Boi, Burro e… Dragão? Desculpe, Não Havia Animais na Cena Bíblica da Natividade

De peças infantis a presépios e cartões de Natal, animais são constantes em nossa visão do nascimento de Cristo. Mas, de acordo com a Bíblia, nenhum animal estava lá. De onde todos esses animais vieram, e por que são tão centrais para a estória?

Natal Novo Testamento

A Estrada para Belém, de Joseph Brickey. | Imagem: Cortesia de lds.org

Apenas duas partes da Bíblia falam sobre o nascimento de Jesus: os Evangelhos de Lucas e de Mateus. Marcos e João ignoram a infância de Jesus e vão diretamente à sua vida adulta. Então, quão semelhantes são as narrativas de Mateus e Lucas para a versão familiar de quem presenciou um serviço religioso de Natal ou a uma peça infantil de natividade? Continuar lendo

Em Defesa de Cristo: Quais são as Evidências da Ressurreição?

Em 1998, Lee Strobel, um repórter para o jornal Chicago Tribune e advogado pela Universidade de Yale, publicou o livro entitulado “Em Defesa de Cristo” (com o subtítulo descritivo “a investigação pessoal de um jornalista das evidências a favor de Jesus”). Strobel reconta haver sido ateu até ser compelido pela conversão de sua esposa ao cristianismo evangélico a tentar refutar as principais asserções cristãs sobre Jesus.

Central entre tais asserções está a historicidade da ressurreição de Jesus, porém outras delas incluem as crenças que Jesus é literalmente o Filho de Deus e a acurácia dos escritos do Novo Testamento.  Strobel, contudo, encontrou-se incapaz de refutar tais asserções satisfatoriamente, e ele também se converteu ao cristianismo. Seu livro tornou-se um dos maiores bestsellers (i.e., mais vendidos) na categoria de apologética cristã (isto é, a defesa da razoabilidade e acurácia do Cristianismo) de todos os tempos.

Ontem, 7 de abril, estreiou [nos Estados Unidos] uma adaptação a filme de longa metragem entitulado “Em Defesa de Cristo”. O filme tenta estabelecer um argumento convincente para a historicidade da ressurreição de Jesus. Como diz um personagem para Strobel no começo do filme, “se a ressurreição de Jesus nunca ocorreu, então [a fé cristã] é um castelo de cartas”.

O Novo Testamento (Foto: Ty Muckler)

Como um professor de estudos religiosos especializado no Novo Testamento e no Cristianismo primitivo, eu postulo que tanto o livro de Strobel, como sua adaptação cinematográfica, foram Continuar lendo

O Primeiro Natal de acordo com o Novo Testamento

Celebramos recentemente o Natal.

Natal vem da palavra latim natus, que significa “nascimento” ou “nascer” ou mesmo “gerar”, e é comumente utilizado para se referir ao “dia do nascimento” de alguém. Costumeiramente, no mundo de línguas românicas, Natal tornou-se um termo para descrever a celebração do nascimento de Jesus. Assim, no Brasil, como nos demais países românicos e cristãos, no Natal (usualmente no dia 25 de dezembro) comemora-se o nascimento de Jesus há mais de 2 mil anos atrás.

A Adoração dos Pastores, por Gerard van Honthorst (1590–1656), em 25 de dezembro de 1622

A Adoração dos Pastores, por Gerard van Honthorst (1590–1656), em 25 de dezembro de 1622

Ao contrário do que a maioria dos cristãos imagina, os quatro relatos canonizados da vida de Jesus no Novo Testamento (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram os mesmos eventos, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).¹

Portanto, honraremos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu o “primeiro natal”, ou o nascimento de Jesus, de acordo com cada um dos 4 autores de cada Evangelho canônico?

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Esposa de Jesus? Quatro Disputas Sobre Maria Madalena

Todos os Evangelhos nos contam a estória de Maria Madalena (ou, de Magdala), uma colaboradora próxima de Jesus. Mas foi ela a primeira e mais proeminente apóstola, ou a esposa de Jesus? O relato bíblico bíblico não é claro.

Crucificação com Maria Madalena ajoelhando e chorando, de Francesco Hayez (1827). Detalhe.

Crucificação com Maria Madalena ajoelhando e chorando, de Francesco Hayez (1827). Detalhe.

