Por Que é Hora da Igreja Mórmon Revisitar Seu Passado Diverso

Numa época em que a frequência tradicional a igrejas diminuiu e a filiação religiosa de mais rápido crescimento na América são os “não” — aqueles que não reivindicam afiliação com uma fé organizada —, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias continuou a se expandir.

Missionários FIJI

Missionários SUD em Fiji (Foto cortesia d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Esse crescimento na Igreja SUD, comumente chamada de Mórmon, é em grande parte resultado do número crescente de congregações predominantemente brancas, bem como de um grande número de novos conversos latinos. Em outros lugares, as taxas de conversão mórmon diminuíram visivelmente.

Da minha perspectiva como estudioso da história religiosa e política americana, essas duas correntes para o crescimento significam uma tensão crucial no coração da experiência mórmon: a comunidade mórmon está lutando para manter sua identidade cultural, ao mesmo tempo que abraça múltiplas origens raciais, étnicas e nacionais. Continuar lendo

Cadê os Livros? Parte 2: O Período Inglês

A publicação de livros mórmons e o desenvolvimento da cultura mórmon fora dos EUA

literatura mórmon

Imagem: Jessica Ruscello

Esta apresentação examina o desenvolvimento cultural mórmon fora dos Estados Unidos, através da lente da produção e distribuição de livros. Para compreender melhor a situação atual, apresentarei uma visão geral da história da publicação de livros por e para mórmons, prestando atenção especial à publicação de livros não escritos em inglês e publicados fora dos Estados Unidos. Depois, vou examinar o ambiente atual para a publicação de livros mórmons e finalizar com alguns caminhos possíveis para o desenvolvimento da publicação mórmon fora do idioma inglês. Continuar lendo

Promotores Oferecem Acordo Judicial a Líderes de Igreja Mórmon

Promotores públicos federais ofereceram um acordo judicial para a maioria dos 11 líderes da igreja mórmon formalmente estabelecida como A Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que estão sendo acusados de cometer fraude contra o programa de “bolsa família” do governo federal americano, além de lavagem de dinheiro.

Mórmons fundamentalistas

Jovens da Igreja FSUD. Imagem: Stephanie Sinclair | NYT

De acordo com o acordo judicial oferecido, a maioria dos mórmons acusados confessariam culpa aos crimes, porém evitariam penas de reclusão.

Entenda o caso: Continuar lendo

Dia da Consciência Negra Mórmon

Celebramos hoje o Dia Nacional da Consciência Negra.

Igualdade entre as raças deve ser a meta de todo Ser Humano

Esta data comemorativa foi criada em 2003 e instituída em âmbito nacional em 2011 com o propósito da reflexão  e celebração sobre a inserção de afrodescendentes na sociedade brasileira.

A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de “Zumbi dos Palmares”, em 1695. Sendo assim, o Dia da Consciência Negra procura remeter à resistência do negro contra a escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1549).

A celebração do Dia de Consciência Negra não deve, e nem pode, ser interpretada como uma apologia para a supremacia negra e/ou subjugação de brancos, mas uma simples ponderação singela de todas as maneiras como os negros e seus descendentes foram, historicamente, subjugados e como eles ainda sofrem as repercussões sociais e culturais desse legado.

Em comemoração dessa data, e dos desafios historicamente encarados por negros e demais afrodescendentes, tanto na sociedade brasileira como na sociedade mórmon, nós juntamos uma coletânea de artigos sobre negros no contexto mórmon.

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Comunistas pensam como Cristãos?

O Papa Francisco afirmou que “os comunistas [são] os que pensam como os cristãos”, em entrevista ao jornal italiano La Repubblica publicada anteontem.

O jornalista Eugenio Scalfari colocou essa pergunta direta ao Papa católico:

“Então você anseia por uma sociedade onde a igualdade domina. Isso, como você sabe, é a ideologia do socialismo marxista e também do comunismo. Você está, então, pensando em um tipo de sociedade marxista?”

Ao que respondeu o pontífice argentino Jorge Bergoglio:

“Já foi dito muitas vezes, e eu sempre respondi que, considerando tudo, são os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos tenham o direito para decidir. Não os demagogos, não Barrabás, mas o povo, os pobres,tenham eles fé em um Deus trascendental ou não. São eles quem devem ajudar a obter a igualdade e a liberdade.”

