O Abismo Moral

Abril é época de Conferência Geral para a Igreja Mórmon, e não se pode falar sobre o mormonismo atual sem discuti-la.

O Presidente da Igreja, Thomas Monson, durante a reunião especial para o Sacerdócio, queixou-se do “abismo moral” entre o “mundo” e a Igreja:

“O compasso moral das massas mudou-se gradualmente para quase uma posição de vale-tudo. Eu já vivi o suficiente para acompanhar muito dessa metamorfose moral da sociedade. Antigamente, os padrões da sociedade e os padrões da Igreja eram em geral compatíveis. Agora, há um abismo entre nós, e este cresce cada vez mais.”

Dentre as falências morais da sociedade, Monson escolheu mencionar estas:

1) Profanidade em músicas e filmes, especialmente o uso do nome de Deus em vão;

2) Pornografia;

3) Álcool e Tabaco;

4) Postergar Casamento;

5) Divórcio.

Elaborando mais sobre o assunto do casamento, ele indicou que se entristece com a alta (de acordo com ele) taxa de cancelamentos de selamentos, ou seja, divórcios mórmons (do Templo). Ele cita, como causas ou motivos para divórcios problemas financeiros, problemas de comunicação, problemas com temperamentos, problemas com sogros, e pecados pessoais.

De todo o discurso acima, eu concordo apenas com os problemas com sogros! 😉

Thomas Monson nasceu em 1927. Era uma criança de 10 anos (hoje seria chamada de pre-adolescente) antes da Segunda Guerra Mundial! Era um jovem de 15 anos antes da disponibilização do antibiótico! Casou-se numa época quando seria ilegal que se casasse com uma negra ou uma asiática. Casou-se numa época quando seria ilegal se divorciar! Sem dúvida nenhuma, o mundo está muito diferente, e a sociedade está muito diferente, de quando Monson era jovem.

Mas diferente pior? Amoral ou imoral?

Vamos ponderar a questão.

Primeiramente, gostaria de falar sobre a questão do casamento. Monson queixa-se que os jovens estão esperando demais para se casar, e logo em seguida queixa-se da quantidade de divórcios de casamentos templários. Curiosamente, ele não levanta uma hipótese muito pertinente: Muitos divórcios entre casais SUD poderiam ser evitados se os nubentes esperassem para se casar até uma época de suas vidas quando estivessem mais experientes e maduros, tivessem melhor autoconhecimento e experiência de vida, e soubessem melhor quem são e o que querem em seus futuros cônjuges antes de se casarem.

Estatísticas norte-americanas (CDC, Censo, Pew Forum) sugerem várias conceitos interessantes: As taxas de divórcio estão diminuindo nas últimas 4 décadas, sendo proporcionalmente menores quanto maior o grau de instrução formal do casal,  maior o poder econômico do casal, e maior a idade média do casal à época do matrimônio.

Idade ao Casamento e Probabilidade de Divórcio (E.U.A.)

Idade Mulheres Homens
< 20 anos 27.6% 11.7%
20 – 24 anos 36.6% 38.8%
25 – 29 anos 16.4% 22.3%
30 – 34 anos 8.5% 11.6%
35 – 39 anos 5.1% 6.5%

Com relação às diferenças entre “a Igreja” e “o mundo”, no que diz respeito a casamento e divórcio, as estatísticas sugerem que SUD se divorciam menos que evangélicos e judeus, porém na mesma frequência que a média de todos os cristãos, e mais que católicos, luteranos, e até mesmo ateus.

Além disso, cabe lembrar que ,apesar da sociedade em geral apresentar sinais estatísticos claros de que as percepções do casamento tradicional estão realmente mudando, a importância e a valorização da instituição da família, em suas novas encarnações, segue tão importante quanto nos tempos do pequeno Tommy Monson.

