Profetas Mórmons: Granville Hedrick

Profetas vivos são a parte mais idiossincrática da história, da teologia e da tradição mórmons. Tanto que o primeiro hinário mórmon, de 1835, continha uma estrófe celebrando a natureza ímpar desse quesito fundamental:

“Uma igreja sem um Profeta,
Não é a igreja para mim,
Ela não tem um cabeça para liderá-la,
Não pertenceria a uma assim.”¹

O conceito de profetas vivos permanece firme e forte, com mórmons cantando hoje “Graças damos, ó Deus, por um profeta; Que nos guia no tempo atual”. A celebração, e reverência, de profetas passados é quase tão forte quanto o culto aos profetas vivos atuais, inspirando publicações de biografias autorizadas e livros didáticos para mantê-los vivos na memória coletiva.

Detalhe de O Profeta Isaías, por Michelangelo (Mural na Capela Cistina)

Detalhe de O Profeta Isaías por Michelangelo (afresco no teto da Capela Sistina)

Não obstante, seja por divergência de tradições, seja por falta de interesse ideológico ou eclesiástico, ou por apatia literária ou historiográfica, muitos profetas da história e tradição mórmons são ignorados ou esquecidos. Esta série de artigos servirá para explorar as biografias e os legados desses líderes mórmons com sucintas introduções a seus chamados proféticos.

O artigo de hoje discutirá: Granville Hedrick. Continuar lendo

Joseph Smith: Qual é a Igreja de Cristo?

Revelação ditada pelo Profeta Joseph Smith em abril de 1829 explicando, entre outras coisas, o que constitui a Igreja de Cristo e qual é a doutrina a ser pregada nela.

Joseph Smith

É muito importante notar a data da revelação e considerar que ela foi ditada um pouco antes de surgir o conceito de Continuar lendo

Joseph Smith e a semente escolhida

O Ancião de Dias, de William Blake.

O Ancião de Dias, de William Blake.

A restauração do sacerdócio na dispensação de Joseph Smith teve início muito antes da vinda de João Batista em 1829 (D&C 13). Joseph Smith não apenas recebeu mensageiros que lhe entregaram chaves do sacerdócio, mas ele próprio foi um dos mensageiros divinos com a missão de restaurar o governo de Deus.

Em uma revelação dada em 1832, Cristo disse que “sem suas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne; pois sem isso [o sacerdócio], nenhum homem pode ver a face de Deus, o Pai, e viver” (D&C 84:21-22).

No entanto, aos 14 anos Joseph Smith viu o Pai e seu Filho e sobreviveu. Como isso teria sido possível sem uma ordenação prévia ao sacerdócio? É minha opinião que isso foi possível porque Joseph Smith havia nascido com uma porção de autoridade sacerdotal, ou com uma ordenação prévia ao seu nascimento em 1805. Continuar lendo

A Bíblia e sua restauração de uma pedra de tropeço

Texto de Daymon Smith para a Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, realizada em 2013. Daymon Smith possui doutorado em antropologia pela Universidade da Pensilvânia e é o autor de The Book of Mammon e os três volumes de A Cultural History of the Book of Mormon, entre outros trabalhos. Possui o blog Mormonism Uncorrelated. Comentários e perguntas dos leitores e as respostas do autor serão traduzidas pelo Vozes Mórmons.

book-whirlUma das ironias do Livro de Mórmon é que seu tradutor e seu escriba frequentemente entendiam mal o que diz o texto. O termo “restauração”, por exemplo, é claramente definido por Alma e outros como algo muito maior do que trazer de volta alguma igreja cristã, imaginariamente tirada das páginas do Novo Testamento. A restauração da Casa de Israel é trazê-la de volta a Deus, e isso acontece pela restauração do conhecimento sobre seus convênios e sua misericórdia desde a Criação até esta tarde.

Restauração era um termo do Livro de Mórmon, nele definido claramente, descrevendo geralmente algo como karma: aquilo que sai de você voltará a você, para sua condenação ou salvação, se sua vida tiver sido misericordiosa ou injusta.

Seis meses depois de o livro ser publicado, porém, um grupo amplo de restauracionistas afiliados a Alexander Campbell e seu amigo Sidney Rigdon foram reunidos na fazenda de Isaac Morley, próxima a Kirtland, Ohio. Eles viviam o que consideravam ser um comunismo cristão, uma parte distintiva do seu esforço de restaurar a antiga ordem das coisas. Campbell e Rigdon não praticavam a comunidade de bens, entretanto, e ocasionalmente discutiam sua restauração. Continuar lendo