Com seu vasto império voltado para fins lucrativos e empresas multibilionárias, é difícil imaginar, hoje em dia, um Profeta da Igreja SUD fazendo uma afirmação pública semelhante. Não obstante, as raízes históricas do mormonismo incluíram conceitos ideológicos facilmente comparáveis ao comunismo. Por exemplo, a Ordem Unida estabelecida por Joseph Smith, e tentativamente re-implementada por Brigham Young, foi vista como uma forma de comunismo por, além de historiadores e economistas, vários líderes da própria Igreja.

O Presidente Brigham Young, jr., filho do Presidente Brigham Young, e então Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, fez os seguintes comentários sobre a comparação entre a Ordem Unida e o comunismo, além do estado do corporativismo na Igreja Mórmon (ênfases nossas):

Brigham Young Jr.

Brigham Young Jr. Apóstolo (1864-1903), membro do Quórum dos Doze (1868-1873, 1877-1903), Conselheiro na Primeira Presidência (1873-1877), Presidente do Quórum dos Doze (1901-1903)

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Mark Petersen: Problemas Raciais – Como Afetam A Igreja

O Apóstolo Mark E. Petersen fez um discurso sobre problemas raciais e a Igreja SUD para uma convenção de professores de religião do Sistema Educacional da Igreja em Provo, Utah, em agosto de 1954.

Mark E. Petersen, Apóstolo da Igreja SUD (1944-1984), a quem Thomas Monson chamou de

Mark E. Petersen, Apóstolo da Igreja SUD (1944-1984), a quem Thomas Monson chamou de “gigante entre homens”: “Aqui e ali, de vez em quando, Deus gera gigantes entre os homens”.

O Apóstolo Mark E. Petersen tentava explicar, com esse discurso, que a Igreja não era racista. O discurso, que rapidamente tornou-se famoso e foi publicado em formato de panfleto e distruibido pela Igreja por décadas, fora entitulado “Problemas Raciais – Como Afetam a Igreja”.

Eis uma tradução do discurso em sua íntegra (ênfases nossas):
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Orson Hyde: Joseph Smith, Redentor do Mundo

O Presidente Orson Hyde, membro original do Quórum dos Doze Apóstolos, fez os seguintes comentários sobre Joseph Smith no histórico Tabernáculo Mórmon em janeiro de 1858, celebrando e descrevendo Smith de maneira teologicamente muito similar ao posto canônico de “Santo” para os Católicos (ênfases nossas):

Orson Hyde Photograph, Marsena Cannon, circa 1852. (Church History Library, Salt Lake City.)

Orson Hyde (1805-1878), Apóstolo (1835-1878) e Presidente do Quórum dos Doze (1847-1875) da Igreja SUD, em foto circa 1852 (Church History Library, Salt Lake City)

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Heber C. Kimball: Deus Não Ama Monógamos

O Presidente Heber C. Kimball, primeiro conselheiro na Primeira Presidência, fez os seguintes comentários sobre monogamia e poligamia na Conferência Geral de abril de 1857, explicando como Deus abençoa senhores de idade que se casam com esposas plurais supostamente jovens:

Heber C. Kimball, Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência (1847-1868)

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Brigham Young: Nunca Fique a Sós com Joseph Smith

Brigham Young fez sua então amante Augusta Adams Cobb prometer-lhe que nunca ficaria a sós com o Profeta Joseph Smith enquanto ele estivesse fora da cidade por medo de que ele a seduziria.

Brigham Young

Augusta Adams nasceu em 1802 na periferia de Lynn, no estado de Massachusetts, próximo a famosa Salem e não distante de Boston. Casou-se com Henry Cobb, com quem teve 7 filhos, e permanecendo na mesma região, converteu-se ao mormonismo sem seu marido em 1832 no primeira leva de conversos em Boston pelos missionários Orson Hyde e  Samuel H. Smith (irmão mais novo do Profeta Joseph Smith).

Augusta Adams Cobb conheceu o então Apóstolo Brigham Young enquanto ele estava servindo missão na região de Boston em 1843 e eles começaram a viver um romance clandestino. Em abril de 1843 ela dá luz a um filho homem que ela batiza de Brigham, ainda sem levantar quaisquer suspeita de seu marido Henry Cobb. Young, que já era casado e havia tomado uma  esposa plural no ano anterior, orienta Augusta para abandonar sua família e fugir para Nauvoo, Illinois, supostamente para conseguirem casar-se secretamente e serem selados pelo Profeta Joseph Smith.