Em outras palavras, os dados estatísticos nos sugerem que é bom que os jovens de hoje em dia esperem mais tempo para se casar. Aliás, quanto mais esperarem, maiores as chances de realizarem um casamento bem sucedido, menores as chances de divórcios, e certamente melhor para as crianças que crescerão em lares mais estáveis e estabelecidos.

Ademais, esses dados também sugerem que a sociedade continua valorizando a família e estruturas conjugais estáveis, tanto quanto os membros da Igreja SUD. E, ainda, que dentre os fatores que mais trazem felicidade e estabilidade para famílias e casamentos, a educação, carreiras bem sucedidas, e estabilidade financeira figuram no topo da lista.

No contexto histórico atual, com uma crise econômica que não parece dar sinais de arrefecimento, com taxas de desemprego recorde entre recém-graduados, e jovens famílias entre as mais penalizadas, financeira e socialmente, não seria talvez melhor conselho para nossos jovens que estudassem mais e assegurassem melhores futuros, e amadurecessem mais, apenas para depois poderem constituir famílias mais estáveis? Não seria esse o caminho para menos divórcios e cancelamentos de selamentos?

Pessoalmente, eu acho que o mundo hoje é melhor, no que diz respeito a casamentos e a famílias, do que em 1927. Uma mulher hoje pode se divorciar de um marido abusivo porque não depende dele financeiramente e é amparada por leis seculares. Mulheres não necessitam, hoje em dia, se sentir submissas a seus maridos. Jovens podem se concentrar em seus estudos e suas carreiras até estarem maduros, experientes, e estáveis do ponto-de-vista emocional, intelectual, e neurológico, para então buscar parceiros e cônjuges entre seus pares. Casais com problemas, hoje em dia, buscam ajuda de terapeutas profissionais sem quaisquer julgamentos de terceiros, e quando divorciados, estão livres para buscar parceiros mais compatíveis (e obrigados por lei a sustentar seus filhos adequadamente). Casais interraciais podem se casar legalmente. E por aí vai.

Certamente há muito o que melhorar. Sem dúvida há espaço para correções e crescimento. Não obstante, a minha impressão pessoal é que a instituição da família é, hoje, mais saudável e mais estável do que há 80 anos atrás.

Outra questão que eu gostaria de levantar é essa tal lista de “imoralidades”. Certamente, há que se concordar com Monson que há muitas coisas erradas no mundo, e muita imoralidade. Contudo, se você fosse escolher uma lista das 5 coisas mais imorais que mais assolam e mais arruinam o mundo no qual vivemos, vocês escolheriam as 5 coisas acima? Ou escolheriam 5 outros problemas?

Em postagens futuras, eu gostaria de retomar esse tema, bem como discutir os cinco problemas que Monson mencionou, mas antes eu gostaria de deixar a minha lista inicial, e gostaria de ler a lista de vocês.

Minha lista:

1) Corrupção

2) Analfabetismo Funcional (Educação Formal Insuficiente)

3) Intolerância (aos outros, às idéias, à diversidade, à etiqueta, etc.)

4) Violência (física, verbal, emocional, bullyismo, estrupos, agressões, agressividade, etc.)

5) Desigualdade Social

Quais os 5 maiores problemas morais no mundo de hoje, na sua opinião? Deixem seus comentários.


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33 comentários sobre “O Abismo Moral

  1. O discurso do Monson com relação a casamento e divórcio me fez pensar exatamente dessa relação entre casar-se cedo e divórcio.
    Tenho vários amigos que passaram por isso, e não tenho dúvida de que se casaram por pressão religiosa e social.
    Outro assunto que nem vc e nem o Monson tocou, é no assunto da quantidade de filhos. Na minha opinião esse assunto foi deixado de lado por causa do financial crisis. Mas também acho que o stress aumenta quando vc tem muitos filhos — afeta a parte financeira e emocional.
    Na minha opinião, a causa principal de divórcios entre SUD aqui nos EUA é a falta de dating skills. Parece brincadeira, mas estou falando sério. A maioria desse pessoal sai em group dates antes e depois da missão. Nunca conseguem fazer a transição do group dating para o regular dating, o que inibe uma pessoa de realmente conhecer melhor a outra. Aí quando se casam, é uma surpresa! As outras pressões são só enhancers, na minha opinião.
    Outro problema também — a maior meta da mulher SUD, que é ensinada desde a primária é casar-se no Templo. It is the ultimate goal! Aí se casa no Templo com 21 anos de idade, e vai fazer o que o resto da vida???? Não sabe! Aí os outros problemas são só enhancers da fruatração delas.

