Leonard Arrington: Política e Raça Entre Mórmons Latino-Americanos

Escrevendo acerca da Conferência Geral SUD de outubro de 1979, Leonard J. Arrington fez algumas observações sobre os santos dos últimos dias na América Latina, baseado em suas conversas com os representantes regionais da Igreja na região. Percepções sobre raça e inclinações políticas, segundo o historiador, marcavam diferenças entre mórmons nos Estados Unidos e seus pares nas Américas Central e do Sul, e mereciam a atenção da hierarquia em Salt Lake City.

Retrato de Leonard Arrignton | Imagem: Acervo da Utah State University, cortesia do Herald Journal

Arrignton fala em tons elogiosos dos Representantes Regionais que conheceu na Conferência, dentre eles o brasileiro Osiris Grobel Cabral. Para o Historiador da Igreja, tratavam-se de “pessoas jovens, enérgicas”, expressando um contraste sutil com as Autoridades Gerais. Um dos Representantes, Jeff[rey] Allred, é lembrado como alguém que “gosta de ler a história ‘verdadeira'”, uma constante preocupação que Arrington expressa em seus diários. Continuar lendo

A história da Igreja e suas teses positivistas

Hoje, comemora-se no Brasil o Dia do Historiador. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sempre preservou sua história. Ela possui um museu e uma biblioteca em Salt Lake City. O mormonismo ainda conta com vários historiadores que buscam ao máximo descobertas sobre estes  195 anos desde a Primeira Visão de Joseph Smith Jr. Porém, nessa metodologia histórica, ao menos entre os membros, não houve uma grande evolução.

A Escola Histórica positivista, metódica ou tradicional surgiu no século XIX com as ideias do sociólogo francês Auguste Comte como neutralidade, objetividade, ordem e progresso da civilização, etc. Os historiadores positivistas tinham como meta transformar a história de uma simples filosofia subjetiva a uma ciência objetiva como a matemática. Os historiadores Charles-Victor Langlois e Charles Seinobos escreveram o livro “Introdução aos Estudos Históricos”(1899) ensinando regras e métodos de investigação histórica na visão positivista de como tornar a história objetiva. Posteriormente as Escolas Históricas do marxismo e dos Annales criticaram muitas dessas teses e reinventaram a pesquisa historiográfica.

A história da Igreja para muitos membros em visão de pesquisa, documentos, fontes de estudo e a mesma  que a dessa escola tradicional mais de 100 anos depois. Abaixo as teses historiográficas positivistas, sua explicação e aplicação SUD nos dias atuais.

O fato fala por si mesmo

memorizing-scripture-2-300x227O fato não precisava ser interpretado ou analisado, pois corria o risco da subjetividade. Entre os membros também não há uma análise e interpretação do fato. Exemplos disso são o assassinato de Joseph Smith Jr. em 27 de junho de 1844 ou da chegada dos santos ao vale de Salt Lake em 24 de julho de 1847. Os fatos e as datas são mais importantes que todo o contexto por trás deles. A ideologia, objetivos, metas, etc  não importam.

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