Profecias

Quando uma profecia é válida? Quando é inspirada? E quando é apenas uma “opinião de um homem”?

Como vimos num outro post, há profecias que se esquecem rapidamente, em poucos anos. Via de regra estas são as que não se cumprem, ou que se provam equivocadas. Por que não lembramos destas?

Existe um traço comportamental humano que cientistas chamam de “viés de confirmação”. Usamos desse viés quando nos lembramos das coisas que confirmam nossas opiniões ou crenças ou ideias, e quando nos esquecemos das coisas que desconfirmam ou contradizem nossas opiniões ou crenças ou ideias.

Uma ilustração: alguém me convence que toda que vez que eu jogo uma partida de futebol usando um boné, eu faço gols, enquanto que todas as vezes que deixo de usar o boné, eu saio de campo sem fazer gols!

Quem ainda não ouviu falar das profecias do calendário Maia para o fim-do-mundo em 2012? Quem realisticamente teme que não chegaremos em 2013?

Poucas pessoas se deixariam levar por uma superstição tão absurdamente irracional, mas o viés existe, é comum, e ocorre com todos os seres humanos.

Um exemplo mais difícil de reconhecer no dia-a-dia: Petistas ignoram tudo de positivo no governo FHC e lembram-se de todos os erros e problemas, enquanto ignoram todos os problemas e erros do governo Lula, lembrando apenas os acertos e os aspectos positivos. Tucanos fazem o mesmo ao inverso. Converse sobre política com 10 pessoas que tenham opiniões formadas, e verá o fenômeno ocorrer 7, ou 8 ou mesmo 10 vezes.

Ele ocorre muito frequentemente em âmbito religioso também. Profecias, usualmente, funcionam assim. Lembra-se dos hits (acertos), ignoram-se os erros. Da mesma maneira funciona o tarot, leitura de mãos, leitura de mapas astrais, astrologia, numerologia, homeopatia, etc.

Gostaria, então, de propor um exercício intelectual. Como incentivo, vou oferecer uma promoção de um livro grátis!

Para o primeiro leitor que propuser uma profecia que comprovadamente já se cumpriu (ver critérios abaixo), oferecerei uma edição eletrônica grátis do livro ‘Nauvoo Polygamy…But We Called It Celestial Marriage’ de George D. Smith (minha resenha do livro aqui).

Eis os critérios para se estabelecer uma profecia cumprida:

1) A profecia deve ser *específica*.

Nada de profecias vagas como “chegará um dia em que o filho de uma mulher será um poderoso líder de homens”! Profecias vagas que se aplicam a qualquer situação não contam.

2) A profecia deve ser anotada *antes* do seu possível cumprimento.

Nada de profecias escritas após a data de seu cumprimento. Ex post facto, qualquer um dia profetiza sobre qualquer coisa já ocorrida com 100% de acerto!

3) A profecia deve ser cumprida *plenamente*.

Nada de profecias que predizem 10 coisas ao mesmo tempo, acertam 1 e erram 9.

4) A profecia *não* pode ser óbvia devido a fatores conhecidos por todos no momento da profecia.

Nada de profecias “ululantes” como “a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil” (embora há quem tema que essa não se cumpra, ainda assim é de uma probabilidade tão grande que deixa de se qualificar como profecia).

Eu não consigo imaginar quem se escandalizaria com esses critérios simples mas óbvios. Uma profecia, para ser marcante e profética, deve excluir os fatores comuns para acertos aleatórios por ser vaga ou abrangente demais (#1), feita depois dos acontecimentos (#2), errar mais que acerta (#3), ou ser facilmente deduzível ou previsível por qualquer observador cuidadoso (#4).

Com frequência, as profecias que se crêem cumpridas usualmente nada mais são que expressão do “viés de confirmação” de pessoas que desejam crer, “confirmando-lhes” suas crenças ao ignorar um ou mais dos critérios acima.

Sendo assim, aguardo nos comentários abaixo a profecia cumprida que contradiz essa suposição.

(Nome completo e email serão obrigatórios para um possível vencedor receber o prêmio do livro!)

16 comentários sobre “Profecias

  1. Os critérios acima foram estabelecidos pelo autor, portanto não significa que tem que ser da maneira descrita. Ele é ser humano como todos e pode estar certo ou errado; mas não deixa de ser um desafio interessante. Aliás, gostaria de saber se para o autor existe diferença entre revelação e profecia?

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