    • Patrick, você escreveu: “Outro assunto que nem vc e nem o Monson tocou, é no assunto da quantidade de filhos”. O número de filhos entre membros sud parece diminuir em harmonia com a sociedade em geral (“mundo”) por motivos obviamente econômicos. Ainda assim, parece que no Brasil as famílias têm um número aparentemente menor de crianças do que os sud nos EUA.

      Que tendência você hoje entre as gerações sud mais jovens que estão se casando hoje nos EUA? Aqui no Brasil, mesmo bispos sem filhos (na faixa dos 21 aos 30) têm se tornado mais comuns.

    • “Outro problema também — a maior meta da mulher SUD, que é ensinada desde a primária é casar-se no Templo. It is the ultimate goal! Aí se casa no Templo com 21 anos de idade, e vai fazer o que o resto da vida???? Não sabe! Aí os outros problemas são só enhancers da fruatração delas.”

      O mesmo problema não afetaria também os rapazes que são ensinados que devem servir missão e depois casar no templo? Ou as ambições acadêmicas e profissionaois criam outras metas a longo prazo? O sacerdócio dado aos homens e a maior possibilidade de chamados d eliderança, em contraste com a participação feminina, suaviza as frustrações e cria novas metas?

      Bom pano pra manga :]

  2. Marcello,

    concordo que a instituição familiar tem hoje diversas vantagens se comparada a décadas atrás. A legalidade do divórcio e o menor estigma social em torno dele é certamente uma delas.

    Desde a chamada “revolução sexual” na década de 60 e a utilização massiva de anticoncepcionais, a sexualidade humana passou a ser separada da função de procriação. Um dos legados disso são crianças nascendo de pais (homens) que não estarão presentes sequer socialmente. (Claro que por aqui a miscigenação forçada na senzala já nos mostra um antecedente para a prática, em outra dimensão). Como isso entra na tua análise? Ou a educação sexual seria a solução para esse contexto?

  3. Eu tendo a imaginar que o abuso sexual de crianças é hoje maior do que no passado. Mas só posso imaginar. Obviamente não há como provar devido à ausência de dados estatísticos do passado. Seja como for, percebo que o problema é muito maior do que poderíamos imaginar. De que forma isso reflete a falência moral da sociedade? Ou de que forma a sociedade cria o meio para que esse tipo de violência aconteça?

    Abuso estaria na minha lista.

  4. Poxa! Será que alguém pode responder uma pergunta com uma resposta e não com outra pergunta? Tipo, não entendi nada ainda. A final, a sociedade está mais corrputa ou não? Divórcio é correto ou não? O profeta falou conselhos desatualizados foi isso que quiz dizer ou não? O método socrástico é interessantissímo, porém, se usado sem controle poderá gerar uma série de choques culturais e emocionais. Começando em lugar algum e levando para lugar algum.

  5. Marcello, gosto muito da idéia de fazer uma lista dos maiores problemas que vejo no mundo, comparado com os que foram identificados pelo Presidente Monson. Concordo que a lista dele inevitavelmente é influenciada pela sua criação e a época que se produziu.