Young, contudo, preocupado que Smith seduzisse sua amante/namorada/noiva, fez Augusta lhe promoter que não se encontraria a sós com o Profeta enquanto Continuar lendo

Brigham Young: Reforma Mórmon

O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre  a necessidade de se iniciar uma Reforma no Mormonismo, ensinando a doutrina de expiação de sangue e a insuficiência do Sacrifício Expiatório de Cristo, além da doutrina da segunda morte, em setembro de 1856:

Brigham Young

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Julgamentos de Assassino Mórmon Publicados

Os Arquivos do Estado de Utah anunciaram a publicação das transcrições oficiais da Segunda Vara Distrital do Território de Utah para o primeiro e o segundo julgamentos do filho adotivo de Brigham Young, John D. Lee, pelo seu papel no massacre de Mountain Meadows, completo com digitalização e disponibilização em seus arquivos digitais oficiais.

Gibbs, Josiah F. (1910) The Mountain Meadows Massacre, Salt Lake City: Salt Lake Tribune. OCLC 220893397

Foto de John D. Lee, sentado ao lado do seu caixão, minutos antes de ser executado por um pelotão de fuzilamento. Em Gibbs, Josiah F. (1910) The Mountain Meadows Massacre, Salt Lake City: Salt Lake Tribune. OCLC 220893397

Em 11 de setembro de 1857, entre 45 e 68 Mórmons (i.e., membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) sob a direção imediata de 2 Presidentes de Estaca, 1 Bispo, e vários Sumo-Conselheiros, junto com 15 a 25 ameríndios Paiute induzidos por seus aliados Mórmons, assassinaram Continuar lendo

Melvin Ballard: Hitler Guiado por Deus

O Apóstolo Melvin J. Ballard explicou que Adolf Hitler serviu como um instrumento divino inspirado por Deus para perseguir os judeus, em discurso na Conferência Geral anual de abril de 1938.

Melvin Joseph Ballard, Apóstolo da Igreja SUD (1919-1939), avô do Apóstolo M. Russell Ballard.

Melvin Joseph Ballard, Apóstolo da Igreja SUD (1919-1939), avô do Apóstolo M. Russell Ballard.

Em um discurso recheado de alusões racistas à supremacia racial branca¹, imperialismo ocidental², e  justificações dos genocídios de ameríndios e judeus, Ballard presta seu testemunho que Deus orquestrou essas condições raciais, estrutras sociais, e até as tragédias em larga escala para fazer cumprir Seus propósitos.

Eis o discurso em sua íntegra (ênfases nossas):

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Brigham Young: Habitantes da Lua e do Sol

O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre habitantes na Lua e no Sol, no histórico Tabernáculo Mórmon, em julho de 1870, e posteriormente publicado pela Igreja:

Interpretação popular da ilusão de ótica conhecida como “o homem na Lua”, como vista do hemisfério norte da Terra, formada pelos acidentes geológicos: 1) Mare Imbrium, 2) Mare Serenitatis, 3)  Mare Vaporum, 4) Mare Insularum, 5) Mare Cognitum, e 6) Mare Nubium. (Imagem por Luc Viatour)

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Brigham Young: Como Lidar com Apóstatas

O Presidente Brigham Young explicou como membros afastados ou inativos devem ser tratados dentro de comunidades predominantemente mórmons, em discurso no Tabernáculo em 27 de março de 1853.

"Eu posso cagar um profeta melhor e peidar revelações melhores" -- Brigham Young

Dentro do contexto histórico, os mórmons haviam se assentado no deserto da região de Utah havia pouco mais de 5 anos apenas, e Young estava dirigindo sua diatribe a mórmons que acreditavam que Young não deveria ter sido o sucessor profético de Joseph Smith, mas sim um homem chamado Francis Gladden Bishop. Young os chama, sarcasticamente, de “gladdenitas” e ameaça-los do púlpito com violência e turbas mórmons como retaliação por sua “apostasia”, sob aclamação e aplausos dos presentes.

Eis o discurso em sua íntegra (ênfases nossas): Continuar lendo