Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: o Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan, Emanuel Santana e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um dos aspectos históricos, sociais, e culturais mais marcante no Mormonismo: POLIGAMIA.

Podcast 03 versão 02

Em 1831, Joseph Smith teria recebido uma revelação ordenando homens casados a desposarem mulheres ameríndias poligamamente para gerar Lamanitas brancos. Entre 1833 e 1839, Smith relacionou-se com uma adolescente e uma mulher casada em segredo, mas a partir de 1841 começou a casar-se secretamente com múltiplas mulheres, iniciando oficialmente uma cultura polígama. Havendo iniciado os seus acólitos mais fiéis na prática, e elaborado toda uma teologia templária ao seu entorno, Smith construíra um legado que viria a definir o Mormonismo pelos próximos dois séculos.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Artigos e livros citados ou utilizados no podcast (listados por data de publicação)

Van Wagoner, Richard S., Mormon Polygamy: A History, Signature Books, 1989

Hardy, B. Carmon, Solemn Covenant: The Mormon Polygamous Passage, University of Illinois Press, 1992.

Compton, Todd M., In Sacred Loneliness: The Plural Wives of Joseph Smith, Signature Books, 1997.

Hardy, B. Carmon, Doing the Works of Abraham, Mormon Polygamy: Its Origin, Practice, and Demise (Kingdom in the West: The Mormons and the American Frontier), The Arthur H. Clark Company, 2007.

Bringhurst, Newell G.; Hamer, John C., eds., Scattering of the Saints: Schism within Mormonism, John Whitmer Books, 2007.

Daynes, Kathryn M., More Wives Than One: Transformation of the Mormon Marriage System, 1840-1910, University of Illinois Press, 2008.

Bringhurst, Newell G.; Foster, Craig L., eds., The Persistence of Polygamy: Joseph Smith and the Origins of Mormon Polygamy,John Whitmer Books, 2010.

Bringhurst, Newell G.; Foster, Craig L.; Hardy, B Carmon, eds., The Persistence of Polygamy: from Joseph Smith’s Martyrdom to the First Manifesto, 1844-1890, John Whitmer Books, 2013.

Artigos no Vozes Mórmons:

Lista de artigos sobre Poligamia

Artigos no site oficial da Igreja SUD:

O Casamento Plural em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

O Casamento Plural em Kirtland e Nauvoo

O Casamento Plural e as Famílias Polígamas nos Primórdios de Utah

O Manifesto e o Fim do Casamento Plural

16 comentários sobre “Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

  1. Que bonitinho ficou com a música introdutória…ótima idéia, um amor. Vou terminar de assistir para poder perguntar depois.

    • Essa é uma excelente pergunta. E, infelizmente, fundamentalmente impossível de responder.

      Quais são os fatos relevantes para os quais temos ampla documentação histórica? Nós sabemos que Emma Smith odiava poligamia. Ela protagonizou diversas brigas, públicas e privadas, com Smith por causa do que ela considerava casos extraconjugais. Ela coagiu a Sociedade de Socorro para tentar coibir seu marido de prosseguir com seus relacionamentos extraconjugais. Ela conspirou com vários membros da liderança da Igreja para pressionar seu marido a por um fim nessa prática. E ela estava acostumada com as múltiplas mentiras públicas de Joseph Smith, que insistiu em negar diversas vezes, inclusive por escrito, que houvera tomado esposas plurais.

      Não obstante, ela não nos deixou um legado testemonial dos motivos pelos quais ela teria mentido sobre o passado de seu marido. Quais são as possíveis considerações, plausíveis mesmo que especulativas?

      Em primeiro lugar, ela poderia estar tentando preservar a boa imagem de seu falecido marido como o pai de seus filhos. Em segundo lugar, os Apóstolos que seguiram Brigham Young tentaram por décadas recrutar os filhos de Smith para a nova Igreja SUD em Utah, e ela era veementemente contra a poligamia que eles agoram praticavam abertamente. Certamente, não queria que eles participassem de uma igreja que incentivava algo contra o qual ela lutou tão arduamente na sua vida privada. Em terceiro lugar, Smith III construiu seu legado profético em um Mormonismo baseado na oposição à poligamia. A competição de um Mormonismo não-polígamo, com testemunho favorável da esposa do primeiro Profeta e mãe do segundo Profeta (que até Young reconhecia como herdeiro profético por direito, como ordenado por Joseph Smith), tão assustou a liderança da Igreja SUD que ela comissionou a coleção de testemunhos das múltiplas esposas plurais de Smith para se contrapor aos apelos missionários RSUD. Esse testemunho de Emma, portanto, servia um propósito institucional para a Igreja RSUD que, certamente, não lhe escapava consideração. Em quarto lugar, Emma tinha amplos motivos para crer que Young e colegas lhe haviam roubado financeiramente após a morte de Smith, e possivelmente uma igreja fundada por seu filho se contrapondo à igreja fundada por Young lhe seria um projeto muito próximo. E, finalmente, há uma questão muito pessoal da vergonha. Emma viveu anos sentindo-se traída e menosprezada por seu primeiro marido. Para adicionar sofrimento à dor passada, Emma ainda sofreu com a traição do seu segundo marido, Lewis Bidamon, que resultou numa criança que Emma, por caridade, ainda decidiu adotar e criar como sua. Não é difícil imaginar que o assunto de adultério e poligamia fosse pessoalmente doloroso para ela.

      Apesar de se tratar de especulações, estas são estruturadas em fatos documentados. Não há nenhum indício, contudo, e nenhuma evidência qualquer que sugira algum “juramento solene” como causa da mentira.

      • Emma então é mesmo responsável pela doença mental de seu filho caçula( dela e de Joseph), que dizem enlouqueceu quando foi para Utah e lá descobriu que sua mãe mentiu, que seu pai era polígamo mesmo. Não sei até que ponto essa história é verdadeira. Mas se for, Emma tem muita responsabilidade nisso.

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