Maria Madalena é mencionada 14 vezes nos Evangelhos — os relatos que descrevem a vida, morte e ressurreição de Jesus — e muitas vezes lidera a lista de seguidoras de Jesus, que desafiaram a ideia de que os discípulos filosóficos eram tipicamente homens. Ela também é mencionada cinco vezes na história da Paixão, que inclui alguns de seus mais importantes momentos marcados pela tristeza. Ela ampara Jesus quando ele é crucificado pelos romanos, e lamenta a sua morte depois. Ele aparece primeiro a ela depois que se levanta novamente. Continuar lendo

Plágio e as Escrituras

Plágio significa “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”.

Apesar de conceito simples e claro, muitas pessoas tem dificuldade para compreendê-lo e, ainda mais frequente, reconhecê-lo.

Felizmente, a esposa do candidato Republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu o perfeito exemplo ilustrativo.

Melania Trump plagia Michelle Obama em seu discurso na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, Ohio

Durante seu discurso na Convenção Nacional do Partido Republicano dessa semana, a candidata à primeira dama dos EUA Melania Trump liberalmente plagiou de trechos de um discurso de 2008 da então candidata à primeira dama dos EUA Michelle Obama:

Inicialmente, Donald Trump e aliados insistiram em negar que Melania Trump havia plagiado Michelle Obama. Contudo, as evidências eram tão óbvias, e foram tão rápida e amplamente divulgadas, que uma membro de sua equipe, a escritora formada pela Universidade de Utah Meredith McIver assumiu responsabilidade e culpa pelo plágio.

A empresa Turnitin, especializada em detecção de plágio em trabalhos acadêmicos, analisou os discursos e demonstrou com alto grau de confiança que Trump plagiara de Obama [ênfases nossas]:

“O tipo ‘clone’ de plágio copia de outro trabalho literalmente, palavra por palavra. O início da seguinte frase de ambos discursos de Melania Trump de 2016 e o de Michelle Obama de 2008 exemplificam isso. Ambas são exatamente as mesmas. (…) Só para oferecer um contexto… há uma chance em um trilhão que uma frase de dezesseis palavras correspondam a uma outra frase do mesmo comprimento apenas por coincidência. Quanto mais o número de palavras correspondentes aumenta, a probabilidade de uma correspondência por pura coincidência cai por ordens de magnitude. (…) O final da mesma frase, mencionada acima, fornece um exemplo de plágio do tipo “localizar e substituir”, um caso em que algumas palavras-chave ou frases são alteradas, mas o texto mantém o conteúdo ou o significado do trabalho copiado.”

A comparação lado a lado das frases em questão não deixa nenhuma dúvida para o investigador racional e imparcial dos dois tipos de plágio dentro os 10 tipos categorizados (i.e., “clone” e “localizar e substituir”) inclusos no discurso de Trump.

Plágio não é exclusividade acadêmica ou política, aparecendo com frequência no universo religioso. Thomas Monson, por exemplo, é fã pessoal de plágio, havendo plagiado de seus próprios discursos passados em Conferências Gerais de 2014 e 2016. Alguns sites de notícias SUD plagiam rotineiramente.

Plágio também ocorre nas escrituras. Continuar lendo

Aprendendo a Ler (as Escrituras)

Ler é difícil. Compreensão e interpretação de textos também são difíceis.

Infelizmente, é um fato inconteste que a maioria dos cristãos, incluindo a maioria dos mórmons, não dispõe das ferramentas intelectuais suficientes para ler e estudar as escrituras adequadamente.

Casal Lendo Livros (Foto por Erin Kelly, reproduzido com permissão)

Ontem publicamos uma citação do Apóstolo Paulo de Tarso ensinando obediência e submissividade às autoridades governamentais. Hoje iríamos discutir o motivo pelo qual Paulo pregava essa doutrina, mas optamos por pausar em um comentário de um leitor que exemplifica falhas comuns de muitos fiéis ao ler os textos bíblicos (e demais leituras, em geral).

Essa discussão é importante porque, sem as técnicas literárias básicas necessárias para ler, compreender, e interpretar um texto, é absolutamente fútil qualquer tentativa para discutí-lo.

Vejamos, portanto, o texto em discussão e o comentário que tentara interpretá-lo:

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