Falece B. Carmon Hardy, Historiador da Poligamia Mórmon

É com pesar que noticiamos o falecimento de B. Carmon Hardy, um dos mais importantes e influentes historiadores mórmons, ocorrido no último dia 21 de dezembro. Hardy é especialmente celebrado pela sua pesquisa acadêmica sobre a poligamia mórmon do século 19 e início do século 20.

poligamia mórmon fotografia

O bispo Ira Eldredge e suas esposas Nancy Black, Hanna Mariah Savage e Helwig Marie Anderson, circa 1864.

Blaine Carmon Hardy nasceu em 1934, na cidade de Vernal, Utah, descendente de pioneiros mórmons. Durante a maior parte de sua juventude, viveu no estado de Washington, onde cursou o ensino médio e trabalhou em fazendas e ranchos. Graduou-se em História pela Washington State University, em 1957. Dois anos depois, concluiu seu mestrado em História Americana na universidade da Igreja SUD, Brigham Young University (BYU), havendo trabalhado com os professores R. Kent Fielding e Hugh Nibley. Hardy obteve seu doutorado da Wayne State University, no estado de Michigan, em 1963, pesquisando sobre as colônias mórmons no México.

Recordando sua jornada pessoal e o impacto da sua pesquisa sobre casamentos plurais após o Manifesto, Hardy escreveu: Continuar lendo

Leonard Arrington: Poder e Medo das Autoridades Gerais

O Historiador da Igreja entre 1972 e 1982, Leonard J. Arrington, anotou em seu diário algumas observações pessoais sobre como ele enxergava os bastidores da administração eclesiástica da Igreja SUD, o exercício de poder entre Autoridades Gerais e os medos que regiam as reações da liderança da Igreja.

Leonard Arrington

Arrington foi o primeiro não-Apóstolo, e até hoje o único não-Autoridade Geral, a ser chamado para o ofício de Historiador da Igreja desde quando Joseph Smith chamou Willard Richards em 1842 para a posição.

Sob a égide do Apóstolo Howard Hunter, Arrington transformou o campo acadêmico para historiadores mórmons ao abrir os arquivos históricos da Igreja para pesquisadores. Durante uma década, Arrington estimulou e fomentou uma verdadeira revolução nos estudos mórmons à era popularmente chamada de “era de ouro em historiografia mórmon” ou “nova história mórmon”.

Essa liberdade acadêmica e abertura intelectual não passou, porém, incólume. Alguns Apóstolos, como Ezra Benson, Bruce McConkie, Mark Petersen, e Boyd Packer fizeram feroz oposição ao trabalho de Arrington, até que em 1982, ele foi desobrigado em uma reunião secreta privada e seu novo substituto anunciado em Conferência Geral alguns meses depois, sem quaisquer menções a Arrington. Inclusive, ele foi o único Historiador da Igreja a ser desobrigado sem votos de gratidão pela Igreja em conferência.

Arrington, contudo, permaneceu inabalavalmente fiel e ativo na Igreja pelo resto da vida, e ainda mais importante, produzindo e orientando uma nova geração de historiadores até sua aposentadoria como Professor e Chefe de Departamento da BYU.

Entre esses o autor da melhor biografia de David O. McKay, historiador Gregory Prince, que publicou esse ano uma biografia de Leornard Arrington: Leonard Arrington and the Writing of Mormon History. É desta biografia, por exemplo, que descobrimos uma página do diário de Arrington, onde ele lista mudanças que julgava serem necessárias e cruciais para alterar aspectos nocivos e perniciosos dentro da instituição da Igreja SUD.

Diário de Leonard Arrington, com seu retrato ao fundo. (Foto: Scott Sommerdorf l The Salt Lake Tribune)

Diário de Leonard Arrington, com seu retrato ao fundo. (Foto: Scott Sommerdorf l The Salt Lake Tribune)

O diário está sendo preparado para publicação, com previsão para março de 2017. A editora Signature Books lançou um teaser com o trecho mencionado no topo do artigo, de observações anotadas em julho de 1972: Continuar lendo

Historiador da Igreja Pedia Reformas

O Historiador da Igreja SUD entre 1972 e 1982, Leonard J. Arrington, anotou em seu diário reformas à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que ele julgava serem necessárias para remover práticas institucionais nocivas para a Igreja e para os membros.

Leonard Arrington

Arrington foi o primeiro não-Apóstolo, e até hoje o único não-Autoridade Geral, a ser chamado para o ofício de Historiador da Igreja desde quando Joseph Smith chamou Willard Richards em 1842 para a posição.

Sob a égide do Apóstolo Howard Hunter, Arrington transformou o campo acadêmico para historiadores mórmons ao abrir os arquivos históricos da Igreja para pesquisadores. Durante uma década, Arrington estimulou e fomentou uma verdadeira revolução nos estudos mórmons à era popularmente chamada de “era de ouro em historiografia mórmon” ou “nova história mórmon”.

Essa liberdade acadêmica e abertura intelectual não passou, porém, incólume. Alguns Apóstolos, como Ezra Benson, Bruce McConkie, Mark Petersen, e Boyd Packer fizeram feroz oposição ao trabalho de Arrington, até que em 1982, ele foi desobrigado em uma reunião secreta privada e seu novo substituto anunciado em Conferência Geral alguns meses depois, sem quaisquer menções a Arrington. Inclusive, ele foi o único Historiador da Igreja a ser desobrigado sem votos de gratidão pela Igreja em conferência.

Arrington, contudo, permaneceu inabalavalmente fiel e ativo na Igreja pelo resto da vida, e ainda mais importante, produzindo e orientando uma nova geração de historiadores até sua aposentadoria como Professor e Chefe de Departamento da BYU.

Entre esses o autor da melhor biografia de David O. McKay, historiador Gregory Prince, que publicou há duas semanas uma biografia de Leornard Arrington: Leonard Arrington and the Writing of Mormon History.

É desta biografia que descobrimos uma página do diário de Arrington, onde ele lista mudanças que julgava serem necessárias e cruciais para alterar aspectos nocivos e perniciosos dentro da instituição da Igreja SUD.

Diário de Leonard Arrington, com seu retrato ao fundo. (Foto: Scott Sommerdorf l The Salt Lake Tribune)

Diário de Leonard Arrington, com seu retrato ao fundo. (Foto: Scott Sommerdorf l The Salt Lake Tribune)

Eis a lista de práticas comuns que Arrington identificou como prevalentes e prejudiciais: Continuar lendo

Hugh B. Brown: Liberdade de Pensamento

A Citação Mais Famosa do Presidente Hugh B. Brown

Blogueiro Convidado: Gary Bergera

Uma das citações mais conhecidas e famosas de uma Autoridade Geral vem de um conselho oferecido por Hugh B. Brown a alunos da BYU no dia 13 de Maio de 1969, durante uma devocional para todo o campus, dizendo: “Nós não estamos tão preocupados se as suas ideias são ortodoxas ou heterodoxas, desde que tenham suas próprias ideias.” Brown na época servia como 1o conselheiro do Presidente da Igreja David O. McKay. Poucas citações articulam um apoio “oficial” ao compromisso da Igreja com a liberdade de pensamento tão eficazmente.

Faz então, ou deveria fazer, diferença que o Presidente Brown jamais disse essas palavras? Continuar lendo