Ex-Deputado Mórmon Comemora Morte de Criança

A criança de 7 anos de idade, Jakelin Ameí Rosmery Caal Maquin, morreu enquanto sob custódia do Departamento de Imigração do governo federal dos Estados Unidos.

Jason Chaffetz, ex-deputado federal por Utah e colunista da Fox News

Jason Chaffetz, Deputado Federal pelo estado de Utah entre 2009 e 2017, e membro d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comemorou a morte de Jakelin em entrevista televisiva por enviar uma mensagem clara a refugiados: Não venham aos EUA pois mataremos suas crianças!

Chaffetz, que renunciou no meio de seu mandato supostamente por causa de pressão popular em Utah contra seu apoio adulador a Donald Trump e sua obstrução a investigações criminais contra este, e no dia seguinte assinou contrato de colunista para o canal de TV a cabo Fox News, conhecido entre jornalistas sérios como “TV Trump”, expressou oportunismo pela morte da criança:

“A triste realidade é que temos uma menina de 7 anos que morreu, e ela nunca deveria ter feito aquela jornada. E essa deve ser a mensagem, não faça essa jornada, ela vai te matar.”

Jakelin atravessou mais de 3 mil quilômetros com seu pai Nery Gilberto Caal Cuz, 29, da Guatemala até a fronteira dos EUA em um grupo de 162 imigrantes refugiados. O grupo não cruzava a fronteira ilegalmente, rendendo-se imediatamente a agentes federais solicitando asilo, o que é legal tanto por direito internacional como dentro das leis norte-americanas.

Jakelin e seu pai em sua jornada aos EUA, uma semana antes. (Foto: AFP/Referencial)

Segundo seu avô, Jakelin pulava de alegria em antecipação de emigrar de seu vilarejo, onde as 7 pessoas de seu lar sobreviviam apenas com R$20 diários e ela nunca ganhara um brinquedo ou um par de sapatos.

Claudia Marroquín, 27 anos, mãe de Jakelin, com seus outros 3 filhos no vilarejo de San Andrés Secortéz, município de Raxruhá, Guatemala. (Foto: EFE)

Caal Cuz fez empréstimos para poder conseguir financiar a jornada para si e sua filha com as esperanças de conseguir enviar dinheiro para o sustento do resto de sua família no vilarejo onde a língua maia Q’eqchi’, e não espanhol, é o idioma popular.

O trecho final de sua jornada incluiu aproximadamente 90 minutos a pé no deserto até a fronteira dos EUA, onde se renderam a agentes federais no Novo México. Após 48 horas sob custódia de agentes federais de imigração, sofrendo com febre alta e vômitos, faleceu em um hospital em El Paso, Texas.

Claudia Maquin, mãe de Jakelin, enterrando sua filha no dia de Natal.

O governo federal estadunidense vem criando enormes dificuldades para imigração legal nos portos de entrada com o México nos últimos 2 anos, inclusive apreendendo e separando crianças de seus pais com efeitos trágicos, o que vem forçando imigrantes buscando asilo legal a trechos mais perigosos da fronteira. O terror dos maus tratos a crianças centro-americanas parece ser parte de uma campanha de “enviar mensagem” para dissuadir imigrantes aos EUA, da mesma maneira em que Chaffetz parece crer que a morte de crianças possa contribuir para a redução nessa taxa de imigração.

Jakelin foi enterrada no dia de Natal em sua terra natal de San Antonio Secortez, Guatemala, um dia após a morte de outra criança guatemalteca, Felipe Gómez Alonzo de 8 anos de idade, também sob custódia de agentes federais norteamericanos.

Elvira Choc, avó de Jakelin, durante seu velório

Familiares se despedem de Jakelin Maquin em velório improvisado na casa de seus avós


Atualização: Ao leitor que nos acusou de “sensacionalismo” no artigo acima, explicamos três pontos.

Em primeiro lugar, apontamos que o verbo “comemorar” literalmente significa “lembrar”, “trazer à lembrança”, e “recordar”. Chaffetz obviamente está defendendo utilizar a morte da criança para “mandar uma mensagem” e, portanto, está usando a lembrança dessa tragédia para seus fins ideológicos. Ou seja, ao invés de comiserar ou  expressar luto por sua morte, Chaffetz se aproveita dela.

Em segundo lugar, a natureza vil e imoral do comentário de Chaffetz foi notada por vários jornalistas, inclusive o artigo que nós havíamos citado originalmente que categoricamente afirma que Chaffetz “celebra a morte” da criança. Entre muitas reações (ver abaixo), o jornal de Utah The Salt Lake Tribune publicou editorial chamando-o de “vergonha para o estado de Utah” e uma “ironia [que ele seja] membro de, inclusive converso de, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” por causa de seus comentários “repreensíveis” sobre a falecida criança.

E, finalmente, em terceiro lugar, se sua primeira reação ao ler esse artigo é tentar defender Chaffetz, ou a Igreja, ou qualquer posição política, ou mesmo minúcias jornalísticas, então sugerimos aproveitar o período de renovação para um novo ano para rever seus princípios morais e éticos.


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11 comentários sobre “Ex-Deputado Mórmon Comemora Morte de Criança

      • Em que pese um dos sentidos da palavra “comemorar” seja recordar, a aplicação usual da referida palavra é majoritariamente no sentido de “festejar/celebrar”. O sensacionalismo reside justamente no fato de, ante um grande leque de palavras utilizáveis no título para demonstrar que o Ex-Deputado citou a morte de uma criança, o autor adota intencionalmente uma palavra no título do artigo em seu sentido insólito para induzir o “leitor médio” ao erro fazê-lo crer que o Ex-deputado estaria “festejando/celebrando” a morte da criança.

        Trata-se de uma trapaça linguística meticulosamente moldada no intuito de instigar os leitores a clicar nos links para,assim, render mais tráfego ao site onde a notícia se encontra, o famoso “clickbait” (também conhecido como jornalismo da desinformação). Prática rechaçada por jornalistas sérios.

        Se a intenção do autor é reduzir a prática de “clickbait” a “minúcias jornalísticas”, então a sugestão de aproveitar o período de renovação para um novo ano para rever seus princípios morais e éticos cabe mais ao autor do que a mim.

        E falando ainda em princípios morais e éticos, espero que eles ainda estejam em vigor e que sirvam de mote para publicar esse comentário, mesmo que ele seja crítico àquele que irá moderá-lo, pois imagino tratar-se de um blog de espírito democrático, aberto à opiniões contrárias.

      • Lindomar, aceitamos “opiniões contrárias”. Preferiríamos, contudo, que fossem inteligentes.

        Novamente, remetemos você ao dicionário. Se não está familiarizado com o uso de dicionários, recomendamos. As definições das palavras encontram-se ali descritas, imunes ao seu prazer pessoal.

        Com relação a “jornalistas sérios”, remetemos você aos jornalistas que nós citamos no artigo, especialmente os que usaram a expressão “celebrar” (que nós optamos por evitar), assim como expressões “vergonha para o estado” e “perverso”. Se não está acostumado com o hábito de ler artigos antes de criticá-los, recomendamos. Se não está acostumado com o hábito de ler jornais, também recomendamos.

  1. Vocês podem ser definidos em uma única palavra : NOJENTOS.
    OBS Não sou Mórmon , mas vocês já ultrapassaram o desrespeito ao Governo Clinton.

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