Ter fama importa?

Nós todos temos visto essas listas. De vez em quando alguém cria uma lista de “mórmons famosos” — aqueles de que todo mundo já ouviu falar e que são membros da Igreja SUD. E a lista é feito com um tom de espanto, “legal, né?”

O ator Aaron Eckhart

O ator Aaron Eckhart

Daí, no decorrer da conversa sobre a lista, outros nomes são adicionados, alguns são criticados como não mórmons na verdade e inevitavelmente alguém critica o conceito todo, dizendo que se alguém é ou não é famoso não deve importar.

E podem ter razão, pois muitas vezes parece que a lógica empregada é: Você gosta de fulano famoso. Ele é mórmon. Portanto você deve se converter. Essa lógica é tola. Não deve importar se alguém famoso é mórmon.

Ou será que importa?

Devo admitir que eu sou culpado de compilar e publicar algumas dessas listas. Há anos tenho compilado listas de atletas mórmons em vários esportes, políticos mórmons, artistas mórmons, músicos, empresários, bilionários, etc, etc, etc. Quando tenho confiança suficiente de uma parte da minha informação, eu escrevo um aritog num blog e assim outros possam adicionar ou subtrair, ou discutir a informação na lista desses Mórmons.

Mas não acho que as listas têm importância eterna. Então, por que faço as listas? Porque eu quero fazer conexões com outras pessoas.

Se você pensar um pouco sobre isso, verá que a maioria das pessoas procuram fazer conexões com as outras de alguma forma ou outra. Veja nos esportes, por exemplo. É incomum que eu encontrar alguém que não se interesse com pelo menos um esporte e que não tem um time favorito. Mas quando você examina as motivações, a maioria dos fãs de esportes não tem qualquer motivo importante para preferir a sua equipa sobre a outra. A geografia é muitas vezes um fator importante – é mais fácil torcer para um time que está perto de você – mas hoje, com tantos jogos na televisão, a proximidade geográfica não é requerido mais. E mesmo assim, como poderia o fato de que você vive perto ser algo que é “importante” ou de importância eterna? O fato é que os fãs escolhem o time ou a pessoa que gostam sem ter razão importante.

No final das contas, simplesmente não há muito significado eterno no esporte, ou na cinema ou em muitos outros campos. Muita parte disso é apenas entretenimento — mas o entretenimento tem valor, pois conecta pessoas umas com as outras. Você gosta de um time de futebol e eu gosto da mesma equipe, daí  temos algo em que podemos falar. Nós temos uma ligação. A importância eterna vem só da relação que podemos construir a partir desta conexão.

Agora, eu não quero dizer que esses relacionamentos são sempre positivos. Esportes, por exemplo, também nos dividem. Temos equipes rivais, e os fãs, por vezes, lutam por causa da lealdade ao equipe. Como na maioria das atividades humanas, essas conexões podem render frutas boas e frutas ruins. Mas eu acho que em geral os seres humanos constroem bons relacionamentos das conexões que fazem.

Então eu componho as listas de mórmons em vários campos. Eu procuro ter muito cuidado — Eu não adiciono pessoas às minhas listas baseado em rumores, eu defino normas para de inclusão (como jogar por um time da primeira liga ou ser membro da legislatura nacional) e procuro encontrar todos os que se encaixam nos critérios em vez de apenas aqueles que apareceram na mídia. Acho que o maior problema com a maioria das listas de pessoas “famosas” é que não há uma definição clara de “famoso”!

Eu adoraria ouvir seus pensamentos sobre isso. A fama importa de alguma forma? Fazendo listas de quem é mórmon é errado? Por quê?

17 comentários sobre “Ter fama importa?

  1. Acho que essas listas evidenciam que somos uma religião minoritária e que busca algum tipo de afirmação. Não se faria no Brasil, por ex., uma lista de “católicos famosos”.

    O único risco que vejo nessa prática é de reforçar imagens ou mesmo estereótipos do que é ser um sud/mórmon. E aqui estou falando não só da percepção por parte de não-mórmons, mas de mórmons também – como por ex a ideia de que somos (ou devemos ser) politicamente conservadores e ricos. Fico preocupado, por exemplo, com a atitude defensiva de mórmons brasileiros em torno da figura de Mitt Romney: pelo simples fato de ser mórmon, ele deve ser um ótimo político.

    • Então está no mesmo com o Leonel?

      Tudo bem. Vou limitar as listas para uma só por mês [Sorriso!!]

      Antônio, você não acha possível fazer tais listas sem buscar afirmação? Se eu incluo quem é mórmon sem importar se é ativo ou não, ou fiel ou não? Sabe, na lista que eu faço dos jogadores de beisbol, mais de a metade são inativos ou não se sabe se é ativo ou não.

      E no caso de Mitt Romney, acho a resposta é óbvio: falar dos outros mórmons que não são politicamente conservadores. Fala de Harry Reid, de Morris e Stewart Udall. Fala de George Romney, que não era tão politicamente conservador como Mitt (na minha opinião).

      A resposta é MAIS informação. Não é menos informação!!!

  2. Creio que seja válido lembrar que alguém famoso é mórmon para facilitar uma aproximação com alguém que nunca teve contato com os mórmons ou para evitar a conexão “Mórmon = Weirdness”.
    Por exemplo, ao trabalhar no ABN Amro Bank, meu chefe e vice-presidente do Banco soube por comentários que eu era mórmon. Ele havia assistido uma palestra de Stephen Covey e ficara impressionado. Ao saber que Covey também era mórmon ele me pediu para falar mais sobre os 7 Hábitos. Coloquei ele em contato com a Franklin Covey do Brasil e ele comprou um treinamento dos 7 Hábitos para todo o corpo executivo do Banco.
    O detalhe é que um de seu Diretores também era mórmon e ele nem sabia. Em resumo, ele saiu com uma ótima impressão de “quem são os mórmons”. Eu mesmo cheguei a dar uma Liahona da Conferência Geral para ele, onde confundiu a careca de Dallin Oaks com a careca de Stephen Covey…

    Até mais!

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