Primeira Presidência: Liberdade Religiosa, Direitos Civis

Carta da Primeira Presidência d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias de 1969 ilustrando a preocupação profética em proteger suas liberdades religiosas e também os direitos civis de minorias.

A Primeira Presidência d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 1969: David O. McKay, sentado e ladeado por seu conselheiros, Hugh B. Brown à esquerda da foto e N. Eldon Tanner à direita

A Primeira Presidência d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 1969: David O. McKay, sentado e ladeado por seu conselheiros, Hugh B. Brown à esquerda da foto e N. Eldon Tanner à direita

15 de Dezembro de 1969

Para Autoridades Gerais, Representantes Regionais dos Doze, Presidentes de Estaca, Presidentes de Missão, e Bispos.

Queridos Irmãos:

Tendo em vista a confusão que vem surgindo, foi decidido em uma reunião da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze reafirmar a posição da Igreja em relação ao Negro na sociedade e na Igreja.

Em primeiro lugar, podemos dizer que sabemos alguma coisa sobre os sofrimentos daqueles que são discriminados em uma negação dos seus direitos civis e privilégios constitucionais. Nossa história inicial como igreja é uma história trágica de perseguição e opressão. Nosso povo repetidamente foi negado a proteção da lei. Eles foram expulsos e saqueados, roubados e assassinados por turbas, em muitos casos com a cumplicidade de quem havia jurado cumprir a lei. Nós, como um povo, experimentamos os frutos amargos da discriminação civil e violência da multidão.

Acreditamos que a Constituição dos Estados Unidos foi divinamente inspirada, que foi produzida por “homens sábios” a quem Deus levantou para este “verdadeiro propósito”, e que os princípios consagrados na Constituição são tão fundamentais e importantes que, se possível , eles deveriam ser extendidas “para os direitos e proteção” de toda a humanidade.

Em revelações recebidas pelo primeiro profeta da Igreja nesta dispensação, Joseph Smith (1805-1844), o Senhor deixou claro que “não é certo que homem algum seja escravo de outro.” Estas palavras foram ditas antes da Guerra Civil. A partir dessas e outras revelações surgiram a preocupação profunda e histórica da Igreja com o livre arbítrio do homem e o nosso compromisso com os princípios sagrados da Constituição.

Segue-se, portanto, que nós acreditamos que o Negro, bem como os de outras raças, deveria ter seus privilégios constitucionais completos como um membro da sociedade, e esperamos que os membros da Igreja em todos os lugares irão fazer a sua parte como cidadãos para assegurar que estes direitos permaneçam invioláveis. Cada cidadão deve ter oportunidades iguais e proteção sob a lei com referência aos direitos civis.

No entanto, questões de fé, consciência e teologia não estão dentro do alcance da lei civil. A primeira emenda à Constituição prevê especificamente que “o Congresso não fará nenhuma lei com respeito ao estabelecimento da religião, ou proibindo o livre exercício dela.”

A posição da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias concernente os da raça negra que optam por aderir à Igreja cai integralmente dentro da categoria de religião. Ele não tem qualquer influência sobre questões de direitos civis. Em nenhum caso ou grau nega ao Negro seus privilégios como um cidadão da nação.

Esta posição não tem relevância alguma para aqueles que não desejam se juntar à Igreja. Aqueles indivíduos, supomos, não acreditam na origem e natureza divina da Igreja, nem que temos o sacerdócio de Deus. Portanto, se eles sentem que não temos nenhum sacerdócio, eles não deveriam ter qualquer preocupação com qualquer aspecto de nossa teologia sobre o sacerdócio, enquanto que a teologia não nega qualquer um os seus privilégios constitucionais.

Uma palavra de explicação sobre a posição da Igreja.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deve a sua origem, a sua existência, e sua esperança para o futuro ao princípio da revelação contínua. “Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora e cremos que Ele ainda revelará muitas grandiosas e importantes coisas relativas ao Reino de Deus”.

Desde o início desta dispensação, Joseph Smith e todos os presidentes sucessivos da Igreja têm ensinado que os Negros, enquanto filhos espirituais de um Pai comum, e da descendência de nossos pais terrenos Adão e Eva, ainda não deveriam receber o sacerdócio, por razões que acreditamos que são conhecidos por Deus, mas que Ele não fez totalmente conhecido ao homem.

Nosso profeta vivo, o Presidente David O. McKay, disse: “A aparente discriminação pela Igreja para com o Negro não é algo que se originou com o homem; mas remonta até o início com Deus ….

“O Apocalipse nos assegura que este plano é anterior a existência mortal do homem, que se estende de volta ao estado pré-existente do homem.”

Presidente McKay também disse: “Em algum momento no plano eterno de Deus, ao Negro será dado o direito de possuir o sacerdócio.”

Até que Deus revele Sua vontade nesta matéria, a ele a quem apoiamos como profeta, estamos vinculados por essa mesma vontade. O sacerdócio, quando é conferido a qualquer homem, vem como uma bênção de Deus, não dos homens.

