O Legado de Joseph e Hyrum

js_hsCompletaram-se, no último sábado, 171 anos do martírio de Joseph e Hyrum Smith, assassinados por milicianos que invadiram a cadeia de Carthage. Ao contrário do almejado, as mortes dos irmãos Smith não destruíram o mormonismo. No entanto, mudariam para sempre a história daquele jovem e radical movimento religioso. 

Assim como o próprio Joseph Smith desejava viver e liderar o êxodo mórmon, tampouco os membros da Igreja contavam com a morte repentina de seu Profeta e Patriarca.  A nova religião americana ficou dividida entre diferentes alternativas de sucessão.

Para mim, há muito que lamentar na morte abrupta de Joseph e Hyrum. Mas também celebro a coragem e persistência dos seus contemporâneos que levaram adiante o que consideravam ser o seu legado. Esse legado, obviamente, foi sendo reinterpretado, de forma que na maior denominação mórmon, tanto as escrituras, quanto as ordenanças e a hierarquia foram mudadas em maior ou menor grau.

Enquanto muitos ensinamentos de Joseph são desconhecidos dos membros da Igreja SUD, o ofício do Patriarca Hyrum (D&C 124:124) – que deveria continuar sempre entre seus descendentes – nem sequer existe mais na Igreja. Continuar lendo

Professor é desobrigado da Escola Dominical por usar textos oficiais sobre negros

Brian Dawson foi desobrigado após utilizar textos do site e revista oficiais da Igreja

Em 09 de junho de 1978, Spencer Woolley Kimball anunciava o fim da longa exclusão de negros do sacerdócio e das cerimônias do templo mórmon. Após 37 anos dessa importante mudança, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias parece ainda não lidar apropriadamente com esse aspecto de sua história. Pelo menos, é o que ilustra uma recente polêmica local na Igreja em Honolulu, no estado americano do Havaí.

O casal Brian e Ezinne Dawson com seus filhos

O casal Brian e Ezinne Dawson com seus filhos

Questionado por seus alunos de 12 a 14 anos sobre o banimento dos negros antes de 1978, Brian Dawson decidiu apresentar à classe da Escola Dominical o conteúdo de Raça e Sacerdócio, ensaio publicado em inglês no site lds.org em dezembro de 2013 (e traduzido para o português cerca de um ano depois como As Etnias e o Sacerdócio). De acordo com a reportagem do jornal The Salt Lake Tribune, Dawson também utilizou artigos da revista oficial Ensign (publicação americana equivalente à Liahona) para falar dos pioneiros negros Elijah Abel, Green Flake e Jane Manning James, enfatizando que especialmente os futuros missionários deveriam entender essa história. Continuar lendo

Espionagem na BYU?

Sign_0409-30_0616Dois professores da Universidade Brigham Young (BYU) encontraram em uma sala de aula, no início deste mês, um gravador eletrônico ativado por voz. O dispositivo estava escondido, afixado com velcro ao assento de uma cadeira. A descoberta aconteceu no prédio Joseph Smith, onde são ministradas a maioria das aulas de religião. Eles posteriormente encontraram outras cadeiras também com velcro na parte posterior do assento.¹

Uma investigação interna foi iniciada para apurar os responsáveis e sua motivação, bem como a legalidade das gravações. Pela legislação de Utah, para que uma gravação seja legal bastaria que uma pessoa na sala de aula estivesse ciente. Carri Jenkins, porta-voz da universidade, afirma que as gravações não foram feitas pela administração da BYU. Continuar lendo

Novo currículo para Seminário e Instituto causa inquietação

Mudança é “terrível”, afirma professor da BYU

William J. Hamblin

William J. Hamblin

O Departamento de Educação Religiosa da Universidade Brigham Young (BYU) está preparando um novo currículo para o Sistema Educacional da Igreja (SEI), incluindo Seminários (para membros entre 14 e 18 anos) e Institutos de Religião (para membros de 18 a 30). O novo currículo substituirá os cursos anuais sobre as escrituras do mormonismo por quatro cursos temáticos:

– Jesus Cristo e o Evangelho Eterno;

– Ensinamentos e Doutrina do Livro de Mórmon;

– Fundamentos da Restauração;

– A Família Eterna.

Conforme a proposta, os cursos existentes hoje no SEI serão oferecidos como eletivos e não como parte do currículo principal. A mudança tem gerado críticas entre intelectuais mórmons. William Hamblin, professor de história na BYU, disse que considera o novo currículo “terrível”. Hamblin, 60 anos, leciona na universidade mórmon desde 1989 e é considerado conservador, conhecido também pelo seu trabalho apologético sobre o Livro de Mórmon.

Hamblin afirma que o novo currículo trará consequências sérias para os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “resultará em uma decadência ainda maior no letramento escriturístico – um problema já significativo entre os santos”. Continuar lendo

Jeová, o Pai

No meu post anterior, mostrei como, de acordo com algumas escrituras bíblicas, Cristo não pode ser considerado o Deus que interagiu com os antigos israelitas. O “Deus de Abraão, Isaque e Jacó” para os autores do Novo Testamento é o próprio Pai e não seu Filho. Nesta continuação do tema, busco novamente na relação do Novo Testamento com a bíblia hebraica a identidade de Jeová como o Pai; também utilizo uma importante escritura de Doutrina e Convênios para mostrar como Joseph Smith também usava o termo Jeová para se referir ao Pai. Continuar lendo

A Errônea Associação do Catolicismo à Corrupção das Escrituras

Um dos fundamentos doutrinários dos santos dos últimos dias é a afirmação de que as escrituras bíblicas não permaneceram intactas desde a pena de profetas e apóstolos até nossos dias, mas sofreram adulterações de forma que passagens foram retiradas, editadas ou acrescentadas.

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Estudo do Retrato do Papa Inocêncio X por Velázquez, de Francis Bacon (1953)

Em 1 Néfi 13, lemos sobre a visão recebida por Néfi da instituição responsável pela corrupção do Novo Testamento, chamada de “grande e abominável igreja”. Muitos santos dos últimos dias interpretam essa instituição como sendo a Igreja Católica Apostólica Romana, embora a ação da “grande e abominável igreja” sobre as escrituras, descrita no Livro de Mórmon, não possa ter nenhuma relação histórica com o catolicismo romano. Continuar lendo

Quem são nossos samaritanos?

Hoje, na Escola Dominical, uma das parábolas abordadas foi a do samaritano socorrendo o judeu à beira da morte, em Lucas 10. A radicalidade do ensinamento de Cristo ao colocar o samaritano como próximo do judeu só pode ser entendida a partir da exclusão mútua entre os dois povos. Falando como judeu a uma audiência judaica, Cristo escolhe como exemplo de misericórdia um indivíduo Continuar lendo