Entendendo: Falácia Lógica

A falácia é um equívoco na construção de um argumento, ideia, ou raciocínio que inviabiliza a sua válidade lógica.

Filosofia

Além de ser muito frequente no discurso popular pela escassez de amplo treinamento intelectual e literário formal na população leiga, ela é, pelo mesmo motivo, uma ferramenta ubíqua entre propenentes de argumentos ou ideias desprovidos de embasamento factual.

Falácias lógicas podem se manifestar, de modo geral, em duas formas distintas: Continuar lendo

Entendendo: Dissonância Cognitiva

Na psicologia e nas ciências neurológicas, “dissonância cognitiva” é o estresse mental ou desconforto emocional experimentado por um indivíduo que detém duas ou mais crenças, idéias ou valores contraditórios demaiso mesmo tempo, ou executa uma ação que seja contraditória com uma ou mais de suas crenças, ideias, ou valores, ou mesmo é confrontado com novas informações que conflitem com as suas crenças, idéias ou valores pré-existentes.

A teoria científica da dissonância cognitiva se concentra em como os seres humanos se esforçam continuamente por um estado de consistência interna. Uma pessoa que vivencia uma inconsistência, ou dissonância, tende a se tornar psicologicamente e emocionalmente desconfortável, e estará motivado para tentar reduzir esta dissonância, bem como ativamente evitar informações ou situações que, provavelmente, poderiam aumentá-la. Ela foi postulada pela primeira vez em 1956 pelo trabalho inovador de Leon Festinger.

A teoria da dissonância cognitiva se baseia no pressuposto que indivíduos buscam a coerência entre as suas expectativas e a realidade. Devido a isso, as pessoas se envolvem em um processo chamado “redução de dissonância” para trazer suas cognições e suas ações em sintonia umas com as outras. Esta criação de uniformidade permite uma diminuição do estresse psicológico e da angústia. De acordo com Festinger, a redução de dissonância pode ser alcançada de quatro maneiras: Continuar lendo

A Avestruz Mórmon

Mórmons fazem como a avestruz, enterrando a cabeça na areia quando confrontados com uma situação desconfortável ou desconhecida?

Avestruz

Essa é a atitute mórmon quando confrontado com fatos novos ou desconhecidos ou desafiadores?

Todos não, dirá um.

Se não todos, a maioria? Esse tipo de atitude é cultural ou institucionalmente encorajada?

Vejamos. Continuar lendo

Concurso: Profecias

Quando uma profecia é válida? Quando é inspirada? E quando é apenas uma “opinião de um homem”?

Este é uma questão particularmente importante tendo em vista o recente debate sobre a propriedade de se discutir a relevância ou a preeminência de pronunciamentos de profetas. Muitos defendem a posição de que nunca se deve questionar as opiniões de profetas, que devem ser obedecidos cegamente e seguidos em silêncio.

A função de um profeta é justamente profetizar, ou oferecer previsões sobre o futuro. Diferentemente do papel de um vidente (que tem visões sobrenaturais sobre o passado, presente e futuro), de um revelador (que revela tais segredos sobrenaturais não acessíveis aos demais), e de um Apóstolo (que testifica de seu conhecimento sobrenatural de Jesus Cristo), o profeta faz declarações afirmativas que são mensuráveis e checáveis naturalmente. Não se pode checar objetiva ou racionalmente as visões sobrenaturais de um vidente, ou as revelações sobrenaturais de um revelador, ou mesmo o privilégio epistêmico sobre Jesus de um Apóstolo, mas uma profecia pode ser checada e confirmada quanto ao seu cumprimento factual. Pode-se, assim, medir e confirmar o quão relevante e obrigatórios devem ser seus pronunciamentos.

três anos atrás, eu publiquei um curto artigo lançando um desafio para determinar quantas profecias foram realmente cumpridas. O desafio reside em determinar, racional e logicamente, uma (ou mais) profecia(s) que podem ser comprovadas como cumpridas, confirmando assim factualmente o dom profético. Além da satisfação em determinar um exemplo concreto do sobrenatural, eu havia oferecido um prêmio em livro (que até hoje não foi conquistado).

IsaiahComo vimos num artigo mais antigo, há profecias que se esquecem rapidamente, em poucos anos. Geralmente estas são as que não se cumpriram, ou que se provaram equivocadas. Por que não nos lembramos destas?

Existe um traço comportamental humano que cientistas chamam de “viés de confirmação“. Usamos desse viés quando nos lembramos das coisas que confirmam nossas opiniões ou crenças ou ideias, e quando nos esquecemos das coisas que desconfirmam ou contradizem nossas opiniões ou crenças ou ideias. Por exemplo, alguém me convence que toda que vez que eu jogo uma partida de futebol usando um boné, eu faço gols, enquanto que todas as vezes que deixo de usar o boné, eu saio de campo sem fazer gols. Poucas pessoas se deixariam levar por uma superstição tão absurdamente irracional, mas o viés existe, é comum, e ocorre com todos os seres humanos.

Um exemplo mais difícil de reconhecer no dia-a-dia: Petistas ignoram tudo de positivo no governo FHC e lembram-se de todos os erros e problemas, enquanto ignoram todos os problemas e erros do governo Lula, lembrando apenas os acertos e os aspectos positivos. Tucanos fazem o mesmo ao inverso. Converse sobre política com 10 pessoas que tenham opiniões formadas, e verá o fenômeno ocorrer 7, ou 8 ou mesmo 10 vezes.

Ele ocorre muito frequentemente em âmbito religioso também. Profecias, usualmente, funcionam assim. Lembra-se dos acertos, ignoram-se os erros. Da mesma maneira funciona o tarô, leitura de mãos, mapas astrais, astrologia, numerologia, homeopatia, etc.

Gostaria, então, de propor novamente o mesmo exercício intelectual. Continuar lendo