Igreja Mórmon Desfaz-se de Arte em Templos

As encenações ao vivo da cerimônia da investidura serão descontinuadas nos templos de Salt Lake City e de Manti, conforme anúncio da Primeira Presidência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Os dois templos construídos no século 19 contarão com a exibição de filmes, tal como feito nos demais templos da denominação ao redor do mundo.

Mural na Sala do Mundo, pintado por Minerva Teichert no interior do templo de Manti, Utah.

Os projetos de renovação desses dois templos do estado de Utah ainda previam originalmente a destruição de murais artísticos, incluindo as obras de dois dos mais celebrados artistas mórmons, C. C. A. Christensen (1831-1912) e Minerva Teicheirt (1888-1976). O projeto foi classificado por alguns como violência cultural, em óbvia contradição aos diversos projetos de preservação histórica e arquitetônica da Igreja, incluindo sua reconstrução do templo de Nauvoo.

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O Retrato de Jane Manning?

Nascida livre em Connecticut no início de 1820, Jane Elizabeth Manning James estava entre os migrantes que deixaram os Estados Unidos em 1847 e se estabeleceram no que hoje é o Estado de Utah. Não foi a primeira vez que Jane deixava sua casa para se juntar a um experimento utópico.

Como negra e mãe solteira, Jane ingressou no mormonismo em seu estado natal e mudou-se para Nauvoo, Illinois, onde trabalhou para Emma e Joseph Smith. Lá, recebeu a confiança suficiente do Profeta Mórmon e seu círculo interno para lavar suas “vestes do sacerdócio” e aprender com suas esposas sobre as inovações matrimoniais da nova religião. Se a cor de sua pele era uma barreira em seu mundo e em sua igreja, seu trabalho com os Smiths fez dela uma testemunha em primeira mão de conhecimentos secretos.

A vida de Jane ainda nos pressiona a romper os compartimentos entre o que consideramos história mórmon, história afro-americana, história das mulheres. Como a historiadora Quincy D. Newell escreve em sua biografia de Jane Manning,

“Embora o Oeste tenha sido um lugar de refúgio para inúmeros grupos religiosos ao longo da história americana, raramente incluímos afro-americanos entre aqueles que foram para o Oeste por motivos religiosos. Reconhecer as motivações religiosas de Jane ao se mudar para o Vale do Lago Salgado nos ajuda a começar a contar essa parte da história.” [1]

A foto abaixo de 2 3/16 por 3 3/8 polegadas foi tirada no estúdio de Edward Martin, um converso inglês, em Salt Lake City, nos anos 1860. Tradicionalmente, a fotografia tem sido identificada como um retrato de Jane Manning, mas a evidência é apenas circunstancial – aponta Quincy D. Newell, autora da primeira biografia acadêmica de Jane Manning, lançada em 2019. [2]

Retrato que se acredita ser de Jane Elizabeth Manning James. | Imagem: Cortesia da Biblioteca de História da Igreja, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A autora ainda questiona qual haveria sido o popósito ou uso da fotografia. Continuar lendo

Cadê os Livros? Parte 3: Editoração Mórmon Comercial

Uma breve história da publicação de livros mórmons

literatura mórmon história publicações

Editoração mórmon, mas não pela Igreja SUD

Enquanto a Igreja limitou as publicações em inglês até depois da morte de Brigham Young em 1877, tipografias comerciais surgiram em Utah para satisfazer parte das necessidades de materiais mórmons. A mais importante delas foi George Q. Cannon and Sons, de propriedade de um membro da Primeira Presidência. Muito do que Cannon publicou estava relacionado às suas funções na Igreja. Talvez por não precisar de aprovação para o que publicava, Cannon passou da publicação de obras missionárias e doutrinárias para obras de edificação e entretenimento dos membros da Igreja. Continuar lendo

‘O Que Está Morto Não Pode Morrer’: Segredos da Ressurreição na Bíblia e em Game of Thrones

Aviso: este artigo contém spoilers para aqueles que não estão atualizados com a sexta temporada de Game of Thrones.

Acontecimentos na série de TV Game of Thrones da HBO fizeram as pessoas falar sobre o que significa retornar dos mortos. Mas, embora a ressurreição pareça ser uma possibilidade muito real para algumas das religiões do mítico Westeros — não menos àquela que ressuscita Jon Snow, a “sacerdotisa vermelha”, Melisandre —, o que a Bíblia pode adicionar à discussão?

Game of Thrones, sexta temporada. Imagem: Divulgação/HBO.

De fato, retornar dos mortos era um evento bastante raro à época de Jesus. Poucos gregos e romanos antigos conseguiram sair do Hades, mas aqueles que fizeram eram heróis, como Hércules e Protesilau. Continuar lendo

Racismo na BYU é Tema de Exposição de Arte

Doze retratos de alunos da Brigham Young University (BYU) estão em exposição em seu Centro de Belas Artes Franklin S. Harris. As fotos são acompanhadas de breves relatos sobre suas experiências com racismo e discriminação em Utah e dentro da própria Universidade Mórmon.

byu

Exposição na BYU, em Provo, Utah, traz relatos pessoais sobre racismo. Foto: Michael Hicks.

Esses relatos mostram a dificuldade existente na cultura mórmon em lidar com imigrantes e mesmo norte-americanos de diferentes origens étnicas. Leia alguns dos relatos. Continuar lendo

Que Aparência Tinha Jesus?

