Thomas Monson Entre 10 Mais Admirados No Mundo

A página oficial de relações públicas d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias anunciou que Thomas Monson, presidente da Igreja, aparece em pesquisa norte-americana como um dos dez “homens mais admirados do mundo”. Em tom claramente celebrativo e orgulhoso, e severamente abusando do uso de hashtags, a página oficial da Igreja publicou este anúncio anteontem, exultando:

Pesquisa feita nos EUA tem o Presidente Thomas S Monson entre os 10 homens mais admirados no mundo. Foi a 1ª vez que um líder de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Oficial) – Notícias aparece entre os “top 10”.‪ #‎NoticiasSUD‬ ‪#‎PresMonson‬ ‪#‎Gallup‬ ‪#‎MaisAdmirados‬ ‪#‎EUA‬ ‪#‎mormon

Thomas Monson

Pesquisa Gallup situa Thomas Monson como o décimo homem vivo mais respeitado por norte-americanos. Isso é motivo de orgulho ou congratulações?

 

Contudo, os fatos por trás dessa noticia sugerem que este anúncio não é inteiramente honesto. ‪#‎NoticiasSUD‬ ‪#ReportagemDesonesta

Em primeiro lugar, é importante notar que a pesquisa demonstra que Monson atingiu esta posição “entre os top 10” (em décimo lugar, diga-se) com 1% dos votos dos entrevistados. Acontece que a população de membros da Igreja SUD nos EUA representa 2% de toda população norte-americana. Mesmo considerando que apenas os membros ativos (ou mesmo os que consideram-se SUD ainda), esperar-se-ia que entre 1,3 e 1,7% de todos os norte-americanos responderiam como fiéis. Sendo que a pergunta formulada restringia o campo de opções para “pessoas vivas”, nada mais natural que a maioria dos SUD ativos remontasse instintivamente ao líder máximo da fé. Da mesma maneira que muitos Católicos remontam ao Papa (em oitavo) e a maioria dos Americanos ao Presidente dos EUA (em primeiro lugar, em todos os anos desde a primeira pesquisa em 2001).

Portanto, a página oficial da Igreja escolheu celebrar a quantidade de votos recebidos numa pesquisa para Thomas Monson quando ela é nada mais, nada menos que um reflexo da demografia (i.e., quantidade de membros da Igreja SUD) Mórmon nos EUA.

Em segundo lugar, o anúncio desta semana pelo órgão oficial de propaganda da Igreja SUD faz alarde dos resultados da pesquisa de 3 anos atrás, completa e intencionalmente ignorando os resultados das pesquisas de 2 anos e de 1 ano atrás, quando Thomas Monson sequer fora mencionado significantemente. O relatório da pesquisa de 2011 indica a evolução das pesquisas anuais desde 2001, explicitando mesmo ao leitor mais casual que se trata de pesquisa anual e sugerindo, portanto, a existência da mesma pesquisa para os anos subsequentes (i.e., 2012 e 2013).

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Portanto, a página oficial da Igreja escolheu ressaltar um ano quando Monson apareceu bem nas pesquisas, há 3 anos atrás, e esconder os últimos dois anos quando Monson não apareceu bem nas pesquisas.

Em terceiro lugar, o anúncio ignora o fato de que Monson havia recebido a mesma porcentagem dos votos em anos anteriores (i.e., 2008 e 2010) e que a sua presença “entre os top 10” em 2011 não se deu por um aumento de apreço público por Monson, ou mesmo de um aumento na exposição pública de Monson, mas por uma redução de votos para outros candidatos e/ou distribuição maior de votos por mais candidatos, diluindo-os.

Portanto, a página oficial da Igreja escolheu celebrar a posição de destaque (em 2011, ignorando sua ausência em 2012 e 2013) na décima posição e esconder que esta nova posição (em 2011) não ocorreu por aumentos em votos por ele, mas por redução em votos por outros nomes.

Todas os dados considerados, torna-se evidente que o departamento de relações públicas da Igreja SUD cometeu os seguintes equívocos: 1) Anunciou como inesperado e surpreendente fato que era perfeitamente esperado, 2) Ignorou fatos anteriores e posteriores que completamente tornam este fato anunciado irrelevante, 3) Ocultou os fatos ignorados de seu público-alvo para criar a sensação de que o fato anunciado seria inesperado e surpreendente, 4) Utilizou fato irrelevante e previsível para exultar o líder máximo da Igreja e contribuir ou perpetuar a cultura SUD do “culto de personalidade” de seus líderes, 5) Evitou qualquer consideração inteligente para contextualizar a notícia e incentivar uma ponderação informada, e 6) Fingiu que fato ocorrido em 2011 era notícia em 2014, ignorando fatos subsequentes que o torna obsoleto.