    Minha lista:

    1) Desigualdade económica

    2) Racismo estrutural

    3) Desigualdade de gênero

    4) Egoísmo e cobiça (e, se estou sendo honesto comigo mesmo, capitalismo como estrutura económica em geral)

    5) Apatia em relação às necessidades de nossos irmãos e irmãs no mundo todo

    • “Concordo que a lista dele inevitavelmente é influenciada pela sua criação e a época que se produziu.” Somente aspectos humanos o influenciou a fazer a lista? Porque é tão difícil aceitar que o Senhor o tenha inspirado também?

      • Porque a lista dele é completamente incongruente com os fatos estatísticos, imoral comparado com os grandes mals que assolam o mundo, e irracional frente a qualquer análise objetiva e coerente. Isso é perfeitamente demonstrável se você, por 5 minutos, ignorar quem proferiu a lista e apenas se concentrar na lista e nos dados, fatos, e argumentos levantados aqui.

        Você não está querendo chamar Deus de incongruente, imoral, ou irracional, está?

  6. Em contra-partida, pelo-menos no Brasil, apresenta-se que o índice de divórcios tem aumentado simplesmente por conta do aumento do número de casamentos e da facilidade legal para o divórcio, e não exclusivamente pelos pontos por todos aqui discutido: “É uma questão lógica: aumentaram os casamentos e, consequentemente, crescem os divórcios também” (Rodrigo da Cunha Pereira, advogado e presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família.)
    http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1198157&tit=Brasil-alcanca-a-maior-taxa-de-divorcio-dos-ultimos-26-anos

    Pra mim, a facilidade do divórcio, pode ter ajudado alguns que sofriam nas garras de cônjuges despidos do verdadeiro amor, mas também, gerou um incentivo a se lutar menos pelo sucesso do casamento, um relaxo exacerbado quanto a falta de interesse, compromisso e dever; tendo o divórcio como uma das primeiras opções para a “solução” de alguma crise ou desentendimento, quando, na maioria das vezes, há caminhos bem mais virtuosos, muito mais saudáveis, louváveis e eficazes, que garantiriam a vida conjugal, e esta perduraria alegremente.

    Ademais, vale também notar que não tardar o casamento é um vantagem positiva (pois o subterfúgio enfraquece), excetuando questões externas que fogem o poder do indivíduo [Ex: encontrar alguém interessado(a)], que diferente do que meu amigo autor do artigo opina, o casamento acelera a maturidade e o grau de felicidade, explorando especialmente a questão emocional e espiritual do casal, onde igualmente encontramos embasamento na abordagem científica (psicológica), como responde à Veja o conhecido “Doutor Felicidade” (Dr. Martin Seligman):
    Os casados são mais felizes que os solteiros?
    Seligman – Sim, o casamento está intimamente ligado à felicidade. Uma pesquisa nos Estados Unidos ouviu 35.000 pessoas nos últimos trinta anos. Dessas, 40% das casadas se disseram muito felizes, contra apenas 24% das solteiras, viúvas e separadas. A vantagem para os casados parece estar ligada ao fato de que eles se sentem mais amparados. Existem, no entanto, duas outras explicações para essa diferença de porcentagem, que antecedem o casamento em si: as pessoas felizes são mais predispostas a se casar e a manter o relacionamento.
    http://veja.abril.com.br/100304/entrevista.html

    Felicidade é um estado de espírito, e não a ausência de desafios financeiros, ânimos aflorados, orgulho ressaltado ou inexperiência. O amor suplanta a triste e difundida corrente do pensamento racional, tão comum e mais fácil, despida de fé, dotada de medo e cautela, distante da real alegria, nesta vida e na futura.

    Concluindo, a meu ver, o fato do Presidente Monson ter nascido numa época de fatores e influências com algumas diferênças de nossa época atual, isso não seria um ponto negativo, mas sim positivo, dado a bagagem de vida que ele construiu em seu próprio casamento, como também nos milhares de casamento que ele com certeza ajudou (e ajuda) a fortalecer, direta e indiretamente. Então sim, acho que a lista dele está perfeitamente atual, e sua experiência não alterou sua percepção dos males que assolam a divindade do casamento.

