Os Que Se Opuserem, Manifestem-se

Em menos de um mês teremos a Conferência Geral Anual da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Como em todas as outras 184* conferências antes desta, a Primeira Presidência apresentará o nome das Autoridades Gerais para um voto de apoio dos membros da Igreja. Nessa oportunidade, membros da Igreja têm o direito de expressar os seus apoios aos seus líderes eclesiásticos.

A votação numa Conferência Geral oferece uma oportunidade para membros da Igreja expressarem seu apoio aos líderes… ou sua oposição a eles.

A votação  em numa Conferência Geral oferece uma oportunidade única para membros da Igreja expressarem seu apoio aos Apóstolos e Profetas… ou sua oposição a eles!

Ao contrário do que muitos imaginam, porém, essa também é a oportunidade de membros da Igreja darem voz às suas discordâncias com quaisquer homens que estejam em posições de poder e liderança na Igreja. Esse voto não é obrigatória e exclusivamente de apoio, mas pode também servir de oposição.

E um grupo de membros da Igreja planeja justamente isso.

Há uma campanha online por membros da Igreja para se organizarem para comparecer na próxima conferência a ser realizada no próximo dia 04 de abril e votarem contra o apoio da Primeira Presidência.

Leia a tradução do seu manifesto:

Comunicado de Imprensa: Mórmons Lançarão Voto em Oposição na Conferência Geral SUD
06 março de 2015
PARA DIVULGAÇÃO IMEDIATA
05 março de 2015
Salt Lake City, UT
anyopposed@gmail.com
www.anyopposed.org

Mórmons Lançarão Voto em Oposição na Conferência Geral SUD

Resumo:

Um grupo de membros preocupados da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) iniciaram um esforço de base via http://www.AnyOpposed.org para participar e se opor à sustentação dos líderes e oficiais da Igreja SUD na Conferência Geral.

Contexto:

Um número crescente de Santos dos Últimos Dias preocupados encontram pouco acesso aos líderes da Igreja responsáveis pela elaboração de políticas oficiais para expressar feedback, opiniões, dissidência ou insatisfação sobre os atuais pontos de vista, posições e ensinamentos da Igreja SUD.
Camadas de burocracia mantêm a alta liderança SUD isolada de ouvir preocupações autênticas e feedback dos seus membros. Correspondência e petições por membros leigos voltados para as Autoridades Gerais da Igreja são quase sempre devolvidas e delegadas aos presidentes de estaca e bispos locais para posterior manipulação (que têm influência mínima sobre a política oficial). Também não há espaço atualmente dentro das reuniões SUD e atividades em que essas preocupações possam ser expressas, ouvidas e abordadas. De fato, a Igreja desestimula oficialmente seus membros de ter reuniões privadas ou grupos de estudo fora do calendário de reuniões regulares ou eventos sancionados.
Felizmente, aos membros em geral da Igreja SUD é dada a oportunidade durante a Conferência Geral semestral para sustentar ou se opor às atuais Autoridades Gerais e outros oficiais da Igreja. Durante uma das quatro sessões gerais da conferência um membro da Primeira Presidência apresenta à congregação os nomes das Autoridades Gerais novas e atuais e outros líderes da Igreja e solicita que os presentes lancem um voto de apoio ou de oposição.

Base Doutrinária e Precedente Histórico:

A Lei de Comum Acordo

Em julho de 1830 o fundador Mórmon Joseph Smith Jr. registrou uma revelação de Deus que constitui agora a seção 26 de Doutrina e Convênios. A revelação afirma: “E todas as coisas serão feitas de comum acordo na igreja, por meio de muita oração e fé, pois todas as coisas recebereis pela fé. Amém.” Doutrina e Convênios seção 124:144 também afirma: “E dou-vos o mandamento de preencherdes todos esses cargos e aprovardes ou desaprovardes, na minha conferência geral, os nomes que mencionei”

Precedente Histórico

Durante os anos de formação da Igreja SUD e mesmo em sua migração para Utah, a Conferência Geral foi usada como uma oportunidade para proporcionar uma prestação de contas para os membros da Igreja em relação a questões financeiras, as necessidades materiais, construção de instalações físicas, e para o chamado e sustentação de oficiais da Igreja. Enquanto estes elementos lentamente desapareceram dos procedimentos modernos da Conferência Geral, ainda vemos vestígios da lei de comum acordo na forma do apoio aos líderes da Igreja.
Este processo demonstra que, em vez de apenas ser uma iniciação para novas adições, os membros também são convidados a ratificar as ações dos atuais líderes da igreja de forma contínua. Quando votamos para sustentar, damos nossa aprovação não só às pessoas chamadas mas às ações da igreja como um todo. Um voto de oposição feito corretamente não é um ato de heresia, mas é uma participação no processo que está estabelecido em Doutrina e Convênios.
A votação é feita em todas as capelas ao redor do mundo onde a conferência está sendo transmitida. Isso mostra que todos os membros têm o direito de falar e expressar a sua aprovação ou dissidência. No entanto, os membros que estão distantes da sede da igreja nunca terão a oportunidade de expressar suas preocupações específicas à uma Autoridade Geral. Talvez mais importantemente, os membros em todo o mundo nunca saberão que outros membros têm preocupações sobre os líderes da igreja ou suas ações, a menos que essas acusações sejam feitas no próprio centro de conferências.
O Élder N. Eldon Tanner descreveu os votos contrários na Conferência Geral como sendo uma oportunidade para os membros para se dirigir pessoalmente à uma Autoridade Geral e expressar a sua opinião. Longe de desencorajar votos dissidentes, o Élder Tanner mesmo instruiu os recepcionistas para notificá-lo se por acaso ele deixou passar despercebido algum voto contrário. A doutrina de consentimento comum não tem sentido se os membros são incapazes de expressar o seu descontentamento, e esta parece ser a única forma de fazê-lo, que também seja doutrinariamente aprovado.

