordenando homens casados a desposarem mulheres ameríndias poligamamente para gerar Lamanitas brancos. Entre 1833 e 1839, Smith relacionou-se com uma adolescente e uma mulher casada em segredo, mas a partir de 1841 começou a casar-se secretamente com múltiplas mulheres, iniciando oficialmente uma cultura polígama. Havendo iniciado os seus acólitos mais fiéis na prática, e elaborado toda uma teologia templária ao seu entorno, Smith construíra um legado que viria a definir o Mormonismo pelos próximos dois séculos.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Podcast Mórmon #101 – Conselho dos 50: O Governo Teocrático Mórmon

Podcast Mórmon #101 – Conselho dos 50: O Governo Teocrático Mórmon

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons anunciam o início de um projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo.

Buscando não ser redundante com a missão do site Vozes Mórmons ou das Conferências Anuais de Estudos Mórmons, o Podcast ​Mórmon consistirá em diferente mídia, e mais importantemente, diferente formato.

​Estruturado num modelo de programa ao vivo, o Podcast Mórmon incluirá resenhas de livros, entrevistas, debates​, e curtas apresentações com interação dos ouvintes através de perguntas, réplicas, e questionamentos enviados em tempo real (via Twitter, Facebook, e aqui pelo próprio Site).

General de Divisão Joseph Smith, jr.

General de Divisão Joseph Smith, jr.

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Teodemocracia II

O estabelecimento do Reino de Deus nos últimos dias é um dos temas que norteava as ações de Joseph Smith e os primeiros conversos mórmons na sua busca por Sião. Muitos mórmons modernos e estudiosos iniciantes do mormonismo ficarão surpresos, porém, ao saber que a Igreja estabelecida em 1830 não era vista por Joseph Smith como o Reino de Deus na terra. Quase quatorze anos após a fundação da Igreja de Cristo em Palmyra, Joseph Smith falava sobre o estabelecimento de um alicerce desse reino em tempo futuro:

Acredito ser um dos agentes no estabelecimento do reino visto por Daniel, através da palavra do Senhor, e é minha intenção estabelecer um alicerce que revolucionará o mundo inteiro. (Joseph Smith, maio de 1844, Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p.357)

A organização de um conselho com pretensões teocráticas na cidade de Nauvoo, poucos meses antes de seu assassinato, mostra que Joseph Smith de fato estabeleceu um alicerce do reino divino visto por antigos profetas, através do Conselho dos 50. O que foi esse Conselho? Quais seus objetivos? Que relação tinha com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? Continuar lendo

Jesus e Joseph hoje

Aqui vão dois cenários puramente imaginários.

1) Se o homem a quem chamamos Jesus Cristo vivesse hoje entre nós, com outro nome, de modo humilde e sem revelar de forma sobrenatural seu papel de messias, ele seria melhor aceito pela sociedade? Ou seria de novo vítima da intolerância e perseguição? Ele seria condenado à morte de novo? Legal ou ilegalmente? Como ele seria tratado pela mídia? Pelo governo? Pelas religiões? Ele seria aceito pelos cristãos (incluindo os santos dos últimos dias)? Quem o perseguiria? Continuar lendo