    Em outros discursos, tanto ele quanto o Pres. Hinckley, apontaram outras coisas importantes, que poderiam somar a lista, eu destaco, diante do sucesso do meu próprio casamento (tendo eu me casado jovem), bem como dos casamento que venho ajudando, este ítem:

    6) A ausência de namoro no casamento.
    Este, pra mim, é um dos maiores agravantes. Quando digo namoro, cito o mais amplo e belo sentido da palavra: a amizade, companheirismo, fazer amor (não sexo), diálogo contínuo, palavras gentis, cavalheirismo, feminilidade e sensibilidade, honra, proteção, e dedicação. Em resumo, “Se chegássemos pelo menos ao ponto de pensar nas necessidades do outro, então nossas necessidades seriam satisfeitas. (…) Um bom casamento exige esforço constante. (…) Não se deve deixar um dia sequer sem pensar em abençoar o cônjuge.”
    (Susan W. Tanner – Pres. Geral das Moças, “Painel de Debates” – Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 09/02/2008) “(…) A aliança de casamento não dá ao homem o direito de ser cruel ou descortês, e nenhuma mulher tem o direito de ser desleixada, irritadiça ou desagradável.” (Pres. David O. Mckay, Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, Cap. 15 pag. 162 e 163)

    abs

  7. Concordo com você Marcello, realmente existe uma pressão muito grande para os jovens da Igreja casarem. E o que tenho visto são casamentos desastrosos, gerados principalmente pela imaturidade, problemas econômicos, estrutura familar e talvez a falta de amor verdadeiro.

      • Sim, vou repetí-lo em breve. Estou em trânsito nos últimos dias e está um pouco complicado escrever. Mas escrevo, sim. Obrigado.

  8. Tentei ser sucinto, mas acho que não consegui.
    Primeiramente, em relação aos dados apresentados. Há que se fazer uma diferenciação entre “estatística” e “probabilidade”. Enquanto o primeiro é um dado, colhido através de pesquisas, o segundo é uma estimativa que segue, em geral, um modelo matemático.

    Assim, quando o autor fala da “probabilidade de divórcio” ser maior entre casais mais jovens, ele está apenas especulando. O próprio paper citado diz o seguinte : “The probability of divorce is not always the best measure of marital instability.”(página 4, Segundo bloco). Esse dado, então, não mostra nada e, se mostrasse, não seria confiável.

    Agora, em relação aos dados estatísticos, numa das fontes as taxas de divórcio estão praticamente constantes (CDC), lembrando que esses dados desconsideram, muitas vezes, estados bem “liberais” (no sentido moral e não econômico) como a Califórnia, o que poderia ter algum impacto nos números. Outra citação (PEW) mostra que o divórcio está aumentando (5% em 1960 e 14% em 2008). O Presidente Monson, afinal, parece estar bem antenado.

    O que mais me chamou a atenção no artigo, entretanto, foi uma falácia usada pelo autor. Ela é conhecida como Ad Hominem, e caracteriza-se por um tipo de ataque (ou estereotipagem) contra o autor de um argumento, tentando invalidar seu discurso. O autor comete essa falácia ao implicar que, pelo fato de o Presidente Monson ter nascido numa época bem anterior à nossa, seu argumento não cabe mais. A falácia, acho eu, é autoexplicativa.

    Também vejo uma pequena (mas importante) confusão no que se refere a “imoralidades”. Evidentemente o presidente da Igreja referiu-se a imoralidades dentro do conceito de moral cristã, mais particularmente ligadas à falta da castidade. Sinceramente, não vejo como comparar “corrupção” (primeiro item da lista do autor do artigo) a “profanidade” (primeiro da lista do profeta). Corrupção é um problema moral, sim, mas não dentro do escopo de imoralidades sugerido pelo Presidente Monson. Eu concordo que tabaco e álcool talvez pudessem ficar de fora da lista mas, os outros ítens estão todos ligados ao tema “castidade” (de certa forma, o álcool em excesso também).