Qual informação, então, poderíamos extrair desta notícia compartilhada anteontem pela página de relações públicas da Igreja? Thomas Monson é estimado e admirado pela maioria dos SUD norte-americanos ativos. Parabéns!

A grande indagação, contudo, deste episódio seria se tais equívocos na página oficial da Igreja SUD no Brasil ocorreram por desonestidade intelectual ou incompetência jornalística? A indagação subsequente seria se tais artimanhas propagandísticas, para a percepção de como a Igreja se relaciona com seus membros nas mídias sociais, seriam positivas ou negativas no longo prazo?

O que você acha?

 

 

 

 

8 comentários sobre “Thomas Monson Entre 10 Mais Admirados No Mundo

  1. Pres . Monson enter is top 10? Duvido muito . Isso é o resultado da mobilização Mormon online. Eles descobrem uma pesquisa para determinar que são os 10 Americanos mais populares , próximo passo eles votam em massa para fazer Monson chegar ao top 10. Eu te garanto com 100% de certeza que se eu perguntar pra vinte amigos meus não Membros quem é Thomas Monson eles não vão ter nem idea .

  2. Não entendi uma coisa, os votos dos membros da Igreja não valem, é isso? Quer dizer, se houveram votos em favor Thomas Monson, só posso concluir que a pesquisa reflete a verdade e o fato dos membros sud terem votado é simplesmente irrelevante.

    • A contagem da pesquisa de 2011 reflete o fato de que SUDs constituem ao menos 1% da população norte-americana e que a maioria dos SUDs norte-americanos votaram em Thomas Monson. Nada mais.

      O resultado da pesquisa, no que diz respeito a presença de Thomas Monson entre os 10 mais votados, é irrelevante no que diz respeito a popularidade ou o respeito por Thomas Monson entre norte-americanos não-SUD.

      Você ficaria surpreso (ou orgulhoso) se numa pesquisa similar realizada entre os membros da sua ala desse Thomas Monson em primeiro lugar?

  3. Acho que a função de Profeta(s) nunca teve por objetivo ser popular, seja entre membros da Igreja ou não.

  4. Que bom que ele ficou em décimo, seus argumentos não tem fundamento por que você está basicamente dizendo que o voto dos membros não o deixam popular, que os votos válidos são os dos não membros. Me diga uma coisa, por que você se empenha tanto em atacar a igreja? Acredito que cada um tem a sua opinião e seu livre arbítrio, porém você ataca a igreja de uma maneira que as vezes ofende algumas pessoas.

    • Qual dos argumentos acima, Thainá, você acha que “não tem fundamento”? Você poderia articular, específica e logicamente, como esse(s) argumento(s) “não tem fundamento”?

      Para facilitar a sua compreensão (não, o texto acima em nenhum momento estava “basicamente dizendo que o voto dos membros não o deixam popular” e nem muito menos “que os votos válidos são os dos não membros”), segue abaixo uma repetição dos pontos principais mencionados acima. (Note, com cuidado, que nenhum deles sugere que “o voto dos membros não o deixam popular” ou que “os votos válidos são os dos não membros”!)

      Sobre o artigo publicado pelo departamento de relações públicas da Igreja SUD, argumenta-se que ele:

      1) Anunciou como inesperado e surpreendente fato que era perfeitamente esperado,

      2) Ignorou fatos anteriores e posteriores que completamente tornam este fato anunciado irrelevante,

      3) Ocultou os fatos ignorados de seu público-alvo para criar a sensação de que o fato anunciado seria inesperado e surpreendente,

      4) Utilizou fato irrelevante e previsível para exultar o líder máximo da Igreja e contribuir ou perpetuar a cultura SUD do “culto de personalidade” de seus líderes,

      5) Evitou qualquer consideração inteligente para contextualizar a notícia e incentivar uma ponderação informada,

      6) Fingiu que fato ocorrido em 2011 era notícia em 2014, ignorando fatos subsequentes que o torna obsoleto.

      Então, Thainá, como você explicaria que um (ou mais) desses argumentos “não tem fundamento”?

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