Osama, Obama e um monte de perguntas

Segunda-feira de manhã peguei o jornal no balcão da padaria por costume. Queria ver as manchetes enquanto esperava o sanduíche que seria meu café-da-manhã. A manchete sobre a morte de Bin Laden parecia quase ficção. “Sério que isso aconteceu?”, pensei comigo num misto de admiração e perplexidade.

Muitas outras perguntas vieram; mas nenhuma certeza. O mundo mudou depois de 11 de setembro de 2001. Mudaria de novo agora? Haveria razão para temer menos? Ou mais? Havia uma vitória da humanidade sobre a violência? Ou apenas uma vitória de Barack Obama através da violência?

Para matar o super-terrorista, não houve aparentemente grande dificuldade: poucas pessoas, nenhuma armada. Não, eu não tenho dúvida que Bin Laden era um terrorista da pior espécie. Mas um inimigo deve ser executado sem julgamento? Não é essa lógica similar ao próprio terrorismo? E até que ponto a existência de um inimigo não serve como um incentivo para o patriotismo, o aquecimento da economia e toda a movimentação política norte-americana da última década?

No Livro de Mórmon, cuja narrativa é permeada pela guerra e ameaças de guerra, há uma distinção entre a guerra defensiva e a guerra para o domínio e conquista, sendo apenas a primera justificável (Alma 48:14-15). A partir do momento em que os nefitas passam a fazer de sua ação militar uma forma de vingança ao invés de defesa, o cenário muda (Mórmon 3:9). A execução de Bin Laden sem um julgamento legal nos passa a impressão de que tenha sido um ato de vingança.

Uma década de caçada, com milhares de mortos, trilhões de dólares gastos para que se chegasse ao final da novela na última segunda. Final? Os EUA atacaram o Iraque, país onde a Al-Qaida nunca esteve. Que peso teve o petróleo na invasão daquele país? E quando a ocupação militar do Iraque e do Afeganistaão vai terminar?

Por último, outra pergunta que surge é sobre o papel que teve a tortura na obtenção de informações. Muitos ex-funcionários da administração Bush se vangloriam de que a torura em Guantanamo tenha sido essencial para levar à captura de Osama. Não é esse outro aspecto em que os EUA se assemelham às organizações terroristas ao utilizarem a velha retórica de que os fins justificam os meios?

Como serão analisados esses acontecimentos na próxima Conferência Geral da Igreja sud? Com tom de regozijo e esperança redobrada?

Mais desperto e tendo comido o sanduíche, tive a impressão de que ainda estava no mesmo mundo do dia anterior.

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