    Devemos tomar muito cuidado ao defender o casamento tardio. Vocês conseguem imaginar um homem saudável, membro da Igreja que, solteiro aos 30 ou 35 anos, consegue guardar a lei da castidade mesmo diante de todo ataque que ele sofre diariamente ? Casar cedo (não adolescente, claro) é algo muito benéfico. Ninguém precisa sair da faculdade para poder casar, mesmo os pais podem ajudar (não vejo problema). Agora, postergar o casamento é abrir a guarda ao inimigo, sem dúvida.

    Já que o autor usou um Ad Hominem, sinto-me à vontade de fazer o mesmo. Pergunto : Quantos anos você tem ? Você é casado ? Com quantos anos se casou (caso seja casado, claro) ? Pergunto para fins estatísticos, é claro. =)

    • É isso aí, Marcio Versuti! Concordo contigo.
      Aproveitando complemento: Tentar desautorizar o discurso de Thomas S. Monson por causa da idade dele, me pareceu um argumento um tanto quanto preconceituoso.

      • Não, Vivian. Não é desautoriza-lo por causa da sua idade. Pelo contrário. É para contextualizar como suas ideias sobre casamento e família são antiquadas porque ele cresceu em outra época, completamente diferente da nossa.

        Em outras palavras, ele está completamente enganado sobre o que os estudos científicos e estatísticos-populacionais nos demonstram, mas não porque é “velho” ou “gagá”, mas simplesmente por ter crescido num mundo muito diferente.

        Como disse o escritor britânico L.P. Hartley: “O Passado é um país estrangeiro: lá as coisas são feitas diferentemente”.

        Com relação ao Márcio, infelizmente ele está errado em todos os pontos. Factualmente errado (ver abaixo).

    • Márcio, eu não havia visto este comentário até hoje. Espero não ter passado a impressão de ignora-lo.

      De qualquer modo não perdi muita coisa, já que você estava tão errado em absolutamente tudo!

      Primeiramente, a sua conclusão sobre a questão de “estatística” e “probabilidade” está completamente errada. Você não é engenheiro? Você leu o estudo? Você não percebeu que o estudo modela “probabilidade” baseado em estatística populacional? Você não aprendeu na faculdade que é assim que estudos populacionais cientificos e médicos são realizados? Você tem consciência de que sua citação seletiva constitui desonestidade intelectual, quando você se queixa que o estudo admite que “a probabilidade de divórcio não é sempre a melhora medida de instabilidade conjugal” e ignora o que segue após, quando os autores explicam o porquê (i.e., diferenças culturais em subgrupos raciais) e como eles corrigem pra isso (i.e., separar em duas análises, controlando para “separação sem divórcio”)? Você não aprendeu na faculdade que é assim que cientistas devem conduzir seus estudos, admitindo, antecipando, e corrigindo as deficiências dos seus estudos? De onde você tirou a fantasia que os dados do CDC não incluem “estados liberais como a California”? Aliás, de onde você tirou a fantasia de que a Califórnia fosse um “estado liberal”? Você sabe que Califórnia foi o estado onde a Igreja SUD torrou milhares de dólares para passar legislação anti-gay, e conseguiu?

      Eu sugiro que você faça um curso de recapitulação em Probabilidade e Estatística. Um curso básico sobre ciência e estudos populacionais ajudaria, também. Informar-se mais através de jornais e menos de colunas de fofocas (Califórnia?) também ajuda.

