Igreja Mórmon Ainda Não Aceita Casais do Mesmo Sexo – mesmo que ainda não barrem suas crianças

Os principais líderes d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reverteram uma política que impedia que filhos menores de idade de casais do mesmo sexo se juntassem à igreja e participassem de seus rituais sagrados desde 2015.

Presidente Russell M. Nelson, meio, durante Conferência Geral em abril de 2019 (FOTO: AP/Rick Bowmer)

Muitas igrejas conservadoras se opõem às relações do mesmo sexo e o fazem com intensidade crescente desde a segunda metade do século 20. No caso dos Santos dos Últimos Dias, as razões para se opor ao casamento entre pessoas do mesmo sexo baseiam-se em sua teologia de uma “família real”, como queria Deus.

No entanto, como um estudioso de gênero e sexualidade no mormonismo, eu proponho que a decisão de impedir crianças de pais do mesmo sexo da igreja estava ligada à luta conservadora contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo que estava encontrando uma crescente aceitação na época em tribunais e em outros lugares. Continuar lendo

Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: o Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan, Emanuel Santana e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um dos aspectos históricos, sociais, e culturais mais marcante no Mormonismo: POLIGAMIA.

Podcast 03 versão 02

Em 1831, Joseph Smith teria recebido uma revelação ordenando homens casados a desposarem mulheres ameríndias poligamamente para gerar Lamanitas brancos. Entre 1833 e 1839, Smith relacionou-se com uma adolescente e uma mulher casada em segredo, mas a partir de 1841 começou a casar-se secretamente com múltiplas mulheres, iniciando oficialmente uma cultura polígama. Havendo iniciado os seus acólitos mais fiéis na prática, e elaborado toda uma teologia templária ao seu entorno, Smith construíra um legado que viria a definir o Mormonismo pelos próximos dois séculos.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Confissões de um Anti-Mórmon

Eu tenho uma confissão a fazer.

O termo anti-Mórmon é muito popular entre os membros da Igreja SUD. Muitas fiéis SUD usam este termo liberalmente como adjetivo ou substantivo para alertar, condenar, julgar, denegrir, insultar, ou ignorar pessoas e ideias com as quais não concordam ou não se sentem à vontade. Há um outro termo, este mais técnico e oficial, que se usa com os mesmos intuitos, mas o popular mesmo é o “Anti-Mórmon”.

Mas, dificilmente se tira o tempo ou se dá o trabalho para definir precisamente o que significa o termo Anti-Mórmon, e o que (ou quem) se pode classificar como Anti-Mórmon. Naturalmente, como com conceitos tão subjetivos e tão pessoais como crenças, opiniões, e impressões, há tantas definições sobre o que constitui Anti-Mórmon quanto há pessoas expostas ao Mormonismo.

Sendo assim, eu gostaria de fazer uma confissão, e aproveitar para oferecer uma explicação.

Eu sou um Anti-Mórmon, confesso e assumido.

O que, pra mim, significa isso?

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Jane Manning James – parte I

jane3A história de Jane Elizabeth Manning James (1822-1908) tem se tornado cada vez mais conhecida por um número crescentes de mórmons e estudiosos do mormonismo. Uma história que inclui fome e perseguição; seu abandono pelo marido durante longas duas décadas; sua insistência junto a um presidente da Igreja para receber certas ordenanças; sua convivência no lar de Joseph e Emma Smith, e muitos outros acontecimentos que tornam sua vida como mulher mórmon e negra uma narrativa única e impressionante. Continuar lendo

Êxodos: um lamento

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

Walk away, de Lietinga Diena, site Deviant Art.

O êxodo é um tema constante nas escrituras judaico-cristãs e sud. Esse êxodo consiste na busca de uma “terra prometida” ou “terra de promissão”, deixando para trás uma sociedade corrompida que promove o mal e oprime os justos. Trata-se não apenas de uma fuga ou migração mas, sobretudo, de um processo de transformação daqueles que entram na jornada. Continuar lendo

Jesus e Joseph hoje

Aqui vão dois cenários puramente imaginários.

1) Se o homem a quem chamamos Jesus Cristo vivesse hoje entre nós, com outro nome, de modo humilde e sem revelar de forma sobrenatural seu papel de messias, ele seria melhor aceito pela sociedade? Ou seria de novo vítima da intolerância e perseguição? Ele seria condenado à morte de novo? Legal ou ilegalmente? Como ele seria tratado pela mídia? Pelo governo? Pelas religiões? Ele seria aceito pelos cristãos (incluindo os santos dos últimos dias)? Quem o perseguiria? Continuar lendo