Nós sentimos nada além de amor, compaixão e da apreciação a mais profunda pelos ricos talentos, dons, e os esforços sérios de nossos irmãos e irmãs negros. Estamos ansiosos para compartilhar com os homens de todas as raças as bênçãos do evangelho. Não temos congregações racialmente segregadas.

Fossemos nós os líderes de uma empresa criada por nós mesmos e operando somente de acordo com a nossa própria sabedoria terrena, seria uma coisa simples agir de acordo com a vontade popular. Mas acreditamos que este trabalho é dirigido por Deus e que a atribuição do sacerdócio deve aguardar Sua revelação. Fazer o contrário seria negar a própria premissa sobre a qual a Igreja está estabelecida.

Reconhecemos que aqueles que não aceitam o princípio da revelação moderna podem opor-se a nosso ponto de vista. Repetimos que tal pessoa não gostaria de ser membro da Igreja, e, portanto, a questão do sacerdócio não deve ser de nenhum interesse para eles. Sem preconceito, eles devem permitir-nos o privilégio concedido nos termos da Constituição para exercer a nossa forma escolhida de religião assim como devemos conceder a todos os outros um privilégio similar. Eles devem reconhecer que a questão de conceder ou recusar o sacerdócio na Igreja é uma questão de religião e não uma questão de direito constitucional.

Nós estendemos a mão da amizade aos homens em todos os lugares e a mão da amizade a todos os que quiserem juntar-se a Igreja e participar das muitas oportunidades gratificantes que aqui se encontram.

Juntamo-nos com aqueles em todo o mundo que oram para que todas as bênçãos do evangelho de Jesus Cristo possa, no devido tempo do Senhor se tornar disponíveis para homens de fé em todos os lugares. Até que o tempo venha devemos confiar em Deus, em Sua sabedoria e em Sua tenra misericórdia.

Enquanto isso devemos nos esforçar ainda mais para imitar o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, cujo novo mandamento era que deveríamos amar-nos uns aos outros. Ao desenvolver esse amor e preocupação com o outro, enquanto se aguarda revelações ainda por vir, esperamos no que diz respeito a essas diferenças religiosas, que possamos ganhar reforço para a compreensão e apreciação de tais diferenças. Eles desafiam nossas semelhanças comuns, como filhos do mesmo Pai, para ampliar os alcances de nossas almas divinas.

Fielmente seus irmãos,

[assinado]

A Primeira Presidência
Por Hugh B. Brown
N. Eldon Tanner


Carta da Primeira Presidência a todos os líderes locais da Igreja SUD, datada em 15 de dezembro de 1969.

Leia outra carta da Primeira Presidência em 1947 sobre isso.

Leia mais sobre como a Primeira Presidência em 2015 protege a sagrada instituição da família e do casamento tradicional.

4 comentários sobre “Primeira Presidência: Liberdade Religiosa, Direitos Civis

  1. Essa é a explicação mais comum que conheço. Não com tanta pompa, mas a mais repetida por membros de toda parte que não se envergonham da falta de empenho dos oráculos na busca por uma resposta mais clara e genuinamente divina.

    Afinal, a pedra não é no sapato deles e sentem-se confortáveis em suas cadeiras, perpetuando seu preconceito e heranças sociais do tipo.

    É verdade, pra quem não quer participar da igreja isso pouco importa, o desconforto é para aqueles que não queriam sair, mas cuja dor não é suplantada e parece que a única resposta é tão dramática decisão.

    Relembrando uma velha frase de um famoso filme SUD: “ninguém se casa pensando em se separar”. Nesse caso a igreja parece se portar como o marido injusto e insensível para algumas famílias. Não para todas, mas para uma boa quantia.

    A igreja ensina, mas não cuida tão bem dos seus. Está mais preocupada em fazer mídia com estrangeiros (em relação a obras de caridade e poder econômico), mas pouca efetividade tem com aqueles que já a aceitam e participam dela. É bem aquela coisa “missionária”, você é muito especial e paparicado antes do batismo, mas, passado alguns meses ou semanas: “que se vire, afinal, esse eu já ganhei e sabe se virar sozinho”. Lembra até aquele conquistador barato de mocinhas.

    Nem toda pessoa afastada tem problemas com outros ou pecados, algumas simplesmente são esquecidas mesmo e não suportam por si mesmas. Ou percebem que não fazem falta por não conseguem fazer exatamente o que os demais ‘robozinhos’ conseguem.

    • A maioria não tem opinião formada sobre nada pois estão esperando a liderança se pronunciar em tudo para depois concordar e não serem julgados!

    • Adalberto, isso (tipo exemplificado no artigo) não é nem uma resposta. É uma divagação. Seria mais fácil dizer: “sim, não apoiamos negros aqui dentro porque não sabemos como, ou não temos intenção, ao menos agora, de dar a eles os mesmos direitos dos brancos; há uma divisão interna aqui, e não conseguimos unanimidade sobre isso”.

      Seria mais honesto e uma resposta verdadeira da igreja. Sim, sem desculpas, sem invenções, sem tentar fazer média (até porque a redação do texto sequer consegue fazer isso).

      Mas tem o outro lado, tem pessoas tão desesperadas por ‘uma justificativa’ que aceitam qualquer resposta para lhe aplacar a dissonância.

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