      Em segundo lugar, eu acho que você não entende direito o que é a falácia lógica não-estrutural popularmente chamada “Argumentum ad Hominem”. A falácia resulta na argumentação de que determinada idéia é inválida por causa de alguma característica irrelevante de seu autor. Se você tivesse prestado mais atenção e lido o texto acima inteligentemente, teria percebido que: 1) Eu não argumentei que a proposição de Monson é inválida porque Monson é de outra época, mas 2) Eu argumentei que a proposição de Monson é inválida porque estudos demonstram que ela é inválida e, 3) A conscientização de que Monson seja de outra época serve nada mais que justificar e contextualizar o porquê que suas noções sejam tão antiguadas e ultrapassadas e não por algum defeito no caráter ou raciocínio. Ademais, se você tivesse se dado o trabalho de aprender sobre esta categoria de falácia lógica, saberia que ela nem sempre é inválida, pois depende da questão de relevância. Quantas pessoas medianamente inteligentes você conhece que não acreditam relevante considerar a formação geracional (ou contexto cultural) para a visão-de-mundo de indivíduos?

      Eu sugiro que leia o artigo acima novamente, depois de ler um pouco sobre “Argumentum ad Hominem”. É um dos conceitos mais simples em filosofia, mas você óbviamente não o domina ainda. Se precisar de ajuda para entender melhor, peça ajuda.

      Em terceiro lugar, a sua equivocação sobre “moralidades” é a cerne do meu artigo. Trata-se de uma estupidez inútil distinguir entre “moralidade Cristã” e “moralidade”. Moralidade é justamente a diferenciação filosófica entre “bem” e “mal”, entre os atos “bons” e os atos “maus”, etc. Dentre os muitos costumes considerados na questão da moralidade estão os atos sexuais, que podem ser considerados “bons” ou “maus”. Roubo é uma questão moral. Corrupção idem. Preconceito racial ou de gêneros, idem. Qualquer problema social que levante a questão filosófica de julgamento de valores (certo ou errado, bem ou mal, positivo ou negativo) é uma questão moral. Thomas Monson não é um imbecil e sabe muito bem o que significa moralidade, e por isso ele não confunde “moralidade” no sentido amplo com “moralidade sexual”. Tanto que ele, dos 5 itens de questão moral que ele menciona, inclui apenas um quesito de âmbito sexual.

      Em quarto lugar, a sua conjectura de que todos os itens citados por Monson estão ligados à “castidade” é simplesmente cretina demais para ser levada a sério. Divórcio é um problema de castidade? Divórcio é um problema conjugal complexo e se você perguntar para 100 psicólogos especializados em terapia conjugal se divórcio é um problema de castidade, 90 lhe chamarão de cretino. Álcool é um problema de castidade? Brilhante. Vamos tratar etilismo agora com votos de castidade! Usar o nome de Deus em vão é um problema de castidade? Gênio! Agora ficou fácil ajudar adolescentes a controlarem seus hormônios: Basta não usar o nome de Deus em vão e todo aquele tesão hormonal pueril se esvaecerá.

      No geral, Márcio, você não apresentou um único argumento inteligente, coerente, bem informado ou válido. A única conjecturação que você colocou que faz o mínimo de sentido racional foi a de que é mais difícil para jovens absterem de sexo pré-marital se forem casar-se mais tarde. Sem dúvida. O que, na minha opinião é um motivo estúpido para se casar mais cedo, especialmente tendo em vista que todos os estudos apontam para melhores indicadores sociais, econômicos, e matrimoniais em casais que se casam mais tarde (quando comparados com casais que se casam mais cedo, e isso estatísticamente falando e não prognósticamente falando para cada casal individual — eu sei que você está tendo dificuldades com o conceito de análise e predição estatística). Considerando os estudos como os temos hoje, eu diria que é até imoral exigir algo dos jovens que dificulta, ao invés de facilita, o sucesso de suas vidas produtivas e o sucesso de seus casamentos. Ademais, imoral é considerar que estas questões sociais são mais relevantes e urgentes que outras questões morais muito mais graves e impactantes, como Desigualdade Social, Violência, Intolerância, Escravidão Humana, etc.