Exemplos Anteriores de Votos Contrários

Devido a pressões e expectativas culturais, um voto em oposição é raramente visto. Os únicos casos em que ocorreram na história recente foram no final dos anos 70 e início dos anos 80, e tinha a ver com indivíduos votando em oposição à posição da Igreja sobre as pessoas de ascendência Africana e da Emenda dos Direitos Iguais.

Chamada para Ação:

Os ingressos para as conferências semestrais são distribuídos pela Igreja através dos líderes locais do sacerdócio, bem como na bilheteira do Centro de Conferências. Normalmente os membros devem estar em dia e desfrutar de determinados níveis de confiança com seus líderes do sacerdócio antes que o pedido de ingressos seja concedido. Como tal, muitas vezes é difícil para pessoas que desejam expressar suas preocupações para garantir ingressos para a conferência.
Assim sendo, os indivíduos que têm acesso a ingressos para a conferência através destes meios são incentivados a garantir ingressos para todas as sessões gerais do Conferência Geral de abril de 2015 e enviá-los anonimamente para a Caixa Postal 1462, American Fork UT, 84003.
Os Santos dos Últimos Dias que desejam lançar um voto contrário, mas que não têm acesso a ingressos para conferências, são encorajados a pedir ingressos através www.AnyOpposed.org. Esses pedidos serão examinados para garantir a segurança e confidencialidade dos participantes, e mais detalhes serão fornecidos apropriadamente para a distribuição dos ingressos.
Também é possível para quem quer que deseje assistir uma sessão da Conferência Geral para obter um ingresso aguardando em uma fila de espera. Esta fila geralmente se forma várias horas antes de cada sessão da Conferência nos portões norte da Praça do Templo. Quanto mais cedo você começa nesta fila, melhor suas chances de conseguir um ingresso. Encorajamos qualquer pessoa que queira participar da Conferência para votar em oposição para planejar obter ingressos desta forma, se não podem consegui-los por outros meios. Mesmo aqueles que entrem em contato com www.AnyOpposed.org para obter ajuda com ingressos precisam perceber que eles podem ter que esperar na fila de espera como um plano alternativo, se não formos capazes de fornecer-lhes os ingressos solicitados.
Os participantes devem estar cientes de que esta é uma votação pacífica e não uma perturbação da Conferência Geral. Os participantes são encorajados a se vestir e se comportar respeitosamente devido à sacralidade e decoro do contexto da conferência. Qualquer indicação de intenções violentas ou maliciosas será relatada às autoridades policiais.

Anonimato:

Os organizadores do AnyOpposed.org permanecerão anônimos, na tentativa de evitar que a liderança SUD descubra e impeça indivíduos específicos de participação. Se a Igreja SUD está disposta a conceder o acesso às sessões de conferência para organizadores e participantes com ingressos sem represálias, o anonimato se tornará desnecessário.

Eles deixaram de citar a famosa ocasião quando o Profeta Joseph Smith propôs, em outubro de 1843, a desobrigação de Sidney Rigdon como Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, mas os membros votaram em oposição à esta proposta e Smith foi obrigado a mantê-lo como seu conselheiro.

O que você acham dessa campanha? Dará certo? Por quais motivos esses membros ativos e fiéis gostariam de expressar oposição à atual liderança da Igreja? Você estaria disposta a ajudar nesta campanha? Se sim, por quê?

__________________

* A Igreja mantém duas conferências gerais por ano, atualmente ocorrendo nos fins de semana do primeiro domingo de abril e do primeiro domingo de outubro. As conferências de abril são denominadas “conferência geral anual” e as de outubro “conferência geral semi-anual”. Desde a fundação da Igreja em 1830, houve 184 conferências anuais, e 184 conferências semi-anuais. Contudo, em todas as 368 conferências houve votações de apoio.

25 comentários sobre “Os Que Se Opuserem, Manifestem-se

  1. Sou a favor de qualquer manifestação democrática.Creio que a liderança top da Igreja não tem conhecimento do que se passa nos bastidores da nossa religião no mundo afora, até porque para não se queimarem com a liderança, certo líderes não revelam seus erros a seus superiores.

  2. Tenho minhas dúvidas de como isso será visto, afinal, na realidade, se ocorrer é bem provável que façam de conta que não viram. Tenho relatos, não confirmados, que é normal ter pessoas levantando a mão contra nessas seções, mas apenas os ali presentes veem isto e na maioria dos casos ‘não lhes dão atenção alguma’. Afinal, quem levanta a mão contra ou é louco ou é apóstata para um mórmon tradicional.

    Embora seja normal, não é regra que toda vez que um membro se posicione contra alguma ação ou decisão esta seja apenas por conta de um erro próprio (apostasia, orgulho, essas coisas que nos dizem); algumas vezes foi a Igreja (na pessoa do líder em questão) que errou, embora raramente eu tenha visto um caso de retratação de cima para baixo (e meus exemplos se resumem a unidades locais, desconhecendo outros casos).

    No final das contas é muito difícil lidar com gente…

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