Atualmente no noticiário, há a notícia sobre uma reconstrução do que está sendo chamado o rosto de Jesus. A reconstrução, pelo artista médico britânico Richard Neave, foi na verdade feita há mais de uma década, mas recentemente voltou a circular – dada a época do ano¹. Ao invés de ter a intenção de mostrar precisamente como Jesus se parecia, o projeto procurava demonstrar que aparência um judeu médio no primeiro século da Era Comum poderia ter.

Ator representa Jesus Cristo | Acervo de imagens do site lds.org

Ator representa Jesus Cristo | Acervo de imagens do site lds.org

Ainda que essa impressão, de um homem de cabelos escuros, de pele morena e olhos castanhos, cujo rosto parece desgastado por uma carreira de trabalho braçal externo, provavelmente não seja idêntica à aparência do Jesus histórico, é provavelmente uma aproximação maior do que muitos daquelas que aparecem frequentemente na cultura popular. Continuar lendo

Morre Atriz Pornô Mórmon

Joan Marie Laurer, conhecida por seu nome-de-guerra ‘Chyna’, foi encontrada morta em seu apartamento aos 45 anos de idade.

Joanie Laurer, no centro de vestido cinza, e membros de sua ala SUD no Japão (Foto: Página pessoal de Facebook de Brian Martini)

Sites Mórmons, e membros da Igreja SUD que a conheciam pessoalmente, expressaram online seus pesares: Continuar lendo

Eva Negra em Obra de Artista Mórmon

Eva. Arte mórmon. Racismo. Templo.

Eva e o Fruto da Árvore do Conhecimento, de J. K. Richards. (Imagem: http://jkirkrichards.com)

O artista plástico mórmon J. K. Richards é o autor do quadro “Eva e o Fruto da Árvore do Conhecimento”. Nele, a personagem bíblica reverenciada por mórmons como “a mãe de todos os viventes” é retratada como uma mulher negra, olhando para o fruto mordido. A semelhança de cor entre o fruto e a luz em torno de sua cabeça sugere possíveis simbolismos ao espectator: seria um halo mostrando sua glória divina sendo perdida, o conhecimento sendo conquistado, ou a luz do sol? Continuar lendo

Cartunista Mórmon Premiado

Famoso cartunista do The Salt Lake Tribune, Pat Bagley, foi homenageado com o prestigioso prêmio Ted Pease.
Conhecido internacionalmente pela inteligência de suas charges, pela sua audácia em abordar temas espinhosos e complexos, e pelo talento em expressar idéias complexas com humor, Bagley recebeu a homenagem, para o ano de 2015, por “serviços de excelência à qualidade do jornalismo”.
Conheça algumas de suas charges recentes abaixo.

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Arte com referência à Mãe Celestial é roubada na BYU

exposiçãoA estudante Katie Marie Liechty realizou uma exposição de fotografias baseadas nos verbetes do livro Mormon Doctrine (Doutrina Mórmon) de Bruce R. McConkie. As obras em preto e branco, acompanhadas de citações correspondentes do livro, foram expostas este mês na Universidade Brigham Young (BYU), de propriedade da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Continuar lendo

Amamentando na Sacramental

A ilustração abaixo foi publicada na revista Harper’s Weekly em 1871, retratando uma reunião no Tabernáculo de Salt Lake. Em um ambiente um tanto informal, o sacramento é administrado enquanto Brigham Young discursa, uma prática comum à época. A água é servida à congregação por homens adultos, através de jarros e cálices coletivos.

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amamentarDo lado lado esquerdo da gravura, vemos duas mulheres amamentando seus bebês, com naturalidade, sem cobrir os seios. Ainda não haviam sido desenvolvidas as noções de “recato” em torno da amamentação que prevalecem hoje nas reuniões sacramentais mórmons, provavelmente incorporadas da cultura norte-americana. Continuar lendo

Gente invisível

O artista chinês Liu Bolin ficou mundialmente conhecido, graças às suas fotografias, como “o homem invisível”. Em sua arte, há uma constante crítica da sociedade chinesa, seu governo e as relações de consumo – uma sociedade onde pessoas se tornam invisíveis.

Um dos temas mais debatidos no Vozes Mórmons são as causas que levam as pessoas a não frequentarem mais as reuniões de domingo. Será que a “invisibilidade” é uma delas? Que são os homens e mulheres invisíveis na Igreja sud? E como podem voltar a ser vistos?

Escondendo-se na cidade No. 16 e No. 17 — Policial do Povo, 2006.  © Liu Bolin

Escondendo-se na cidade No. 16 e No. 17 — Policial do Povo, 2006. © Liu Bolin

Imagens do Martírio

Hoje, completam-se 170 anos da morte de Joseph e Hyrum Smith. Um evento sem paralelos na história norte-americana, o martírio – como o santos dos últimos dias preferem chamar – dos dois irmãos foi um fim abrupto e inesperado que deixaria o mormonismo numa encruzilhada, ao mesmo tempo em que se tornaria  uma importante parte do imaginário mórmon para sempre. Muitos artistas, mórmons ou não, buscaram representar o martírio de Joseph e Hyrum. A seguir, algumas obras de arte sobre o tema.

Martyrdom of Joseph and Hiram Smith in Carthage jail, June 27th, 1844, litografia de  G.W. Fasel e C.G. Crehen . Inscrição "Dedicado ao Reverendo Orson Hyde"

“Martírio de Joseph e Hiram Smith na Cadeia de Carthage, 27 de Junho, 1844”, litografia de G.W. Fasel e C.G. Crehen . Inscrição “Dedicado ao Reverendo Orson Hyde”

 

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