    • Às vezes uma pessoa deseja tão ardentemente defender a fé e acaba falando uma série de coisas que podem até convencer quem não pesquisa, mas em nada convencem quem pesquisa…

      Por exemplo, no primeiro parágrafo do post do irmão Márcio Versuti, onde ao final ele afirma que o dado apresentado no texto do irmão Jun “não mostra nada” e, se mostrasse, não seria confiável. Esta fonte assevera que “em um ranking de ‘valores familiares’, com base na taxa de casamento, na taxa de divórcio, na taxa de suicídio, dados de taxa de AIDS do Almanaque Mundial dos EUA, Utah ficou em 4º entre os índices mais alto da nação”. O artigo da Adherents ainda afirma que entre os casais mórmons, onde ambos são mórmons e se casam, há uma taxa muito pequena de divórcios, porém “As taxas de divórcio para os santos dos últimos dias que se casam no templo são de 5,4 por cento para os homens e de 6,5 por cento para as mulheres”. Eu diria que isso mostra algo significativo, sim, principalmente para mórmons… Pode-se discordar e dizer que os dados estão incorretos e que não são fidedignos, mas neste site totalmente SUD se diz “O índice de divórcio para os casamentos do templo é de cerca de 6,5%, mas este é um número bem pequeno quando comparado com os divórcios em geral dos Estados Unidos que chega a 50% e divórcios entre membros ativos em qualquer religião que é de 25%. (Veja diz 6,5% e ele acha pequeno).

      Vou contestar os outros números oportunamente… Vamos em frente…

      Um estudo publicado pela folha em julho de 2010 afirma que “nenhuma religião evita divórcios”.

      No Blog do Paulo Lopes há um artigo que afirma que: “Os cristãos conservadores, sobretudo eles, pregam a importância da religião para manter unida a família, mas nos Estados Unidos se divorciam mais que os ateus, de acordo com pesquisa feita pela organização evangélica Barna Researh Group. E mais abaixo na mesma matéria “A taxa de divórcios entre os católicos e luteranos – classificados como religiosos moderados – é igual a dos ateus (21%). Os batistas apresentaram a taxa de 29%. Em seguida vêm os protestantes tradicionais (25%), os protestantes independentes (24%) e os mórmons (24%)”.

      No terceiro parágrafo Versuti faz uma critica ao autor sugerindo um tipo de falácia. Mas o próprio argumento tentando estabelecer a diferenciação entre estatística e probabilidade para depois desvirtuar o argumento também constitui uma falácia denominada “espantalho” (desvirtuar um argumento para ficar mais fácil atacá-lo)…

      No quarto parágrafo Versuti refere-se a uma “pequena confusão”, mais uma vez a falácia do espantalho… Neste parágrafo duas coisas chamam a atenção: primeiro a dificuldade de o autor do post vincular a corrupção à imoralidade (Versuti em critica a Jun que faz este vínculo) e segundo o vínculo que ele faz quanto a dificuldade de homens jovens ou maduros em guardarem a castidade… Quanto a segunda questão, pode-se facilmente citar e lembrar do exemplo de Jesus Cristo e também o fato de que se o instinto e desejo por sexo fosse algo incontrolável, Cristo ao invés de sair fazendo milagres e ensinando teria saído para fazer outras coisas… E quanto ao vínculo entre corrupção e imoralidade… Ora, ora, etimologicamente a palavra corrupção vem do latim “corruptio”, e pode significar degradação dos valores morais, hábitos ou costumes. Santo Agostinho (apud Leonardo Boff) explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor) rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra idade” (8,21). Ainda segundo Boff “há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência”. Imoral vem do Latim immoralis, formada por in-, “não”, + moralis, “conduta adequada de uma pessoa em sociedade”, literalmente “relativo aos modos, às maneiras, disposição própria, tendência”. Por isso nunca podemos esquecer: “Ashrei Adam mefached tamid” = “Feliz é o homem que teme continuamente”. A corrupção tem tudo a ver com imoralidade. A visão de Jun está corretíssima.

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